Notas iniciais
Bom, sinto que minha imaginação falhou, e não sei se essa é a historia que eu queria. Como disse é a primeira, e não sei se vocês estão gostando. Dá próxima, já tenho uma ideia, postarei semana q vem e terá capitulo único como era a proposta inicial desta. Acho que me sairei melhor. Beijinhos

De volta à terra penso muito sobre se devo ou não pedir ajuda aos irmãos. Lembrando do que Metatron disse sobre o perigo da missão decido seguir sozinho. Não aviso a eles e nem atendo aos seus telefonemas. Será melhor se eles não tiverem notícias de mim por um tempo. A viagem é longa. Conseguir dinheiro pra ela será fácil, já que aprendi alguns truques com Dean.

Imediatamente após conseguir fraudar o cartão, vou com meu carro até o aeroporto mais próximo, que fica a 5 cidades de distância. Meu voo sai só no dia seguinte, e o destino é para ilha principal do Hawaii. Vou para um motel barato para esperar a hora de embarcar, coisa que não faz muito sentido, já que eu não durmo. Sento naquela cama, com lençóis brancos e de madeira escura. As paredes se assemelham a casas de gente de idade. São acinzentadas com um toque verde de flores. Se quem fez a decoração queria tornar um ambiente familiar, com certeza falhou. Encosto sobre a cabeceira da cama e me lembro de minha jornada. Antes, milênios atrás, era tudo mais simples. Nossa única preocupação era obedecer a Deus. Mesmo que seus pedidos as vezes parecessem incabíveis — algo que só passava pela minha cabeça — nos sempre obedecíamos. Era a vida que julgávamos perfeita. Para alguns de meus irmãos com certeza a visão de céu, de perfeito, ainda era essa. Deus mandado, nós obedecendo, o mundo um caos, mas era o que estava certo, era o que tinha que acontecer, o que tinha que ser feito. Apocalipse? Sim, queremos! Porque Deus escreveu assim, e esse é o rumo correto. Para mim essa imagens de perfeição se foi. Agora vejo que Deus também erra. Ele foi omisso. Ele deixou o mundo cair nas mãos das trevas e o que fez? Correu. Se escondeu. E ninguém sabe onde estar. Abandonou seus filhos a mercê deles mesmos, o que para um anjo é a morte. Eu amadureci. Eu impedi o apocalipse junto dos Winchester. Abandonei meus irmãos, as vontades de meu Pai, por uma causa que achei e ainda acho a certa. Nesse momento percebo que sou um líder. Talvez o líder de uma rebelião, assim como foi Lúcifer. Mas, diferente dele, minha ousadia foi lutar do lado dos humanos, das criaturas preferidas do Pai. Talvez eu mereça estar aqui. Mereço ter passado por tudo o que passei. Os meus erros foram os degraus subidos para alcançar a maturidade. Foi a evolução de um ser que antes era submisso, e agora está a caminho de se tornar o melhor Deus de todos. E não digo isso com a prepotência que me tomou quando os leviatãs habitavam minha casca. Digo isso com a sensatez de um "homem" que acabou de acordar do transe pelo qual passou a eternidade.

Quando me dou conta, a hora do meu voo já se aproxima. Saio do simples quarto de motel com a convicção de que minhas escolhas são as melhores. Entro no avião e ao meu lado senta-se uma senhora. Ela carrega consigo uma bíblia. Durante a viagem, ela que não para de falar — e como gostam de conversar os anciãos — me confidencia que está voltando para casa após visitar sua filha. Conta-me também que adiou a volta pois seu marido adoecera nesse período, mas que ela tem fé em Deus, e que Ele salvará seu amor. Essas palavras cortam meus coração — será que anjos tem coração? -. Mal sabe ela que Deus está pouco se lixando se ele morre ou um terrorista. Deus está de férias e não volta tão cedo. Lembro-me das palavras de Metatron, será que conseguirei deixar de atender pedidos de fies como essa senhora? Acho que isso não se tornará um problema, afinal orações para Deus são encaminhadas a ele, e ao menos que alguém diga que Deus agora se chama Castiel, eu só escutarei orações direcionadas a mim, e essas com certeza serão de Dean ou Sam. Sorrio nesse momento. Esses garotos, antes sem fé alguma, agora rezam para um anjinho rebelado. Realmente nossas vidas mudaram. Quando nossos caminhos se cruzaram viramos todos soldados de uma luta pelo melhor caminho, pela vida digna de pais de família. A senhora dorme, bíblia agarrada em seus braços. Sinto pena. Deus não olha por seus filhos como deveria, não olha por seus bravos soldados.

Chego ao meu destino. A ilha é distante e ainda preciso de um barco para chegar até lá. O povo desse lugar é tão bonito e tem a aparência feliz. Me sinto no paraíso, não aquele que meus olhos viram a dia atrás, mas o antigo. O céu é azul como em nenhum lugar já se viu, o sol esquenta com intensidade e preciso tirar meu fiel sobretudo, a vegetação tem tons de verde incontáveis, as flores são de todas as cores e o povo esbanja um bronzeado fora do comum. Moças bonitas passam por mim e me lançam colares de flores. Uma delas me faz lembrar de Meg. A lembrança dela tem tomado muito minha cabeça ultimamente.

Consigo um lugar na embarcação de agora. O mar, com tons de verde e azul, se mostra calmo e tranquilo. O leve balançar das ondas me faz sentir sendo amparado por mãos de doçura, como uma mãe balançado seu bebe.

Duas horas e meia depois chego a ilha de Oahu. O barco para em uma plataforma de madeira um pouco consumida pelo tempo. A areia que vejo ao horizonte é branca, de aspecto fino, e decido tirar meus sapatos para experimentar aquela sensação. Pisar sobre ela me faz sentir uma prazer indescritível, decido então me sentar ali, e me permitir apenas olhar o mar por alguns minutos. Ao longe, consigo contemplar um casal de golfinhos, nadando em perfeita sintonia, em seu sobre e desce, como em uma dança onde parceiros se tornam uma só alma. Levanto-me e rumo em direção ao interior da mata que se encontra ali. Há um pequeno vilarejo a poucos metros, mas creio que não encontrarei minha graça ali.

Conforme adentro na mata, sinto uma energia me consumindo por dentro, algo que me chama e me guia até a energia da vida angelical. A cada passo essa energia se torna mais forte. Um zumbido toma conta de meus ouvidos e um cheiro familiar, podendo ser descrito como para os humanos o cheiro de uma pessoa conhecida, embriaga meus sentidos. Chego ao interior da mata e me deparo com uma área de descampo, onde exatamente em seu meio há uma arvore. É um Baobá, arvore que não tem costume de crescer nesse tipo de vegetação, e isso já é um indicio de que minha graça está aqui. Ela é enorme, creio que meça em torno de 35 metros, algo que ultrapassa o extraordinário dessa espécie. A força que me puxa até ela é forte demais, mas não posso me esquecer das palavras e Metatron, preciso ir com muito cuidado. Me aproximo lentamente da arvore, e quando chego a pouco mais de dois metros de distância ela começa a de abrir. Na arvore, em uma altura pouco acima de minha cintura, começo a ver um buraco, e dentro dele uma luminosidade intensa começa a se apresentar. É ela! Minha amada graça! Abro a boca lentamente e rezo – sim, que ironia, rezar para quem? Eu não sei, só sei que rezei – para que tudo dê certo. Um pequeno filete de brilho azulado sai da arvore e vem em minha direção. Em minha mente ecoa a voz de Metatron e a possibilidade de estragar tudo novamente. Ela começa a entrar em mim. Sinto-me inundando de poder. Tento não me animar, e manter a boca o menos aberta possível, para que possa controlar a velocidade e quantidade de graça que entra em mim. Quanto tudo entra, ouve-se um estrondo no céu. Raios surgem do nada e tornam o ambiente de sol em nuvens negras de raiva. Raios atingem minha volta e a gigantesca arvore se derrete, como se fosse uma vela queimando-se instantaneamente. Abro minhas assas, sinto meus olhos com um brilho intenso de azul celeste. Eu voltei!

Segundos depois o céu volta a ser azul e o sol queima a pele. Ouço pessoas curiosas se aproximando e faço o que sei fazer de melhor... Desapareço. Uso minhas asas pela primeira vez para assustar Dean. Chego ao Bunker, Dean e Sam conversam sobre um caso.

– Olá rapazes! – Dean se assusta e pega a faca de Caim

– Castiel? Seu filho da puta quase que eu te mato! O que está fazendo aqui? Como entrou? – Ele me interroga enquanto Sam me olha sem intender nada.

– Recuperei minha graça, longa história. Resolvi ser o líder dos céus, mas não se preocupem, eu não vou pirar, e vocês sempre podem contar comigo. Preciso ir, o céu está uma bagunça, depois conto a vocês tudo direito. – Sumo e os deixo loucos como sempre fazia. Quanta falta senti disso

Chego aos céus, reúno meus irmãos, e faço meu primeiro discurso

– Eu liderarei vocês, sei que não fui um líder bom em minha primeira tentativa, mas aquele com certeza não era eu. Tive tempo para colocar meus pensamentos no lugar. Não quero mortes, somos irmãos, e não serei como Deus, não deixarei vocês a mercê, não deixarei os humanos a mercê. E vocês irão me ajudar a cuidar deles, a cuidar da terra. Por essa é nossa missão. Nós fomos criados para isso, e é isso que iremos fazer. Vocês são livres para decidirem o que fazer, desde que isso implique em ajudar. Podem me pedir ajuda se quiser. Caso alguém queira ir a terra e experimentar a maravilha de ser humano, está permitido. Considerem isso um estágio para aprender a entendê-los. Vamos mudar a realidade do céu. Começaremos com uma reforma por aqui. Ajudem a reconstruir o céu. Aos baderneiros que destruirão nosso paraíso tentando o poder forçado, terão eternos anos na cadeia ao lado de Metatron para refletir. Depois veremos o que fazer. Uma coisa de cada vez, um passo de cada vez. Seremos bebes aprendendo a engatinhar. Vamos trabalhar meus irmãos, vamos vencer o maligno e fazer o bem trinfar.

Todos os anjos vão a loucura com meu discurso e logo começam a ajudar e a ficar animados. Claro, me perturbam querendo ordens e eu, com paciência, auxilio-os. Esse novo começo é difícil, e aprender a ter livre arbítrio vai ser demorado.

Volto a terra. Vou até a senhora que estava ao meu lado no avião. Ela está sentada, ao lado do marido quase desfalecido. Toco-o e curo-o, afinal, esse sou eu e nunca quero mudar.

Notas finais
O que acharam? =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!