Solitária
3 Matthew, o garoto das fechaduras.
Notas iniciais
Sophia acordou rápido. Tomou banho e colocou um vestido cinza com uma meia calça preta, acompanhado de uma bota com taxas. Colocou uma luva branca e seus óculos quadriculados e desceu em pequenos passos até a cozinha, onde viu sua mãe sentada com as mãos no rosto.
– Está tudo bem, mãe? – perguntou Sophia, sentando ao lado de sua mãe.
Rapidamente, Amanda limpou as lágrimas escorridas do rosto com as costas das mãos.
– Claro, só foi um cisco... – respondeu Amanda com um meio sorriso no rosto.
Era evidente, Amanda estava chorando e isso preocupava Sophia.
– Você pode dividir comigo – disse Sophia, sorrindo e tocando gentilmente o braço de sua mãe.
Amanda olhou rapidamente para os dois lados. Puxou a cadeira um pouco para frente para poder chegar mais perto da filha e disse em palavras tremulas:
– Seu pai... eu acho que ele está me traindo.
Sophia engoliu em seco. Ela sabia disso. Vira seu pai com uma garota, bem em cima da cama de sua mãe. Isso era horrível e Sophia não gostava de ver sua mãe magoada. Ela olhou firme nos olhos castanhos de Amanda.
– Como você tem tanta certeza disso? – perguntou a menina.
– Eu encontrei camisinha usada de baixo da cama. – ela choramingou – Tudo indica que ocorreu algo. E ocorreu tudo em cima da minha cama! – Começou a cair lágrimas sem parar de seus olhos.
Sophia ficou abalada por ver o estado de sua mãe. Abraçou-a docemente. Amanda era a única pessoa que Sophia amava e se importava. Realmente era difícil vê-la daquela forma.
– Separa dele, mãe. Não vai ser diferença alguma para você. Ele te bate. Ele é ruim! – deu uma pausa e olhou para os lados certificando-se de que não havia ninguém em casa além dela e de sua mãe – Eu juro que te darei total apoio.
Amanda sorriu entre lágrimas e abraçou sua filha novamente.
– Depois resolvemos isso, Sophia. Agora você precisa ir para escola antes que se atrase.
Sophia levantou-se rapidamente da mesa e puxou a bolsa da cadeira, arrumando em seu ombro.
Claro que Sophia sabia que seria um grande dia para ela. Seria dado mais um passo para sua vingança. Ela não sabia ao certo se daria certo esse seu plano diabólico. Colocaria os convites no armário de cada um e esperariam eles na mansão.
Preciso mudar as fechaduras.
O pensamento veio de repente.
Depois da escola, talvez.
Respondeu para si mesma. Sorrindo, foi em direção a escola.
O dia era calmo, como os outros. Sophia estava arrumando seus livros quando três garotos e uma garota se aproximaram. Era Alice, Robert e dois alunos do segundo, Thor e Johnny.
– Olá novamente. – disse Alice com um tom irritante. Sophia apenas ignorou.
– Eu acho que você não vai querer nos ignorar quando for à hora da saída... – Thor quem disse.
– O que vocês ganham me perturbando? – disse Sophia, calma.
– Você é uma ridícula, garota. A gente acha graça de te zoar. Por quê? Algum problema? – disse Alice, sarcasticamente.
– Só nos aguarde! – disse Johnny, aproximando de Sophia.
Ela jurou que pode ouvir o coração do garoto.
Eles saíram dando risada alta.
– Idiotas. – disse para si mesma.
– Realmente. Eles são uns idiotas. – uma voz estranha fez Sophia dar um pulo de susto. Virou-se e deu de cara com um garotinho de olhos puxados.
– Oi... – disse ela, meio sem jeito.
O menino vestia uma blusa social preta, calça jeans e um all star tradicional. Ele passou a mão nos cabelos lisos e sorriu de volta.
– Meu nome é Matthew, muito prazer.
Ela ficou sem jeito de responder o garoto. Ninguém de sua escola a tratava bem. Isso realmente era um milagre.
– Eu sou Sophia. – pegou sua bolsa e colocou ao lado do ombro.
Eles foram caminhando até a sala de aula.
– Bem, eu só quero lhe dizer que acho muito chato eles ficarem fazendo isso com você. Se precisar de alguma coisa, estou aqui. – Sorriu e foi saindo.
– Obrigada – ela respondeu e ele acenou.
Entrando para sala de aula, Sophia deu de cara com Alice e suas outras três amigas nojentas. Desviou delas e sentou-se no fundo, como sempre.
_______________________________________
Ao termino das aulas, Sophia caminhou levemente até a saída, mas Alice e suas amigas a pararam. Johnny, Robert e Thor vieram em seguida.
– Muito bem. Eu disse que você iria pagar por ter feito aquilo ontem – falou Alice, empurrando Sophia para o chão, onde ela caiu sentada.
Vagabunda!
Pensou, mas não disse. Thor segurou seus braços e ela já sabia que viriam socos e tapas, e foi isso que aconteceu.
As quatro meninas pegaram pesado desta vez. Bateram em sua barriga e em seu rosto até sair sangue pela boca.
– Se a garota ficar mais ferida seremos expulsos. Já deu! – gritou Robert, puxando Thor para o lado.
– Prenda ela! – ordenou Alice, pegando a bolsa de Sophia e jogando no lixo.
– Prenda ela no armário e vamos dar o fora daqui! – Vanessa foi dando ordens para Thor.
Ele jogou Sophia com todas as forças no armário. Fez um barulho irritante ao trancar a pequena porta.
– É para você nunca se esquecer da gente! – falou Jane.
Chorando, Sophia sentou-se no espaço pequeno onde fora presa. Tirando a tinta do armário com as unhas, ela ia repetindo para si mesma:
– Já aguentei por muito tempo. Eles vão pagar! Vão pagar!
Ficou presa por cerca de uma hora. Já estava quase dormindo, quando ouviu passos no corredor. Levantou-se rapidamente e começou a bater na porta desesperadamente. Sua voz saia chorosa:
– Ajude-me, por favor! Estou presa, ajude-me!
Ela ouviu um 'trec' e a porta se abriu. Sophia saiu rapidamente do armário e sentou-se no chão, chorando sem parar.
Era Matthew quem abrira a porta. Ele estava ao seu lado, parecia que estava pensando no que havia prendido ela no armário.
– Foram eles, não é mesmo? – perguntou ele, sentando ao lado dela.
– Foi... – respondeu, chorando.
Ele aproximou um pouco mais de Sophia, colocando sua mão por cima da dela. Ela olhou desconfiada.
– Eles te machucaram?
Ela olhou para o chão e esqueceu-se da mão do garoto por cima da sua.
– Sim. Não sei o que eu fiz para eles... – Sophia colocou as mãos no rosto e começou a chorar.
Sua barriga estava doendo e sua boca estava ardendo. Saia sangue ainda. Ela limpou delicadamente para não sentir dor, mas sugou o ar ao passar a mão de mau jeito.
– Por que você não muda de escola? Bem, seria melhor para você, não acha? – sugeriu ele.
Matthew era tímido, porém, parecia ser extremamente comunicativo e legal com todas as pessoas.
– Não sei...
Ele olhou nos olhos dela e compreendeu.
– Eu já passei por isso também. Você se muda, mas fica com aquilo na cabeça de que, na nova escola, passara por isso novamente. – sorriu – Estou aqui para ajudá-la no que for preciso, tudo bem?
O casarão
Ela lembrou, então limpou as lágrimas do rosto e levantou-se.
– Eu tenho um lugar onde passo a maioria do tempo. Você pode me ajudar a arrumar as fechaduras da casa? Eu gosto de lá e fico com medo de algum desconhecido entrar.
Ele hesitou e então respondeu:
– Meu pai trabalha numa loja onde vende fechaduras. Eu posso conseguir algumas para você... de graça. – sorriu e Sophia pareceu novamente animada.
– Obrigada. Ajudará bastante.
Ele pegou sua bolsa, tirando de lá seu caderno e anotando o seu numero. Entregou a Sophia.
– Me liga. Eu posso arrumar as fechaduras para você. Algumas vêm com defeitos e meu pai joga fora. Sim, eu sei, é um desperdício. Eu pegarei algumas para você e posso já arrumar amanhã, nessa tal de casa onde você fica.
Ela sorriu de volta. Parecia contente e animada. Por um breve momento, não sentia mais dor.
– Amanhã não irei vim para escola. Você pode aparecer na minha casa e seguiremos juntos para o lugar onde fico. Obrigada novamente, Matthew.
Matthew respondeu sorridente para ela:
– Tudo bem. Apareço lá depois da escola. Só me liga e me passa o endereço direitinho. – ele parou e olhou seu relógio – Preciso ir, Sophia. Tchau.
Ele beijou docemente a bochecha de Sophia. Ela sorriu envergonhada e ele seguiu para fora da escola, deixando-a sozinha.
Amanhã. Preciso aguentar só mais dois dias até que tudo esteja pronto!
Notas finais
Espero que tenham gostado, hehe...
Thanks! Byeeeeeee
Fale com o autor