Sol

1 Simebol.


Notas iniciais
HEY, YA! É um prazer escrever algo inteiro. /apanha
EU TENHO QUE ATUALIZAR SNOW, EU SEI! Mas é difícil criar teses com fundamentos, sabiam?!
Enfim, essa é uma coisinha linda que acabei de criar enquanto tinha um bloqueio com cifras de músicas que estava escrevendo e tive a ideia. BOOM, PÁ!
Eu espero que goste e boa leitura!

Entre suas notas mais frias e gélidas, ela era a única que resolveu tocá-lo com tanta paixão e voracidade.

Maka Albarn entrou em sua vida sem se dar a questão do quanto era frio e gélido. Ela somente invadiu-o e iluminou áreas e pontos que nem ele sabia que poderiam ser salvas.

Ela iluminou bem mais do que ele queria.

Ela se dava conta do quanto brilhava em meio à toda aquelas tempestades que tornavam Death City um poço de escuridão? Ela sabia o quanto a sintonia dela, depois de uma ressonância de alma, o deixava grogue? Ela tinha a noção do quanto ele se sentia melhor quando chovia e ela pedia para segurarem as mãos enquanto dormiam?

Ela sabia que ele a protegeria. Ele deixou isso bem mais que claro. Mas era realmente necessário que fosse recíproco? Soul Evans realmente aceitaria ver Maka Albarn morrer por ele?

Não. Isso seria pior que morrer.

E agora, Maka Albarn estava ali, com as pernas em cima das suas enquanto lia algo totalmente fora de questão para uma noite de sábado. As madeixas claras da franja presas em algo que parecia com um coque antes de quase escorrerem do laço que tentava as prender estavam incomodando claramente a sua artesã. Maka percebeu o olhar de tonto do parceiro e suspirou irritada.

— Estão no meu olho. Eu preciso cortar, mas sempre esqueço de comprar a tesoura certa.

— Hm. — foi a única coisa com nexo que conseguiu sair.

Ela voltou a ler. O silêncio voltou a inundá-los da forma mais confortável possível.

Ela podia sentir sua alma. Ele podia sentir sua respiração na sala. Ela podia ouvir a energia das emoções de calma e tranquilidade fluir da alma dele. Ele podia sentir a pele dela quente contra suas mãos gélidas. Ele podia não só sentir os fios de cabelo dela balançando pela brisa do ventilador e batendo contra seu rosto, mas o perfume de seu shampoo que resolvia inundar sua mente com a calma e tranquilidade que ela passava.

— Soul?

— Hm?

— Se fosse me descrever com uma sinfonia, quais notas seriam?

Que pergunta absurda, Maka Albarn. Pessoas não são descritas por notas. Muito menos por músicas.

Mas não é como se ele já não tivesse a tocado milhares de vezes em um piano. Maka Albarn era a melhor e mais linda partitura que já havia criado, transformado e alimentado com tantos sentimentos frustrados e afogados dentro do quarto negro. Mas isso não era uma coisa que ela precisava saber.

Até agora.

— Não saio por aí transformando pessoas em músicas, Maka.

A vontade de contar parecia estar formigando.

— Mas Soul, você escreveu uma música para o aniversário do Kid!

E escreveu milhares sobre você. Para você.

— Mas era um presente e eu não tinha nada simétrico pra dar pra ele.

Era só uma música sobre chuva, Maka.

— Você nunca me deu nada além de livros péssimos e ovadas.

Ele não tentaria livros de amor.

— Larga do meu pé! Foi só um presente!

Ela bufou e voltou seus olhos para as letras impressas no livro. Ele deu graças ao Shinigami no céu. O silêncio voltou a passear tranquilamente entre eles, por mais que Soul se sentisse estranho por esconder uma coisa que provavelmente Maka lia em sua alma. Ele sentia que ela lia.

— Soul?

De novo?

— Você tem sentimentos pelo Kid?

Mas... ãh?

— Ãh?

Ela abaixou o livro entre as pernas e passou uma madeixa do cabelo atrás da orelha. — Eu estava lendo alguns artigos sobre música e as vezes, os sentimentos dos seus artistas são impressos na música. Você fez uma melodia pro Kid, ele tocou para a Liz, Tsubaki-chan e eu ouvirmos enquanto estudávamos na casa dele semana passada e ela era muito, muito calma e gostosa de se ouvir. Pensei que poderia ter sentimentos por ele já que foi uma cifra tão linda.

Ele não sabia se sentia insultado ou chocado. Ela era sua parceira. Aquela melodia era apenas qualquer uma. Que tipo de mente doentia pensaria algo assim?

— Ah Soul, vamos... Eu não tenho nada contra caso você seja gay. Acho que o Kid também não.

— Maka, cala a boca.

— Você é?

Ele se levantou frustrado e seguiu para o quarto, deixando uma Maka constrangida sentada na sala. Talvez ela tivesse passado algum limite. Mas eles eram parceiros, ela merecia saber, certo? E mesmo que machucasse vê-lo com um de seus amigos, era melhor que vê-lo sofrendo por amor calado. Certo? Não. Doeria de qualquer jeito. O amor não era dela. Agora ela só tinha terminado de deixá-lo ainda mais deprimido e distante do que ele costumava ser. Parabéns, otária.

Sentiu o silêncio indicar o quanto ela estava sozinha na sala agora. Pensou em ir falar com ele, mas tinha medo de aprofundar o assunto e receber a notícia verdadeira sobre tudo. Lidar com a realidade seria muito mais dolorido do que fingir que ela não existia.

Soul Eater adentrou a sala depois de alguns minutos com uma pasta cheia de papéis rabiscados e derrubou tudo em sua artesã, a deixando ainda pior. Pegou algumas folhas e olhou as linhas de caderno de música. Eram milhares de notas, dezenas de folhas. Eram tudo do Kid?

— São suas.

Ela o olhou.

— Eu escrevo de vez em quando e guardo.

A respiração dela cessou aos poucos.

— Quando me ouve tocar de madrugada quando fica na cozinha estudando, é porque preciso escrever sobre você.

Ele precisava escrever sobre ela.

— E os... sentimentos nas músicas? Você também tem? — a voz dela estava inundada na própria excitação e incredulidade.

— Por que acha que escrevo sobre você?

Ela não queria crer. Sentia que ele estava irritado por dentro, mas a calma que ele parecia ter falando aquilo era inacreditável.

E então ele o fez.

Ela nunca o leu tão rápido quanto aquele momento. Ela nunca havia sentido tanto quanto ali. Sentiu todas as lutas, esperanças, dores, frustrações dele. Cada mínimo pedaço da alma dele. Mas ela também sentiu o tamanho carinho e amor que parecia ter invadido ela tão rápido quanto se foi.

Foi apenas o tocar dos lábios que o fez sumir com todas as suas frustrações, dores e sentimentos afogados em músicas.

— Você pode tocar para mim? — a voz dela ainda estava falha.

Ele sorriu o sorriso mais lindo que ela já vira.

Ele se sentiu tão leve quanto ela.

— Cada uma que quiser ouvir.

Ela sorriu o sorriso mais lindo que ele já a viu dar.

— Quero ouvir todas.

Ele riu e segurou sua mão, puxando-a para o canto da sala, junto do piano. Ficariam ali por horas, embargados em cada sintonia que os dedos ágeis afundavam. Ficariam por horas a fim, até decidirem finalmente como escreveriam a nova canção.

Notas finais
OIOIOIOIOI ♥ Como tá calor, cara. Não guento mais isso. Mas enfim, obrigada por ler, de verdade. Essa é a shot mais fofa e tão bem fluida que já escrevi e espero que tenha ficado boa. Gostei muito. Fiquem com esse mini beijo e um queijo amores. Reviews sempre serão muito bem vindos e nos vemos numa próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!