Soldados de Chumbo
13 Season Finale (Parte 2)
James observava o kevlar com a marca da cruz em vermelho. Ao vestir o colete, se sentia um homem.
— E então? — Perguntava o Padre.
— É como se eu tivesse a força de 100 mirmidões invadindo a praia de Tróia.
— Ótimo, garoto. Vai precisar dessa força pra hoje. — Dizia Dr. Hans, colocando seu machete de volta na bainha.
Padre Maurice liga a TV da sacristia e as notícias estão começando.
"...A frente fria que se aproxima de surpresa deve permanecer por alguns dias em Indianápolis. As autoridades confirmam que o jogo dos Colts contra Houston será adiado para semana que vem. As misteriosas nuvens negras que já tomam o céu parecem vir de um filme de horror. O prefeito recomenda que as pessoas fiquem em suas casas nos próximos dois dias, e..." — Ele desliga a TV. — James, faça contato com o John.
— Sim, padre. — Jim vai até a mochila e pega o celular. — "Oi, onde você está?"
— É... como eu explico?
— Eu estou falando sério. Que barulho é esse?
John flutuava sobre o estádio do Indianápolis Indians, com o banjo Joe Heveros nas costas. — Estou no estádio dos Indians. O que você está ouvindo é o vento.
— Ele está perto do estádio de baseball. O som do vento está cortando o áudio, mas algo está estranho.
— Isso não é o vento. — Disse Greevys, adentrando a sacristia.
— Sim... Não é. — Confirma o Padre.
— John, melhore o contato visual. O que tem aí?
Do outro lado da linha, John procurava voar mais perto de uma das nuvens negras que se aproximavam do estádio.
— É como se estivessem falando algo, não entendo. Deve ser uma língua morta.
De repente, todos param.
— Que diabo foi isso? — Perguntou Dr. Macabeus.
— Não blasfeme, Doutor. Sinto uma presença maligna na igreja. — Disse Padre Maurice.
— O senhor disse maligna?
— Surpreso? — Ironizou Greevys.
— Jim. Vá para o alto da torre, leve seu rifle. Eles estão aqui. Greevys e Dr. Hans, fiquem nos arredores da Igreja e no perímetro de 3 quarteirões. Eu vou para o altar.
— O que vai fazer no altar, Padre? — Perguntou James.
— Só façam o que eu mandei. Não temos tempo.
James sobe ao alto da torre com dois rifles. Um .50 e um Winchester com recarga manual, seu predileto. "Balas abençoadas. Podem vir, bando de coisa ruim", pensava ele.
O Padre Maurice estava no altar acendendo velas, quando ouve a porta principal da igreja se abrir.
— Você demorou, Baghul. — Atrás do padre, uma nefasta criatura se projetava. Alta, com o rosto deformado. — Mas já sinto o seu bafo.
— Você irá morrer, Padre. Você e seus cães. — replicava a criatura. — O ataque começou. Logo essa cidade sucumbirá ao meu poder e o poder do meu exército.
Padre Maurice ainda acendia algumas velas. Ao acender a última, se virava para o monstro. — Você é ridículo. Uma criatura patética. Você acha mesmo que pode se colocar aqui? Na casa do Senhor?
— Eu posso, e irei. Eu... E meu exército! — O monstro enfatizou essa palavra. Nos bancos da igreja, diversos monstrinhos, como se fossem pequenos goblins ou gremlims, se apoderavam do local. Dezenas deles. — E eu mesmo irei derramar seu sangue.
O Padre olhava tranquilamente para a criatura.
— Quando quiser, demônio. "OMNIPRESENTIAM"! Gritou o Padre, que sacava um terço por debaixo da manga, e o usou como um nun chako para acertar o queixo da criatura, que caiu no chão da igreja, sangrando, e agora amarrava o mesmo terço no punho, como se fosse um soco inglês. — Se importa se eu equilibrar o jogo?
Nesse momento, dezenas e dezenas de cópias do Padre se instauravam pela igreja, no alto dos arcos e no segundo andar, surgindo das sombras, segurando velas. Toda a escuridão do local sumira pela luz delas, e os pequenos demônios estavam encurralados pelos "clones" do padre Maurice, municiados com o mesmo terço ao redor do punho.
— O QUE? — Questionava Baghul.
— Milhões de igrejas no mundo, e quis invadir justo a minha. Você é mesmo muito, mas muito burro. Criatura nefasta. VADE RETRO SATANA. — O Padre saca o revolver e atira por entre os olhos da criatura, que se esfarela, enquanto seus "clones" espancavam até a morte cada um dos pequenos demônios. O Padre Maurice ajeitava o colarinho e assistia a toda a cena. — Acho que estou ficando bom nisso. — E guarda o revolver. "James, como está aí?"
No alto da igreja, James avistava um exército de seres voadores que não eram pássaros nem morcegos.
— Greevs, o que são essas coisas? — gritava ele.
— São demoníacos, garoto. Desce bala!!!
Do outro lado, outra nuvem se aproximava, e na sua frente, o som de um banjo.
— O outro garoto conseguiu atrair o resto da horda. Temos trabalho a fazer.
James descarregava todo o arsenal que tinha nas criaturas enquanto Greevys e John voavam ao redor da igreja, pegando os demônios com as próprias mãos.
A batalha agora estava a todo vapor.
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