Solstice - Interativa

13 「IV • Astrid」 Instinto investigativo! GO!


Notas iniciais
1, 2, 3, VAMOS LÁ!

“Cansaço” parecia não fazer parte do vocabulário de Astrid.

A garota havia acabado de chegar em casa após um dia teoricamente super cansativo na escola – sete aulas pela manhã, quatro provas durante a tarde e ainda tinha precisado aturar a reunião dos representantes de classe por uma hora e meia. Mesmo com tudo isso, ela estava sentindo-se bem animada e disposta.

— Minhyun~! Cheguei! — falou bem alto após deixar seus tênis fofos na entrada da sala. Seu irmão tinha se comportado de forma bastante estranha na noite passada, mas naquele novo dia já estava agindo normalmente... Apesar de não ter sequer tocado no assunto do que aconteceu no Solstice. — Minhyun! ‘Cê tá me ouvindo, mano? — Nenhuma resposta. A garota jogou a mochila no sofá e foi saltitando até o quarto dele, que estava com a porta fechada. — Hã... Minhyun? Você tá no banheiro?

Astrid testou a maçaneta; a porta não estava trancada. Entrou hesitante no quarto e deu uma rápida estudada no local. As coisas ali estavam um pouco desorganizadas, deixando a garota confusa. Minhyun não costumava fazer bagunça – na verdade, ele era a pessoa mais organizada que Astrid conhecia.

A cama não estava arrumada, alguns livros estavam espalhados no chão, uma peça de roupa íntima estava jogada na porta do banheiro... E uma estranha maleta preta estava posta embaixo da cama.

Era óbvio que Minhyun tentou escondê-la para que certas pessoas que entrassem em seu quarto não a vissem, mas o fato era que ele havia falhado miseravelmente.

A garota agachou-se e pegou a maleta, colocando-a sobre a cama. Estava destrancada... E dentro dela, havia vários maços de dinheiro. A quantia ali era suficiente para comprar um pacote de férias caríssimo em um resort de luxo na Suíça. Ou algo mais caro, talvez.

Mas o que?!

Astrid fechou a maleta perplexa e refletiu durante alguns segundos. Onde seu irmão tinha arrumado tudo aquilo? Ganhou na loteria? Arrumou um emprego numa empresa top? Ou será que ele estava envolvido com negócios ilícitos?

— Hey, Astrid. — O garoto surgiu atrás dela, dando um baita susto na menina. — O que você está fazendo no meu quarto? — Nesse momento, fitou o objeto que ela pôs em cima de sua cama e precipitou-se para segurá-lo. — Quem te autorizou a mexer em minhas coisas? — Seu tom de voz ficou repentinamente agressivo e deixou Astrid super nervosa. — Você não pode entrar assim no meu quarto! Você... Ei, você abriu a maleta?!

— E-Eu... — Respirou fundo para se acalmar e deu um passo para frente, com um ar desafiador. — Estou decepcionada com você, Minhyun. Pensei que éramos os melhores irmãos do mundo. Você era minha frutinha e eu era seu cubo de açúcar! Devíamos contar tudo um ao outro... Mas você estava me escondendo isso?!

Minhyun ficou em silêncio e a encarou, constrangido.

— Onde você conseguiu isso?

— Foi um presente.

— Presente de quem?

— Não sei! Nem quero saber, tá? Só... Um homem de terno que me entregou isso ontem à noite, no teatro.

— Conta mais — ela sentou-se na cama e cruzou as pernas. — Quero saber tudo.

— Bom... Ele disse que eu devia esquecer tudo o que sabia sobre os folhetos que você e Yeri receberam... E também sobre o encontro que levei vocês. Ele disse para eu esperá-las no carro e para eu não me envolver no que estava acontecendo. — Minhyun engoliu em seco. — Se eu concordasse em seguir as regras, todo esse dinheiro seria meu.

— Então um desconhecido aleatório veio e te deu um montão de grana pra você ficar com aquele papo de peça de Agatha Christie? — Astrid começou a rir. Aquilo não fazia sentido... Mas nada fazia sentido nos últimos dias mesmo.

— Não foi só isso. Se eu não concordasse ou quebrasse as regras, esse cara ia ferrar minha vida. Falou que sabia onde a gente mora, nosso número de telefone, que lugares eu frequento, quem são as pessoas que eu gosto... — Minhyun escondeu novamente a maleta debaixo da cama enquanto falava. — Por isso, Astrid, seja lá no que você estiver metida... Não me envolva.

Astrid ficou um pouco chocada e chateada ao ouvir essa última parte, mas não podia fazer muita coisa a respeito. Ergueu-se da cama e olhou diretamente nos olhos do irmão.

— Ok, Minhyun. Acredito em você. — Ela o abraçou bem apertado, e o rapaz começou a lacrimejar. — Não quero que você se machuque.

A garota afagou o cabelo dele durante alguns segundos e saiu daquele quarto em silêncio, sem saber direito o que pensar.

O propósito do encontro do Solstice parecia ser mais sério do que ela imaginava. Precisava raciocinar e achar algum sentido naquele completo disparate...

Mas para isso, precisava desvendar o enigma do envelope.

Astrid correu até o sofá da sala e pegou sua mochila púrpura. O papel que havia recebido no teatro estava ali dentro em algum lugar, só era necessário um pouco de esforço para o achar...

Em dois minutos a garota finalmente o encontrou.

“16 S1: ‘Suas’

Recompensa: MB + CDC

Punição: EDE”

Certo, vamos por partes. O que significa o dezesseis? Hã... Eu tenho dezesseis anos, e Yeri também. Talvez ela tenha recebido um bilhete igual? Vou ligar pra ela.

— Alô, Yeri?

“Oi, Astrid.”

— Você pode dar uma olhadinha no bilhete que você recebeu ontem no teatro?

“Umm, claro.”

A linha ficou em silêncio por pouco mais de dois minutos até Yeri voltar a falar.

“Número 15... S1. Semanas. Recompensa, MB mais CDC. Punição, EDE. Porquê? Você está tentando descobrir o que significa?”

— Você está em casa?

“Sim.”

— Já estou chegando, não saia daí.

“Quê?!”

Astrid desligou o celular e guardou o envelope no bolso de sua calça. Ela até pensou em chamar Minhyun para levá-la de carro à casa da amiga, contudo lembrou-se do pedido dele para que a irmã não o envolvesse em fosse lá o que estivesse acontecendo. A garota mordeu o lábio e decidiu ir andando; afinal, a casa da outra não era muito longe e bastariam alguns minutos de corrida para chegar lá.

Ainda não fazia ideia do que a “recompensa” e a “punição” significavam, mas tinha uma boa teoria sobre o primeiro trecho do papel e estava disposta a desvendar o segredo inteiro daquele mistério.

Chegou na casa de Yeri por volta das sete horas da tarde. Astrid tocou o interfone no muro para se identificar e entrou no imóvel. Yeri morava num lugar bem simples, mas também bastante aconchegante.

— Ontem a Yeri dormiu na sua casa, certo? Espero que ela não tenha dado trabalho. — Um senhor simpático que estava sentado numa poltrona da sala sorriu para Astrid. A menina concordou com a cabeça e ficou sem saber o que responder em seguida. — Ah, sim… Ela está no quarto dela fazendo dever de casa; é o segundo do corredor.

— Muito obrigada, senhor Oh!

Astrid correu até o quarto da amiga e entrou bruscamente, encontrando Yeri sentada à uma escrivaninha enquanto resolvia alguns cálculos.

— Yeri!

A garota virou-se assustada e encontrou Astrid de pé ao seu lado.

— Menina, que energia é essa?! A gente enfrentou quatro provas hoje, não me assusta assim que eu ainda tô super abalada... — Yeri respirou fundo e a encarou, pensativa. — Pra quê você veio me visitar?

— Pra ver o seu papel e comparar com o meu. — Astrid tirou o envelope do bolso de sua calça e sentou-se na cama da outra. — Mexeram com meu irmão por causa dessa história, sabe? Até o ameaçaram para que ele não se envolvesse. — Achou melhor ocultar a parte da maleta de dinheiro e resolveu não dar muitos detalhes do que aconteceu com Minhyun, prosseguindo após uma pequena pausa. — Toda essa bizarrice virou uma coisa pessoal. Eu prometo que vou descobrir algum sentido nesses papéis hoje, ou meu nome não é Astrid Yoon.

Yeri entregou seu envelope a Astrid e a garota comparou os dois papéis com as sobrancelhas franzidas.

O número da amiga era quinze, e o dela era dezesseis. Palavra “semanas” e palavra “suas”. Semanas. Suas. Semanas, suas... Semanas suas? Aquilo se tratava de uma frase?

— Acho que você tá certa sobre isso, Astrid — Yeri coçou o braço enquanto falava. — Mas e as partes que falam “recompensa” e “punição”? E por que as nossas são iguais?

A tal recompensa era “MB+CDC”. O que aquilo significava? Mais batom e... Colar de cacos? Menos botas e chifre de cabra?

— Óbvio que não, sua louca! — A mais nova deu um soco de leve no ombro de Astrid. — Tá mais pra... Hã... Sei lá.

E a punição? A sigla “EDE” fazia menos sentido ainda. Excursão dos esquecidos? Espera de eventos? Ecos das épocas? Evanescência das escolas? Era de enlouquecer, isso sim.

E do que seriam recompensadas ou punidas? Não havia nenhum desafio ou ordem ali. Bom, não explicitamente...

— Pelo menos descobrimos que as palavras das nossas primeiras frases estão conectadas. Como num poema, eu acho. — Astrid sorriu satisfeita e juntou os dois envelopes. — Os números do começo devem indicar a ordem delas na frase. Só não sei o que é esse “S1” no meio, mas OK.

— Então todos os papéis que foram entregues formam uma frase ou poema?

— É o que penso.

— Mas o “Suas” do seu está com letra maiúscula...

— Não. A pessoa que escreveu em cada papel colocou o “s” maior, só isso.

— Ummm... Tá. E o que a gente faz agora?

Astrid levantou-se da cama e puxa a amiga até a porta do quarto.

— Precisamos encontrar todas as outras pessoas que estavam no Solstice e resolver o enigma antes que algo ruim aconteça.

— Hein? Mas isso é impossível! E se alguém jogou fora o envelope? Ou viajou?... E como nós vamos achar cada um dos convidados? Nouvelle-Seul é enorme! E... E... Como você sabe que algo ruim pode acontecer? E-Eu...

— Miga, relaxa. Respira fundo comigo, vamos. — Astrid pôs as mãos nos ombros da outra e as duas respiraram fundo juntas. — Olha, eu não sei o que vai acontecer, mas... Meu irmão ficou bastante abalado com a ameaça. Seja lá quem estiver por trás disso, ele ou ela sabe onde a gente mora, qual é o nosso número de telefone, que lugares nós e nossos familiares frequentamos, quem são as pessoas que gostamos...

— Como você quer que eu relaxe agora, sua louca?! Devíamos chamar a polícia!

— E criar mais problemas? Precisamos resolver o problema discretamente para evitar que algo ruim aconteça.

— Hã... Bom, se é assim... — A garota mordeu o lábio e pegou seu smartphone. — Meu priminho Francis também foi convidado para o encontro no Solstice e consequentemente também recebeu um envelope. Ele é adulto, pode ajudar bastante na procura pelos outros...

— Perfeito! — Astrid deu um pulinho de alegria. — Liga pra ele e a gente vai conseguir um progresso considerável em nossa investigação~!

— “Investigação”... — Yeri repetiu a palavra com um profundo suspiro que Astrid não consegue interpretar, e começou a ligar para o primo.

Mas quando ele atendesse, será que ele concordaria em ajudar? A teoria dos papéis podia ser meio difícil de acreditar, e ir atrás de desconhecidos com elas seria bem inusitado. Mas tudo o que estava acontecendo já era bastante irreal em sua essência, então talvez as meninas tivessem uma pequena chance dele cooperar.

...Entretanto, a ligação não deu muito certo. O número do rapaz estava desligado ou fora de área.

— Ele não tá atendendo, Astrid. Vou tentar ligar depois.

— Bom... Enquanto isso, temos que correr. Tem uma menina do encontro que eu já tinha visto antes. Ela trabalha numa floricultura aqui perto, tenho certeza. Mas se não me engano, a loja fecha exatamente de sete horas e meia.

— Faltam seis minutos... Bom, meu pai pode dar uma carona--

— Não, não vamos envolver sua família. Vai que alguém mais seja ameaçado, sei lá.

— Ummm... — Yeri engoliu em seco. — Então a gente vai correndo feito loucas, é isso mesmo?

— Sim. É exatamente isso.

Notas finais
A LOUCURA DE MINHYUN FOI EXPLICADA! Que coisa, queria eu ganhar uma maleta de dinheiro assim. E vocês? rs O que acharam das super detetives fofas e inteligentes Astrid e Yeri neste capítulo?? E ESSAS SIGLAS? O que vocês acham que significam? Contem-me suas teorias~~ Comentem!! ♥ Até o próximo capítulo! Rumo às respostas! バイバイ Ficha 1 para personagens: https://goo.gl/forms/teoOSKYMF6lzJkMd2 [VAGAS FECHADAS] Ficha 2 para personagens: https://goo.gl/forms/jye593wsBnZRu0wu2 [VAGAS ABERTAS]