Soldados de Chumbo
1 Capítulo 1 - Seu nome é Jim
— Essa chuva vai deixar o garoto resfriado, droga. — Dizia um homem encapuzado, com vestes velhas segurando um bebê com as mãos trêmulas. — Já não basta ele ser um bastardo. Vai ser um bastardo doente.
— Cale-se, Albert. — Disse uma freira que abria uma grande porta de uma sacristia. — Nem mais um pio. O menino não é bastardo, é órfão. Não se atreva a falar dele dessa forma.
Os 3 entram na sacristia e acendem algumas velas e logo em seguida, a lareira.
— Não estou julgando o moleque. Só não sei o motivo de precisarmos ficar com ele.
— Ora, que tipo de cristão é você, seu degenerado. Oh- a mulher leva as mãos ao rosto — me fez blasfemar, Albert. Aqui, me dê o menino.
— Qual o nome dele, irmã Meredith?
— É James, James Roy.
— O que houve com os pais?
— O pai foi morto no Iraque a dois dias. E a mãe, atropelada ontem de manhã. Morta por terroristas.
— Aqui? Em Indianápolis? Tá de brincadeira.
— Não use esse linguajar na casa de Deus, Albert. — A mulher acariciava o rosto menino, que tremia de frio. — O FBI deixou passar essa, mas sim, estavam aqui. E iam matar o menino também.
— Como evitaram?
— Peter Roy, o pai do menino, era um soldado do exército americano, e amigo de longa data do Padre Lucius e do Padre Maurice. Ele avisou aos dois sobre as ameaças dos terroristas.
— E aonde estão os Padres?
FRONTEIRA DOS ESTADOS UNIDOS COM O CANADÁ
BLAM!
— O SENHOR ACABOU DE ATIRAR NUM HOMEM?! QUE TIPO DE PADRE É VOCÊ?
— Olhe de novo, soldado. E tente se acalmar. — O padre guarda o revolver e começa a analisar o corpo que acabava de alvejar. — É um metamorfo bestial. Uma criatura do inferno tomando uma figura humana, não usei uma bala normal. Usei uma bala banhada em água benta, abençoada pelo Papa Pio XII em pessoa, e guardada por 70 anos. Só para essas ocasiões.
O corpo alvejado começa a derreter, e evaporar.
— Mas... esse homem. Era um prisioneiro aqui. Ele tinha nome, identidade. Como?
— Sim, esse homem já foi de fato um humano, mas teve seu corpo e alma tomados pela criatura. Há anos que está morto;
— Como você sabia?
— Sou demonologista, Soldadooo...!?
— Elliot, Padre.
— Soldado Elliot, sim. Da onde é?
— Toronto, senhor.
— O senhor está no céu, meu caro. Mas pode me chamar de Padre.
— Certo. Desculpe. Tem razão. — O homem recupera o fôlego. — Não sou católico, sou presbiteriano. E não muito crente. Peço perdão se estiver atrapalhando.
— Acabou de ver com seus próprios olhos que diabo existe, meu caro. Já tem mais motivos para crença do que muitos fervorosos. Principalmente de onde eu leciono e dirijo espiritualmente.
— E onde é isso? O que é "dirigir espiritualmente"?
— Resido em Indianápolis, Indiana. Na Catedral de São Pedro e São Paulo. — O padre recolhe os materiais que havia deixado em uma mesa ao lado, os coloca em uma maleta. — Dirigir o espírito significa o que quer dizer. Conduzo meus dirigidos à uma paz em Cristo.
— Parece legal.
— É... Engrandecedor, uma vocação. — O telefone do padre toca. — Com licença. Alô?
Estou a caminho. — Ele guarda o telefone. — Soldado Elliot, algo me chama de volta ao meu lar. PReciso ir. Fique com Deus.
— Sim senhor, digo, Padre, eu só queria pedir — o homem se vira por um instante para pegar uma caneta — o se... Padre?
O Padre havia desaparecido.
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