Solitária

14 Sopa humana.


Notas iniciais
Desculpa a demora para postar este. Bem, fiquei sem tempo para vim e postar.
Mas ele está pronto!

Dedico este capítulo a minha amiga, Jackye.

Até mais! Tenham uma boa leitura.

A raiva que havia tomado conta do corpo de Jane não iria ajudá-la em nada. Seu corpo estava totalmente debilitado por conta dos dois tiros em suas pernas, dificultando a locomoção. Sophia ria o tempo inteiro, parecia que estava assistindo algum filme de comédia.

O corpo de Thor estava estendido no chão, com o rosto pálido e com os pulsos por cima do peito. Puxando sua cabeça com cuidado, Jane a coloca em cima de suas pernas sangrentas. Ela também não iria durar muito tempo com as pernas sangrando daquela maneira. Jane nem se preocupava em pensar numa solução para que sua perna parasse de sangrar.

Sophia foi, em pequenos passos, até Jane. Agachou-se ao seu lado e sorriu, parecendo entender sua perda.

– Ele queria salva-la, mas isso tudo foi em vão, concorda comigo? – sua voz ela calma. Sophia tocou o ombro de Jane gentilmente. Ela tentou desviar do seu toque, mas pela vulnerabilidade do seu corpo, apenas cedeu.

Sophia levantou-se novamente e deu pequenos passos até sua mochila, tirando de lá seus óculos quadriculados. Virou-se para Jane e disse:

– Eu já volto, não saia daí.

E saiu do quartinho dos televisores. Também era um pouco impossível de Jane conseguir andar pelo menos dois metros dali. Suas pernas estavam terrivelmente ferradas.

~~***~~

Quarto Dois

– Tédio, tédio, tédio – reclamava Johnny. Carly e Alice reviraram os olhos. Claro, ficarem presos ali era realmente tedioso, mas presos com um garoto que não para de falar das desgraças que poderiam acontecer com eles, era ainda pior.

– Cala a boca! – gritou Robert.

– Ouviram? – perguntou Alice, olhando para os amigos. Todos concordaram com a cabeça.

– Foram mais de dois tiros – disse Carly.

Ficaram cerca de cinco minutos olhando para a porta. Estavam com medo. A garota que os prendiam ali poderia muito bem subir a qualquer momento e acabar com todos eles em menos de um minuto. Isso apavorava todos, até mesmo Robert, o mais durão dali.

– Nós temos que ter calma. Eu acho que ela não vai tentar nada contra a gente por enquanto. Primeiro vai ser o quarto do Lúcio, lembra? Thor e Jane já estão lá em baixo. Eu acho pouco provável que eles conseguiram sair de lá vivos. E vocês ouviram os tiros. Alguém morreu – contou Robert.

– E isso tudo não apavora você? Nossos amigos estão morrendo, Rob! – dessa vez quem gritou foi Carly. Alice foi para perto da amiga e segurou suas mãos.

– Não liga, Carly. Ele é um ridículo. Mas eu concordo com a primeira parte. Precisamos ter calma. Sem calma e paciência não vamos chegar a lugar nenhum – disse Alice.

Já era manhã, cerca de quatro horas. Eles estavam com frio, fome e medo. Não sabiam ao certo quando sairiam dali, e se sairiam. Queriam sair correndo e ir atrás de ajuda, mas o medo que estava tomando conta era maior.

– Dois desceram seu a autorização da maníaca e acabaram mortos. Quem morreu dessa vez? – perguntou Johnny.

– Eu acho que foi a Jane. A maníaca deve estar aproveitando o Thor. Por favor, ele é um gato e todos nós sabemos disso – afirmou Alice, arrumando os cabelos louros.

– Mas eu ainda prefiro meu Rob – disse Carly num tom de voz manhoso. Robert a envolveu com seus braços e logo em seguida a beijou. Johnny e Alice viraram a cabeça.

– Sinto um nojo básico – falou Alice.

– Estou com vontade de vomitar – riu Johnny.

– Idiotas! – disse Robert, dando uma risadinha.

Quarto Um

– Então, quando todos forem executados, vamos sair do nosso quarto e ir para um deles sem fazer barulho. Depois, um de nós, vai distrair a maníaca enquanto os outros fogem por alguma brecha que ainda vamos descobrir – indicou Tyler, sorrindo.

– E se o que ficar acabar morrendo? – perguntou Jessie, olhando firmemente para Tyler.

– Isso não vai acontecer. Nós vamos ser rápidos e vamos tentar achar algum sinal de celular, para poder ligar para policia – contou Tyler. Pepper balançou a cabeça.

– Então a Jessie foge primeiro e eu e você ficamos no casarão distraindo a maníaca – afirmou Pepper, olhando para Tyler. Ele concordou e Jessie também.

– Mas por favor, vocês tem que tomar cuidado. Não quero perder vocês também – alertou Jessie, segurando as mãos dos dois. Pepper assentiu e Tyler concordou.

– Claro. Somos rápidos e espertos, certo? Ela não vai ter muita chance com nós dois – disse Tyler, dando uma piscadinha para Pepper.

– Ninguém vai sair morto daqui... pelo menos não a gente – falou Jessie, impaciente.

~~**~~

Sophia havia dado um jeito na sujeira do quartinho. Indo devagar até as escadas e subindo sorrateiramente, conseguiu arranjar dois grandes baldes de água e uma vassoura no porão. Estavam em bom estado. Deixou Jane encostada perto dos televisores, enquanto tirava o corpo de Thor para fora da casa e limpando o quartinho. Jane não parava de chorar. Não era possível uma garota daquele tamanho chorar tanto assim.

Mas aonde Sophia poderia deixar o corpo destruído de Lúcio? Dentro daquela geladeira, seu corpo já estava apodrecendo. Foi então que ela teve a idéia.

Depois de enterrar o corpo de Thor no quintal, com a ajuda de uma enorme pá de ferro, Sophia voltou para o quartinho. Jane estava com a cabeça baixa e agora não chorava mais. Sem ela ver, Sophia tirou, com muita dificuldade, o corpo de Lúcio da geladeira destruída. Levou-o até o salão e parou um tempo para descansar. Cerca de dois minutos depois, ela voltou a puxar o corpo danificado de Lúcio até o cômodo que deveria ser a cozinha. Tirou outra faca da gaveta, perto do fogão, e começou o trabalho...

Talvez eles gostem de uma boa sopa de carne humana.

Deixou pensar.

~~**~~

Certo tempo depois, a sopa com os restos de Lúcio já estava pronta. Sophia se orgulhava da maneira em que ela fazia as coisas. Parecia tão normal cozinhar um humano que ela nem se deu conta que já era seis da manhã e havia deixado Jane sozinha por esse tempo todo. Claro, ela não ligava se ela estava precisando de algo ou se queixando de alguma coisa. O que Sophia realmente ligava era pelo fato de Jane tentar, de alguma forma, sair dali. Não, seria um pouco impossível.

Correu até o quartinho e deu de cara com Jane. Ela estava caída no chão, apagada. Sophia caminhou até ela e procurou pulsação. Não encontrou.

Jane estava morta e isso era um ponto a mais para Sophia. Era menos um para ela ter que se preocupar.

Voltou-se a atenção para a sopa. Foi até a cozinha e levou a panela quente até o salão e colocou em cima da mesa de centro, junto com uma colher arruinada que havia encontrado na cozinha.

A sopa era feita da carne de Lúcio, misturado com alguns temperos estranhos que Sophia achou de baixo da pia. Não sabia se aquilo era veneno ou sei lá o que, mas pelo menos ia misturar um pouco o gosto da carne.

Depois de ter montado o banquete no salão, Sophia foi até o quarto dos televisores e os ligou. Todos estavam deitados como podiam; Uns na cama, outros no chão.

Ligou o alto-falante e começou a falar:

– Comida, quem está com fome? – atraiu a atenção de todos ao dizer isso. – Muito bem. Fiz um belo banquete para vocês e ele está no salão. Quero que desçam e se delicie com a minha sopa. Tchau.

E desligou. Sim, eles estavam fazendo exatamente o que Sophia havia dito. Estavam descendo em direção ao salão, em pequenos passos, sem presa.

Imagine o que eles vão achar disso tudo depois que souberem que a sopa foi feita com os restos de Lúcio.

Notas finais
Digam o que acharam nos comentários!
Eu postarei o próximo em menos uma semana.
Espero que tenham gostado desse.
Tchauzinho, até em breve!