Sol

1 o meu coração é o sol, pai de toda cor


Notas iniciais
BONI
DON'T
READ
THIS
FIC
(o resto pode continuar normalmente)
(avisos de que isso aqui é mais poesia que prosa)
(e tem tanto açúcar que vai te dar diabete)
(I dunno what I'm doing)

Rodrigo tinha muito apreço por sua barba.

Fora algo que adquirira na adolescência, fruto da perda de uma aposta, acaso favorável. Tinha lhe amadurecido o rosto e era algo de que conseguia cuidar com facilidade. Gostava mais dela ainda quando começou a apará-la com cuidado, valorizando ainda mais seu rosto.

Agora, a sensação da pele do seu queixo parecia algo extraterrestre. Estava acostumado com a massa de cachos escuros e não com a pele lisa. Mal se lembrava de como ele era ligeiramente pontudo no final.

Estava acariciando o lugar com receio, praticamente mapeando novamente o caminho de seus ossos, quando sentiu uma mão lhe puxar o cotovelo.

― Bem melhor! ― exclamou seu namorado, Arthur, olhos dourados brilhando contra a luz do espelho no banheiro. Rodrigo, sendo o pintor que era, não podia deixar de olhar aquilo e imaginar que cor exatamente usaria para representá-los. Algo perto de Ouro do Egito? Ou seria mais Girassol? Talvez Mel, já que era tão doce e denso quanto ele?

Rodrigo inclinou-se um pouquinho mais, desviando os olhos para sua garganta. Sempre estivera tão magro assim?

― Como está se sentindo sem a barba? ― Arthur perguntou, animado. Falava disso com o namorado praticamente desde o começo, sem nunca nem ser ouvido. Finalmente, tinha conseguido o que queria.

― Algo como um leão sem sua juba ― Rodrigo resmungou, não se conformando com a fragilidade que seu rosto mostrava agora.

Seu orgulho estava praticamente ferido. Onde estava a imagem de fortão que gostava de passar? Sem a barba, parecia ter dezenove de novo; parecia inocente, ingênuo e fraco.

― Se você se arrepender, pode sempre deixar crescer de novo. ― A mão que subiu pelo seu braço estava longe de inocente, mas Arthur também estava longe de sê-lo. Afastou-se da pia para deixá-lo deslizar para a sua frente. Ele acariciou a pele com curiosidade. ― Você tá com cara de inocente, sabia? Puro.

Por isso que eu uso barba. ­― A camiseta de Arthur foi casualmente descartada, direto para o cesto em um arremesso perfeito a que não tinha prestado atenção. Ele era tão magro, mas tão magro, que parecia mais feito de pele se esticando sobre tendões e ossos que de músculos. Os ossos de seu quadril roçaram contra a sua barriga.

― Acho engraçado ― brincou, as pontas dos dedos dedilhando a cordilheira de ossos que formava a sua coluna vertebral. ― Principalmente com tudo que já fizemos

Rodrigo não chegou a responder, mas acreditou que seu revirar de olhos tinha sido o suficiente, pois a próxima coisa de que sabia era que o peito contra o seu tremia com risada e um par de lábios se prensava contra os seus gentilmente.

Era em momentos como este que o mundo parecia explodir em cor de trás de suas pálpebras. Tons ricos como rubra, púrpura e âmbar se entremeando em sua mente e criando uma pintura abstrata de amor, luxúria e felicidade.

Talvez ele pudesse conviver com a falta de barba se fosse assim que seria recompensado.

Talvez.

Notas finais
*morre*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!