Soldados de Chumbo
3 Capítulo 3 - John
Naquele mesmo dia, horas antes.
O sol ainda não deu o ar da graça, mas o jovem John "Heveros" Smitthensen Jr. já está de pé.Na cozinha, ele prepara seu café da manhã, que constituía em café preto, ovos e bacon. Muita gordura? Talvez, mas para John que trabalhava com seu pai no rancho e ainda estudava na Indy High, para ele era o que ele mais precisava às 5h30 da manhã.Com sua xícara de café na mas mãos, ele sai pela varanda e observa seu território. Antes de ir para a aula ele tem afazeres. Tira do bolso um pequeno pedaço de papel.— Levantar o trator caído, alimentar as galinhas, verificar se a cerca ainda está de pé; Ok. — John termina seu café, coloca a caneca num banco da varanda, dá alguns passos para fora, onde o sol já surge no horizonte, e SALTA.John não era um garoto comum, ele tinha habilidades, e fazia coisas que nenhum outro fazia. Ele não sabia o que era direito, mas sabia de quem era a culpa. John sempre amou música, e quando tinha 13 anos, ganhou de presente de seu pai um banjo assinado em nome de Porter Heveros, uma lenda (literalmente) do country music americano. O banjo era mágico, e deu a John habilidades quando ele o tocou, agora ele e o banjo estão conectados para sempre. John salta até chegar no trator que teve sua roda enroscada num buraco no chão e caiu. Com uma das mãos e segura o trator o e levanta inteiramente sobre sua cabeça. E depois o coloca de volta no chão, seguro. Depois, claro, as galinhas. Ele salta novamente até o galinheiro e alimenta os galináceos de forma rápida e eficaz. E por último, a cerca. Novamente, John corre pelo perímetro do rancho, rápido como um avião, e garante, tudo está em seu devido lugar. Já são 6h30. Hora de ira pra aula.John volta para a casa da fazenda, toma um banho gelado e se arruma para a escola. Depois de alguns minutos, Apanha sua mochila e sai voando pela janela, claro, não antes de se "despedir" de seu amigo musical, o banjo Porter Heveros.O sinal toca.John se senta na primeira cadeira, pois embora não tire as melhores notas, é um aluno dedicado. Não pode deixar de ouvir.— Hey, lembram do Roy? Vai ser solto do sanatório hoje. — Disse um rapaz.— Que sanatório o quê, palhaço? Ele está na prisão. — Acrescentou outro.— Eu li que era uma academia do exército, ou sei lá, escola de oficiais ou algo do tipo. — Cochichou uma terceira pessoa.— Não ligo, só quero que ele nem cruze comigo, se não dou uma surra nele. — O primeiro voltara a se manifestar. John não evitou escapar uma risada. — Algum problema, Smitthenson?— Problema, eu? — Disse John — De forma alguma. — Mas não escondia a expressão. — Só acho engraçado. Eu, por exemplo, ouvi dizer que o Jimmy voltaria muito puto da vida, e bateria em todo mundo que enchesse o saco dele. Mas quem sou eu.John e James eram amigos de infância, viviam um na casa do outro. Foi doloroso para John crescer sem amigos, e praticamente sendo o Único da Indy High a vir de origem humilde do campo. Mas ele não ligava muito para isso desde que descobriu seus poderes. Não, desde então ele não tinha medo de valentões, pois sabia que poderia quebrá-los em pedaços com um tapa. Mais uma vez, o sinal toca. John anda pelos corredores e avista a sala de ensaio da orquestra da escola. Ele se aproxima para ouvir um pouco. Com o rosto grudado na pequena janela da porta, ele ouve ao ensaio da 5° Sinfonia de Mahler, e a chefe de naipe dos violoncelos é a belíssima Sarah Dunstable. Morena de cabelos cacheados, de origem irlandesa, ela era um colírio para os olhos de John. Ele espera até o final do ensaio, e quando ela sai da sala, John a aborda.— Oi, Sarah. Tudo bem?— Ah, oi Johnny. Como estão as coisas? Seu pai está bem?— Ah está tudo ótimo, e ele, bom... você sabe. Se virando. Tentando parar de beber. E você, como está tudo? Parabéns pelo ensaio, você estava fenomenal, digo... A orquestra inteira, estava fenomenal... O que é isso, Mozart?— Tudo você acha que é Mozart, não é Johny? — Ela sorri — Isso é Mahler.— Ah, sim, claro. Mahler. Não vou me lembrar, mas tudo bem.— Olha, ouça o Adagietto dessa sinfonia? É a coisa mais linda do mundo. John aproveita a oportunidade.— Jura? uau. São poucas as coisas mais lindas do mundo — Ele diz isso fitando-a. Ela não pôde evitar em corar as bochechas, afinal, John era um rapaz bonito. Não era forte fisicamente, mas era alto e tinha um topete no estilo Presley de ser. — Vou ouvir, Sarah. Se me dá licença, preciso ir nessa. Até mais tarde. — John se afasta, mas não sem antes conferir se ela olhou para ele quando virou de costas.Já era o final do dia, John seguia pelos corredores da Indy High quando seu telefone tocou, o número era conhecido, mas ele pensava: Será? — Alô?—John, sou eu. Estou de volta na cidade. Vamos dar uma volta pelos velhos tempos?— Jim, meu irmão. Há quanto tempo. Como tem passado?— Ah, você sabe como é. Voltando à vida normal. O que me diz?— Claro, vamos sim. As aulas já acabaram aqui, se quiser passar aqui na escola.— Claro, te busco em alguns minutos.
— Tá certo, até mais tarde.— Até. — Jim desliga o telefone do outro lado da linha.
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