Solitário Cárcere

1 Solitário Cárcere


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Solitário Cárcere

*

Compartilho tua necessidade.

Privas-me do teu amor.

Ausente no teu desejo, solitária no meu.

Por quê?

Escuta-me? Realmente, escuta-me?

Ou o medo te isolou das minhas palavras?

Responda-me.

Não, não quero mais caricias, não quero mais

Que envolvas-me com teus braços e murmúrios.

Não quero “talvez”. Quero realidade.

Quero gritar que és meu. A pura posse de ti. Já que há tempos sou apenas tua.

Responda-me!

*

Livra-me deste labirinto de sensações e indagações,

Desta overdose de frustração.

É incompreensível meu pedido?

Não posso fazê-lo sozinha, inúmeras infrutíferas vezes tentei.

Ao me despedir, ao partir sempre encontro uma carta tua esperando-me,

Dizendo-me o quanto me estranhas, o quanto a ti sou cara, o quanto me desejas...

Reascendendo uma vã esperança já desiludida ao nascer.

Não posso sozinha. Deixa-me.

Não percebes o quanto infeliz sou assim? Lacerada?

*

Ao cerrar os olhos, sinto-te tão cerca

Sinto tua pele contra a minha, tuas mãos deslizando sobre minhas formas,

Meus lábios contornando teus desejos,

Teu cheiro com o meu se fundem

Meu gosto com o teu se mesclam

Teu desejo com o meu se confundem

E ao sentir minhas lágrimas,

Sei que são memórias pretéritas

Não atos de uma peça futura...

Há somente desilusão, descrença e amargura

Pela tua covardia, pela nossa fraqueza, pela minha indecisão.

*

Então, sinto-me — desta maneira- em um solitário cárcere,

Numa prisão na qual tenho a chave e não a uso.

Na qual você tem o controle e não o usa.

Sem entender quais são os laços que ainda nos ligam,

À realidade, a algo a mais, a nos mesmo, a je ne sais quo...

Quero eu fugir daqui? Ou me adaptei a este amor que me sufoca?

E você? Responda-me! Por favor, não me abandone no silêncio...


*

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