Solitária

20 Fogo e destruição.


Notas iniciais
Tanãnãnã. Não esperavam que eu postaria hoje mesmo, não é? Fiquei tão feliz com os comentários passados que resolvi postar dois capítulos num dia! Estou tão adiantada que não será problema para mim depois, rs.
Ah, aqui chega praticamente no final. Ainda há um pequeno pedaço para postar. Este é, então, o penúltimo capítulo de Solitária.

Então, pela penúltima vez, aqui, desejo-lhes boa leitura!

Uma garota magra de cabelos louros, estava parada um pouco a frente de Sophia. Seus olhos vermelhos, denunciavam que ela estava chorando muito antes de descer. Sophia analisou-a. Roupas sujas, cabelos bagunçados, olhos vermelhos. Talvez ninguém gostaria de morrer com o mesmo estado de Alice. As garotas ficaram olhando uma para outra, sem dizer absolutamente nada. Vanessa já havia subido a procura do álcool.

– Estava tão ansiosa para me ver, Alice? – disse Sophia, usando um pouco de sarcasmo na frase. Alice engoliu em seco.

Sophia deu mais dois longos passos até ficar frente a frente com a menina. Alice não se mexeu.

– Eu queria tanto, tanto que isso demorasse para acabar. Mas sabe como são as coisas, não é mesmo? Nunca são da forma que queremos – dizia Sophia. – A vida é injusta. Já ouviu falar sobre isso, Alice?

Passaram-se um minuto e não veio a resposta. Sophia odiava quando não era compreendida e respondida da maneira correta. Levantou a mão e soltou um forte tapa no rosto de Alice. Ela virou-se para trás, com a mão no rosto. Ficara a marca da mão de Sophia. O estalo também fora grande.

– Não vai me dizer nada sobre isso, Alice? – gritou Sophia. – Você é uma vadia mesmo. Adora levar tapa na cara!

Foi nesse instante que Alice partiu para cima de Sophia, quando ela já estava virando para pegar sua bolsa. Derrubou-a no chão, fazendo a arma voar para longe. Vanessa não estava ali. Havia subido para o porão atrás do álcool para incendiar a casa depois. Não havia ninguém para salva-la!

Alice se recompôs, ainda alisando o rosto que fervia feito óleo quente. Tentou levantar, mas Sophia deu uma rasteira nela fazendo-a cair novamente. Sophia riu, mesmo sabendo que o seu estado era crítico, como o dela.

– Não corra para sua arma, vagabunda! Lute feito mulher! – enfrentou Alice, puxando Sophia pelo pé, evitando que ela levanta-se.

Sophia olhou em sua volta e não conseguiu visualizar a arma. Deu um chute no rosto de Alice, e, novamente, fez ela ir para trás. Seu nariz gotejava sangue. Alice levantou-se, ignorando a dor que invadia sua face. Tentou de novo, derrubar Sophia, mas a tentativa fora em vão. Sophia deu outro chute no seu rosto, mas agora ela cambaleou e caiu junto com Alice. A menina ensanguentada não perdeu tempo. Avançou para cima de Sophia como uma leoa com fome. Soltou dois fortes murros no rosto dela.

– Solte-me! – esbravejou Sophia, empurrando Alice com os pés.
Dessa vez a garota que riu.

Vendo como deixou Sophia, Alice sentiu na obrigação de acabar com aquilo de uma vez por todas. Ao tentar levantar-se para procurar a arma, Sophia deu outra rasteira nela, mas Alice contra-atacou com um chute em seu joelho. As duas cambalearam e caíram, uma por cima da outra.

Cansada, Sophia arrastou-se até a escada. Ela queria subir. Precisava subir. Mas Alice estava determinada em dar um fim nela. Puxou o único pé que alcançou. Dessa vez a queda de Sophia fora mais dura, pois ela bateu a barriga na quina da escada, fazendo um grande corte. Ela sugou o ar, tentando ignorar a dor. Alice levantou, quase caindo para o lado, mas foi o máximo para conseguir dar um soco no rosto de Sophia. Agora eram duas garotas com rostos extremamente ensanguentados.

– Sua puta! – murmurou Alice.

Debilitada, Alice deu uma pausa para respirar. Fora o erro de sua vida. Vendo a oportunidade, Sophia puxou Alice para si e montou-se em cima dela. Com Sophia por cima, Alice não estava conseguindo respirar devidamente. Tossiu.

– A única puta aqui é você! – sussurrou de volta. Alice fechou os olhos.

Com Alice tomada em seus braços, Sophia havia conseguido imobiliza-la. A dor em sua barriga era forte. Tentou subir mais um degrau da escada, mas pisou em falso e tropeçou no próprio pé. Alice também tropeçou, caindo para o outro lado e batendo a cabeça fortemente no chão. O sangue escorreu. Alice estava morta.

Sophia sentou-se na escada para descasar. Estava tremendo. Seu rosto estava sangrando e sua barriga também. Ela havia torcido o pé ao escorregar com Alice nos braços. Mas não se importava. Agora todos estavam mortos — ou pelo menos 99% deles.

Vanessa correu para socorrer Sophia. Viu Alice no chão e virou o rosto para não vomitar. A cena era terrível. Carregava junto de si a garrafa de álcool.

– Minha... – suspirou Sophia. – Minha bolsa. Pegue ela. Os fósforos estão lá. Vamos incendiar isso aqui!

Rapidamente Vanessa fez o que ela pedira. Puxou a bolsa e, de lá de dentro, tirou a pequena caixinha roxa de fósforo. Derramou álcool no casarão inteiro. Quartos, sala dos televisores, cozinha e até mesmo no porão. Ao fazer isso, ajudou Sophia a levantar e a levou para os fundos do casarão, onde havia apenas mato e mais mato.

Está acabado. Está acabado. Está acabado.

Isso se repetia na cabeça de Sophia. Ficou olhando a janela. Queria ver o casarão pegar fogo. Suspirou pesadamente por um breve momento, porém, sua respiração ficou mais intensa quando ela ouviu barulho de sirenes.

Era a policia.

Correu desenfreada até o casarão e avisou Vanessa do perigo. Ela estava quase acabando. O casarão já havia começado a pegar fogo. Pulou da janela e se apoiou em Sophia. Uma ajudando a outra, elas desceram o morro da mata.

– Vamos mais rápido, Sophia! – pediu Vanessa, tentando puxar a menina ensanguentada. – Mais rápido!

Desceram por cerca de cinco minutos. Não viram policia atrás delas. Algo a mais tinha acontecido no casarão. Sophia sentia isso, e seus sentidos não falhavam.

Viram um pequeno laguinho à frente.

– Quero beber um pouco de água antes de continuar – falou Sophia, agachando para beber a água escura do lago.

Parecia que não estava boa para beber, mas ela não ligava. A sede era maior. Ela nem pensou em nada disso quando bebeu pelo menos um litro de água pelas mãos.

Vanessa toda hora olhava para trás. Estava terrivelmente com medo que alguma policia descesse aquele morro. Havia tanto mato que seria um pouco difícil de encontra-las.

– Esquecemos minha bolsa lá – informou Sophia. Vanessa deu outra olhada para cima.

– Nessas horas, a bolsa já deve estar em chamas. As provas foram incendiadas, Sophia.

– Assim eu espero, Vane – seu tom de voz era amigável. – Meu celular. Ficou lá também?

– Não. Seu celular está aqui. Consegui retira-lo de lá a tempo. Foi a única coisa que consegui pegar, pois o fogo estava se arrastando rapidamente.

– Tudo bem. Espero que aqui tenham sinal de celular.

E tinha. Pelo menos pequena parte do sinal. E ela não hesitou quando discou o numero de Matthew. Sophia já havia decorado.

Um segundo, e ele atendeu, com uma voz rouca. Parecia que estava dormindo.

– Sô? É você? Nossa, estou feliz por receber uma ligação sua – começava ele, mas Sophia interrompeu, dizendo:

– Não, Matt, agora não dá para conversar. Liguei mesmo para pedir a sua ajuda. Vem para o casarão daqui a duas horas, pode ser? Quando chegar aqui eu lhe conto o que houve – disse Sophia, num tom de voz baixo.

– Agora estou preocupado. Terei que ir no casarão apenas daqui a duas horas? Mas por que? – perguntou ele, curioso. Sophia colocou a mão na cabeça, que doía sem parar.

– Por favor, Matt, não me faça perguntas. Só venha aqui depois de duas horas. Eu lhe falo quando você chegar. Não fique preocupado com nada.

– Está bem – respondeu ele. – Beijos. Amo você!

Desligou. Mesmo com dores, Sophia sorriu para o telefone. Era bom ouvir a voz dele.

Mas será que ele ainda vai ama-la após saber o que houve realmente? Sophia estava com medo dessa resposta, que viria apenas daqui a duas horas.

[...]

Notas finais
Gostaram? Comentem o que acharam, por favor, rs!
Vou fazer o próximo capítulo mais complexo, para vocês entenderem a continuação depois, está bem?

Posto o último capítulo ainda nesta semana, fechado?

Obrigada, até mais!