Soldados de Chumbo

5 Capítulo 5 - Dois Amigos. Dois Heróis. Dois Irmãos.


— Um brinde a você, irmão. — John erguia um copo com whisky na varanda de sua fazenda.
— Um brinde, John. — James não bebia, mas acompanhou com um refrigerante. — Não devia beber whisky, temos 16 anos.
— Ora, não me dê sermão, Arch. — Apelido de Jim na escola, diminutivo de Archibald, seu nome do meio. — Meu metabolismo é acelerado. — James ri.
— Sei. — Eles olhavam a paisagem fabulosa do quintal de John, já era tarde.
— Jimmy?
— Sim...
— Como era lá? — A pergunta de John fez Jim esboçar um sorriso simpático.
— Eles... Fizeram coisas comigo. Experimentos.
— O que quer dizer.
— Você é fã de armas, não é?
— Claro, mas o que tem a ver? — James levanta e vai até seu carro. — Arch? — Jim levanta o porta malas do carro, e saca de lá sua Desert Eagle. — UOU — Exclamou John de longe. — Uma "Deagle"? De onde saiu isso.
— Presente de formatura.
— Do que está falando?
— Eu... Sou u soldado agora, Johnny. Um super soldado. Eles fizeram coisas comigo. Aumentaram minha força, agilidade, precisão, inteligência. Não sei como explicar. — Levo uma vida dupla há alguns meses. Vou a operações perigosas, lidero equipes táticas... É foda de entender, eu sei.
— É. Todos mudamos. — John não parecia se impressionar.
— Como assim?
— Vê meu banjo ali?
— O Porter Heveros? O que tem ele?
— Atire nele!
— O quê? Ficou maluco? Não vou atirar no seu banjo. Você adora esse banjo.
— Confia em mim, Arch. Atira. — James exita, mas põe sua mira em direção ao instrumento.
BLAM.
Antes que pudesse abaixar a arma, John já não estava do seu lado, e sim ao lado do banjo, com a mão estendida e o punho fechado.
— MAS QUE DIABOS? Droga, blasfemei. — James quase deixa a pistola cair. — O que foi isso? — John se reaproxima devagar, com um sorriso no rosto, e abre a mão. — A bala. Como você fez isso?
— O banjo Porter Heveros é mágico, Jimmy. Me deu habilidades.

— Como é possível?

— Porter Heveros é um Santo Católico do século XIX. Mantido em segredo pelo próprio Vaticano. Nunca canonizado oficialmente. Santo padroeiro dos músicos do sul. Martirizado por uma tribo canibal, foi feito Beato e agora seu poder sobrenatural se alastra neste banjo.

— Mas ele pode dar isso pra qualquer um? É incrível!
— Até onde eu sei, EU sou o escolhido.
— Isso é sensacional. Como isso aconteceu?

— Bom — John suspirava — Eu estava numa feira uma vez com meu pai, e ele me comprou o banjo. Fiquei quase hipnotizado. Um vento forte invadiu a feira e quase derrubou tudo. Naquela noite, fui visitado num sonho pela Santa Virgem. Foi muito real. Ela me deu a missão de proteger a Terra e me sacrificar por ela. Quando acordei, estava levitando, literalmente.

— UAU. O que mais sabe fazer?

— Bom eu sei voar, e tenho super força, super velocidade.

— É à prova de balas? Igual o Superman?

— Eu não s-- BLAM.

— Então?

— AAAAAI — Jim havia atirado no pé de John. — Seu desgraçado. Isso doeu.. Puta que pariu!!!! — O pé de John estava intacto, mas um tiro .50 era demais para ele aguentar sem sentir dor, como se fosse um grande e dolorido beliscão.
— Creio que temos a resposta.
— Seu merda. — Os dois começam a rir. — Acho que somos super heróis então, né?
— Eu creio que sim, eu acho. Você deve estar pegando geral com esses poderes.
— O quê? Não, ninguém sabe.
— Nem seu pai?
— Bom, ele sabe — John ri. — Mesmo assim, não me interesso nisso. Me interesso só em uma garota.
— Quem?
— Sarah Dunstable?
— A Flautista?
— Ela é violoncelista. Sim, ela.
— Ah sim. Ela é bonita. Tempo que não a vejo. Como estão as coisas com ela?
— Ah, Eu não sei.
— Gosta mesmo dela?
— Cara. — os dois voltam para a varanda. — Eu acho que sim. Ela é... mágica. O que ela faz é lindo. Eu ouço sempre os ensaios da orquestra da escola. Aquilo me transporta pra outro lugar. Um lugar feliz. O rosto dela faz isso mais ainda. Sabe do que estou falando?
— Não. O soro que eles me deram era bem efetivo na questão de evitar sentimentos profundos. Me tornou frio. O que é bom e ruim ao mesmo tempo.
— Você é incapaz de amar?
— Creio que sim. Creio que nunca irei me apaixonar.
— Nossa. Que triste, Jim.
— Eu fiz uma escolha, irmão.
Um momento de silêncio fica presente. O sr. Smitthensen aparece na porta.
— Eu ouvi tiros, o que houve?
— Foi há uns 5 minutos, pai. Só veio ver agora? Vista uma calça, por favor?
— Ah sim, desculpe. Boa noite, James, como estão as coisas?
— Boa noite, Sr. Smitthensen. Vão bem.
— Bem vindo de volta. Como está seu tio? E o Padre Maurice?
— Estão todos bem, sr. Graças a Deus. Obrigado.
— Não há de quê. Junior, está tarde. não abuse. E sem armas de fogo, okay?
— Sim senhor — Os dois respondem em uníssono. O pai de John se recolhe.
— Sabe, meu pai é...
— O que foi?
— Algo errado. Na cidade... Sirenes, tiros.
— Bom... — James pega sua Desert Eagle. — Disse que somos heróis, não é? Vamos nessa. Me dá uma carona, já que pode voar?
John sorri.
— Sério? Vamos fazer isso mesmo? Batman e Robin?
— Acho que estamos mais pra Superman e Batman. Você voa e eu tenho os aparelhos.
— Bem pensado. Segura firme. — John agarra o amigo pelo braço, e salta com ele cidade a dentro. Era a hora dos Soldados de Chumbo agirem.