Solstice - Interativa

3 「I • Amélie」 Convocação


Notas iniciais
Até em águas tranquilas pode vir uma tempestade.

Ao lado de uma das enormes janelas da biblioteca municipal, Amélie lia um livro de capa verde-limão que reunia alguns dos poemas de Goethe. Estava recostada à parede, sentada num banco, com as pernas para cima e recolhidas.

Você é como uma flor; tão pura e bela e doce. Olho para você, e melancolia surge em meu coração.

Terminando de ler aquele poema, a jovem deu uma olhada em seu relógio de pulso e levantou-se serenamente do banco com o livro em mãos. Andou até o balcão do bibliotecário e aguardou-o terminar o atendimento de uma garota. Amélie queria pegar a obra emprestado.

A moça que estava sendo atendida olhou-a de relance.

— Ah, você vai pegar o Poemas de Goethe? Já li e gostei bastante, mas achei alguns meio tristes demais para o meu gosto — a desconhecida falou baixo, sorrindo. — Seu nome é Amélie, certo? Nós tínhamos aula de Metodologia Científica juntas na universidade, eu me lembro de você. Mas nunca mais a vi por lá...

Amélie a encarou, incerta do que responder. Aquela garota parecia uma boa pessoa – simpática, gentil... E também era bastante fofa. Porém, infelizmente Amélie sentia-se meio desconfortável falando com ela. As experiências ruins que teve na faculdade haviam deixado marcas que não seriam facilmente apagadas.

— Eu saí de lá — falou sorrindo, sem entrar em muitos detalhes.

— Oww, por quê?

— ...Tive alguns problemas.

O bibliotecário olhou para Amélie.

— Senhorita, você quer pegar este livro emprestado?

A jovem mordeu o lábio.

— Sim.

— Tem o cartão de cadastramento?

— Sim, aqui. — Amélie retirou-o do bolso e o entregou ao homem, um pouco receosa. Ele pegou o cartão e digitou o número de cadastramento no computador.

— Pode me dar o livro por um momento?

— Claro — entregou a obra, e o bibliotecário digitou o código de identificação dela, devolvendo-a logo em seguida.

— Obrigada. Até mais.

A desconhecida acenou para ela, e Amélie acenou de volta com um sorriso.

Saindo do local, Amélie abraçou-se com o livro e foi andando até sua cafeteria favorita. A garota sentia-se bem naquele local por causa do ambiente agradável e sem muitas pessoas; além do fato de que o chocolate quente de lá era uma delícia. Perfeito para dias frios como aquele.

O céu estava nublado, e poucas pessoas andavam pela rua. Amélie decidiu cortar caminho pela praça dos jardins, e enquanto caminhava por entre as flores, admirou a bela variedade delas no local.

Estava tudo tão calmo... Tão tranquilo. Ela queria que sua vida fosse assim.

Chegando à cafeteria, avistou pela vitrine seu melhor amigo Jean, que estava sentado na mesa do canto com um livro de Direito. Ele era uma das poucas pessoas que Amélie era próxima, e também era um dos únicos dois homens que ela não sentia dificuldade em conversar.

A garota entrou na cafetaria e caminhou até a mesa que o amigo estava.

— Amélie~! Como você está?

— Oi, Jim! — Este era o apelido que ela havia dado ao garoto, por ele ser bem piadista. — Estou bem, obrigada. E você?

— Sofrendo bastante — ele riu e passou a mão no cabelo. — Tenho que decorar umas leis que o professor selecionou, para me dar bem na prova de sexta.

— Jean... Faltam dois dias para sexta-feira.

— Hehe. Eu sei. Mas não se preocupe, falta decorar apenas um parágrafo.

Amélie pôs sua bolsa e o livro de poemas em cima da mesa, e sentou-se. Jean espiou o título do livro.

— Nossa, que intelectual você é.

A garota deu uma boa risada e o empurrou levemente. Fitou a mesa e notou que ele ainda não havia pedido coisa alguma, então acenou para uma das garçonetes, chamando-a.

— Vou fazer um pedido agora, você quer alguma coisa?

— Nah, valeu. Vim aqui só para estudar mesmo, anjinho.

A garçonete chegou e anotou o pedido de Amélie, voltando poucos minutos depois com ele.

Está uma delícia.

Os dois conversaram bastante por meia hora, até que Amélie resolveu voltar para casa para estudar um pouco Gramática. Jean se ofereceu para ajudá-la a carregar as coisas dela, mas a garota recusou a oferta e agradeceu.

— A gente se fala depois, tá?

Ela saiu da lanchonete em seguida.

Não demorou muito para chegar em casa. Estava um pouco cansada e pretendia tomar um banho antes de começar a estudar.

Ela colocou a bolsa em cima de sua escrivaninha, e em seguida pôs o exemplar de Poemas de Goethe ao lado. Surpresa, percebeu que havia uma folha de papel solta dentro do livro.

Estranho. Quando eu estava o lendo na biblioteca, ele estava intacto.

Amélie pegou novamente o livro e o abriu para examinar a folha. Ficou aliviada ao ver que não era uma página solta, e sim um folheto. Uma propaganda de uma peça no antigo teatro Solstice. Pelo que Amélie sabia, o lugar estava fechado há anos.

Virou o papel para ver se havia algo atrás e teve um choque ao ler as palavras lá escritas.

Encontre-me aqui, às 10pm de hoje. NÃO FALTE, AMÉLIE.

Notas finais
E aí, pessoas? Outro folheto foi entregue! O que acharam de Amélie? E Jean? Comentem~ Até depois~ バイバイ Ficha 1 para personagens: https://goo.gl/forms/teoOSKYMF6lzJkMd2 [VAGAS FECHADAS] Ficha 2 para personagens: https://goo.gl/forms/jye593wsBnZRu0wu2 [VAGAS ABERTAS]