Soldier Seiya - A Era de Poseidon 01

9 “Centauro Marinho VS Azure Dragon – O Embate de Seiya e Shiryu”


CAPÍTULO 08

“CENTAURO MARINHO VS AZURE DRAGON – O EMBATE DE SEIYA E SHIRYU”

FORTALEZA DE ATLÂNTIDA

Seiya e Shiryu se encaram. Shun de Amphitrite, Hyoga de Aegir, June de Estrela do Mar e os outros seis Soldados Marinas que ficaram ali presentes observam, em silêncio, o limiar de uma luta pela qual ninguém esperava. Seiya não faz questão de liderar equipe nenhuma, mas agora não há como voltar atrás. Longinus de Leviathan dá o sinal para o início do combate.

— Defenda-se! — grita Shiryu, enquanto desfere dezenas de golpes com sua lança, imperceptíveis para os olhos de humanos comuns.

Seiya esquiva-se dos ataques, mas é atingido no rosto por um deles, de raspão.

— Ei, se isso pega no olho cega, seu maluco! Porque todo mundo quer arrancar meu olho nessa fortaleza?

— Atenção na luta, Seiya! — diz Shiryu, dando mais uma investida com sua lança.

Seiya segura a lança com as duas mãos, utilizando a técnica de defesa com as mãos nuas.

— Ele não tem juízo? — exclama Hyoga de Aegir.

— Minha nossa! — abala-se Seiya, percebendo a loucura que fizera — Se não fosse a Escama de Centauro Marinho, eu teria perdido as duas mãos, ao invés do olho! É hora de revidar.

Seiya sai da posição de defesa e os dois afastam-se para trás.

— Prepare-se Shiryu! “Turbilhão do Centauro Marinho!”

Os golpes de Seiya voam na direção de Shiryu, chegando à velocidade do som, mas nenhum deles atinge o alvo.

— O Dragão Azul bloqueou todos os ataques de Seiya com o seu escudo! — impressiona-se um dos Soldados Marinas presentes.

— Assim não vale, ô cabeludo! — reclama Seiya — qual é a desse escudo?

— O Escudo de Azure pode defender qualquer ataque. Ele é meu acesso à Primeira Mansão do Azure Dragon. E essa Lança de Azure, que você bloqueou por pura insensatez, é meu acesso à Segunda Mansão.

— Primeira e segunda... Mansões? — questiona-se Seiya.

— Isso mesmo. Enquanto eu tiver esse escudo e essa lança, você não poderá me alcançar. Mas vamos acabar com isso aqui mesmo. Vou lhe dar o prazer de ver meu acesso à Terceira Mansão.

Shiryu realiza precisos movimentos com os braços e eleva seu cosmo. Uma imagem de Senryuu, o Dragão azul do leste emerge de seu corpo em direção ao céu.

— “Cólera do Dragão!”

— Pare Shiryu! Você vai matar o Seiya! — grita Shun, enquanto pensa: — “Essa luta é um absurdo! O comandante Longinus está louco!”

O golpe de Shiryu acerta Seiya em cheio, enquanto Longinus de Leviathan estampa em sua face um sorriso de satisfação. O Leviathan, assim como a maioria dos outros comandantes, costuma se divertir promovendo lutas entre os soldados, que muitas vezes têm graves conseqüências para os lutadores envolvidos. Essa é só mais uma delas. E ele também deseja saber o que Tritão viu de mais nesse garoto chamado Seiya.

Seiya está no chão, imóvel. Shun se dirige em direção a ele.

— Você está bem, Seiya? — pergunta ele. — Seiya!

Seiya lembra-se do dia em que sua irmã foi embora. E lembra-se também de sua agonia quando Seika, inexplicavelmente, deixou de se comunicar com ele. Ele precisa se encontrar com ela a todo custo, ele precisa ir até a Ilha da Rainha da Morte e derrotar o Fênix.

— Estou bem, Shun, não se preocupe. — responde Seiya, limpando o suor do rosto.

Seiya levanta-se e fica de pé, com um pouco de dificuldade.

— Mas como? — pensa Longinus. — O Cólera do Dragão de Shiryu acertou em cheio. Como ele pode ainda conseguir ficar de pé?

— Quer mesmo continuar a luta, Centauro Marinho? — pergunta Shiryu.

— O lance agora é pessoal, Azure Dragon! — responde Seiya, apontando para seu rival. — Não quero nem saber de nada, você bateu, agora vai levar.

Seiya prepara mais uma vez seu golpe, elevando seu cosmo.

— Seiya, eu já falei que é impossível para você. Enquanto eu tiver esse escudo e essa lança, posso defender todos os seus ataques e atacá-lo fatalmente.

— Nada disso, Shiryu. Porque não me mostra de novo aquele seu terceiro “casarão”, o Cólera do Dragão?

— É “terceira mansão”, Seiya — corrige Shun, cochichando em seu ouvido.

— Shun, afaste-se, deixa com o Centauro aqui. — fala Seiya, com um sorriso confiante no rosto, apontando para si meso com o dedo polegar. Shun acredita em Seiya e se afasta.

— Não preciso acessar a terceira mansão. Vou derrotar você com as outras duas!

— Eu só quero ver, então! “Turbilhão do Centauro Marinho!”

Shiryu coloca-se sob a proteção de seu escudo, esperando os golpes à distância de Seiya, mas não esperava que o próprio soldado de Cavalo Marinho viesse junto com os golpes, num ataque aéreo.

— Veio por cima? Sagaz, mas muito lento! — comenta Shiryu, atacando velozmente com sua lança.

— Peguei! — diz Seiya em pleno ar, dominando novamente com as mãos a Lança de Azure, mas dessa vez, ele a segura firmemente e aplica um chute no rosto de Shiryu. O Guerreiro do Dragão se desequilibra e acaba soltando a arma. Seiya, então, aterrissa de sua investida aérea, com a poderosa lança em mãos.

— E essa foi a Grande Ladroagem do Centauro Marinho! — diz Seiya, fazendo pose com a arma de Shiryu.

— Seiya, esse golpe... Existe? — pergunta Shun, intrigado.

— Existe agora! – responde Seiya, fazendo sinal de V com os dedos.

— Seiya, você me enganou fingindo que ia utilizar seu Turbilhão mais uma vez, mas seu objetivo era apenas conseguir a lança. — observa Shiryu.

— Eu já falei. Eu quero o Cólera do Dragão. Mas já vi que tenho que tirar primeiro os seus brinquedos. Tome isso!

Shiryu e Seiya correm em direção um ao outro. Seiya ataca com a lança e Shiryu defende-se com o seu escudo. O encontro dos dois artefatos gera uma enorme descarga de energia, que impede a visão de todos por um instante.

Quando a luminosidade cessa, todos vêem Seiya caído de um lado e Shiryu caído do outro. Ao centro, está o escudo e a lança, ambos seriamente avariados.

— E agora, Shiryu? — diz Seiya, enquanto ergue-se mais uma vez — Só resta a você acessar o “terceiro palacete”, seu golpe do dragão!

— Eu desisto. — fala Shun, olhando de lado.

— Não tenho alternativa. — conclui Shiryu — Se é isso o que quer Seiya, assim farei. Mas não há como você sobreviver a um segundo golpe meu.

— Shiryu vai perder. — comenta Hyoga, de forma introspectiva, mas suficiente para Shun escutar.

— Porque diz isso? — pergunta Shun.

— Seiya descobriu a falha no golpe de Shiryu. — responde Hyoga.

— Uma falha? — questiona Shun, assustado. — No golpe de Shiryu?

— Isso mesmo. Por isso insistiu tanto para que ele o usasse de novo. Mas é um detalhe de um centésimo, não, um milésimo de segundo. Se Seiya não for rápido o bastante, será ele quem morrerá.

Shiryu realiza os mesmos movimentos que fizera anteriormente e invoca mais uma vez seu mais poderoso golpe. Enquanto isso, Seiya pensa:

— “Eu pude ver da primeira vez! Há uma falha no golpe de Shiryu. Para acessar a terceira mansão ele tem que bloquear o acesso às outras duas, ou seja, ele abre mão da defesa impenetrável para conseguir um poder de ataque maior. Não precisava nem ter destruído o escudo e a lança, mas foi o único jeito de fazê-lo usar novamente seu golpe. Por uma mínima fração de segundo, ele fica completamente vulnerável. E é nessa hora que eu o atacarei.”

— É seu fim, Centauro Marinho! “Cólera do Dragão!”

Aumentando ao máximo sua concentração, Seiya sente como se ele pudesse ver os movimentos de Shiryu em câmera lenta. Assim que ocorre a explosão de energia no corpo do soldado dragão, Seiya se prepara:

— É agora! Ele está totalmente sem defesas! “Turbilhão do Centauro Marinho!”

O cenário todo, repentinamente, é envolvido por uma cosmo-energia que é de um nível completamente diferente. Seiya e Shiryu se vêem parados em pleno ar e os outros soldados, bem como Longinus de Leviathan, se vêem imersos em um ambiente onde o tempo parece completamente parado, ou algo muito próximo a isso. Todos ali apenas conseguem ver uma silhueta sombria se aproximando livremente. Os golpes de Shiryu e Seiya dissipam-se por completo, como se nada fossem.

— Chega desse combate inútil. — diz a enorme figura, fazendo o ambiente voltar ao normal.

Seiya e Shiryu caem ao chão. Agora eles podem ver: Aquele que está diante deles é o Grande Mestre Tritão em pessoa, seguido pelos Generais Marinas Kanon de Dragão do Mar e Kaza de Lymnades. O Capitão Marina Aioria de Megalodon também está com eles.

— Comandante Longinus! — pronuncia-se Kanon. — O que significa esse combate irregular entre soldados?

— Se não fosse a intervenção magnífica do nosso senhor Tritão, — comenta Kaza — teríamos pelo menos um soldado morto e outro extremamente ferido, hi hi hi hi hi!

— Se-senhor Tritão, senhores generais, capitão... — balbucia Longinus, ajoelhando-se, assim como os demais ali presentes. — Eu... Eu autorizei a disputa para decidir o líder da expedição de amanhã à Ilha da Rainha da Morte. Eu não tinha a intenção de...

— Basta! — interrompe Tritão. — Então esses dois desejam liderar uma equipe de soldados?

— Olha, seu Tritão — fala Seiya — na verdade eu nem faço tanta questão, o Shiryu é que...

— Mais respeito ao se dirigir ao nosso senhor Tritão, soldado! — repreende Longinus.

— Grande Mestre Tritão, eu peço-lhe perdão humildemente. — declara Shiryu, de forma solene — Fui eu quem solicitou o combate ao Comandante Longinus. Senti que essa missão de ataque à infame Rebelião de Athena seria uma perfeita oportunidade para servi-lo e mostrar minhas habilidades de liderança.

Tritão pondera por um instante e dirige-se ao amedrontado Comandante de Leviathan:

— Mas que dúvida mais boba a sua, comandante Longinus. — conclui Tritão, expressando-se em um tom calmo e complacente. — O soldado Shiryu de Azure se mostra muito mais apto a liderar a expedição. — Tritão vira-se para Shiryu. — Mas Seiya deve ser seu segundo em comando, entendido, meu jovem?

— Responda soldado! — exige Longinus.

— Entendido, senhor Tritão — responde Shiryu.

— Espero de vocês, meus leais Soldados Marinas, muita dedicação nos dias que virão. — expõe Tritão. — Estamos nos aproximando de uma nova Guerra Santa contra Hades. Precisarei de todos vocês cada vez mais fortes!

Tritão vira-se e se afasta, junto com Kanon e Aioria, que permanece sempre calado. Kaza se aproxima do escudo e da lança de Shiryu. Ele os chuta como se fossem ferro-velho.

— Você terá que levá-los a um ferreiro, meu jovem. — diz ele — Se você se apressar, estarão prontas até amanhã. E se você encontrar o Fênix... Mate-o por mim! Da outra vez eu só consegui pegar um peixinho da rebelião! Hi hi hi hi hi hi hi!!!

Kaza vê que Tritão e os outros já se afastaram bastante e se apressa para alcançá-los:

— Senhores, não me deixem para trás. — diz ele, enquanto os acompanha — Eu só estava falando de você, Megalodon! Hi hi hi hi!

— Que aperto, hein, Longinus? — diz uma voz feminina, vinda de trás de uma pilastra.

— Falajitax? — indaga Longinus, reconhecendo a voz.

— Pode me chamar de Leile, bobinho. — responde ela, aparecendo e fazendo uma pose sexy encostada na pilastra. — E olha a coincidência, meu nome “Leile” é outra forma de chamar a criatura que deu origem à minha Escama de Falajitax. Acho que quem me deu esse nome estava sem criatividade.

— O que faz aqui? Não devia estar com o outro time que vai para a Ilha da Rainha da Morte? — pergunta o comandante.

— Vim recrutar mais sete desses soldadinhos novatos para algumas missões de emergência no Brasil e no Marrocos. Parece que uma criminosa, a ex-comandante exilada, Geist de Equidna, escapou e está tocando o terror pela Amazônia. E o caso de Marrocos, bem, é altamente confidencial. Deixei o outro time com o Acetes. Tomara que ele não os embebede com seu bafo.

— Pode ficar à vontade. Só não leve nenhum desses dois aqui. — responde Longinus, apontando para Shiryu e Seiya.

Leile leva sete dos dez soldados que ali estavam. Ela não usa muitos critérios na escolha e todos seguem com ela.

— Então, o segundo time para a missão contra a rebelião será formado por vocês quatro. — anuncia Longinus, reassumindo sua postura séria e imperativa. — Amanhã ao amanhecer, vocês seguirão para a Ilha da Rainha da Morte. Por hoje, dispensados!

Os quatro jovens, que mal se conhecem, olham-se rapidamente e saem cada um para seu lado, sem dizer uma palavra. Amanhã eles seguirão na primeira missão de suas vidas: localizar e aniquilar a Rebelião de Athena na terrível Ilha da Rainha da Morte: Eles são Seiya de Centauro Marinho, Shiryu de Azure, Hyoga de Aegir e Shun de Amphitrite.

***

Mais tarde, no mesmo dia, Shiryu se dirigiu até um dos ferreiros de Atlântida para consertar sua lança e escudo que foram danificados na luta contra Seiya. O metal oricalco, usado para forjar as armas e armaduras dos Marinas, é abundante em Atlântida, graças às reservas mineradas nas proximidades do Templo Submarino e são muitos os ferreiros habilidosos capazes de consertá-las.

Seiya decidiu visitar sua amiga de longa data, Mino. A jovem, agora com dezoito anos como Seiya, trabalha em uma repartição da Fortaleza ali perto. Ele conta a Mino que finalmente vai enfrentar Ikki, o líder da rebelião, e vai poder conseguir informações sobre o paradeiro de sua irmã Seika. Mino o deseja sorte e, com o coração apertado, pede que ele tome cuidado.

Shun encontra-se com seu mestre Daidaros, que o diz que essa missão será muito importante para ele como soldado e que em breve ele terá que tomar uma marcante decisão. Shun não entende muito bem as palavras de seu mestre, mas as aceita com respeito.

Enquanto isso, Hyoga conversa com um pequeno rapaz de treze anos de idade, em um lugar ermo em Atlântida. O jovem retira a faixa branca de tecido que estava cobrindo sua testa.

— Será que nesse lugar eu posso mesmo retirar essa faixa da cabeça, Hyoga? As forças de Atlântida ainda perseguem os descendentes dos Muvianos. Esses sinais que tenho na testa me denunciam fácil.

— Aqui estamos seguros, Kiki, não se preocupe. Amanhã partiremos para a ilha. Serão enviados dois grupos de soldados, de um dos quais eu faço parte. Ao todo serão nove de nós. Está tudo pronto para o confronto?

— Tudo em ordem, Hyoga. O chefe Fênix e o senhor Shaka estão na ilha já faz alguns dias. Eu ficarei aqui em Atlântida, de prontidão.

— Agradeço muito pela ajuda que tem me dado com a locomoção entre Atlântida e a Ilha da Rainha da Morte, Kiki. Seus poderes de teletransporte estão ficando cada dia mais espantosos. Graças a isso, venho conseguindo cumprir meu papel de espião da melhor forma, sem que ninguém desconfie.

— Ah, Hyoga, disponha! — responde Kiki, com um sorriso no rosto — Preciso continuar sendo útil para a rebelião. Tenho que mostrar ao meu mestre Mu o quanto eu posso ser forte.

— Por falar nisso, por onde andam seu mestre Mu e o senhor Aldebaran?

— Eles partiram há algumas semanas para Marrakech, no Marrocos. Eles estão seguindo uma pista do paradeiro da Ânfora de Athena, você sabe, para aprisionarmos a alma de Poseidon quando chegar a hora.

— Espere, você disse Marrocos?

— Sim, Hyoga, algum problema?

Hyoga se recorda do que Leile de Falajitax dissera algumas horas atrás:

“Vim recrutar mais sete desses soldadinhos novatos para algumas missões de emergência no Brasil e em Marrocos... E o caso de Marrocos, bem, é altamente confidencial.”

— Kiki, você tem que localizar Mu e Aldebaran o quanto antes. Eles estão correndo perigo!

PRÓXIMO CAPÍTULO DE “CAVALEIROS DO ZODÍACO – SOLDIER SEIYA – A ERA DE POSEIDON”:

“O ATAQUE À ILHA DA RAINHA DA MORTE.”

QUEIME COSMO! ALÉM DOS SETE MARES!!