Solitary Ground
4 Capítulo 4: Escute-me
Notas iniciais
Estava um pouco frio e minhas costas estavam nuas apara aquele vento cortante. Segurei minha vontade de me encolher e continuei na mesma posição.
Eu queria minha família, meus amigos, gente que realmente gostasse de mim. Eu queria me sentir querida... E a saudade de minha antiga vida estava começando a me matar aos poucos, e sem nenhuma hesitação meus olhos mandaram algumas lágrimas para fora.
Desde que eu cheguei tentei me fazer de durona, mas não conseguia mais. Tudo estava voltando a mim e me machucando como nunca. Os meus olhos já não aguentavam mais e nem meu coração que estava doendo. Tudo que eu era e tudo que eu acreditava se esvaiu mais rápido do que eu pude acompanhar, e agora eu encontrei um grupo, provavelmente em algum lugar dentro de mim eu tinha esperança de tudo ser lindo. Mais aquele jeito que todos me tratavam estava começando a me machucar. Os ruídos do meu choro começou a ficar mais alto, e Daryl se virou para me ver. Ainda envergonhada passei minha mão em meus olhos procurando secá-los. Não queria que ele visse minha fraqueza que eu tentava fingir que não tinha, mas era mais forte que eu e minha vontade de sair correndo para qualquer lugar estava começando a me sufocar. Talvez morrer não seria algo tão ruim.
--- O que houve? --- Ele perguntou voltando seu olhar para frente e ainda tentando parecer seco e distante.
--- Nada... --- Disse com minha voz ainda rouca e tremula pelo choro.
--- Porque está chorando? --- Ele perguntou ainda com a mesma atitude da pergunta anterior. Ele queria saber o que eu sentia e ao mesmo tempo queria parecer longe.
--- Saudades do que eu era.
--- Inútil. Agora parece ser mais forte.
--- Mas antes eu era mais feliz.
--- Felicidade não te mantém viva. A força sim.
--- Se eu não tiver felicidade não consigo achar minha força.
--- Se estiver viva já teria achado sua felicidade ou força... --- Ele voltou seu olhar para mim e com um meio sorriso ele escondeu seu rosto na escuridão novamente.
Continuei sentada abraçada aos meus joelhos e me autoconsolando. Eu mesma estava segurando todas as minhas fraquezas.
Saudades de tudo... Que virou pó.
--- Qual é? Pare de chorar, nada que fizer vai fazer as coisas voltarem ao normal.
--- É impossível que você não sinta falta do mundo como era antes.
--- Sinto, mas sei que se eu chorar ou me fizer de fraco esse mundo não vai me perdoar e o antigo não vai voltar.
--- Não quero ser fraca.
--- Então não seja... Não adianta remoer o que passou.
--- E o que aconteceu com sua família?
--- Minha família era meu irmão mais velho, Merle.
--- E o que aconteceu com ele?
--- Provavelmente foi morto... --- Daryl baixou a cabeça mostrando a falta que o irmão lhe fazia.
--- Sinto muito. --- Disse tentando sorrir em meio as minhas lágrimas. --- Me desculpe colocar facas em sua garganta... Eu estava tensa...
--- Dá próxima vez é melhor certificar que eu morri. --- Ele deu risada olhando para trás, e o pouco da luz que tinha eu pude ver seu lindo sorriso e seu rosto maravilhosamente bonito. Eu retribuí seu sorriso.
O silencio se estabeleceu por alguns minutos. Quando eu estava quase dormindo, ali sentada, Daryl colocou seu lenço em minhas costas.
--- Oh! --- Eu ergui minha cabeça e ele já estava de pé olhando para frente ainda. --- Obrigada!
--- parecia estar com frio. Mas não vá dormir hein?
--- Não vou. --- Fiquei em pé ao seu lado enrolada.
--- Temos que ficar a noite toda?
--- Não sei... Provavelmente alguém vai vir trocar com a gente... Não quero passar a noite olhando para o nada.
--- É inútil não? Acho que os zumbis não entrariam lá dentro.
--- Chagamos aqui a pouco tempo, ainda temos que ver quanto zumbis temos na área.
--- Ahh sim.
--- Você é dessa cidade mesmo?
--- Não sei. Eu simplesmente não sei aonde são as divisas.... Mas não tem nada de familiar aqui, provavelmente não... E também, não vi placas.
--- Somos dois então.
--- Aqui é a nossa residência fixa?
--- Provavelmente, pelo menos até Lori ter o bebe e tudo mais..
--- Ela é mulher de Rick certo? Mas já vi Rick dar algumas patadas nela.
--- Relação complicada.
--- Entendi. E você? Tinha namorada ou alguma coisa do tipo?
--- Nada! --- Ele respondeu sorrindo mais ou menos. --- E você?
--- Nada! --- Respondi e sorri igual á ele. --- E pelo jeito nem vou ter.
--- Provavelmente.
Paramos de falar e novamente a tristeza voltou a me atacar. E meus olhos estavam cheios de lágrimas. Elas começaram a escorrer e eu entrei em desespero. Daryl percebeu minhas lágrimas caindo e se virou para mim.
--- Sei que sou bruto, mas não consigo ficar olhando uma menina chorando sem fazer nada. --- Ele passou suas mãos sobre meu rosto e secou minhas lagrimas. E eu comecei a chorar mais ainda, era como se tivesse uma faca em meu interior.
--- Eu... Eu... --- Eu tentava falar alguma coisa no meio das lágrimas mas eu tropeçava nas minhas próprias palavras e não consegui dizer nada.
Daryl continuou olhando para meus olhos, e eu estava me perdendo naqueles oceanos profundos e azuis, e minhas lágrimas se perdiam em suas mãos que as paravam antes de chegar a minhas bochechas.
--- Chore. --- Ele disse enquanto coloca sua arma no chão para que suas duas mãos ficassem livres.
E quando ele disse chore eu decidi soltar tudo que estava em um, e com um pulo eu me joguei em seu peito procurando qualquer coisa que eu pudesse segurar a chorar. Percebi também que seus braços demoram para encostar em minhas costas, provavelmente ele tinha se assustado com minha atitude, mas senti o calos de seus braços depois de alguns minutos. Eu sentia a respiração dele.
--- nem mesmo todas as lágrimas do mundo trará tudo de volta. --_ Ele me disse enquanto tentava me consolar, do seu jeito, ainda sendo um pouco distante e um pouco seco, ele ainda tentava me ajudar.
--- tem razão. Eu tenho que seguir em frente... --- Respondi enquanto me afastava dele e secava minhas próprias lágrimas. --- obrigada Daryl.
--- De nada. --- Ele pegou sua arma do chão voltando a sua forma de malvado.
Mas eu sabia o quanto Daryl era doce por dentro. Mas a vida talvez o fizesse assim. Não era culpa dele, e tudo que ele precisava talvez fosse um pouco de paciência.
Fale com o autor