Solitary Ground

1 Capítulo 1: Acordando.


Notas iniciais
Espero que gostem e que me mandem comentários! Boa leitura.

O sol me acordou com um beijo nos olhos. Eu sempre ouvi dizer que beijo nos olhos era o caminho mais rápido para se chegar ao coração, e no caso, o sol estava bem longe do meu frágil e assustado coração.

“Ainda estou viva?” – Perguntei a mim mesma enquanto passava minha mão no rosto. Levantei-me da cama ainda cambaleando de sono. Pus-me em pé rápido quando me lembrei da minha condição, da condição do mundo. Fui até o banheiro, tomei meu banho, e coloquei de volta minhas roupas. Meu corpete de verniz vermelho, minha calça de couro preta verniz, o coturno preto de cano longo até o joelho. Deixei meu cabelo ser o que ele queria. Abaixei e peguei de baixo da cama meu par de facas de Legolas.

Antes desse mundo se tornar o que é agora ela eram usadas para enfeitar minha lareira. Mas era o que me mantinha vida desde que o mundo se perdeu.

Meu nome era jade, a pronuncia é americana. Tenho 19 anos, e acabei de acabar a escola e entrar na faculdade de neurocirurgia. Eu queria ser médica, a mais complexa. Sempre gostei de desafios. Sempre gostei de musica boa, como Death, Dimmu borgir, Cannibal corpse... E sempre fui taxada como a esquisitona.

Fazia meses que eu não tinha mais nenhum contato com vivos e eu estava andando sem rumo a procura de um local seguro e de sobreviventes que ainda não tenham pirado. Eu estava assustada, mas depois de ver tantos zumbis, tantos mortos se levantando e tentando me comer, eu estava bem mais acostumada e conformada com a situação. Uma coisa era certa, voltamos a viver como presa e não como caçadores.

Meus pais foram para a praia. O mundo acabou, e eles nunca mais voltaram. Sim, eles estão mortos junto com todos os amigos e familiares que eu tinha. Eu estava sozinha e talvez estivesse ficando sozinha no mundo.

“Mais um dia. Talvez hoje eu ache...“ – Eu murmurava para mim mesma enquanto coloca as facas de Legolas nos suportes das minhas costas onde elas ficavam cruzadas.

Sai daquela casa onde eu fiquei por mais ou menos 5 horas apenas para dormir.

Caminhei em direção a floresta mais fechada, nunca tinha passado dela e talvez lá, do outro lado, existisse alguma chance de vida.

Eu andava muito atenta, tão atenta que meus ossos chegavam a doer. Eu estava tensa também, e meus pensamentos estavam prestes a um colapso. Eu não conseguia mais viver sem ninguém. Mas eu mesma tentava me acalmar.

Quando a noite eu chorava não tinha ninguém para ouvir meu choro, senão aquelas criaturas. Não havia ninguém para eu abraçar, para me ajudar, para me fazer sorrir. Não tinha ninguém nem mesmo para me fazer chorar. Não tinha ninguém para exatamente nada.

Andei por mais ou menos 2 horas, sem pensar em muita coisa. Na verdade eu pensava apenas em como eu ia sobreviver sem mais ninguém. E o medo começou a me incomodar. O que faria?

“Que porra é essa?” – vi uma cadeia muito grande em meu horizonte. “Zumbis... Mortos?” – Olhei mais adiante e o sol cegou meus olhos. “Alguém os matou.” – fui até a grade da cadeia me esquivando dos corpos jogados no chão. Quase que com um sorriso enorme. Minhas esperanças eram bem grandes. Observei tudo que eu pude procurando uma voz, uma humanidade de verdade.

Foi quando eu vi uma mulher, de meia idade, com uma blusa mais ou menos vermelha, cabelos curtinhos e olhos azuis andando do lado de fora da cadeia, porém, dentro grade. Seus olhos pareciam preocupados embora doces. Não contive minha felicidade. Corri até o lado que ela estava.

Bati minha mão na grade com bastante força visando chamar sua atenção. Ela deu um pequeno gritinho e um pulo assustado. O que era perfeitamente normal.

--- Oi! --- Eu disse sorrindo pendurada na grade.

--- Você... Está viva?! --- Ela se desencolheu e chegou mais perto.

--- Sim. Como é seu nome?

--- Carol... O que você quer?

--- Há meses que eu procuro alguém. Eu não tenho contato com gente viva, de verdade, desde que isso começou. Vários meses.

--- E o que você quer?

--- Não estou aqui pedindo abrigo. Quero me juntar a gente viva para continuar vivendo.

Atrás dela, eu vi um homem correndo, com uma camisa de botão suja apontando uma arma para mim.

--- Ow, ow! --- Ele puxou Carol pelo ombro a fazendo se afastar de mim. Eu Não entendi bem o porquê da arma travada a mira em minha cabeça.

--- O que foi? --- Soltei da grade, mas continuei ali encostada ele parecia bem tenso.

--- O que você quer?

--- Eu... Sou uma sobrevivente. --- Respondi passando a mão nos olhos para lubrificá-los.

--- Não é assim que as coisas acontecem. Se você é uma sobrevivente continue sobrevivendo ai fora.

--- Sozinha? Até quanto acha que eu duro?

--- Você sempre esteve sozinha?

--- Desde que esse mundo acabou.

--- E ainda sobreviveu? --- Ele chegou mais perto de mim.

--- Sim.

--- Zumbis... --- Carol de afastou. --- Zumbis! --- Ela gritou.

--- Oh! Mais dessas coisas? --- Eu me virei e vi alguns deles se arrastando para chegar a mim. --- Vai me deixar entrar ou não.

--- Acho melhor você correr. --- Ele me respondeu com os olhos vazios.

--- Se eu correr, e conseguir, você me deixa entrar?

--- Se você sobreviver ao ataque desses zumbis você entra. --- Ele me disse com um sorriso de deboche. Ele tinha certeza que eu não conseguiria matar todos eles.

--- Lembre-se disso.

--- Não vou atirar em nenhum deles para te ajudar.

--- Seria frio o bastante para me ver sendo devorada?

--- Sou frio o bastante para deixar.

--- Ótimo. --- Sorri para ele dando-lhe as costas.

--- Isso é cruel, não? --- Ouvi Carol resmungando.

“Que venham.” – coloquei minhas mãos nas costas segurando no cabo das duas facas que lá ficavam. Respirei fundo e olhei para frente.

Notas finais
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