Solidão Inaceitável

1 Solidão Inaceitável


Na simplicidade do vazio

Minha complexidade se desespera

No perpétuo silêncio da solidão

Meu grito ecoa como ventania

E em uma discussão a sós comigo

O “estar sozinha” prova-se ameaçador

Nego incansavelmente a solitude

Repudiando-a como mal alheio

Impensável naturalidade solitária

Quão audaz demonstra-se

Ofertar isolamento à seres sociais

Como dádiva ou retorno

Afirmando a benevolência do ser único

Usando como álibi o leito materno

Donde a maioria de nós veio

Sozinho e somente em unidade

Ainda assim não vejo a solidão inata

E protesto por não ter amparo

Engolida pela imensidão do vazio

Sufocada pela pressão de não ser plural

Invejo e admiro a companhia

Almejo e desejo não estar só

Mas, no entanto, um canto silencioso

Percorre e inunda ouvidos meus

Num belo e afinado coro solitário

Piamente elucidado por dizeres

Não há mal nenhum em estar só

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!