Solstice - Interativa
25 「VII • Astrid」 Sucessividade
Aquela tarde estava fria e agradável, do jeito que Astrid gostava. O céu estava parcialmente nublado, e as folhas das árvores estavam coloridas em diferentes tons de verde. A época de verão em seu país era realmente refrescante, e se tinha uma das coisas que Astrid mais adorava era a temperatura sempre agradável.
Por causa do clima, estava usando um cachecol e um casaco bem quentinho. A garota gostava de usar roupas de frio, não só pela função delas, mas também porque as achava mais bonitas do que peças de roupa comuns.
Era sexta-feira e a garota precisava ir para aula. Logo depois, tinha um encontro com os “Gatos Gordinhos” para investigar a identidade do resto dos convidados. Até agora, dez pessoas estavam no grupo: ela, Yeri, Francis, Jieun, Amélie, Jean, Vivi, Alois, Wallace e Lorelei. Faltavam mais dez, mas com sorte iriam encontrar o tal Hansol ainda naquele dia!
Enquanto pensava sobre essas coisas e andava rumo à escola, Astrid olhou de relance o Parque Nouvelle-Chiaksan e resolveu cortar caminho por lá. Além de ser um percurso mais rápido, ainda havia a vantagem de entrar em contato com a natureza e admirar sua beleza.
Com toda certeza aquele era um dos lugares favoritos dela na cidade.
Adentrando, a primeira coisa que Astrid fez foi fechar os olhos e respirar fundo; o ar puro daquele parque era uma maravilha.
Não tardou a chegar à ponte de madeira do parque, que ficava pertinho da saída. Era o único lugar dali em que ela não sentia-se bem, pois a estrutura era antiga e a distância até a água embaixo era um pouco... Assustadora.
Mas Astrid não se deixava intimidar. Já estava acostumada com a travessia, que durava sempre menos de um minuto.
Tinha um garoto de cabelo loiro bem calmo sentado no parapeito da ponte. Ao vê-lo ali, Astrid sentiu extrema agonia. Aquela situação lhe dava a sensação de que ele podia cair a qualquer momento, e isso realmente a perturbava. Mas fazer o quê, né... Tem louco em tudo quanto é canto.
Tentando o ignorar, Astrid continuou andando. Estava na metade da ponte quando de repente o jovem ficou de pé – ali mesmo, no parapeito – e num momento tênue de perda de equilíbrio, inclinou-se para o lado de fora.
Hein? Hã? O quê? Como? Socorro.
Essas palavras foram tudo o que ela pensou antes de correr para agarrar o braço do menino e impedí-lo de ter uma queda de seis metros em direção ao rio.
A madeira do parapeito da ponte fez um sonoro creck na hora em que o garoto segurou na outra mão de Astrid.
— Segure firme! — a jovem disse para o desconhecido e usou toda a força que pôde reunir para puxá-lo.
Quase que por milagre, o salvamento deu certo. O menino se jogou arfante no chão assim que seu corpo passou do parapeito de volta para a ponte. Astrid ainda estava um pouco desorientada pelo que acabou de acontecer, mas não se machucou com o ato heroico.
— Você está bem? — ela perguntou, olhando para o jovem. Um visível terror estava nos olhos dele.
— V-Você... Salvou minha vida...
— Ora, lógico! Se eu te deixasse cair eu ficar traumatizada pelo resto da minha vida! — Engoliu em seco, lembrando-se do som de madeira se partindo que ela havia escutado enquanto salvava o rapaz. — Ai... Que tal se andarmos para fora da ponte antes de conversarmos? — Astrid segurou o braço do menino e o ajudou a andar até o lado de fora dali.
Já em terra firme, a primeira coisa que o menino fez foi a abraçar.
— Você salvou minha vida. Sou eternamente grato por isso. — Ele afastou-se um pouco e a encarou, olhos nos olhos. — D-Desculpa pelo incômodo. — Após um momento constrangedor de silêncio entre os dois, ele tornou a falar. — Como é seu nome?
— Astrid! E o seu?
— Meu nome é Cosme. — Deu um sorrisinho tímido e desviou o olhar, meio sem jeito.
— Bom... Preciso ir pra aula. Te vejo por aí, Cosme. — Ela sorriu de volta e acenou se despedindo. Já tinha dado dois passos em direção à saída do parque, mas nesse exato momento o garoto tocou em seu braço.
— E-Espera! Posso te acompanhar? Eu e-estou meio que sozinho e s-sem nada para fazer.
— Hã. Claro, eu acho. — Astrid não sabia se tinha concordado por educação ou por pena, mas pelo menos fez o que pensou que era certo.
No caminho os dois acabaram conversando bastante, e Astrid até simpatizou com o garoto. Ele não era uma companhia ruim, afinal. E apesar de ser meio sem noção, era gentil e bem bonitinho.
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