Sol a meia noite
1 Chapitre 1
Brisa. O sol invadiu minha pele é perdurou até os meus olhos que se abriam aos poucos. Eu sentia meu corpo doer em algumas partes e estava deitada sobre muitas folhagens úmidas, ouvia barulhos sutis de ventania e pequenos ruídos de pássaros a minha volta. Uma voz me chamava no fundo da floresta, tão suave que parecia cantar no fundo dos meus ouvidos. Aquela voz...tomava meu corpo eu simplesmente não conseguia sair dali, parecia que ele tinha deixado de ser meu. Eu sentia magia no ar, eu sentia poder sobre mim. Tudo parecia fluir de forma sobrenatural sobre aquele lugar, pelo menos era o que meus sentidos diziam sobre tudo aquilo. O medo começa a me dominar quando sinto a voz se aproximar de mim e eu vejo uma mulher. Seus traços delicados e únicos. Ela se aproxima cada vez mais deixando seus cabelos ruivos compridos e seus olhos azuis me encarando de forma intrigante. Até que a moça para e conduz seus olhos azuis impiedosos sobre os meus olhos cor cinza.
—Valerie Prada. Você está longe de sua origem e não pertence a esse lugar. Seu poder vai dominá-la aos poucos e você perderá o controle sobre sua mente. Ouça-me, o perigo vai assolar sua vida, eles vão encontrar você e limpar seus nomes com seu sangue. Não existe mais tempo.
—Valerie!Você vai se atrasar para a escola logo no primeiro dia de aula. E pior em uma nova escola.
Senti meus olhos arderem instantaneamente junto com meus ouvidos pelo fato de minha mãe ter me acordado me privando de ver a verdade sobre aquele sonho... era um sonho, mas parecia tão real. Me virei para minha mãe e suas feições mostravam uma certa interrogação para mim.
Eu estava atrasada. Ainda estava me acostumando com tudo na verdade. Morar em outro país não era bem o que eu estava imaginando depois das férias. Gostava tanto da minha antiga casa, meus amigos, minha vida. Não estava animada, mas tentei fazer pela minha mãe.
Acabamos de nos mudar para a Itália por conta do trabalho dela e devo muito a tudo que ela fez por mim. Meu pai foi embora logo que descobriu que ela estava grávida e a abandonou sem nada, tudo o que nós temos hoje foi graças ao esforço e suor de muitos anos. Não sei nada sobre meu pai além do seu nome, Alan Prada. E sinceramente não faço questão de saber há mais de anos, quando criança sempre tive curiosidade, mas sabia o quanto isso magoava a minha mãe. Por isso simplesmente aceitei a minha condição de viver sem um pai.
—filha você precisa se arrumar. Eu sei que é difícil para você abdicar de tudo no Brasil e me sinto mal por isso, mas eu não podia recusar essa oferta de emprego.
Sorri para ela, não queria que ela se sentisse mal. me levantei da cama rapidamente seguindo para o banheiro escovar meus dentes, enquanto isso ela arrumava meus travesseiros cantarolando uma música que eu não conhecia devia ser aquelas bem velhinhas que ela guardava no bolso.
No banheiro escuto um barulho de porta se fechar. Suspiro e meu entusiasmo sai espontaneamente do meu corpo. Tomei um banho rápido e quente tentando não ligar pelo fato de que a água aqui é bem diferente, tem gosto de terra, na verdade. Peguei uma calça cintura alta em um tom de jeans escuro, um moletom azul bebe bem claro e um tênis vans old skool, que foi o primeiro que vi na minha frente.
Quando eu era pequena minha mãe me deu um colar em forma de coração dourado e me fez prometer que nunca tiraria porque segundo ela aquele colar ia me proteger de muitas coisas ruins. E desde então nunca tiro ele faz parte de mim. Além de que combina com tudo.
Nos mudamos para um apartamento bastante grande, ele era bastante bonito e moderno bem diferente de antes que morávamos em uma casa muito grande porém mais tradicional o que faz mais o estilo da mãe já acompanhado da frase mais comum dela: "luxo na medida certa." By mom.
Sentia o cheiro de café expresso do meu quarto, sai apressada em caminho a cozinha. A mesa do café era enorme mas de manhã meu estômago não aceitava muita coisa então me mantive no croissant e no meu café expresso que por acaso e algo que normalmente as pessoas estranham em mim. Só tomo café sem açúcar e bem amargo, diferente da minha mãe que adora cappuccinos e macciatos.
Peguei meus fones de ouvido e sai acenando rápido porque percebi que quanto mais me atrasasse mais eu chamaria atenção que com certeza estava longe de ser minha vontade naquele momento. Uma coisa boa era que a escola ficava apenas três quarteirões do meu prédio por isso eu acabaria não me atrasando no final.
Eu estava assustada. Uma escola nova totalmente diferente, pelo menos eu sabia falar italiano então não sofreria tanto no final. O colégio era bem grande e as pessoas não tão estranhas assim afinal, quer dizer algumas não eram estranhas. Esse pensamento ficou na minha cabeça até o momento que eu passo pelo corredor em busca da minha sala, pelo menos era aula de química.
Vários olhos se voltavam sobre mim como se eu fosse uma extraterrestre ou algo do tipo. Por dentro eu estava péssima, mas por fora agia como se não estivesse acontecendo nada. Finalmente achei minha sala que já estava cheia afinal. Fui em busca de uma cadeira vazia no fundo me sentei e ouvia pessoas cochichando descaradamente na minha frente.
A professora entrou e todo mundo se calou de forma instantânea. Me assustei na hora quase cai da cadeira. Ela era igual a moça do sonho, mesmo cabelos ruivos e olhos azuis implacáveis e profundos. Ela olhou para mim e sorriu como se já soubesse o motivo.
—Vejamos. Temos uma aluna nova, isso é meio incomum aqui. Venha se apresentar querida. Eu sou a Sra. Hawley. Seja bem vinda a essa instituição, venha aqui na frente se apresentar para os seus colegas.
Andei bem devagar como se a qualquer momento o chão fosse cair, mas cada momento em que eu me aproximava da moça sentia algo muito estranho uma energia diferente invadia meu corpo e ela percebeu era como se a professora já tivesses conhecimento de tudo que estava acontecendo naquele momento.
—Ah. Eu me chamo Valerie Prada.
Eu não sabia mais o que falar então dei um sorriso desconsertado e me sentei. Fiquei encarando o nada fixamente enquanto lembrava do sonho e de o quando eu tinha uma sensação diferente em relação a tudo aquilo. Não podia ser uma mera coincidência, mas eu não estava nem perto de achar uma resposta para tudo aquilo. Não tinha achado nem o meu armário ainda quem dirá descobrir algo sobre um sonho incomum e uma senhora.
Algumas aulas se passaram e eu me mantive atenta em todas tentando esquecer qualquer coisa que quisesse dominar a minha mente naquele momento. No final da última aula até o intervalo meu único intuito era encontrar o meu armário. Assim que acabou aula peguei minha bolsa e sai da sala em passos rápidos sem olhar para os lados.
Andei por alguns corredores para ver se achava o maldito armário e nada. Perambulei mais um pouco até que percebi que teria que perguntar para alguém. Na hora eu só vi um armário aberto e fui em caminho a ele.
—Com licença. Eu me chamo Valerie e sou nova na escola. Você poderia me ajudar a encontrar o meu armário porque já andei por quase todos os corredores e não o encontrei.
Naquele momento eu parei um pouco. Um cara um pouco mais alto que eu talvez com 1,80 fechou o armário e olhou nos meus olhos. Sentia sua respiração leve e seu rosto calmo me avaliando. Ele tinha cabelos castanhos meio ondulados e olhos verdes muito profundos, seu porte atlético e seu estilo simples davam a entender que ele praticava algum esporte.
—Eu me chamo Noah. Já me falaram sobre você não é muito comum ter alunos novos aqui por isso você vai ser encarada por algum tempo.
Ele sorriu e pegou o papel da minha mão que tinha o número do armário. Virou para os dois lados e apontou para a esquerda. Pegou o cadeado no armário ao lado do dele analisando calmamente o papel e a fechadura. Abriu a porta devagar e me encarou rindo internamente. Que no caso tinha uma grande probabilidade de ser um riso sarcástico já que era visível a minha cara de sufoco após passar um tempo longo procurando a porcaria do armário.
—Aqui está. Espero que você não se perca mais, e agora eu sei a sua senha se eu fosse você trocaria algum dia. Agora eu tenho que ir. Vou um prazer conhece-la senhorita...?
—Prada. Valerie Prada. Muito obrigada por abrir o cadeado e não se preocupe que um dia eu mudo a senha.
Quando eu percebi ele já tinha ido embora, conseguia ver a sua jaqueta jeans aos poucos sumindo entre as tantas outras cores, roupas e pessoas no corredor. Guardei meus livros que já estavam me deixando com dor na coluna de tanto peso e tentei procurar coisas que me fizessem lembrar onde era o armário já que minha memória nunca foi das melhores.
Passei tanto tempo em busca do armário que quando me lembrei de comer o refeitório já estava lotado, mas como de costume eu sempre tinha algo na mochila, um doce normalmente. Assim que entrei no refeitório olhares e encaradas parecem fazer parte da minha rotina. Me sentei em uma mesa no canto que dava de encontro a uma porta de vidro que dava para o jardim. Assim que percebi do jardim sai do refeitório em busca de um banco em meio a grama e as árvores.
Como estávamos no outono, o tempo começava a esfriar aos poucos e as folhas de tom laranja e amarelo desciam dos galhos das árvores dando um aspecto tão bonito aquela paisagem. Peguei meus fones e meu caderninho com o intuito de fazer um esboço daquele lindo lugar o que eu considerava meio impossível tamanho a beleza que eu considerava naquilo. Até que senti uma respiração próxima a mim, e um toque leve no meu ombro.
Quando olho para cima me deparo com uma garota com um sorriso sutil e amigável para mim, ela era meio baixa mas muito bonita, seus olhos escuros e impactantes davam um contraste muito bonito com seu cabelo cor de mel curto e sua pele alva.
—Olá, eu vi você na minha sala hoje. Seu nome é Valerie se não me engano. Eu me chamo Madison, estudo aqui desde de sempre eu acho e imagino que deve ser ruim ser nova em uma escola onde isso não é comum e em um país diferente, mas o seu italiano é muito bom. De onde você veio?
—Oi, ainda estou me acostumando com tudo, é realmente bem diferente do que eu estou acostumada. Eu vim do Brasil, mas o meu pai era italiano por isso eu sei falar bem o idioma.
Ela parou um pouco e começou a admirar a paisagem em volta onde algumas pessoas conversavam. Baixei minha cabeça por um momento para observar meus rascunhos e ouço leves sorrisos, quando me viro vejo o cara que me ajudou no armário do lado da Madison eles riam do nada e ficavam se provocando de maneira infantil.
—Encontrei com ela mais cedo. Meu nome é Noah caso você tenha esquecido. E vejo que conheceu essa pé no saco aqui, ela é minha irmã gêmea mas eu sou aparentemente muito mais bonito que ela.
Madison agiu como se estivesse fuzilando seu irmão pelos olhos. Eu apenas sorri daquela situação já que na minha cabeça não veio mais nada de momentâneo. Eles começaram a tentar decifrar o motivo da minha reação e se sentaram um de cada lado me deixando no centro.
—Nos conte mais sobre você Valerie não sabemos nem o seu sobrenome, nem nada.-Falou Madison esperando ansiosa pelo momento em que as palavras começassem a sair da minha boca.
-Prada, esse é meu sobrenome. Não sei muito o que falar sobre mim, acho que isso vai vir com o tempo e que vocês estiverem comigo. O que eu tenho para contar por enquanto é que eu vim morar aqui por conta do trabalho da minha mãe, já que meu pai morreu há um bom tempo em não tive outra escolha se não abandonar tudo o que agora está no meu passado.
O sinal tocou e sai rapidamente apenas acenando e com um leve sorriso não tornei a me virar, entrei na sala e não tinha quase ninguém peguei o meu caderno com o intuito de ver o esboço, e quando o abro vejo um telefone em meio as folhas. Como aquilo é possível? Madison e Noah Gray e os números apontados por setas. Fechei o caderno para me concentrar na aula que estava por vir ainda tentando entender como aquilo tinha acontecido já que não larguei meu caderno em nenhum momento do dia.
No fim da aula, o tempo estava chuvoso e eu não tinha trazido guarda-chuva. O que já era de se esperar porque eu nunca fui do tipo cuidadosa e organizada. O seu estava repleto de vários tons cinza e as pessoas saiam em busca de seus carros para suas casas. Fiquei por algum momento na porta da escola analisando o céu, vendo os lindos tons de cinza se chocando. Cinza sempre foi a minha cor favorita pelo simples fato que de ela é a junção de preto(ausência de cor) e branco( união de todas as cores). Entre os sons de vozes e motores uma buzina corta meus pensamentos.
—Valerie, vem pra cá nós te damos carona. -Madison alegre desde o momento em que eu a conheci, acenava pra mim brutalmente e não se importando me maneira nenhuma com o que os outros imaginavam dela.
Me aproximei do carro e tomei o banco de trás enquanto a Madison fazia gestos para que eu me apressasse. Os pingos de chuva molharam meu cabelo e a minha roupa de deixando com varias pintinhas na calça e no moletom. Meus cabelos ruivos tomavam uma tonalidade mais escura em todo o comprimento enquanto isso, Madison ficou ficionada pelo meu colar.
—Eu posso ver o seu colar?- Ela me olhou enclinando a cabeça em forma de interrogação.
—Me desculpa mas eu não posso tirar esse colar fiz uma promessa a muitos anos, mas pode tocar se quiser.
Sempre me sentia mal pelo fato de dizer que não podia tirar o colar mas ela pareceu não ligar sentando normalmente. Depois de eu dizer minha localização para eles, e que eu não sabia direito para falar a verdade me despedi com um tchau e um obrigada curtos.
Entrei em casa correndo para evitar que a chuva invadisse ainda mais o meu corpo. Logo que bati a porta dei de cara com os olhos da minha mãe sobre mim, e um questionário imediato dela sobre quem eram aquelas pessoas, seus nomes, de onde elas vieram.
Depois de contar tudo minha mãe deu um suspiro de alívio, tentando não notar minha cara de estranheza já que ela nunca tinha feito aquilo antes. Ela olhou no fundo dos meus olhos e tocou meus ombros respirando calmamente.
—Valerie, precisamos falar sobre o seu pai. Temo que algo possa acontecer se você não souber a verdade sobre tudo o que aconteceu.
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