Solaris - A Morte
11 Vampira
Notas iniciais
[1876 – Londres]
– Adivinhem! — Diz Antelmo ao entrar como um furacão na residência dos três mosqueteiros.
– Como poderíamos? — Pergunta Martino mal-humorado.
– Você precisa melhorar seu comportamento. Já se passaram três meses desde o dia que a Jhô acabou com a gente. Você precisa superar! — Comenta Antelmo.
– Eu gosto muito dela! — Retruca Tino aos berros.
– E você acha que eu não?! — Rebate Antelmo com um grito ensurdecedor.
Para apaziguar o clima Ansur interfere.
– Vocês podem parar de brigar? Nós fizemos uma besteira, ela descobriu, ficou arrasada e nos deixou mais arrasados ainda. Não podemos mudar o que aconteceu, precisamos seguir em frente. O que você iria nos dizer quando chegou aqui, Antelmo?
– É verdade. O senhor mau humor quase me fez esquecer da novidade. Sabe a Marise?
– A vampira noturna? Uma das várias mulheres que você está encontrando no momento? — Questiona Ansur.
– Exatamente! O que eu não disse a vocês é o fato dela ser uma Beuténuit. Ela é da nobreza!
– E o que tem de tão interessante nisto? — Indaga Martino.
– Ela nos convidou para um baile! Não qualquer baile, um baile onde estarão apenas os vampiros mais antigos, poderosos e influentes. Acho até que o rei pode comparecer! Não é incrível?!
– Não quero ir, não quero me misturar com aqueles monstros! — Fala Martino novamente mal-humorado.
***
Os rapazes estavam a caminho da magnífica mansão, local onde aconteceria o baile. Depois de muito recusar, Martino se deu conta que Johanna nunca mais o perdoaria, ficar em casa triste não iria mudar em nada a situação. Resolveu ir no tal baile mesmo odiando os vampiros noturnos. Talvez fosse bom ir, ele precisava se distrair e tirar Johanna dos pensamentos.
Entraram na ostentosa mansão ricamente decorada. O lugar estava cheio de vampiros, todos muito bem vestidos, era notável que os convidados faziam parte de um grupo muito seleto, influente e rico de vampiros. Também havia humanos, como acompanhantes, a grande maioria era de supplites contudo alguns, os mosqueteiros perceberam, eram humanos em um estado similar ao de hipnose, algo mais forte do que a conscientização, conhecida pelos rapazes Solaris, fora aplicada naqueles humanos.
– O que é isso? Como estas pessoas estão neste estado? O que será que vai acontecer com eles? — Questiona Martino ainda mais enojado dos Noturnos.
Neste momento, Marise Beuténuit, a segunda no comando do clã Beuténuit e amante ocasional de Antelmo, aparece e esclarece as dúvidas dos rapazes.
– Eles estão hipnotizados.
– Eu pensei que nós não poderíamos manipular desta forma a mente humana. — Diz Ansur indignado e impressionado com esta habilidade desconhecida.
– Nós não. — Responde Marise. — Quero dizer… Vocês sabem que, quanto mais antigo um vampiro mais poderoso ele é. Apenas vampiros muito poderosos conseguem hipnotizar humanos. Atualmente, possuem esta capacidade o rei, é claro; Keiko Shōrayoru, a líder do clã japonês; e David Eyesnigth, líder do clã inglês e anfitrião desta festa, ele mesmo hipnotizou estas pessoas.
– Isto não é muito ético de se fazer. — Comenta Antelmo.
Martino se enfurece em silêncio, se verbalizasse seus pensamentos ele, e seus grandes amigos, seriam exterminados ali mesmo.
– Não é uma prática comum. Apenas em festas como esta e quando convidados importantes aparecem sem parceiros. Esta prática exige muita força e a hipnose dura por, no máximo, dois dias.
– Mesmo assim, não me parece muito certo. — Exprime Ansur. — É assustador pensar que alguns podem ter tanto poder, poderes que nem imaginamos ser possível.
– Eu também fico receosa. Imaginem só, há um boato entre a nobreza de que o rei pode controlar, inclusive, vampiros. — Comenta Marise.
– Este Valentim é muito sortudo, hein! Não pode ser morto e ainda tem a habilidade de hipnotizar qualquer mulher. — Exclama Antelmo.
– Como se o rei, e você, tivesse problemas para atrair mulheres! — Diz Marise de modo sedutor.
– Na verdade estava pensando em usar a habilidade para fazê-las irem embora, sem infernizar, reclamar ou contestar, e não para atraí-las! — Responde Antelmo sério.
Ansur, Martino e a francesa não aguentam e caem em gargalhadas.
***
Martino se surpreende ao constatar que se sente muito confortável alí, estava gostando da recepção, muitos vampiros eram interessantes, alguns se mostraram dignos e diferentes da concepção que Tino tinha dos Noturnos.
Um vampiro vestido com roupas espalhafatosas, pede atenção e começa um breve discurso anunciando a aparição de David Eyesnigth, o dono da festa, do rei Valentim Guzmán e da companheira deste. Os três aparecem no mesmo instante que o nome da acompanhante é dito.
– … E a brilhante, Johanna Redstar!
Os três rapazes Solaris ficam espantados, confusos e pálidos. Eles iniciam uma conversa por pensamentos para que ninguém ouça.
“Ela não está sob o efeito da hipnose.” — Nota Ansur.
“Como uma humana conhece e se torna íntima do rei dos vampiros? Ela é a acompanhante deste tal Valentim!” — Exclama Martino.
“E nós com medo de que ela não aceitasse bem nossa condição vampírica.” — Completa Antelmo.
Chegou a hora de saudar o rei e os mosqueteiros não poderiam ficar mais estarrecidos e surpresos. Na saudação, os vampiros mostram suas presas enquanto dizem “Vida longa ao rei imortal!”. O que chocou os três amigos foi o fato de Johanna também possuir presas. Ela era uma vampira.
“Ela foi transformada? Quem foi o maldito que transformou a Johanna em um monstro! Vou matá-lo, não importa quem, vou matá-lo!” — Diz Tino em pensamento para os companheiros.
“Calma, Tino. Não sabemos o que aconteceu. Já passou por sua cabeça a possibilidade dela ter pedido para ser transformada? E me parece que estes vampiros a conhecem de longa data. Preste atenção em como ela é tratada por eles.” — Fala Ansur.
Antelmo não espera, sempre fora aventureiro e espontâneo, vai de encontro à Johanna, vai implorar por explicações.
Johanna vê Antelmo se aproximar, logo em seguida visualiza Ansur e Martino. Fica tensa, apavorada e Valentim percebe a mudança de estado da moça. O rei, em milésimos de segundos, aciona seus Blood Guards que prontamente formam uma barreira de segurança entre o casal e o restante das pessoas da festa.
Antelmo para em frente a Johanna, com um dos guardas entre os dois. Johanna se vira para o rei e olha-o nos olhos, estava conversando por telepatia com ele, em seguida Valentim assente e logo os guardas retornam para seus postos de origem.
Johanna beija Valentim na face e anda na direção de Antelmo. Está com uma expressão séria, sem sentimentos e resoluta.
– Não demore Jonna! Este baile é para sua despedida.
“Despedida? Um baile para uma vampira recém transformada?” — Indaga Antelmo consigo mesmo.
– Não demorarei Timmy! Sinto que preciso esclarecer isso antes de partir.
***
Os quatro, Johanna e mosqueteiros, decidiram conversar no jardim mais distante da mansão.
Fale com o autor