Solo
1 Capítulo único: “É tarde demais”
Notas iniciais
Em sua vida, Han oscilou entre muitos papéis. De contrabandista à herói de guerra... Quem diria? Até “general Solo” ele foi, nos anos finais do Império, enquanto lutava ao lado dos rebeldes. Passou de um total descrente em misticismos, que não se importava com grandes causas, tampouco com outros além dele mesmo e Chewie, somente com o dinheiro que receberia, para o amigo fiel de um Cavaleiro Jedi, e um homem apaixonado, pai de um garoto com grande aptidão para a Força. Ben Solo, ou “Kylo Ren” como passou a se denominar após ser corrompido por Snoke e o Lado Sombrio, foi responsável por quebrá-lo. Perder seu filho acabou sendo muito difícil para que ele e Leia conseguissem continuar juntos. Ela, focou-se em confrontar a Primeira Ordem, que surgia das cinzas do velho Império Galático, enquanto ele seguiu seu caminho, retornando à sua velha vida. Mas não se pode fugir do destino e, graças à um stormtrooper desertor e uma sucateira de Jakku, os dois voltaram a se encontrar e, como não poderia deixar de ser, se viu envolvido em mais uma missão perigosa que visava combater uma superarma de um governo tirânico, como fizera tantas vezes antes. Diferente da primeira vez, ele não pensou em fugir e deixar de ajudar a destruir a tal “base Starkiller” – que, em seu ponto de vista, não passava de mais uma Estrela Da Morte. Quando é que eles desistiriam dessa ideia estúpida, afinal? Essas coisas sempre tinham um ponto fraco!
O reencontro foi inevitável. Confrontá-lo, depois de anos sem vê-lo, não poderia ser nada menos que intenso. Doía ver Ben tão mudado, consumido pelas trevas, mas não se deixou abalar. Exigiu que ele removesse sua máscara, queria ver o rosto de seu filho, ainda que este afirmasse que tal pessoa não existia mais. Solo não acreditava nisso; se até mesmo Darth Vader teve sua redenção, significava que nunca era tarde demais. Além disso, tinha dito ao amor de sua vida que o traria de volta. Não poderia desistir, estando tão perto...
“O Snoke está te usando, pelo seu poder...” afirmou, aproximando-se em passos cuidadosos “Quando ele conseguir o que quer, irá destruí-lo... Você sabe que é verdade.”
Pôde ver a determinação de Ben vacilar, pela sua expressão. Não seria tão fácil, entretanto.
“É tarde demais.” ele respondeu.
“Não, não é.” manteve-se firme. “Vá embora daqui comigo, venha para casa. Sentimos sua falta...”
“Eu estou sendo despedaçado; eu quero me livrar dessa dor...” Ben expressou. Lágrimas brotavam em seus olhos. Naquele instante, Han sentiu-se verdadeiramente esperançoso. “Eu sei o que preciso fazer, mas não sei se terei forças para fazê-lo...”
O homem sabia que seu filho falava a verdade. Sentia sua sinceridade... Talvez, somente não o tenha interpretado corretamente. Se assim tivesse feito, seu peito não estaria se enchendo de alegria e expectativa...
“Você vai me ajudar?” ele o perguntou.
“Sim. Qualquer coisa.” assegurou Solo, dando mais um passo a frente.
Ben deixou que sua máscara caísse ao chão e estendeu seu sabre de luz ao pai, que pôs uma das mãos sobre este, junto às suas. Somente quando o Sol se apagou – absorvido pela base Starkiller – é que sua decisão foi tomada. Já havia sido, é claro, mas só então Han se deu conta das verdadeiras intenções de seu filho. Kylo acionou sua arma, suja lâmina atravessou o velho contrabandista, fazendo-o arregalar os olhos em surpresa e desapontamento. Ben Solo estava, de fato, morto. E, junto dele, falecia seu pai, cuja última ação foi tocar-lhe o rosto, pedindo à Leia, mentalmente, que o perdoasse por não ter sido capaz de salvar o rapaz de si mesmo.
Fale com o autor