Solitude

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Aah, isso tava jogado no meu pc há um tempo, então, tá aí.

Solitude by Teffy Chan

Correu os dedos por aquelas bochechas pálidas de pele macia, o olhar era duro, como se fitasse seus piores demônios querendo engolir-lhe a alma. Mas era só o frio do espelho contra seus olhos certos, os dedos finos ainda traçavam linhas imaginárias por suas bochechas, até tocar seu, rubro, lábio.

Era tão doce e tão frio ao mesmo tempo. Era o toque de dedos longos tentando secar as lágrimas. E enquanto tentava secá-las, dançava sobre a sua pele e acariciava as cicatrizes eternizadas que só seus olhos eram capazes de ver, ele sabia. Cicatrizes prateadas de um passado inóspito que foram deixadas pelas mais duras lágrimas passadas e todas elas escorreram e pingaram, solitárias, sem nada ou ninguém para secá-las. Sem ninguém para ampará-lo.

Abaixou os olhos, não querendo mais se ver no espelho redondo, era dor demais, era agonia demais, e as mãos enluvadas jamais pararam de secar-lhe as lágrimas. Cerrou os punhos, arranhando com força o mármore branco, sem nem deixar uma só marca. Porque ele já tinha as dele, e não se deixava marcar por outras, facilmente. Então fechou os olhos com tamanha força porque esperava não mais ter que abrí-los e em desespero constante, espalmou a mão que, carinhosamente, um carinho hipócrita, lhe afagava as maçãs do rosto.

-Boochan...

Ciel abriu os olhos, imersos em tamanha tristeza, e fitou o espelho novamente, não se prendendo a sua própria imagem, mas a do homem de negro atrás de si. E chorando, sem se envergonhar, naquele momento, perdeu-se no vermelho do olhar do demônio.

-Só fique calado e ao meu lado, Sebastian.

-Tudo o que desejar, boochan. Esse é o acordo.

Diante do espelho, Ciel pode notar as mais novas cicatrizes, incuráveis, que lhe desciam pelo rosto. Amava um demônio que amava sua alma.

-Sebastian. – Ele permaneceu quieto, esperando as mesmas ordens que sempre vinham. Afinal, seu boochan ainda era uma criança, uma ingênua criança de treze anos sem família e aos acalentos de um demônio. – Essa noite, eu espero que me ame, como você nunca amou alguém. – Parou e novamente fitou o demônio, seu sorriso perfeito, seus cabelos negros. – Como eu nunca senti de ninguém.

-Devo considerar isso uma ordem, my lord? – Murmurou ele, diante das paredes silenciosas. Ciel era a mais bela e mais amável aquisição que já tivera e, passando os braços ao redor da criança, afagando-a enquanto a puxava para seu colo, sorriu diante das trêmulas palavras.

-É uma ordem, Sebastian.

Em um abraço calmo e consolador, o garoto pode chorar todas suas lágrimas dolorosas escondido do mundo, escondido nos braços de um demônio que comeria sua alma.

E ele nunca saberia se aquele amor era real ou não. Ele nunca saberia se Sebastian Michaelis algum dia havia pensado em não mata-lo, em passar a eternidade ao seu lado.

Ele nunca saberia o quanto um demônio perfeito, como ele, amou uma criança solitária.

-Yes, my lord.

Notas finais
Hhm, uma grande porcaria, adimitam. Mas eu gosto dos dois. Demais. :D
Beijos pr'ocês ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!