Sol e Lua
28 A Visão
Kuchiki Byakuya estava no escritório em sua casa, analisava algumas pastas com despesas do Rokubantai há horas e os resultados que anotava em um caderno começavam a dar um pouco de dor de cabeça. Naquela noite, Aiko havia ficado de plantão no Yonbantai, então, ele estava tranquilo por não precisar deitar-se tão cedo.
Quando já não aguentava mais ficar acordado, resolveu deixar o que restou para o outro dia e ir descansar. No caminho para o seu quarto, ouviu alguns ruídos, não compreendia o que poderia ser, já que nenhum empregado andava pela casa àquela hora. Ao notar que o ruído vinha do quarto de seu filho, abriu a porta lentamente e ficou alerta para qualquer coisa que pudesse ser. Ao acender a luz, olhou em direção ao berço e ficou sem reação.— Quem é você que ousa brincar assim com o meu orgulho? – Disparou Byakuya e esticou o braço direito, espalmando a mão, pronto para atacar com um hadou.— Não consegue sentir realmente quem eu sou?Aquela voz o deixou nitidamente abalado, assim como o sorriso gentil que floreou no rosto alvo daquele homem que via diante dele. O cabelo negro à altura dos ombros e o kenseikan no lado esquerdo, os olhos demonstrando toda a bondade que possuía, sem dúvidas não parecia alguém brincando com suas lembranças, nem mesmo um fantasma.— Otou-sama... – Buakuya sussurrou, mesmo incrédulo, deu alguns passos adiante. – Como pode estar aqui?— O amor de um pai por seu filho é capaz de transcender qualquer barreira, até mesmo a morte. – Kuchiki Soujun olhava admirado para Byakuya. – Você se tornou um bom homem e um líder melhor do que eu teria sido para esse clã. É o meu orgulho...— Não entendo – ele estendeu a mão na direção do pai, mas era como se não conseguisse alcança-lo. – Por que está aqui?— Eu só queria que soubesse que estou muito feliz pelo rumo que a sua vida tomou e pelo herdeiro que está a caminho! E também, pedir para que cuide dessa criança e não deixe que seus deveres sejam mais importantes do ele... Seu filho. Ele um dia se tornará naturalmente um bom líder, mas, deixe-o fazer as próprias escolhas, Byakuya, e jamais imponha nada. Não cometa o mesmo erro que eu... Acabei negligenciando tudo o que era mais importante para mim e nem mesmo cuidei da minha saúde. Não dei ouvidos ao meu pai e quis me tornar um shinigami forte a todo o custo para provar algo que eu nunca precisei.— O senhor foi um bom pai, ainda guardo muitas lembranças de tudo o que vivi ao seu lado. Me ensinou a empunhar uma espada e a enfrentar meus medos... Me ensinou o que era o orgulho de um Kuchiki e...— Byakuya, meu filho – Soujun interrompeu e sorriu. – Meu maior erro foi ter ensinado você a empunhar uma espada e não o ter abraçado tanto quanto eu podia. Ensinei o que era o orgulho, mas não ensinei o que era amor, carinho e compreensão. E, infelizmente, a rigidez com a qual você foi criado, o impediu de ser apenas uma criança. O nome Kuchiki sempre pesou demais em suas costas e...— Não, meu pai... É uma culpa que o senhor não precisa carregar onde quer que esteja. Fique em paz.Byakuya deixou escapar uma lágrima, estava comovido com aquela aparição e convencido de que era real, pois aprendeu com aquele homem que tudo era possível e faria exatamente o que seu pai lhe pediu. Homenagearia também Kuchiki Ginrei, seu avô, ensinando ao seu filho tudo o que aprendera com ele. Tinha os melhores exemplos na família Kuchiki que eram homens de coração forte, estando seguro que tudo daria certo.— Seja feliz, meu filho... Estamos sempre ao seu lado.— Otou-sama...O taichou ergueu a mão, tentou tocar em seu pai, mas ele desapareceu após um lindo sorriso. Talvez aquela fosse a bênção que faltava para a sua vida.Aiko chegou cansada em casa, queria tomar um banho e dormir. A primeira coisa em que pensou em procura-lo no escritório e ao chegar lá, viu Byakuya debruçado sobre a mesa, dormia tranquilamente. Ela sorriu, sua vida estava tão perfeita e não queria que aquela calmaria acabasse. Vê-lo dormir era algo que a shinigami adorava, admirava o jeito tranquilo dele e sua beleza.“Devo ser a mulher mais sortuda da Soul Society” – pensou. Com cuidado, aproximou-se dele e o tocou delicadamente no ombro. – Amor, acorde, já está um pouco tarde.— Não percebi você chegando – ele disse com a voz rouca. – Mas...Byakuya olhou para todos os lados, não entendia como estava no escritório. Lembrava perfeitamente de ter ido até o quarto do bebê, principalmente de ter encontrado o pai. Não podia ter sido um sonho, era real demais para ele.— Você está bem? – Perguntou preocupada. – Parece tão agitado.— Não sei como explicar – ele levantou e a abraçou. – Vamos para o quarto, lá eu talvez consiga dizer o que aconteceu.Aiko ouvia o marido enquanto tomava banho, conhecia Byakuya bem demais para saber que ele não era um homem inclinado a sonhar daquela forma, entretanto, como explicar o que aconteceu?— Talvez seu pai tenha aparecido realmente em seu sonho, quem sabe foi a forma que ele encontrou para se comunicar com você, Byakuya – escolheu as palavras antes de falar, mas estava com medo da reação dele.
— Eu tenho certeza que estava naquele quarto, não foi um sonho! – Contestou Byakuya. – Devo ter voltado para o escritório e dormi, o cansaço mental pode ter desencadeado tudo isso. Mas, eu o vi, Aiko, era tão real quanto a vejo agora!— Acredito em você, querido. Fico feliz pelo que me contou – ela saiu do banho e começou a se enxugar. – Podemos amanhã rezar por ele e presenteá-lo, bem como os outros membros do nosso altar... Uma homenagem, que tal?— Acho maravilhoso! A propósito, tenho um pedido a fazer.— O que seria?— Quero que nosso filho tenha o nome do meu pai.— Como você tem tanta certeza de que será um menino? – Ela o abraçou.— É algo que vem de dentro do meu coração – Byakuya a abraçou forte.— Tudo bem, é um nome lindo.Naquela noite, Kuchiki Byakuya dormiu tranquilo, se antes estava cheio de dúvidas sobre como seria ter um filho, e principalmente, sobre o tipo de pai que seria, tudo havia se findado. Sentia-se pleno e tinha a certeza de que era o homem mais feliz da Soul Society também.
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