Notas iniciais
Perdoem pelo atraso de um mês, estive com problemas novamente. :(
Três dias depois, havia uma reunião na Casa Kannogi e os convidados eram Kuchiki Byakuya, Shihouin Yoruichi, Soi-Fon, Unohana Retsu e Ukitake Juushirou. Este último havia se recuperado tranquilamente sob os cuidados incansáveis de Aiko, que estava sentada ao lado dele pronta para servi-lo no que fosse. Ele havia insistido para comparecer àquela reunião, mesmo que a yonseki não tivesse aprovado. Kannogi Masanori e Akiko davam atenção a todos igualmente, estavam agradecidos pelo apoio que receberam nos últimos dias desde que todo o segredo sombrio que envolvia o outro lado da família viera à tona. Masanori tentava ser forte e não demonstrava sua tristeza, mas sentia o coração dilacerado por conta da traição do irmão. O motivo daquela reunião era um só, em breve um mensageiro da Central 46 seria enviado para informar o veredicto no julgamento de Fujitaka e sua família. Um crime como o sequestro de Aiko deveria ser julgado com delicadeza, por envolver uma família nobre. E aquele ainda tinha um apelo maior, pois, nomes como Kuchiki, Kyouraku, Ukitake e até mesmo o do soutaichou, Yamamoto, estavam pedindo para que a sentença fosse adequada.
Uma hora depois do inicio da reunião, quando um chá foi servido, finalmente o mensageiro chegou. Soi-Fon o recebeu e após cinco minutos, aproximou-se de todos e falou em voz alta.
– A notícia que tenho não é certamente o que esperávamos... Kannogi Fujitaka e a esposa foram condenados à prisão domiciliar por cinquenta anos, sob a guarda constante do meu bantai. Tenho aqui um documento oficial que fala a respeito de como devo proceder quanto à sentença e consta que o sequestro não se agravou, pois a Kannogi-yonseki está viva. Como se trata de assuntos entre famílias nobres, resolveram julgar conforme outras leis, que não as que nós shinigamis somos submetidos. – Soi-Fon fez uma pausa e terminou de ler o documento. – Já Kannogi Yuichi foi julgado como shinigami e a lista de crimes é longa... Ofereceu risco a um shinigami, cometeu ataques em segredo contra a Seireitei, sendo classificado como atos terroristas, utilizou sua zanpakutou de forma indevida e o agravante foi por conta de submeter Kannogi Masanori ao seu controle. Também se dirigiu para o mundo humano sem qualquer tipo de permissão, já que o seu lado da família não detém uma chave e nem o direito de abrir um portal e por fim, atacou dois taichous, causando-lhes ferimentos – Kuchiki Byakuya e Ukitake Juushirou.
– Qual foi a sentença, Soi-Fon? – Indagou Yoruichi impaciente.
– Bem... – A taichou mordeu o lábio inferior e olhou para Yoruichi.
– Ah, deixa eu ler isso! – Yoruichi arrancou o papel das mãos da amiga e balançou a cabeça. – Ujimushi no Su! Depois de tudo o que ele aprontou? Isso só pode ser uma brincadeira...
– Inacreditável – Ukitake arregalou os olhos. – Ele é perigoso, não pode ficar em um lugar assim...
– O que fizeram com a zanpakutou? – Perguntou Byakuya seriamente.
– Foi levada para o Departamento Tecnológico e lá será destruída após análises – respondeu Soi-Fon. – Mas, essa zanpakutou não representa perigo sem o portador, o que está me incomodando é o fato dele ter sido condenado ao Ujimushi no Su. Deve ter algo errado e eu vou agora mesmo saber o que está acontecendo.
– É simples, – Aiko respirou fundo e continou – ele era da guarda da Central 46 e por isso pegaram leve. Todos aqui sabemos que as decisões tomadas lá não são muito justas às vezes. Mas, tenho certeza que a Onmitsukidou não vai facilitar para ele.
– Fiquem tranquilos, – assentiu Soi-Fon – de lá ele não vai sair se depender de mim... Inclusive, já deve ter sido levado e eu preciso dar algumas ordens. Peço a licença de todos.
A taichou desapareceu diante dos olhos de todos, não queria perder tempo e chegar logo naquela prisão era extremamente importante para ela. Yoruichi explicou para os pais de Aiko como funcionava a Ujimushi no Su e que provavelmente, o jovem seria mantido em uma cela, algo reservado apenas para os presos mais perigosos naquele nível.
Kuchiki Byakuya estava calado, mais do que lhe era costumeiro e Aiko percebeu mesmo que ele estivesse inexpressivo, que tudo o que ouviu causou um grande incômodo. Ele não estava satisfeito com a sentença e o local para onde Yuichi havia sido levado e ela sabia disso.
Após algum tempo de conversa, só Byakuya havia ficado, a pedido de Masanori. Aiko quis acompanhar Ukitake até Ugendou, precisava se certificar de que ele não trabalharia por pelo menos mais um dia.
– Byakuya, estou envergonhado por ter me deixado levar pelo poder de Yuichi... Não tenho consciência do que fiz ou disse, mas a Akiko me contou algumas coisas – Masanori estava sentado diante do taichou no escritório. – Existe algo que eu possa fazer para compensá-lo?
– Você não tem culpa alguma, era impossível escapar do ataque daquela zanpakutou, fique em paz, Kannogi-dono.
– Bem, com isso eu fico em paz – ele sorriu. – Sei que a minha filha nutre um carinho imenso por você, isso está estampado na face dela sempre que estão juntos... Não quero me intrometer na vida de vocês, mas, deixarei claro que você sempre será bem vindo em nossa casa. Se algum dia precisar do meu apoio para qualquer coisa, me procure, por favor.
– Eu agradeço. Na verdade, tem algo que precisamos falar... – Byakuya apertou os punhos, não sabia quais palavras escolheria para aquilo. – Ainda não estou preparado para firmar qualquer tipo de compromisso diante da família Kannogi, pois, quero dar tempo para que a Aiko cresça como shinigami e demonstre todo o seu potencial... Você sabe o peso que carrego como líder da Família Kuchiki e o fardo fica ainda maior pelo meu posto no Rokubantai...
– Byakuya, você não precisa se explicar! – Masanori reparou o nervosismo atípico do taichou, sabia onde ele queria chegar. – Tudo o que peço, como pai, é que cuide da minha filha e a faça feliz. Não apresse nada, afinal, vocês se conheceram ontem... E, eu sei o quanto é difícil para você dar um passo assim depois de tudo.
– Na verdade, está sendo mais fácil do que imaginei. Sinto algo muito forte pela Aiko, – ele abaixou a cabeça por alguns instantes antes de procurar os olhos de Masanori novamente – e dou a minha palavra de que vou continuar cuidando dela, como sempre fiz desde que a conheci. Um dia, continuaremos essa conversa... Algo me diz que será em breve.
– Também tenho essa sensação. E não existe alegria maior para um pai do que saber que um homem como você está zelando por ela... Então, deixemos esse assunto para quando for pertinente e vamos falar sobre aquilo que também está incomodando você.
– A Central 46 sempre teve grande apreço pela Casa Kuchiki, usarei minha influência para assegurar que aquele desgraçado tenha a punição que merece. Não vou permitir que...
Aiko abriu a porta bruscamente interrompendo Byakuya, ela estava arfando. Byakuya levantou-se rapidamente e sacou a zanpakutou, já conhecia a jovem o suficiente para saber que estava acontecendo algo grave. Ela pediu para que a seguissem e no hall de entrada, estava Soi-Fon junto a cinco soldados. A taichou não quis perder tempo.
– Quando cheguei até Ujimushi no Su, vi todos os guardas caídos, assim como a maioria dos presos. Yuichi mesmo sem a zanpakutou conseguiu escapar, ainda não sabemos como, mas acredito que alguém tenha facilitado. Não conseguimos rastreá-lo e de acordo com informações, nenhum senkaimon foi aberto.
– Isto é inadmisível! – Bradou Byakuya. – Já era previsto que alguém com aquela velocidade e força deveria estar em uma prisão de nível maior.
– Imagino onde ele esteja – Aiko olhou para Byakuya. – Provavelmente foi procurar o apoio dos pais... Não será difícil para ele passar pelos guardas de lá.
– Eu vou verificar – Soi-Fon deu às costas. – Mandarei notícias...
– Irei com você – anunciou Byakuya antes que ela saísse pela porta.
– Eu também! – Confiante, Aiko se colocou ao lado dele. – Vamos...
– Não, você vai ficar aqui, Aiko – ordenou o taichou. – Volto logo.
Aiko sibilou e estalou os dedos no momento em que todos saíram. Não queria mais desobedecer Byakuya, sobretudo quando havia dado a sua palavra sobre isso. Era estranha a sensação de não poder fazer o que quisesse, contudo, admitia que toda a vez quando foi contra algo que ele ordenou ou aconselhou, havia se dado mal. Masanori e Akiko estavam tão impaciente quanto a filha, uma hora se passou e não tiveram notícia alguma sobre o que poderia estar acontecendo. A shinigami não aguentava mais a espera, mesmo com a desaprovação dos pais, saiu para tomar ar no jardim.
– Eu sabia que encontraria você aqui...
Aiko virou lentamente a cabeça, era impossível estar ouvindo aquela voz. Yuichi estava lá, com um sorriso sombrio estampado no belo rosto e trajando um kimono preto, bem diferente do uniforme da prisão.
Ela respirou fundo, não queria atacá-lo ainda, mas estava com a zanpakutou na bainha caso precisasse.
– Yuichi, como consegiu fugir? Você não deveria ter feito isso.
– Não posso ficar naquele lugar, Aiko-chan. Prefiro a morte – disse ele com a voz tranquila. – Meus pais estragaram tudo... Se não fosse pela estupidez deles, por ganância, estaríamos juntos hoje. Casados e felizes, como havia sido prometido.
– Eu jamais poderia amá-lo – ela suspirou. – Tenho certeza que meu coração pertenceria a Kuchiki Byakuya, de um jeito ou de outro.
– Como você pode amar um homem tão frio e arrogante? – Yuichi se aproximou de Aiko, porém, ela deu um passo para trás. – Está com medo de mim?
– Não, eu não tenho medo de ninguém – respondeu a garota confiante. – E sobre a sua primeira pergunta, é algo que não se explica. Mas, não quero falar disso com você... Só peço para que se renda, Yuichi e me deixe chamar os responsáveis para que possam levá-lo em paz para a prisão.
– Acha mesmo que eu tive todo aquele trabalho para voltar à prisão? – Ele riu e fixou o olhar em Aiko. – Você será minha, Aiko... Nunca vou permitir que você pertença a outro homem, já que foi prometida a mim quando nasceu!
– Eu já pertenço a outro homem, Yuichi – ela sorriu e o olhou dentro dos olhos. – E vou pertencer para sempre. Ninguém nunca conseguirá mudar isso... Nunca!
– Eu mudarei, Aiko... com a lâmina da minha espada, se for preciso.
Aiko não entendeu o que ele quis dizer, afinal, Arkhe havia sido levada para o Departamento Tecnológico e já deveria estar destruída.
Yuichi abriu a mão direita e como num passe de mágica, sua zanpakutou surgiu e ele a apertou. A expressão de orgulho era nítida em seu rosto, diante do espanto de Aiko.
Ela sabia que aquele embate seria inevitável e muito havia aprendido com Byakuya, deveria defender a honra de sua família, mesmo que significasse brandir a espada contra Yuichi.
– Não sei como conseguiu ter sua zanpakutou de volta e se isso significa que vamos lutar, eu vou até o fim, Yuichi!
– Admiro sua coragem, Aiko-chan! E, sobre a minha Arkhe, ela está conectada a mim... Pode se materializar onde eu quiser. Somos um só ser.
“Como Mizuki e eu.” – Pensou Aiko, estava triste por aquilo ter se encaminhado para aquele caminho, contudo, não demonstraria. – Desista, Yuichi. É a última chance que te dou.
– Você sabe que não pode lutar contra mim – ele fez com que a zanpakutou assumisse sua forma shikai. – No instante em que eu tocar uma nota, você estará sob o meu controle...
Aiko lembrou-se do poder daquela zanpakutou, precisava pensar em alguma saída rápido para não ser subjugada facilmente quando ele executasse seu ataque. Era preferível um combate corpo-a-corpo, assim, conseguiria defender-se de alguma forma. Tudo o que podia fazer era tentar utilizar algum tipo de bakudou para prendê-lo.
– Bakudou número sessenta e dois... — Em suas mãos, uma haste de energia branca com um brilho púrpura se formou e rapidamente, Aiko lançou na direção de Yuichi. No momento do lançamento, a haste se desintegrou, transformando-se em mais de cem idênticas. – Hyappo Rankan!
Yuichi saltou no ar com uma velocidade maior do que o lançamento do ataque de Aiko e conseguiu desviar. Neste instante, ela pegou sua zanpakutou e fez com que se transformasse nos sai. Precisava atacá-lo logo que ele voltasse ao solo e antes que iniciasse um ataque musical.
– Bankai... Siga o seu curso, Mizuki.
Yuichi sorriu, pousando com leveza sobre o gramado, deslizou os dedos pelas cordas de sua lira. As fissuras no solo causadas pelo ataque de Aiko começaram a se abrir e os jatos de água surgiram ferozes e com rapidez. As incontáveis cópias do espírito de Mizuki logo tomavam forma, um belo espetáculo aos olhos de Yuichi que continuava com sua funesta canção sem importar-se com o que poderia acontecer.
Aiko não conseguia ignorar a canção, entretanto, mantinha-se firme e continuou com o bankai. O turbilhão de água ao redor de Yuichi estava completo, já não podia-se mais distinguir nada naquela velocidade e ele deveria estar sofrendo cortes pelos sai que portavam as cópias de Mizuki.
Para a surpresa da shinigami, não havia sangue. Sentiu alguém atrás dela e quando virou-se, não acreditou que era Yuichi. Ele não poderia ter sido tão rápido.
– Como...
Nem pôde terminar de falar, em sua volta, via mais de dez cópias de Yuichi e não conseguia distinguir qual deles era real. Era obrigada a atacar, então, fez com que o ataque de seu bankai fosse contra todos que via. Um deles certamente não era ilusão.
– Você nunca vai conseguir me atacar desse jeito, Aiko-chan!
A voz dele ecoava na cabeça de Aiko, já não conseguia mais concentrar-se em seu bankai, até que se desfez. Sentia-se atordoada, tudo o que ouvia era o som da zanpakutou de Yuichi. O mais estranho é que ela tinha consciência do que estava acontecendo, mais uma vez sucumbiria ao ataque dele e nada poderia fazer. Lembrava-se de Byakuya e de Ukitake, precisou ser protegida por ambos e tinha a sensação de ser inútil por nunca conseguir defender-se sozinha.
Se ouvisse mais um pouco aquela canção, logo nem consciência teria mais e estaria à mercê da insanidade de seu primo. Precisava reagir para que aquilo não acontecesse, pois tudo o que mais queria era que aquele pesadelo acabasse logo para ficar com Byakuya.
“Aiko-Chan...” – A voz de Mizuki se fez em sua mente. – “Concentre-se na minha voz e se proteja dessa música sórdida.”
Aiko tentava ouvir apenas a voz de sua zanpakutou e em poucos segundos, girou os sai por entre as mãos e desenhou no ar um quadrado com ambos, que quando tiveram as lâminas unidas, uma espécie de escudo naquele formato feito de água começou a se formar ao redor de Aiko. Em poucos segundos, seu corpo foi totalmente selado dentro daquela proteção. Não era o suficiente para proteger-se de um ataque físico, contudo, era o que precisava para não ouvir mais aquela canção. Após ficar livre do efeito hipnótico, as ilusões se desfizeram e diante dela estava o verdadeiro Yuichi. Ele tornou a sorrir, estava encantado com a força de vontade de sua prima e para a surpresa dela, fez com que sua zanpakutou voltasse à forma normal e a colocou na bainha.
Aiko não estava entendendo, mas, resolveu desfazer o seu escudo e continuou em alerta.
– Você não é o meu alvo, Aiko... Achei que atacando você, logo estaria aqui seu maior protetor, só que me enganei. Eu vou encontrar o Kuchiki Byakuya e terminar o que comecei no Mundo Humano... Você vai lamentar muito não ter sido minha por bem.
– Yuichi?
Aiko olhou para trás quando ouviu a voz de seu pai. Masanori olhava perplexo para o sobrinho, não conseguia acreditar que ele estava lá depois de tudo o que aconteceu. Ele correu até Aiko e colocou-se entre ela e Yuichi.
– Papai, por favor, saia daqui!
– Não, Aiko... Me deixe conversar com ele. Tenho certeza que serei ouvido – disse Masanori com tranquilidade. – Vá para dentro, logo eu estarei com você.
– Já é tarde para conversas – Yuichi falou entredentes. Tinha ciência que o tio havia aberto as portas da casa para Byakuya e que era a favor da aproximação dele com Aiko. – Me deixe a sós com Aiko antes que eu perca a paciência, tio.
– Você não vai encostar um dedo na minha filha!
Masanori avançou em direção a Yuichi e tentou lhe segurar, contudo, o shinigami desviou. Sem que o tio pudesse acompanhar, ele pegou a zanpakutou e cortou-lhe o peito. Aiko arregalou os olhos, sentiu o corpo gelar ao ver o pai cair de joelhos e uma poça de sangue se formar no gramado.
Yuichi olhava para o tio sem expressão alguma, parecia não se importar com o que havia feito. Instantes depois, Akiko chegou no jardim e correu até o marido. Não conseguia dizer nada, sua voz falhava. Em prantos, a mulher o deitou em seu colo e olhou para Aiko, sem saber o que fazer.
– Meu pai... – Balbuciou Aiko. – Você...
– Antes de vir para cá, dei um jeito na minha família. Acha que eu teria qualquer problema em fazer o que fiz agora? – Yuichi falava como um louco. – Os maiores culpados nessa história toda foram nossos pais. Os meus por terem me negado o direito de conhecê-la desde criança e terem tirado você de mim... E o seu pai por ter se negado a cumprir com a promessa de casá-la comigo, mesmo sabendo que eu me apaixonei por você quando a conheci! No inicio eu estava apenas aceitando tudo por causa dos meus pais, até ver você...
– Você é doente, Yuichi! – Gritou Akiko. – Guardas, socorro! Ajudem meu marido, por favor.
Yuichi apertou o punho da zanpakutou e deu um passo na direção de Akiko. Nenhum guarda ou empregado surgiu e ele sabia que não apareceriam, pois havia se certificado disso.
– Transborde, morada do caos! Recipiente insolente de loucura! Negue a vontade oculta, congele e oblitere! Perturbe o sono! A donzela de ferro rasteja! A boneca de lama desintegra! Se una! Se oponha! Preencha a terra e reconheça sua própria impotência!
Aiko falava rapidamente, seu olhar estava fixo em Yuichi. Não parecia a mesma, no interior daqueles olhos havia ódio... Algo que nunca sentiu naquela intensidade nem pelos inimigos que já enfrentou anteriormente. Após recitar aquelas palavras, elevou a palma da mão direita na frente do corpo e com fúria, disse:
– Hadou número 90! – Uma pequena esfera de tom púrpura tomou forma centímetros acima de sua mão, como que por controle das pontas de seus dedos. Instantes depois, envolta por uma impressionante densidade de poder espiritual, a esfera explodiu em múltiplos raios da mesma coloração para direções diversas, ao passo em que Aiko finalizou a sua conjuração. – Kurohitsugi.
Yuichi estava para atacar Akiko, quando virou-se rapidamente e olhou para Aiko. Os raios que momentos antes estavam dispersados para todos os lados, novamente ganhavam vida e intensidade, já na forma de linhas geométricas perfeitas e vão se desenhando em torno de Yuichi, criando a pouco mais de um metro de distância de seu corpo, a imagem de um cubo que o cerca por completo. Assim que aquela forma se finalizou, cada uma de suas faces se transformaram em paredes transparentes e intransponíveis.
Aiko esboçou um sorriso sombrio ao olhar para o primo, que estava encurralado e nitidamente amedrontado diante daquele poder, então, rapidamente as faces do cubo foram preenchidas totalmente pela mesma tonalidade da esfera original, que de tão concentrada, aproximava-se de uma tétrica variação da cor negra. Aquela forma aumentou suas dimensões e em segundos, um gigante bloco estava formado, parecendo um sarcófago negro. Tomada por ódio, Aiko contemplou com orgulho sua obra recém finalizada, frações de segundos antes dela se dispersar como uma mancha negra e lançar por todos os lados feixes cortantes que penetraram o corpo de Yuichi aprisionado, em meio a um estrondoso som semelhante ao dos trovões que ecoam por quilômetros de distância.
– É isso que você merece... – Aiko falou ainda com raiva quando viu o corpo do primo caindo tomado por incontáveis perfurações. – Seu sangue, pelo sangue do meu pai... A diferença é que eu quis matar você com todo o meu ódio e meu pai, eu salvarei com todo o meu amor.
Kuchiki Byakuya estava parado atrás de Aiko, ela não havia notado a presença dele até o momento em que foi iniciar o processo de cura em Masanori. Akiko havia desmaiado logo que a filha iniciou a conjuração do kidou, não aguentou ver seu marido daquele jeito sem poder fazer nada e suas emoções lhe venceram.
O taichou olhava aquela cena sem dizer uma única palavra, apenas aproximou-se do corpo de Yuichi e certificou-se de que ele estava realmente morto.
1 dia depoisMasanori havia sobrevivido após Aiko ficar curando-o por horas a fio sem parar. Ele já estava em seus aposentos e Unohana Retsu cuidava dele pessoalmente, enquanto Hanatarou estava com Akiko.
No quarto de Aiko, Byakuya se encontrava sentado diante da cama, olhava para a amada envolvida em um sono profundo. Ela havia esgotado todas as suas forças com o tratamento do pai, entretanto, o taichou tentava entender como tudo aquilo aconteceu. Para ele, era impossível que Aiko conseguisse conjurar um hadou tão poderoso... E não obstante, ela ainda conseguiu utilizar seu maior poder de cura para tratar do pai. Era difícil não lembrar de Kurosaki Ichigo, alguém que rompia rapidamente inúmeras barreiras e se superava a cada embate.
Já havia compreendido que Kannogi Aiko era movida por emoções e talvez Yuichi houvesse mexido com aquilo que ela mais amava, aliás, Byakuya não tinha dúvidas disso. A família era o bem mais precioso para ela e isso explicava um pouco, todavia, não era o suficiente para que ele se convencesse. Daquele jeito, Aiko já tinha poder o suficiente para chegar a posição de taichou um dia. E se ela estava crescendo tão rápido como shinigami, logo ele poderia realizar algo que intentava desde a conversa com Masanori.
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