Solstício de Verão
1 Capítulo Único
O clima estava quente, abafado, e se não tivesse a obrigação de estar fazendo aquilo, provavelmente estaria na praia aproveitando o frescor do mar. Mas era uma maga e tinha sido criada para apreciar a natureza e realizar rituais de passagem era um meio de apreciação que particularmente adorava fazer.
O pequeno caldeirão, localizado no centro do pentagrama e cercado por incenso, velas, taças com sucos naturais, plantas e pedras, um em cada ponta da estrela. Seu avô havia a ensinado a cultuar a passagem de estação desde muito pequena, e podia afirmar que aqueles eram os seus ritos favoritos ao decorrer do ano.
Desde que entrara para a Caçada, teve que se contentar em comemorar apenas os Solstícios de Inverno e Verão, por falta de tempo e porque os rituais de Equinócio costumavam ser um tanto mais demorados e complicados, por exigirem uma atenção maior tanto de si quanto dos espíritos.
Por isso estava ali, no lugar mais bonito que conseguira encontrar em Kricktria, com a ajuda de Grandiel, que sabia o quão eram importante os rituais, com a presença de Cindy, que estava imensamente feliz por poder acompanhar a maga e conhecer algumas coisas importantes para a magia de modo geral, e por Lass, que havia adquirido o costume de acompanha-la depois de uma vez que ela fora atacada durante a celebração.
Antes, era Lire que costumava acompanha-la nos rituais, mas depois de um acidente na Terra de Prata com alguns esqueletos revoltados, aquela tarefa passou para o arcano. Ele havia se auto convidado a acompanhar os rituais de Solstício por mera precaução, mas Arme sabia que ele se sentira confortável depois da primeira vez em harmonia com os espíritos. Porque é lógico que, se ele iria segui-la, o mínimo que tinha que fazer era participar também.
“Espíritos do fogo, água e terra, me dêem forças...” era o mantra que usava, sua marca registrada, que todos conheciam e que Cindy adorara conhecer.
O aroma das ervas das estações queimando junto com seus agradecimentos e esperanças no centro do caldeirão lhe trazia uma sensação nostálgica e por isso fechou os olhos e sorriu. Lass e Cindy estavam do lado de fora do pentagrama, e mesmo que o silêncio pudesse ser incômodo para algumas pessoas, Lass não se importava e Cindy estava envolta demais no conforto do ritual para se sentir mal com aquilo.
E quando o ritual acabou, e teve que segurar o riso quando Lass se ofereceu a levar o que não deveria ficar ali – as velas e os incensos deveriam terminar de queimar naturalmente e as plantas deviam ser regadas com os sucos-, se sentiu plena ao ver Cindy tomando a dianteira enquanto sorria e comentava com Lass sobre querer fazer aquele tipo de ritual mais vezes, e comentava que Grandiel havia feito o melhor para ensiná-la sobre magia, mas que Kyle necessitava de atenção constante e que por isso não teve um treinamento adequado.
Mas para Arme, não tinha problema nenhum em treinar a garota – embora não se sentisse pronta para ser tutora de alguém, Lass insistia em dizer que ela estava mais que preparada, depois de tanto tempo de treinamento e de luta.
E, bem, se ele acreditava em si, significava alguma coisa, não é?
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