Solaria II
2 Capítulo 2 - Bom dia
Eu via luzes acendendo e apagando, sem noção de tempo. Ouvia pessoas distantes falando algo que eu raramente conseguia entender. O breu total de meus pensamentos parecia um refúgio, até que... Algo tocou minha mão direita. Apertei por reflexo.
– Solaria! – disse um homem – Você está ai? – sua voz me era familiar.
Por várias vezes, tentei abrir os olhos, mas nunca conseguira. Tentar novamente talvez fosse em vão, mas... Pera. Quem é Solaria? Em um impulso, como se estivesse acordando de um pesadelo, abri os olhos.
– Solaria! – ele disse animado.
– O que? – falei rouca. Senti várias coisas ligadas à mim, me incomodando – Meu nome é Jennifer. – conclui, após vasculhar toda a minha mente vazia.
Sua expressão era, no momento, um misto de medo e felicidade. Eu realmente não sabia do que se tratava esse... Nome que ele dizia. Meu nome sempre fora Jennifer... Não conseguia me lembrar de meu sobrenomes ou pais. O desespero tomou conta de mim, só então me fazendo sentir um grande curativo em meu abdômen.
– Vai com calma! – ele me segurou delicadamente para que eu não me levantasse – O que aconteceu ai foi feio.
– O que aconteceu... ? – falei, dando tom de pergunta no fim da frase ao perceber que eu não sabia de nada.
Vários enfermeiros entraram na sala e começaram a me examinar, mas não perdi de vista aquele cara loiro, que estava acompanhado de um médico e uma ruiva. Eu não sabia quem era e estava começando a ficar irritada com a situação.
– O que está acontecendo? – gritei.
– Calma... Ah... Jennifer. – o loiro disse – Vamos te explicar assim que acabarem de te examinar.
Me concentrei em minha respiração, tentando achar alguma pista em minha memória. Os rostos do loiro e da ruiva me eram familiares, mas não conseguia me lembrar de nenhum fato que me ligasse a eles. Nenhum além da lembrança do toque daquele cara, quando segurei sua mão.
– Bom... Jennifer seu nome, certo? – o médico se aproximou e eu assenti. Sabia que era médico por suas vestes – Qual a última coisa que você se lembra?
– Eu sentir ele – apontei para o loiro – segurando minha mão, acordar e vê-lo. – falei, olhando para os cantos da sala, como se olhasse o cantos de minha memória – Ah, ele me chamou de Sol... Sol... – olhei novamente – É Sol o que?
– Solaria! – outro cara loiro, de cabelos compridos e bem escandaloso, adentrara o quarto – Finalmente acordaste, min... – ele foi interrompido por minha expressão de dúvida – O que está acontecendo?
– Olha... Não sou a única que quer respostas. – dei um riso seco, fazendo doer o maldito curativo.
Os dois loiros saíram do quarto. A ruiva me olhava apreensiva, assim como o médico. Gostaria de fazer perguntas, mas não sabia ao certo quais. Assim que o médico nos deixou a sós, percebi que ela estava incomodada.
– Você pode ser franca comigo? – falei de repente, chamando sua atenção. Ela assentiu e se aproximou – O que está acontecendo? Quem... Quem sou eu? – eu necessitava de respostas, e ela parecia entender isso.
– Você realmente não se lembra de nada? – ela me perguntou, segurando minha mão. Neguei, pois realmente não lembrava – Eu... Eu não sei...
– Nat. – o primeiro loiro apareceu, chamando-a.
Ela saiu do quarto, me deixando com os enfermeiros novamente.
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