Soleil
1 Único
Notas iniciais
Enferma estava.
As orbes tingidas pelo pretume que antes brilhavam incessantes — e orgulhosos pela vitória de certo americano que tentara em vão invadí-la — agora já não mostrava fulgor nenhum. A pele estava sem cor assim como suas madeixas estavam sem sua costumeira flor cor-de-rosa.
O único que estava ao seu lado, afagando-lhe as mechas que custavam a cair sobre seu rosto quase sem vida, era Alfred Jones.
Não houvera nem uma única vez que Lien Chung mandara-o embora num tímbre vazio e rouco quando via-o passar pela porta com um embrulho nas mãos enluvadas. Todo dia era um mimo novo, como se o americano pedisse desculpas por ter aniquilado milhões de vietnamitas naquela guerra. A mulher contudo malemá tocava nos presentes oferecidos pelo americano, apenas jogava-os pela janela — algum alheio devia de fazer melhor proveito do que ela.
Alfred entretanto não queria que uma nação perdesse a vida tão púrbere.
– Lien Chung, não permito que você morra! Mesmo que o herói aqui tenha de enfrentar a Dona Morte! — exclamara o louro, os olhos azulados marejados.
A vietnamita riu, cousa que há muito não fazia: — Faça-me um favor, sim?
– Depende. — respondera fazendo um bico nos lábios.
– Gostaria de ver o Yao ou Yong o quanto antes. — a voz saía com tanto esforço que a cada palavra dita faltava-lhe mais e mais ar. — Pelo menos antes de morrer.
O rosto de Alfred iluminara-se: — Of course!
Dera-lhe as costas, procurando o celular no bolso de sua jaqueta. Cinco minutos eram necessários para contatar China e Coreia. Porém era demasiado tarde. Ela apenas quis ocupá-lo para não de vê-la falecer.
Vietnã, que um dia tivera força para derrotar o grandioso Estados Unidos, jazia falecida na cama, banhada por um tímido raio de Sol que escapava pela fresta da janela.
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