Soho Dolls
9 Capítulo 8 - I’m addicted to you
Notas iniciais
Damon Salvatore Narrando
Deixei o dinheiro dela em cima do criado mudo e então sai do quarto. Andei apressadamente pela boate querendo sair daquele lugar o mais rápido possível. Estava atordoado, confuso, aquele lugar estava me deixando sufocado. Aquilo era errado muito errado... Ela era errada, mas ao mesmo tempo tão certa...
Elena era uma droga, sim isso mesmo, uma droga. E eu era um usuário, um viciado. Ela tinha todos os efeitos de uma droga, entorpecências, alucinações, o prazer, a culpa e claro, as crises de abstinência.
Ao mesmo tempo em que eu adorava tudo o que ela me causava e do que seu corpo podia me proporcionar, a culpa sempre me abatia depois. Eu estava “traindo” Katherine, estava deixando de ficar com a minha filha para ir a um bordel transar com uma prostituta. Aquele não era o Damon que eu conhecia... E isso me irritava, ela me fazia perder o meu autocontrole.
Dirigi rápido, liguei o rádio com o volume alto e deixei as janelas abertas. Deixei que o vento batesse em meu rosto em uma vã tentativa de acalmar meu corpo depois da noite que passara com Elena, tentei com a música apagar os resquícios de Elena e os flashes que surgiam em minha mente de algumas horas atrás, mas nem as batidas fortes do rock e nem o vento frio conseguiam me desconectar disso...
Eu não queria deixa-la, queria passar aquela noite com ela... Queria passar a madrugada inteira dentro dela, explorando seu corpo e aproveitando de todo o prazer que ela me favorecia. Mas não podia, não podia me render aos encantos, não mais do que eu já estava me rendendo.
Cheguei em casa e ao entrar pela porta da sala encontro Anna sentada no sofá assistindo televisão no escuro. Ela tinha saído com Emily naquela noite, elas tinham ido fazer compras, coisas de mulheres... Era ótimo que Emms tivesse atenção e companhia de uma mulher, ela estava em uma fase complicada, entrando na adolescência, e eu não tinha como apoia-la com isso porque além de não ter tempo para ficar com ela, não fazia a mínima ideia de como isso funcionava com as meninas e Emily não tinha sua mãe para ajuda-la. E era ótimo também que Anna tivesse uma distração, ela ainda estava muito abatida devido ao termino do namoro e precisava de alguém que não a fizesse pensar em Jeremy...
Annabels estava encolhida no sofá, as luzes estavam todas desligadas e se não fosse pela televisão ligada o cômodo estaria completamente escuro, seu olhar era vago e com certeza não fazia ideia do que assistia apesar de seu olhar estar fixo na tela. Olhei no grande relógio na parede da sala e os ponteiros marcavam uma e meia, era um tanto tarte para ela estar acordada...
- O que faz acordada tão tarde? – Deixei as chaves de casa, do carro e minha carteira em cima de uma mesinha de vidro.
- Demorou ein... – Virou a cabeça para me olhar ignorando minha pergunta.
- Estava me esperando?
- Não... Só não consigo dormir. – Deu de ombros. – E você senhor Salvatore?
- Estava por ai. – Suspirei. – O que aconteceu? – Cheguei perto dela.
- Jeremy me ligou, bêbado, implorando para que eu voltasse para ele e que se sentia muito minha falta. – Suspirou magoada.
- E você...
- Desliguei, falei que era para ele me esquecer, que nunca mais iriamos voltar!
- Não tem nenhuma chance de você perdoa-lo? – Jeremy e Anna lembravam-me muito eu e Katherine quando tínhamos a idade deles, vinte e três anos. Conseguia ver que eles que eles se amavam, o brilho nos olhos, o carisma, a cumplicidade...
- Damon, eu perdoaria qualquer coisa, menos uma traição. – A diferença era que ultimamente eles estavam brigando demais... Anna se queixava de que Jeremy havia mudado com ela mas não entendia o porquê, até o dia em que ela e mais umas amigas saíram para dançar e o encontraram com outra, desde então o mundo de minha irmã havia desmoronado.
- Vocês já conversaram sobre isso, pelo menos?
- Não e nem pretendo, nada que ele fale vai me fazer perdoa-lo. – Fez que não com a cabeça.
- Ok, tudo bem. – Me rendi.
- Aliás, onde você estava? Saiu todo misterioso, arrumado e agora chega há essa hora em casa... Suspeito ein.
- Sai com Alaric, só isso. – Dei de ombros tentando mostrar descaso. – E por sinal, estou exausto, vou dormir! – Me aproximei dela e beijei sua testa.
- Ew Damon, você está fedendo a sexo e a perfume feminino barato. – Fez cara de nojo.
- O que? – Franzi o cenho preocupado cheirando minha roupa e tentando fazer o mesmo com a minha pele, mas não tinha nenhum cheiro diferente, só meu perfume que estava já gasto misturado com o cheiro de Elena, que não era tão perceptível assim.
- Na verdade eu estava brincando... – Sorriu divertido. – Joguei verde e colhi maduro. – Deu de ombros. – Com quem passou a noite, Salvatore?
- Annabelle! – A repreendi nervoso.
- Seja lá quem for, fez um grande estrago em seu pescoço... – Se levantou e pegou meu queixo, virando meu rosto para deixar uma parte de meu pescoço exposta. Me virei de costas para ela, ficando de frente a um espelho na parede da sala para examinar meu pescoço. A região estava bem vermelha e sem duvida alguma, no dia seguinte estaria um baita roxo.
- Merda. – Sibilei. Elena tinha deixado uma “bela” marca em mim essa noite...
- E ai, quem é ela? – Revirei os olhos e Anna viu pelo reflexo. – Desde quando mantemos segredos um do outro? – “Desde quando a mulher que fez essa marca grotesca em minha pele é uma prostituta...” Pensei.
- O nome dela é Elena e nós estamos apenas nos conhecendo, não tem nada sério rolando. – Annabel soltou uma gargalhada alta e me olhou divertida.
- Estou vendo, nada sério rolando... – Riu mais alto. – Damon, você está com uma cara de quem passou a noite fazendo sexo, seu pescoço está parecendo que foi atacado por vampiros e você me fala que nada sério está acontecendo e que vocês só estão se conhecendo?
- Mas é verdade, Anna! – Relutei.
- Traga ela para nós conhecermos, Damon. – Falou convicta. Minha irmã não estava em seu juízo perfeito, acho que o termino do namoro a afetou e agora ela estava carente e louca. Sem chances de apresentar Elena para minha família. Emily nunca aceitou bem minhas namoradas ou as mulheres que eu me relacionava e não iria ser agora e com Elena que ela mudaria, sem falar que eu não saberia como apresenta-la... “Então gente, essa é Elena, ela é minha prostituta, espero que gostem dela...” Ironizei.
- Sem chances, Annabelle. – Falei convicto.
- Damon, por favor, quero conhecê-la... – Insistiu.
- Anna, eu também quero conhecê-la, por enquanto sabemos pouca coisa um do outro, ainda não é a hora de apresenta-la a vocês. – Relutei.
- Eu acho errado vocês estarem transando sem ao menos se conhecerem direito, mas você quem sabe... – Suspirou derrotada. – Eu consigo ver que ela mexe com você, Damon, nunca te vi tão pensativo como você está ultimamente... Até Emily notou, uma criança de doze anos. – Eu escutava tudo com a sobrancelha franzida. Anna não entendia o quanto minha situação era complicada e delicada. – Pare de ser tão frio e aproveitar desse jeito da mulher...
- Anna, eu não estou gostando dela, nossa relação é só sexo. – Falei convicto.
- Damon, você não acha que seu coração já não sofreu demais, que está na hora de se entregar a outra mulher de novo? – Voltou a cruzar os braços. – Seja lá onde Katherine estiver, não está gostando nada desse seu luto eterno, se bem a conheço, entenderia tranquilamente se você fosse feliz com outra mulher.
- Anna, não quero falar sobre isso... Você sabe que eu amo Katherine.
- Eu sei, Damon, mas ela morreu... Do que adianta amar uma pessoa que está morta, ser fiel a um cadáver?
- Chega! – Rangi os dentes. Eu não iria falar sobre aquilo, nunca mais, Annabelle tinha que respeitar minha decisão, se eu escolhesse me guardar e não ter mais nenhuma mulher, ela deveria apenas conviver com isso, afinal, o luto era meu. – Não quero falar sobre isso.
- Ok... – Ergueu as mãos se rendendo. – Só cuidado para não machucar ninguém, Damon. – Revirei os olhos. – Ah, e outra coisa... Você tem que passar mais tempo com a sua filha, Salvatore, hoje ela estava muito chateada... Emily precisa do pai dela. – Eu não falei nada, apenas continuei sério e indiferente às coisas que minha irmã mais nova me dizia. – Pense nas coisas que eu te disse, Damon... – Suspirou. – Vou dormir, boa noite, Damon. – Me deu um beijo na bochecha e então sumiu pelo corredor. Annabelle tinha o poder de dar lições de moral, aquilo me irritava completamente, ela parecia a irmã mais velha de trinta e três anos e fazia eu me sentir o mais novo de vinte e três anos.
Suspirei fundo organizando tudo o que Anna havia me dito. Em uma coisa eu tinha que concordar com minha irmã, Elena mexia comigo...
Ela acendia um fogo flamejante em meu interior, era como se ela fosse um isqueiro que com apenas um toque me deixava em chamas, sem a mínima piedade do que causava em mim.
Ela me deixava vulnerável e isso me irritava, me incomodava, era como se fosse uma massinha de modelar em suas mãos, ela podia me manusear tranquilamente sem que eu reagisse.
Mas sabia que no fundo, nossa relação realmente não passava de sexo, sem nenhum sentimento incluso. Eu sentia uma enorme atração por Elena, mas era algo físico, era luxuria e muito desejo, não passava disso...
Balancei a cabeça e desliguei a televisão, segui para o meu quarto e tomei um banho demorado para só então ir para cama.
Na manhã seguinte acordei mais tarde do que esperado, eu tinha conseguido trocar meu plantão para passar o final de semana com Emily novamente e para descansar também então meu atraso foi algo aceitável. Eu tinha feito trinta e seis horas na UTI e estava de pós plantão e ao invés de ir para casa dormir, depois de sair do hospital, tomei banho e fui ao encontro de Elena, o que explicava o fato de ter ultrapassado da hora programada para acordar.
Me levantei, fiz minha higiene e segui para a cozinha. Anna e Emily preparavam o almoço de pijamas ainda e pareciam estar se divertindo bastante.
- O que as duas estão aprontando na minha cozinha? – Falei imitando aquelas donas de casa paranoicas.
- Boa tarde né pai... – Emily sorriu.
- Dormiu bem, princesa? – Dei um beijo em sua testa.
- Sim sim e você?
- Como uma pedra... – Me sentei em um banco alto perto do balcão de mármore no meio da cozinha. – Como foi o programa de garotas ontem?
- Foi ótimo! – Emily respondeu. – Nós compramos um monte de coisas lindas e a Tia Anna me deu aquela bolsa linda da Tommy que eu tanto queria! – Deu uns pulinhos animada.
- Que bom que se divertiram... Agradeceu sua tia por ter ficado com você e pela bolsa?
- Agradeceu sim! – Anna falou enquanto enrolava a carne para fazer almondegas, presumi. – E hoje nós vamos ao salão de beleza e eu vou leva-la para dormir lá em casa. É claro, se você deixar.
- Deixa pai, deixa... – Emms me olhou com os olhos brilhando.
- Claro que deixo... – Sorri.
- Ebaa! – Largou o que estava fazendo e veio me dar um beijo na bochecha. – Obrigada. – Sorriu.
- Tudo bem que eu tinha tirado esse final de semana para passar o dia com você, troquei até meus plantões...
- Desculpe Damon, eu realmente não sabia disso. – Anna encolheu os ombros culpada. – Pensei que Emily fosse passar o final de semana com Jenna de novo então tomei liberdade para dispensa-la porque decidi fazer companhia a ela e tira-la um pouco de casa ... – Deu de ombros. – Se quiser podemos marcar para outro dia...
- Não... Vão se divertir... – Suspirei. Emms estava feliz demais com aquele dia no salão, não podia fazê-la ficar em casa por minha culpa. – Vou passar o sábado dormindo e descansando então, no domingo faremos um programa legal, o que acha filha?
- Perfeito! – Respondeu com um sorriso radiante no rosto.
- Ótimo! – Sorri de volta. – E o que as duas estão aprontando para o almoço?
- Macarrão com almondegas, o seu preferido! – Emily respondeu. – Eu que escolhi! – Sorriu orgulhosa.
- Você é a melhor filha do mundo, mocinha! – Me levantei do banco e fui em direção à Emily a fazendo cocegas e a pegando em meu colo a rodando pela cozinha.
Depois do almoço as duas começaram a se arrumar e eu fiquei sentado no enorme sofá da sala sozinho, zapeando os canais da televisão procurando alguma coisa decente para assistir.
Aquele era um dia histórico em minha vida, não conseguia me lembrar de qual fora a ultima vez que eu me sentei no sofá para assistir televisão... Meus dias eram tão agitados que a única coisa que eu conseguia fazer ao chegar em casa era tomar banho e cair exausto na cama.
Era tão estranho, não estava acostumado a ficar à toa em casa e muito menos sozinho. Emily sempre estava ao meu lado me fazendo companhia e naquele momento me vi um pouco perdido por não ter minha filha comigo.
Em uma hora as duas saíram de casa e uma ideia surgiu em minha mente. Eu sabia que aquilo era loucura, errado etc, etc, mas como não queria passar meu sábado, pelo menos não todo ele, sozinho, decidi ir até o bordel chamar Elena para jantar comigo.
Me levantei do sofá e fui me arrumar para encontrar com ela, já que não tinha seu telefone.
Elena Gilbert Narrando
Depois que Damon foi embora, eu me arrumei, arrumei o quarto que usamos e então voltei para a boate. Eu ainda estava exausta, mas precisava trabalhar. Fui até o bar e peguei um energético o derrubando de uma vez só. A boate tinha enchido naquele intervalo de tempo que fiquei com Damon então eu teria que estar disposta pois teria muito o que fazer...
Era quatro e meia da manha a hora em que eu me deitei na cama após um longo e relaxante banho. Estava cansada, mas feliz, tinha visto Damon e isso fazia valer a pena meu cansaço... Na verdade, ele tinha feito minha noite valer a pena ,e eu mal me importava com indisposição, estava feliz demais por ter o visto.
- Bom dia! – Falei animada assim que apareci na sala.
- Bom dia, amiga! – Carol sorriu. – Acordou de bom humor, foi? – Como não acordar de bom humor depois da noite maravilhosa que tive com Damon?
- É, acho que sim! – Suspirei entrando na cozinha.
- O almoço está dentro do forno... – Carol gritou.
- Sabe, eu iria dizer; Viu o passarinho verde... Mas acho mais adequado falar; Viu o passarinho de um certo moreno... – Ouvi uma voz afeminada vindo de trás de mim e automaticamente reconheci o dono dela. Revirei meus olhos sorrindo pelo comentário malicioso de meu amigo e me virei para abraça-lo.
- Marquinhos! – O abracei forte.
- Eu falei que ele vinha, bêm... – Correspondeu meu abraço.
- Grrr – Grunhi o soltando. — Você é demais e eu amo você! – Roubei um selinho dele o fazendo revirar os olhos.
- Repete isso, por favor, só que sem o beijo... É uma musica para os meus ouvidos... – Fechou os olhos e balançou a cabeça como se aproveitasse a melodia doce de alguma canção.
- Eu estou de bom humor mas também nem tanto, não se aproveite de minhas declarações Senhor Marcos! – O reprimi.
- Ai como você é difícil! – Revirou os olhos. – Mas nos conte, como foi noite passada... Aposto que Caroline está louca para saber detalhes dela... – Se apoiou no balcão para me olhar enquanto eu me servia de macarrão.
- Eu? – Caroline gritou da sala, ouvindo nossa conversa.
- É, você sim... – Riu. – Ela está toda carente e esses hormônios da gravidez não estão ajudando em nada, sabe Lena.
- Marcos eu vou te bater seu mentiroso! – Caroline ameaçou.
- Marcos, assuma que você é um pervertido logo... – O provoquei.
- Elena, somos seus amigos, só acho que você tem que contar tudo da sua noite com o moreno... – Fingiu descaso olhando para as unhas.
- Que moreno? – Bonnie entrou na cozinha intrometendo-se em nossa conversa.
- Nenhum que te interesse. – Revirei os olhos.
- Sua delicadeza de encanta, Gilbert. – Pegou um copo e encheu com água.
- E você me da nojo, Bennett.
- Meninas, parem de brigar, que saco! – Marcos nos interferiu.
- Foi ela que começou! – Me defendi.
- Bonnie, pare de provocar! – Marcos virou de frente para ela a repreendendo.
- Ok, já parei! – Deixou o copo vazio na pia e levantou a mão se rendendo. – Jeremy está aqui na frente já, nós vamos passar o dia juntos... Avisem Meredith por mim. – Caroline assentiu e Bonnie saiu de casa nos deixando sozinhos.
- Quem é Jeremy? – Marcos perguntou.
- É um cliente novo de Bonnie, ele veio poucas vezes aqui, é um moleque com muito dinheiro... – Caroline respondeu.
- Tem gente que não sabe aproveitar o dinheiro que tem... – Suspirei inconformada. Se eu tivesse, pelo menos, a metade de dinheiro de Damon, ou de Matt ou Klaus, nunca iria desperdiça-lo em um puteiro, me incomodava ver as pessoas não dar valor ao que tinham nas carteiras e nos bancos. Se eles vivessem na mesma situação em que eu vivia, iriam aprender na mesma hora a dar valor a cada dólar que recebiam... Mas não podia falar nada porque era da inconsciência deles que eu tirava meu sustento e se não fosse por eles, com toda a certeza, eu estaria morta uma hora dessas. – Afinal, cadê Meredith? – Perguntei.
- Ela saiu ontem de noite, toda arrumada e perfumada, mas não me disse aonde ia e com quem ia, até agora não voltou... – Caroline respondeu. Meredith era cheia de mistérios e um deles era seus clientes, nós nunca sabíamos com quem ela saia e de onde tirava dinheiro...
- Bom, mas nós não temos nada a ver com a vida dela, ela já é uma adulta, responsável, independente, é vacinada... – Falei.
- Ok Elena Gilbert, pare de tentar adiar e nos conte logo de sua noite com o moreno! – Marcos cobrou.
- É verdade, Lena, pode já ir contando que eu estou curiosa. – Alguém abriu a porta da sala e uma voz conhecida e animada ecoou pela sala.
- Vicki! – Sorri animada deixando meu prato de comida em cima do bolcão e corri para encontrar minha amiga...
Vicki também trabalhava na SoHo Dolls, tinha apenas vinte anos e era a mais nova entre todas nós, não só em idade mas no bordel em si, ela começou a trabalhar conosco quando tinha dezoito ou seja, já se fazia quase dois anos. Vicki, diferente de mim e Caroline, tinha uma família, tinha dinheiro e uma condição de vida estável, mas aos dezessete anos caiu em um mundo sem volta... Começou a se drogar por influencia de uns amigos da escola e usava a prostituição para manter seu vicio. Seus pais, sem aguentar mais os surtos da filha e os pequenos furtos para comprar droga, a deram duas opções; se ela se tratasse, poderia continuar morando com eles, caso ao contrario, eles iriam expulsa-la de casa. Movida pelo vicio, Vicki escolheu a segunda opção e então saiu de casa e começou a se prostituir.
Assim que nós descobrimos sobre sua dependência química, começamos imediatamente a ajuda-la. No inicio ela não aceitou muito, mas depois de ter parado no hospital por ter se drogado demais em uma noite, ela acabou cedendo e aceitando ajuda, principalmente pelo fato de que seus pais iriam aceita-la em casa novamente se ela se tratasse.
Com o pouco dinheiro que ela tinha guardado dos programas e com uma boa ajuda de seus pais, conseguimos interna-la na Ostroff Center por dois meses e agora ela estava de volta...
- Como você está? – A abracei forte.
- Estou ótima... – Retribuiu o abraço. – E limpa!
- Como é bom ouvir isso! – Suspirei.
- Nos conte tudo, Vicki, estamos muito curiosas para saber como você está. – Caroline falou animada.
-Que tal colocarmos o papo em dia enquanto eu arrumo minhas malas?
- Como assim? – Perguntei.
- Meus pais estão vindo me buscar amanha de manha! — Falou radiante. – Mas receio que você, Lena, não poderá participar... – Fez um beicinho.
- E porque não? – Perguntei desentendida e ela apontou para a porta semi fechada atrás de si, me fazendo só então perceber a presença de um moreno alto no lado de fora. O meu moreno... – Damon... – Fui até a porta atende-lo. Aquele gelo percorreu minha espinha de novo e eu senti meu estomago revirar... Iria sempre assim agora quando eu o via ?– Me desculpe, nem te vi ai. – Abri a porta e me encostei à soleira com os braços cruzados. Ele estava lindo... Uma regata branca, colada ao corpo com o decote em V e um jeans preto. Simples mas lindo.
- Tudo bem, estava me divertindo com o reencontro... – Sorriu de canto e eu mordi o lábio evitando sorrir também.
- O que te trás aqui tão cedo? – Meu lábio escapou de entre meus dentes me fazendo sorrir. A sala atrás de mim estava silenciosa e as três pessoas escutavam, disfarçadamente, minha conversa.
- Queria conversar contigo... – Suspirou.
- Desculpe a falta de educação, entra... – Sai de frente da porta o dando passagem. – Vamos lá ao meu quarto, aqui tem gente de mais... – Fuzilei os três enxeridos com o olhar e puxei Damon pela mão.
- Conversar... Daqui a pouco estamos ouvindo gemidos aqui da sala... – Marcos comentou e eu tive vontade de enforca-lo pelo comentário maldoso. Apressei meu passo, finalmente chegando ao meu quarto. Damon passou por mim e eu fechei a porta.
- Desculpe por isso. – Encolhi os ombros sentindo minhas bochechas se ruborizarem.
- Tudo bem... – Riu divertido.
- Então... Você disse que queria conversar...
- Bom, eu tinha tirado meu dia de folga para ficar com Emily mas ela decidiu passar o final de semana com a minha irmã, fazendo coisas de mulheres... – Revirou os olhos entediado. – Então estive pensando se não quer sair para jantar essa noite comigo... – Deu de ombros. – O que acha?
Jantar? Com ele? Senti meu coração bater descompensado em meu peito e eu sorri mentalmente. Só podia ser um sonho... Do qual não queria que me beliscassem. “Tente se manter indiferente, Elena, não mostre felicidade, nem animação... Indiferente” Pensei.
- Acho ótimo! – Controlei um sorriso.
- Te pego as sete, então...
- Estarei te esperando. – Assenti.
- Então é isso, eu vou fazer mais algumas coisas essa tarde e nós nos vemos de noite, ok?
- Claro, claro!
Eu o guiei até a porta que ele entrara e nós nos despedimos com um simples beijo na bochecha, como se fossemos amigos... Ele saiu e então eu falei animada.
- Vou sair para jantar com Damon essa noite! – Dei pulos de alegria pela sala e pulei no colo de Marcos o abraçando forte.
Mal podia esperar para vê-lo novamente...
Fale com o autor