Solstice - Interativa

31 「VIII • Charlotte」 Curiosidade


Charlotte ficou surpresa ao ver que o mesmo número desconhecido que havia ligado para ela na quarta-feira passada estava ligando novamente. Uma parte dela queria simplesmente colocar esse número na lista negra e prosseguir sua vida, porém a curiosidade era mais forte.

Não se conteve e atendeu a chamada. Diferente da última vez, a ligação já começou chiando bastante.

— Quem está falando?

“Ch...otte... Vo... tem q... encontr...”

— A ligação está muito ruim, não estou te entendendo.

Silêncio instalou-se durante um pequeno intervalo de tempo, e então a misteriosa voz do outro lado da linha voltou a falar com o som mais limpo.

“Charlotte, você tem que vir me encontrar. Estou na fábrica abandonada na rua Petit-Goejeong. Não posso falar muito. Apenas venha agora, sozinha.”

— Por que eu deveria? Alô? — tentou questionar, mas a pessoa do outro lado da linha já havia desligado.

Um convite ao perigo.

Um desconhecido a chamando para um encontro num local abandonado. Talvez fosse algum maluco que por acaso tinha a escolhido como próxima vítima... Porém também existia a possibilidade daquilo tratar-se de algo importante.

Decidiu que iria até a fábrica. Não estava com medo, e sua curiosidade para saber quem era o responsável por aquelas ligações estranhas estava intensificando-se cada vez mais... De maneira incontrolável.

Mandou uma mensagem para Lore informando aonde iria, e saiu de casa decidida a descobrir quem estava por trás das misteriosas ligações.

Seu destino ficava apenas a algumas quadras de distância da sua rua, e dava para andar a pé até lá. A garota apressou-se e chegou em dez minutos.

Como de esperado, os portões estavam fechados. Charlotte rodeou o muro em busca de uma forma de entrar, e acabou achando um enorme buraco por onde dava para passar sem problemas.

Nem acredito que estou invadindo uma propriedade, falou consigo mesma ao passar para o lado de dentro do terreno.

Testou uma das portas laterais da fábrica. Estava aberta.

Era um lugar bastante escuro. Apesar da fábrica estar abandonada, ainda tinha um monte de máquinas ali...

De repente, ouviu passos pesados. Precisava pensar rápido -- correu até um pequeno espaço entre uma máquina e outra, e agachou-se entre as sombras. Tentou prender a respiração.

Viu uma pessoa entrando numa porta perto dali e saindo de lá após um pequeno intervalo de tempo, dirigindo-se em direção da saída. Charlotte aguardou alguns minutos para ver se a pessoa desconhecida voltaria, mas felizmente agora a garota estava sozinha naquele lugar.

Com cuidado, foi até lá verificar a área. O lugar ao lado da área com maquinários era um escritório, e estava cheio de poeira. Seja lá o motivo da fábrica ter sido abandonada, os responsáveis realmente não se importaram em tirar o mobiliário dali...

Havia algo no chão. Um bilhete...

As palavras nele eram impressas, não escritas manualmente.

Pegando-o, Charlotte percebeu duas coisas. Primeiro, o papel não era antigo como o restante das coisas ali. Segundo, havia uma pequena e estranha mancha azul na ponta inferior esquerda dele.

Um arrepio percorreu a garota enquanto ela lia as palavras do bilhete.

“Você deveria focar em outras coisas. O que você deseja virá eventualmente, ou não...”