Solstice - Interativa
29 「VIII • Wallace」 Sem milkshake, parte 1
Não era muito difícil perceber o quanto Wallace estava comportando-se de maneira diferente desde que Alois havia se oferecido a acompanhá-lo até o dormitório para pegar o laptop.
Além de manter-se em silêncio durante quase todo o trajeto, ele balbuciava para responder cada tentativa de puxar assunto que sua companhia fazia-- e acabava se calando novamente após responder, desconcertado.
Como se não bastasse a vergonha de ter ficado inconsciente no casarão dele ontem, o fato de que Alois chamá-lo de “Wall-E” ao invés do seu nome deixava-o mais constrangido ainda. Era um apelido que apenas pessoas próximas podiam usar, e não qualquer um que o conhecesse há algumas horas.
Ah, mas ele não ligava de verdade para essas coisas. Por que estaria sentindo-se assim?
Finalmente, chegaram à porta do quarto. Wallace a abriu, e os dois entraram.
— É bem aconchegante. Organizado. — Alois parecia estar genuinamente interessado em interagir, intensificando a timidez de Wallace. — Nossa, você levanta pesos? — falou ao notar os equipamentos de academia que estavam no chão ao lado da cama.
— Bom... Sim. Eu gosto de deixar minha rotina a mais produtiva possível.
— Wow, deve ser muito bom ser inteligente e sarado. Queria ser assim também~ — Riu, fazendo Wallace corar e desviar o olhar com um pouco de nervosismo.
Era hora de focar em pegar o laptop, e não de ficar distraído com conversas daquele tipo… O que deu em mim ultimamente?
O garoto pegou seu computador portátil e o colocou dentro da pasta. Pegou o celular, que estava em cima da mesa.
Ué, novas mensagens?
Desbloqueou o aparelho e as leu, tendo uma sensação repentina de mal-estar assim que viu a procedência desconhecida das misteriosas mensagens.
“Wallace...?”
“Wallace, por que você não me responde?”
“Você foi para a casa do Alois ontem.”
“Você tem tempo para ir à casa dele mas não tem tempo de me responder?”
“Onde está você?”
“A senha do seu laptop é complicada. Mas não tem problema, depois eu descubro.”
“Como as suas roupas são cheirosas...”
“Estou te olhando pela janela. Você está vindo para cá com Alois... Que irritante.”
“Imagino que ele também curtiria ser observado?”
Mas que droga é essa?! Estava cansado daquela porcaria de stalker. Retirou o laptop da pasta – onde havia acabado de o guardar – e conectou o celular ao dispositivo enquanto sentou-se na cadeira. Era hacker, afinal. Tinha que ter um jeito de rastrear a pessoa que estava mandando mensagens, mesmo sendo número privado...
— O que você está fazendo? O pessoal está nos esperando lá no Le Petit Café — Alois perguntou, pondo as mãos sobre os ombros de Wallace enquanto o assistia ligar o laptop.
— Vou resolver um problema. Não vou demorar, garanto.
— Mas é algo realmente tão importante assim…?
Wallace não estava pretendendo falar das mensagens para Alois, mas...
— Há algum tempo eu tenho recebido certos SMS de um número privado. Alguém está me observando e aparentemente mexendo nas minhas coisas, e isto está me perturbando muito — mostrou o celular para Alois — Leia você mesmo.
Chocado, o garoto entregou o celular de volta para Wallace após ler todo o histórico.
— Isso é... Horrível... — Olhou em volta. — Será que há câmeras ocultas no seu quarto?... Mas e como essa pessoa conseguiu entrar aqui pra ver seu laptop e suas roupas? A não ser que seja um blefe... Ugh...
— Câmeras? — Wallace começou a ficar mais nervoso ainda. — Droga! Não temos tempo pra procurar... Alois, eu preciso que você pegue os lençóis e cubra os objetos do cômodo enquanto eu rastreio esse anônimo desgraçado. Pode pegar os do meu colega de quarto também!
— Pode deixar! — Seguiu as ordens o mais rápido que conseguiu, e em seguida pegou uma cadeira e sentou-se ao lado de Wallace. — Você consegue resolver isso — Repousou suas duas mãos sobre os ombros do jovem, que engoliu em seco, nervoso.
E não era só por causa das mensagens que o hacker estava sentindo-se assim.
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