Solaris - A Morte
13 O Supplite
Notas iniciais
Os quatro últimos capítulos se passaram no passado do clã Redstar. Para relembrar o que está se passando nos dias atuais, vou dar uma breve recapitulada (capítulo 8 — Reunião):
Martino deu um jantar para apresentar oficialmente, Pietra, aos amigos.
Johanna viaja para Inglaterra, para saber mais sobre a matéria de jornal interceptada, matéria esta que contava sobre a existência dos vampiros e descrevia sua sociedade. A Redstar foi à reunião com os líderes dos clãs e rei e, logo em seguida, teve uma conversa privada com Valentim.
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[Dias Atuais — Londres]
Johanna ao telefone com Mônica.
– Alô, Mona.
– Jonna! E aí? O que eles disseram sobre aquela matéria?
– Não muita coisa. Apenas como encontraram, um infiltrado na NSA descobriu o texto em uma conta de email. Não sabem nada além disso, estão investigando.
– Você foi convocada pelo próprio rei apenas para ouvir isso? Ele não disse mais nada?
– Não.
– Então você já está voltando?
– Também não. Faz muito que não venho para minha terra natal, ficarei aqui mais alguns dias, talvez uns dez dias.
– Johanna Redstar de férias?! Estranho.
– Não é bem isso. Pretendo apresentar o projeto Pílulas de Sangue aos Blood Heads.
– Por que se ainda estamos no meio do projeto e nem iniciamos os testes?
– Porque, de qualquer maneira, precisaremos da aprovação deles para lançarmos as pílulas. E, segundo, decidi aproveitar minha estadia e que todos os Blood Heads estão aqui reunidos.
– Faz sentido. Você ligou para eu lhe enviar algum documento ou informação sobre o projeto?
– Não, eu trouxe tudo comigo.
– Você sempre pensando à frente…
“Me pergunto o que mais você decidiu e planejou sem contar para mais ninguém. Eu te amo Jonna, você é uma amiga incrível, contudo, este mistério que a circunda pode ser perigoso.” — Mônica não compartilha este pensamento com Jonna.
– Mas liguei para pedir-lhe algo. Preciso de sua ajuda.
– Claro, pode dizer.
– Faz uns dias que não bebi sangue, nem pensei nisso antes de viajar, preciso do Alexandre. Eu vou ligar e combinar com ele, já cuidei da folga dele com o Eduardo, só quero apenas que você cuide da viagem. Ele precisa vir o mais depressa, ainda hoje se possível. Verifique com companhias de jatos fretados, o que for mais rápido. Por favor.
– Claro. Farei isto. Por que o Supplite? Por que não as leiteiras?
– Você não entende a nobreza, Mônica. Os Blood Heads vêem com maus olhos os nobres que não sugam sangue fresco. Eu preciso manter a compostura e seguir as tradições enquanto estiver com eles. Assim que resolver tudo, ligue diretamente para o Alex. Já o deixei a par da situação.
– Tudo bem, serei rápida. Tchau.
– Tchau.
Ambas desligam.
“Eu não queria mentir para você, Mona, contudo é necessário. Não posso permitir que ninguém saiba que estamos procurando e nem o que estamos procurando.” — Pensa Jonna apenas consigo mesma.
***
Alexandre Santos deveria ter se acostumado com o luxo e costumes vampíricos, há cinco anos teve acesso a este novo mundo depois de aceitar ser Supplite de Johanna.
A mulher o encontrou enquanto ele, com dezoito anos, trabalhava como vendedor da Starbucks para pagar o cursinho pré-vestibular. Ele pretendia cursar Administração em uma universidade pública, não poderia custear quatro anos de mensalidades de uma universidade privada.
[Cinco anos antes — São Paulo]
Percebeu Johanna desde a primeira vez que ela apareceu na cafeteria, em seu turno. Uma mulher distinta, rica com certeza. Uma daquelas mulheres que não olham na cara dos vendedores, ou de qualquer pessoa que julgam ser de nível inferior. Mas não ela… Ele estava enganado quanto a Johanna Redstar.
Algo nela atraia seu olhar, na vez dela, Alex, fez questão de atendê-la.
– Boa tarde senhora! Qual será seu pedido?
Para surpresa de Alexandre, a mulher olhou em seus olhos, deu um sorriso, olhou o crachá pendurado em sua roupa e, delicadamente, respondeu:
– Boa tarde Alex! Quero um Tall cappuccino de canela, dois pães de queijo e um muffin de blueberry, para viagem, por favor. Obrigada!
Ao ser chamada para pegar seu pedido para viagem Johanna disse:
– Muito gentil você, Alex! Obrigada!
Johanna aparecia quase todos os dias na mesma faixa de horário e Alexandre a atendia sempre que possível. Nunca foram trocadas mais do que uma dúzia de palavras entre os dois.
Certo dia, quando estava no trabalho, Alexandre recebeu uma ligação. Sua mãe teve um ataque cardíaco e seria levada ao hospital público mais próximo de sua casa. Alexandre não sabia o que fazer, seus neurônios tinham sido desconectados. Estava em modo automático quando pediu o dia livre para chefe e saiu da cafeteria sem nem mesmo tirar o avental.
Johanna, que estava presente, ouviu o que disseram no telefonema, saiu atrás do garoto antes mesmo de pegar seu pedido.
– Alexandre! Você não está em condições de ir até o hospital ver sua mãe! Venha, eu te levo em meu carro!
Alex estava tão transtornado e aflito que nem se deu conta de como aquela mulher sabia para onde, e porque, estava indo. Aceitou a carona.
– Antes de tudo, tire este avental. Onde fica o hospital?
– Rua Andorinhas. — Responde mecanicamente.
– Sei que está em estado de choque agora, mesmo assim vou lhe dizer… Eu vou te ajudar com sua mãe, vou transferí-la assim que possível para o melhor hospital da cidade. Ela ficará bem, está me entendendo?
– Um pouco, algumas partes. — Responde o rapaz ainda afetado.
– Quando estiver bem o suficiente para me entender e recuperar seu discernimento nos falaremos novamente.
– E como eu te encontro? — Pergunta o garoto.
– Pode deixar, Alexandre Santos. Eu te encontro.
***
– Pontual! Eu gosto disso! Antes de começarmos, como está sua mãe?
– Muito bem, até melhor que antes. Graças a você! Obrigado!
– Não agradeça, foi simples para mim. Eu sou dona daquele hospital. Acredito que tenha algumas perguntas a me fazer.
– Exato, muitas!
– Eu não posso respondê-las agora e talvez nunca poderei. Alexandre, eu quero que você seja meu Supplite. Vou te explicar o que é isso, mas antes quero deixar claro que a decisão é toda sua, não quero que minha ajuda nos tratamentos de sua mãe interfiram em sua escolha. Se aceitar ser meu Supplite, poderei responder suas perguntas, você terá muitas vantagens e muitos problemas também. Tudo o que você acha que sabe pode mudar!
***
– Eu aceito!
– Tem certeza? Você pensou por apenas três dias.
– Usei estes três dias para procurar uma desvantagem e não encontrei nenhuma.
– Está certo disso? Eu posso citar alguns problemas.
– Diga três.
– Número um: sua auto-estima, você está ciente que será usado por mim? Número dois: Você terá que vir sempre que eu chamar, independente do dia ou horário, mesmo se for o aniversário de sua mãe, ou o enterro de um familiar querido. Número três: você precisará frequentar lugares perigosos e cheios de vampiros. Além disso, caso não aceite, eu irei apagar suas lembranças sobre meu mundo, você nunca se arrependerá de algo que não se lembra.
– Mesmo assim eu aceito. Todos os empregos possuem suas desvantagens. Eu serei sincero, não estou em condições de recusar uma oportunidade assim. Estudos pagos, da melhor qualidade e na instituição de minha escolha, desde que seja aqui em São Paulo; ajuda de custo, que poderia bancar um bairro inteiro; um estágio e possível carreira na sua empresa, na área que eu escolher; e, acima de tudo, melhorar a condição de vida da minha mãe. Eu não posso e não irei recusar.
– Então está certo. Saiba que pode desistir a qualquer momento.
– De hoje em diante, Johanna, você pode contar comigo para o que precisar!
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