Soldados de Chumbo

4 Capítulo 4 - Homem de Batina


Igreja de São Pedro e São Paulo, 22h30

Na parte detrás da grande catedral, fica uma grande mansão destinada a jovens e seminaristas, a casa é decorada no melhor estilo dos palácios ingleses do século 19. No interior, sentado em frente à lareira, fumando um cigarro American Spirit e bebendo chá preto, temos Padre Maurice, lendo um clássico de CS Lewis, "Cartas de um Diabo a Seu aprendiz"

— Clive Staples é sensacional — Pensa ele consigo mesmo.

— Sim, eu sei. — Diz uma voz pesada e gutural que vinha por detrás da sala. O padre fecha o livro e se levanta com o cigarro entre os lábios. — Boa noite, Padre.

— Gravys. — Responde o Padre. — O que faz aqui? Sabe que não pode aparecer assim do nada. As crianças estão pela casa, algumas acordadas.

— Serei breve, Padre. — Gravys era um anjo. O anjo da Morte. — Arthur e eu chegamos a uma conclusão. Temos que agir imediatamente.

— Macabellius? Tomaram a decisão sem mim? — O Padre apaga a bituca num cinzeiro e anda até uma prateleira a fim de devolver o livro em seu devido lugar. — Não sei porquê cargas d´água me deu habilidades se não me deixa fazer parte das decisões.

— Não havia tempo, Padre. O Professor Macaballius e eu tínhamos que agir. Vi mais um demoníaco hoje. No Egito. Estava perto das pirâmides. Se manifestou de forma comum, e inofensiva, mas tive certeza. Estão preparando território.

— O que Arthur Macabellius pode ter pensado sobre, Gravys?

— Eu confio e vocês dois, Padre. Sabe que não tenho favoritos na Terra. Se Meu Pai não tem, eu não posso ter. — Gravys era uma criatura de aparência quase nefasta, mas tinha em seu coração mais bondade que qualquer Homem. — Ele disse para nos encontrarmos. Agora.

— Aonde ele está?

— Em Chicago, na casa dele.

— Quer que eu me teleporte para Chicago agora?

— E por qual razão não o faria? Te dei habilidades para usá-las. A quanto tempo não realiza nada de sua tarefa de caçar demônios? — Padre Maurice recebeu, há décadas, habilidades sobre humanas, que pertenciam aos anjos. De se teleportar, se multiplicar e ler mentes quando é da vontade dos homens compartilhar seus pecados. O Padre atendeu confissões dessa forma por anos.

— Gravys, nós os expulsamos daqui, fazem anos que não vejo nada.

— E EU estou dizendo que os vi hoje, Padre. Sei que deve estar ocupado com os garotos. Eles estão bem, tudo está conforme os planos.

— James e John.

— Se reencontraram hoje, depois de muitos anos. Eles serão nossos principais agentes de campo.

— Não posso pedir isso a eles.

— Você deve. — Um silêncio momentâneo se instala. — Vem vindo alguém. Vá para Chicago, Padre. Eu e Arthur estaremos lhe aguardando. — Gravys desaparece. Desce as escadas uma jovem menina.

— Padre...? — Murmura ela.

— Sim, querida. Precisa de algo? Já está tarde, por qual razão não está na cama?

— Eu tive um pesadelo... Estou com medo.

— Acalme-se criança. Ore e peça a Deus que te ilumine. — O Padre se aproxima da criança, olha no fundo de seus olhos, e exclama: Ordeno a quem quer que esteja te perturbando, vá embora. AGORA! — A menina adormece em seus braços. Uma figura horripilante se monta atrás dele. — Só um momento, criatura asquerosa. Tenho uma criança em meus braços. — Ele deposita a menina em uma poltrona, onde ela dorme confortavelmente. — Suma.

A criatura ainda estava ali, flutuando, sem rosto. O Padre se vira, a encara e agarra seu crucifixo de bolso.

— VADE. RETRO. SATANA! — Exclama o padre com fervor. A criatura começa a ficar pesada e agora toca o chão com os pés. — Vai ser do jeito difícil, presumo. — A criatura tenta atacar o Padre com um soco. — "O Senhor é o meu Pastor" — Exclama ele quase calado, e desvia brilhantemente da criatura, que perde o equilíbrio — "E nada me faltará" — O Padre acerta um golpo certeiro no pescoço da criatura humanoide, que desaparece de vez. A menina desperta na poltrona.

— Padre? O que houve? Como eu vim parar aqui?

— Oh, minha querida. Você apenas teve um episódio de sonambulismo. Muito como para crianças cheias de energia como você. — O sorriso do padre confortava a menina.

— Sonhei com a minha mãe, ela me dizia que preferia ter me abortado. — E começa a chorar.

— Minha criança, foi apenas um pesadelo. — A Irmã Clothilde aparece. — Irmã, leve a mocinha para o quarto dela, e reze com ela, por favor. Está tendo uma noite um tanto desagradável.

— Sim, Padre. Vamos, querida. — Ela segura a menina no colo e a leva para cima.

"Eles voltaram" — Pensou o Padre enquanto acendia outro cigarro. O Padre junta as mãos e some. Abre os olhos e está numa casa, em Chicago, Illinois.

— Padre? — Pergunta uma voz. O Padre se vira.

— Oh, Arthur. Que bom te ver. — Eles se cumprimentam e o Padre olha profundamente nos olhos de Arthur. — Então, alguma coisa?

— Nada com o que se preocupar.

— Ótimo, não morrerei ainda. — O Professor Arthur Macabellius tinha a habilidade de saber como e quando uma pessoa iria morrer se isso ocorresse numa janela de 24 horas e se a olhasse nos olhos ou tocasse suas mãos. — Onde está Gravys?

— Estou aqui, Arthur. Que bom que pôde se juntar a nós.

— Havia um deles na mansão, Gravys. Um espectro. Perturbando o sono de uma criança. Dei um fim nele.

— Entendo. Não temos mais muito tempo. Eles sabem aonde estamos e sabem como nos encontrar. Temos uma tarefa. Fale com os garotos, Padre. Chegou a hora.

Notas finais
Apresentando mais dois personagens, o Anjo Gravys, e o Professor Arthur Macabellius, que possui habilidade de premonição. Arthur e o Padre Maurice são soldados angelicais, com habilidades espirituais sobre humanas.