Solstice - Interativa

20 「VI • Jiho」 Fluxo


Notas iniciais
Mergulhe no rio que flui em sua alma.

Já era tarde da noite e Jiho ainda estava buscando inspiração para sua nova música.

A rua do enorme edifício empresarial EQUINOX CORPORATION estava deserta, e o céu estrelado, embelezado pelo singelo luar, estava sendo refletido na enorme vidraçaria da fachada do prédio. A brisa fria da noite envolvia o corpo do garoto como um abraço suave.

Ao fechar os olhos, Jiho já não estava mais ali. Havia sido levado pelo ritmo, pela melodia que nascia em sua mente e florescia a cada pensamento, cada memória, cada esperança do futuro. Estava tocando o céu, submergindo no manto azul-escuro que o puxava cada vez mais para perto das estrelas... Sentia como se ele e a galáxia estivessem fundidos em um único ser. Sentia as estrelas brilharem em seu corpo, com a luz saindo diretamente de sua alma.

Estava pronto para começar sua nova composição — a que, com um pouco de sorte, faria ele brilhar. Sabia que caso se esforçasse, talvez pudesse avançar um passo em direção ao seu sonho de tornar-se um pianista famoso como seu ídolo, o famoso Yiruma.

O garoto abriu os olhos e percebeu onde havia parado: estava frente a frente justamente com o edifício-sede da empresa Dupont — um dos locais onde menos gostaria de estar.

Não queria sequer pensar naquele prédio, pois a mera ideia de frequentá-lo já feria profundamente seus sentimentos. Trabalhar lá significaria abandonar seus sonhos e ser fadado a viver com tensões, concorrência, inimizades, relacionamentos superficiais, preocupações, corrupção, problemas, problemas e mais problemas...

Seu pai, dono daquela empresa ridícula, tinha o costume de ensinar todos os três filhos sobre administração e economia, e pretendia tornar herdeiro da empresa o filho que demonstrasse a melhor capacidade de a administrar. E Jiho tinha certeza que seu pai provavelmente o escolheria... Isso se não tivesse saído de casa aos quinze anos.

Não havia saído apenas para fugir da possibilidade de ser o herdeiro da empresa e correr atrás do seu sonho. Houve também um fator crucial em sua decisão: os maus-tratos de seus meios-irmãos.

E não era só a ele que maltratavam. Sua mãe também era vítima de comentários ácidos, respostas grossas e infortúnios “acidentais” que seus meios-irmãos causavam apenas para atormentá-la. Se Jiho pudesse, a levaria com ele para longe daqueles dois cretinos... Mesmo com seu pai não tendo a ver com aqueles problemas. Era ocupado demais para enxergar o que acontecia em sua própria casa.

Sair de lá foi como livrar-se de um fardo e carregar outro de natureza diferente. Foi bastante difícil sustentar-se no começo de sua vida sozinho. Jiho trabalhou duro com bicos; qualquer lugar que oferecesse uma oportunidade de conseguir dinheiro já ajudaria a conseguir o dinheiro que precisava para ingressar na faculdade de música. Mas como poupar dinheiro para isso se também precisava pagar o caro aluguel de seu pequeno apartamento no centro da cidade? Sem mencionar as despesas com necessidades básicas, como alimentação e manutenção de roupas...

Seu momento de recapitulação de sua vida foi interrompido ao avistar um vulto negro que estava parado do outro lado da rua, olhando diretamente em sua direção. Estava usando chapéu e capa pretos, e óculos escuros bem intimidantes.

Tentando não se afetar por aquela estranha figura que surgiu literalmente do além, Jiho simplesmente balançou a cabeça e começou a percorrer o caminho de volta para sua casa. Seus passos eram apressados, no entanto… Afinal, talvez aquele homem fosse um bandido procurando pela sua próxima presa.

Jiho pretendia praticar e escrever a primeira parte de sua nova composição ainda durante já que seu tempo livre era pequeno, e a melodia que estava planejando criar tinha um bom grau de complexidade.

“...Que sensação estranha”, pensou após dobrar a esquina daquela rua. Ainda estava com a figura misteriosa em sua cabeça, com um presságio inquietante. Como se a qualquer momento, algo ruim fosse acontecer.

Deu uma olhadela e viu, para seu horror, que o homem de capa preta estava andando atrás dele a poucos metros de distância.

“Talvez seja só coincidência. Talvez apenas estejamos andando na mesma direção”, o garoto tentou manter a positividade... Ah, mas como iria conseguir fazer isso numa situação daquelas?

Estava andando sozinho no meio da noite em ruas desertas enquanto era seguido por um homem de capa e chapéu pretos. Uma verdadeira cena de filme de terror.

Calma, calma. Tem que ter um jeito de escapar disso. Correr não é uma boa opção, pois se esse cara realmente for uma ameaça, irá sacar uma arma de algum canto e atirar em mim. Ir devagar também não é uma boa opção, né. Mas...

Jiho olhou de relance novamente. O desconhecido tinha acelerado o ritmo e estava quase o alcançando.

Ai, ele tá quase aqui. Preciso sair dessa mancada. Credo, alguém me ajude... Socorro. So-cor-ro.

Estava prestes a entrar num nível mais avançado de desespero quando uma voz familiar chegou aos seus ouvidos.

— Jiho? — o homem falou, fazendo com que o garoto o reconhecesse de imediato. No mesmo instante, Jiho parou de andar e se virou, olhando para seu pai. — Sabia que era você! Estava com remorsos de ter abandonado as chances de se tornar meu sucessor e veio dar uma volta na rua do edifício da minha empresa? Quis imaginar como seria trabalhar lá, na poltrona do dono, não é?

O jovem engoliu em seco; seus lábios estavam trêmulos. Como queria sair dali...

Toda vez que encontrava com seu pai, enfrentava a mesma conversa: aquele homem sempre tentava convencê-lo a desistir de poupar para a faculdade de música e a voltar para a disputa pelo “trono” da Dupont.

— Sei que você me culpa por ser um pai ausente e nunca ter lhe dado a devida atenção. Eu sei que errei, porém... Isto não é motivo para recusar a possibilidade de ocupar o meu cargo no futuro. É uma oportunidade que muitos querem e poucos podem.

— Pai. A empresa não é o que eu quero para minha vida. Isto não tem a ver com o fato de você ter sido ausente.

— E precisava sair de casa por causa disso?

— Eu não saí de lá só por isso e você sabe muito bem.

— Ah, poupe-me desse papo sobre seus irmãos.

— Pai — respirou fundo antes de prosseguir —, já está tarde. Preciso voltar pra minha casa.

— Certo, volte andando então — o homem respondeu rispidamente. — Mas saiba que você ainda tem chance de assumir a empresa se arrepender-se e pedir perdão.

Seu pai voltou por onde veio, deixando Jiho sozinho.

Começou a chover, e o garoto enfim tornou a ir para casa.

Tem cada coisa mexendo com meus nervos nesta semana. Folhetos estranhos, um pseudo-encontro bem aleatório num teatro, e agora isto...

Notas finais
O que acharam do Jiho? Na sua opinião, ele deveria continuar correndo atrás do sonho dele ou seguir a vontade do pai? E... O que vocês mais estão ansiosos para ver aqui em Solstice? ~ Comentem~! ♥ バイバイ Ficha 1 para personagens: https://goo.gl/forms/teoOSKYMF6lzJkMd2 [VAGAS FECHADAS] Ficha 2 para personagens: https://goo.gl/forms/jye593wsBnZRu0wu2 [VAGAS ABERTAS]