Soho Dolls
46 Epílogo
Notas iniciais
Fiquei muitissimo feliz por eu ter chegado e ultrapassado as 65 recomendaçõs, nunca pensei que vocês fossem gostar tanto da historia e fiquei muito feliz com o resultado. Quero agradecer de coração a Karry Anne, a Mayara e a Lady Somerhalder pelas recomendações, eu amei demais meninas, muito obrgada mesmo s2 ps; leiam escutando impossible - shontelle ( https://www.youtube.com/watch?v=NWdrO4BoCu8 )
Era incrível como eu quase não sentia nada... Digo, sentia, mas ao mesmo tempo conseguia não sentir... Parecia que a dor tinha se tornado tão grande que chegara a me anestesiar, parecia que meu peito estava entorpecido com tudo o que acontecera e para o meu grande alivio, eu quase não sentia nada. Quase. Eu me recusava a sentir porque sabia que se me deixasse sentir, mesmo que por um segundo, tudo iria ser muito pior e aquela avalanche de sentimentos iriam vir a tona, então era melhor eu tentar me fazer acreditar que não sentia nada ou quase nada para evitar mais sofrimento.
Eu já não chorava mais, não tinha mais lágrimas para chorar e nem fôlego para elas. Em meu peito só tinha um enorme buraco que fora deixado por todas as pessoas que eu amava e que eu perdi; meus pais, meus bebês, Damon... Nada mais fazia sentido, não era mais viver e sim sobreviver... Sobreviver, era isso que eu iria fazer, até porque eu só havia reaprendido a viver de verdade quando um par de olhos azuis cruzaram minha vida, mas agora eles se foram e mais uma vez eu me via quase que sem vida. Não conseguia dizer como exatamente eu estava, parecia que eu estava em “off”, desligada, era como se eu esperasse acordar ou voltar a realidade e ver que meu bebê continuava seguro em meu ventre ou que eu ainda estava nos braços de Damon, era como se eu esperasse alguém aparecer e falar que tudo o que acontecera era apenas um teste para ver se eu era forte de verdade ou quanto de sofrimento eu aguentava, mas infelizmente, isso não iria acontecer e eu tinha que encarar a minha realidade.
A única coisa que eu sabia era que deveria ser forte, que iria ser forte como sempre fui desde quando meus pais morreram, não iria falhar, não depois de tudo o que havia passado, não depois de tempos em que a única coisa que possuía era a força. Eu tinha que erguer a cabeça, seguir em frente, não iria cair por mais uma decepção mesmo que tivesse sido uma enorme decepção. Eu tinha que ser forte, tinha que superar, mas não iria ser naquela noite, talvez no dia seguinte ou na semana seguinte, por enquanto eu tinha que encontrar mais uma válvula de escape, mais um motivo para seguir em frente.
Era tão ridículo e patético pensar que um homem havia me ensinado a viver, mas por mais que isso soasse mesquinho era a pura verdade. Depois que eu conhecera Damon tudo começou a fazer mais sentido, a ter mais valor, ele havia me ensinado o que era amar e me mostrado um novo mundo que nunca pensei conhecer dentro da prostituição, Damon, definitivamente, havia me salvado e me mostrado novos horizontes, ele havia ressuscitado aquela Elena que havia morrido há sete anos e que estava enterrada no cemitério principal junto com seus pais e isso era o que eu mais era grata a ele. Mas com a mesma facilidade que Damon me dera a felicidade, ele a tirou de mim... Isso era tão injusto porque até o meu pedacinho de Damon, até meu mini Damon, havia sido retirado de mim e nada daquele homem me restara para que eu pudesse amar ou provar que tinha sido real.
Ah meu bebê, se eu ao menos tivesse meu pequenino naquele momento as coisas estariam bem melhores, mas até a única coisa que eu tinha de Damon fora tirada de mim, a coisa mais preciosa que uma mulher pode ter e que um homem pode dar a ela... Se o aborto estava sendo difícil de superar mesmo ao lado de Damon, agora longe dele iria ser muito pior e sinceramente, eu não tinha esperanças de que iria conseguir superar a perda daquele bebê. Para mim, meus bebês seriam as feridas que nunca iriam sarar, mesmo que passasse muito tempo.
Suspirei fundo e tomei o ultimo gole de café de minha caneca, o sol já havia nascido e eu não tinha conseguido dormir a noite inteira, Marcos havia improvisado uma cama para mim na sala e eu fiquei sentada no colchão na companhia de meu amigo, de frente a grande sacada da sala do apartamento, olhando para a rua com um olhar extremamente vago enquanto ele adormecera ao meu lado enquanto afagava minhas costas para tentar me reconfortar. O relógio da sala marcava oito da manhã e eu me perguntava como que o tempo havia passado tão rápido sem que eu percebesse. Eu ainda estava fora da realidade, minha cabeça parecia estar oca mas isso era devido as lagrimas e a noite em claro, precisava me situar e começar a dar um jeito em minha vida, aquele seria um longo sábado e quanto antes eu começasse a fazer o que precisava ser feito, melhor seria. Levantei-me do colchão e segui para a cozinha que era separada por um balcão no estilo americano e Marcos se mexeu ao meu lado, acordando lentamente.
- Bom dia flor do dia! – meu amigo se espreguiçou e sorriu para mim.
- Bom dia! – forcei ao máximo um sorriso e minha voz.
- O que faz acordada tão cedo?
- Hmm acho que a pergunta certa seria; o que ainda faz acordada tão tarde... – soltei um riso baixinho sem graça e me servi com mais café.
- Você não dormiu, né? – neguei tomando o primeiro gole do café ainda amargo – E pela quantidade de cafeína que está tomando não pretende dormir nas próximas quarenta e oito horas também – Marcos se levantou do colchão me olhando um tanto preocupado e veio até mim.
- Não posso dormir Marquinhos, preciso pegar minhas coisas na casa dele e procurar um lugar para morar.
- Como assim procurar um lugar para morar?
- Talvez porque eu não tenha nenhum... – disse com um tom de obviedade.
- Está brincando né Elena?
- Claro que não Marcos e se você pensa que eu vou voltar para Soho Dolls está muito enganado...
- Não, não é esse o meu ponto, pensei que você fosse ficar comigo.
- Claro que não Marcos, não quero incomodar e eu preciso do meu canto.
- Elena isso não tem nada a ver, eu quero que você fique comigo, olha o tamanho desse apartamento para mim, eu fico aqui sozinho o dia inteiro e você também vai ficar onde ira morar então porque não unimos o útil ao agradável?
- Marcos, a ideia é ótima e muito tentadora, mas eu realmente não quero te incomodar.
- Elena, será um prazer te ter aqui comigo, por favor, eu insisto... – Marcos chegou ao meu lado e pegou minha mão me fazendo olhar dentro de seus olhos. Tinha que admitir que seria uma ótima ideia morar com meu melhor amigo, mas eu precisava de um lugar meu – Elena, por favor, por alguns meses pelo menos, isso vai ser ótimo para você e sem falar que não vai precisar se incomodar com aluguel, por favor Lena, que tipo de amigo eu seria se te deixasse desamparada em uma situação complicada como essa? Você precisa do meu apoio, da minha companhia e eu ia amar ter minha melhor amiga como colega de quarto.
- Esse eu sentimentalismo quando eu estou sensível é jogo baixo, que chantagem barata Marcos... – disse baixinho tentando sorrir – Mas eu aceito, pelo menos pelos primeiros meses até eu conseguir encontrar algum lugar... – Marcos sorriu abertamente e então me puxou para si em um abraço forte – Obrigada Marcos, você é meu anjo...
- Eu sei querida, eu sei, também te amo! – ele me deu um beijo na bochecha e então nos separou para pegar uma caneca no armário – O que acha de você tomar um banho, arrumar essa cara porque misericórdia você está horrível e irmos pegar suas coisas na casa do Doutor? Depois podemos passar um dia legal juntos para eu tentar tirar essa fossa de você porque não aguento te ver nessa situação, Leninha.
- Nossa muito obrigada, estou bem melhor com essa historia do horrível e da fossa... – disse fingindo estar magoada – Mas concordo com a sua ideia, vou tomar banho e já saímos ok?
- Vai lá e fica mais linda do que já é, se quiser pegar um shorts e uma camiseta no meu armário fique a vontade.
- Ok, volto em breve, meu celular está no balcão, se tocar pode antender... – eu deixei minha caneca na pia e então segui para o quarto de Marcos. Para minha sorte, meu amigo usava roupas usava shorts justos que com apenas um cinto ficava do meu tamanho então podia pegar tranquilamente suas roupas emprestadas.
Fiz o que ele havia me dito e então segui para o banheiro, onde tirei o camisetão que havia pegado emprestado dele para “dormir” e entrei debaixo do chuveiro para tomar um banho quente.
“I remember years ago, someone told me I should take caution when it comes to love, I did. And you were strong and I was not, my illusion, my mistake, I was careless I forgot, I did…”
Lembrava-me claramente de Caroline sofrendo por Klaus quando ainda estávamos no bordel, mas nunca pensei que fosse passar pelo mesmo. Depois de todos seus avisos e alertas, depois de todas as decepções que a vi passar eu julgava estar “vacinada” para essa historia de amar, mas quando me dei conta, estava tão iludida quanto minha amiga. Confesso que sempre quis me apaixonar, que sempre quis encontrar um homem que fizesse eu me sentir como Caroline se sentia quando estava com Klaus, mas assim que encontrei o cara que fazia meu coração acelerar descompensado e que deixava meu estomago inquieto, lutei com unhas e dentes contra aquele sentimento mas quando percebi, eu já o amava com todas as minhas forças e não tinha outra escolha a não ser me entregar, o que obviamente foi o pior caminho.
Digo, não foi o pior caminho, não me arrependo de ter me entregado de corpo e alma a Damon, assim como não me arrependia do que havia dito a ele ontem sobre ter entrado na prostituição, senão fosse por Soho Dolls eu nunca teria o conhecido e apesar da grande decepção que ele me causara, Damon foi algo extremamente bom em minha vida. O único problema era que tudo era muito novo para mim então facilmente cometi o grande erro de me iludir...
“And now, when all is done, there’s nothing to say, you have gone and so effortlessly, you have won you can go ahead tell them, tell them all I know now, shout it from the roof tops, write it on the sky line, all we had is gone now. Tell them I was happy and my heart is broken, all my scars are open, tell them what I hope would be impossible”
Mas como eu havia dito, com a mesma facilidade que Damon me deu a alegria, ele a tirou e sem medir esforços, ele foi embora. Provavelmente Annabelle e Emily, especialmente Annabelle, estariam felizes por terem “se livrado” de mim, provavelmente Damon iria chegar em casa e ligar para sua irmã para falar que tudo entre nós havia acabado e que não tinha mais uma Elena no meio do caminho. Na verdade, doía pensar assim, eu estava tão feliz, tão realizada, e agora toda aquela felicidade havia se acabado... Tudo o que eu havia desejado e planejado seria impossível de ser realizado.
Mas eu iria esquecê-lo, iria passar por cima e provaria não só para Damon mas para mim mesma, por mais difícil que fosse, que eu era forte e não seria um homem que iria me derrubar. Apesar de arrasada e magoada, eu ia dar a volta por cima, já havia passado por coisas muito piores em minha vida e não seria ele, quem havia me feito forte e me reerguera, que iria me derrubar.
Tomei um longo banho, me vesti lentamente e sequei meus cabelos com secador. Toda aquela disposição pareceu ter se esvaído e a exaustão tomou conta de seu lugar, meu corpo havia relaxado com a água quente do chuveiro e o café não estava fazendo o efeito esperado... Meu corpo implorava para que eu descansasse mas meu interior me alertava dos infelizes pesadelos e pensamentos que obviamente iriam me incomodar até que eu pegasse no sono e quando acabasse adormecendo. Não, não, eu tinha coisas mais importantes para fazer do que dormir e uma delas era criar coragem para ir até a casa de Damon pegar minhas coisas.
Olhei-me a ultima vez no espelho e, definitivamente, Marcos tinha razão, eu estava horrível... Meus olhos estavam inchados e abaixo deles tinha olheiras fundas devido as lágrimas e a noite não dormida, eu estava parecendo um zumbi, mas não tinha muito o que fazer para mudar minha aparência, então me dei por vencida e sai do banheiro. Marquinhos estava sentado ao sofá e ao lado dele tinha algumas malas extremamente familiares...
- Não me diga que Damon fez a gentileza de trazer minhas coisas até aqui... – disse baixinho com a voz tremula devido ás lágrimas que ameaçavam querer cair, Marcos acenou a cabeça positivamente e eu revirei os olhos, rindo de desgosto – Como ele me achou aqui?
“And now, when all is gone and there is nothing to say and if you done with embarrassing me, on your own you can go ahead tell them, tell them all I know, shout it from the roof tops, write it on the sky line, all we had is gone now. Tell them I was happy and my heart is broken, all my scars are open, tell them what I hope would be impossible”
- Enquanto você estava no banho ele ligou no seu celular e eu atendi, como você me disse, então ele me pediu o endereço e cinco minutos depois as malas estavam aqui... – ele disse com os ombros encolhidos sentindo-se um tanto culpado pelo acontecido.
- Ótimo, assim não precisarei ir até lá... – suspirei fundo secando rapidamente uma lágrima que escorria pelo canto de meu olho. Fui até minhas malas e encontrei um papelzinho amarelo, preso ao puxador, peguei o mesmo e escrito com letras cursivas com tinta de uma caneta preta que estava um tanto borrada, estavam três palavras que fizeram minhas lágrimas voltarem a cair lentamente.
“Sinto muito, Elena”
- Adeus, Doutor...
“I remember years ago someone told me I should take caution when it comes to love, I did...”
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