Soho Dolls

24 Capítulo 23 - Say it if it's worth saving me


Notas iniciais
Oi? Essa é minha fanfic mesmo? 34 recomendações, é isso mesmo? Gente, estou no céu! Quero agradecer imensamente a ThuFaria, Isa Somer,Jenna, Annelise Salvatore, Maluzinhas Bieber, Vamp Writer e a Dayane Cristina pelas recomendações lindas, eu amei meninas, do fundo do coração, amei amei amei s2
Bom, mas sem mais enrolações, boa leitura p vcs. btw, o nome do capítulo é essa musica aqui; http://www.vagalume.com.br/nickelback/savin-me.html

Eu estava acabada...

Fisicamente, psicologicamente...

Não, na verdade minha dor física não se comparava o quão mal meu interior estava, noites como essas conseguiam diminuir ainda mais minha falta de auto estima, eu me sentia um verdadeiro lixo, uma vagabunda quando isso acontecia. Na verdade eu odiava todos os programas que eu não estivesse no controle, não gostava de ficar vulnerável a esses homens desconhecidos principalmente pelo motivo de eu não saber o que eles iriam fazer comigo e a o que eu estava me submetendo. Às vezes eu ficava imaginando o quanto seria mais fácil se eu gostasse do que fazia, se sentisse prazer com todos esses homens, talvez fizesse eu me sentir muito melhor, iria ter mais confiança em mim e um pouco mais de auto estima também... Mas era obvio que eu “escolhi” o caminho mais difícil completamente o oposto do que facilitaria minha vida.


Após o tremendo desastre que fora minha primeira noite de trabalho, eu tomei um banho demorado tentando tirar o cheiro horrível daquele homem asqueroso de meu corpo, mas mesmo depois de ter ficado mais de trinta minutos debaixo da água quente eu ainda sentia ele em impregnando em mim. Depois de estar praticamente dormindo no box por meu corpo ter relaxado e por eu estar exausta, decidi sair e me aconchegar em minha cama, por mais imunda que ainda estivesse me sentindo.


Pegar no sono não tinha sido uma tarefa muito fácil, quando deitei minha cabeça no travesseiro tudo o que aconteceu naquela noite veio à tona fazendo meus olhos encherem de lágrimas que rapidamente foram derrubadas em silencio.

– Bom dia, dorminhoca... – Uma voz conhecida tirou-me de meu devaneio enquanto fazia um carinho reconfortante em meu rosto e meus cabelos. Matt...

– Não... – Resmunguei. – Não quero acordar. – Cobri meu rosto com o cobertor choramingando. Acordar era a ultima coisa que eu queria, por mais que meus sonhos não tivessem sido os melhores naquela noite encarar minha realidade conseguia ser ainda pior... – Que horas são?

– Dez e meia!

– Que? – Choraminguei ainda mais. – Meu dia só começa depois do meio dia... – Bufei contra o cobertor.

– Ok, tudo bem mas me de um espacinho... – Bateu em meu colchão e eu me afastei um pouco o dando espaço o suficiente para que ele se sentasse e eu me aconchegasse em seu peito. – Marcos me contou o que aconteceu. – Me aninhou em seu peito passando os braços em volta de mim. – Como você está?

– Vou sobreviver... – Dei de ombros.

– Tem certeza?

– Eu sempre supero, Matt... – Enterrei meu rosto em seu peitoral enquanto ele acariciava meus cabelos tentando me reconfortar.

– Não quer nem conversar sobre isso? – Fiz que não com a cabeça. Falar sobre o que acontecera era como falar sobre Damon; masoquismo. Era cutucar a ferida a fazendo sangrar mais que o normal, era conseguir se humilhar ainda mais do que eu já estava, como se fosse possível. Pensar na noite anterior só comprovava o que Damon havia me dito alguns dias atrás e por mais que eu tentasse provar para mim e para ele que eu não era uma vadia, era como dar murro em ponta de faca, só acabaria me machucando porque, afinal, essa era a verdade, eu era mesmo uma vadia e não podia fazer nada para mudar ou esconder esse fato. Nem se saísse da prostituição isso não mudaria, eu sempre seria Elena ex-garota de programa.

– Precisa de alguma coisa, então? – “Nascer de novo, pode ser?” Pensei.

– Dormir...

– Então durma, anjo.

– E nem ouse em sair daqui, está muito confortável desse jeito. – Ri baixinho o apertando mais contra mim.

– Nem pensei nisso, também estou gostando de ficar assim. – Riu alto com um tom de malicia que eu preferi ignorar. Matt estava sendo perfeito comigo, tirando o fato de ele sempre encontrar um lado pejorativo para as coisas que eu falava ou que ele mesmo falava, e por isso não quis contestar esse seu lado pervertido, erámos apenas amigos e eu já tinha deixado isso bem claro a ele.


Rapidamente envolvi-me em um mar de pensamentos que me levavam para um caminho totalmente oposto do que eu estava pensando antes de Matt chegar. Eu era guiada para a alta sociedade de Nova Iorque, para a nova realidade de minha melhor amiga... Eu sentia tanta falta de Caroline, ela era de longe a melhor pessoa que alguém podia ter em sua vida e isso me fazia a pessoa mais sortuda do mundo por tê-la ao meu lado. Céus, eu precisava saber como ela estava, nunca tinha passado tanto tempo longe dela e meu coração já estava miúdo de tanta falta que ela fazia. Tinha certeza que se ela estivesse morando ali ainda, era ela quem estaria no lugar de Matt, acariciando meus cabelos enquanto eu chorava em seu colo e ria das piadas que ela fazia sobre o cliente grotesco da noite passada, era sempre assim... Tanto ela comigo quanto eu com ela...


“ – Como você está se sentindo? – Acariciei seus sedosos fios loiros que estavam um tanto úmidos por ela ter acabado de sair do banho, enquanto ela chorava baixinho em meu colo. Caroline havia atendido um daqueles clientes carrascos que faziam o que bem entendiam de nós... O programa já havia começado péssimo, segundo a ela, os toques do homem a machucavam e mesmo que ela se mostrasse passiva no ato, ele ainda assim a tratava com brutalidade e só piorou quando ela tentou colocar a camisinha nele e ele recusou, querendo que ela fizesse sexo oral sem proteção alegando que o preservativo atrapalhava. Carol relutou e continuou resistindo, mas o cliente acabara se irritando e a jogou na cama de qualquer jeito a penetrando com a maior brutalidade várias vezes e em diversas posições desconfortáveis.

– Humilhada, dolorida e um nojo...

– Tente pensar em outra coisa, amiga. – Aquilo não era certo, não era justo, aquela não era a vida que uma garota linda de dezoito anos como ela deveria estar vivendo...

– Não consigo, Lena, estou tentando, juro que estou, mas a dor física não me deixa esquecer um detalhe se quer dessa noite. – Nós estávamos ali há algumas horas já, aquele tinha sido o segundo cliente de Caroline e eu nem se quer tinha atendido meu primeiro mas no momento que vi minha amiga saindo daquele quarto em condições de miséria, abri mão de minha noite de trabalho para ficar com ela.

– Olha, eu realmente espero que na próxima vez que esse cara for fazer sexo ele broxe, mas broxe muito, que nada o faça subir... – Comentei. – Não, na verdade eu espero que ele broxe todas as vezes que ele for fazer sexo, só para aprender a não fazer isso com uma mulher, e ainda quero que ele tenha câncer de próstata... Só para garantir a infelicidade dele.

– Lena, ele nem era tão velho assim para broxar.

– Mas é por isso mesmo que eu estou falando, quero que ele perca o resto da vida dele de sexo só por ter feito isso com você. E realmente espero que quando ele broxar, a parceira dele o chicoteie por isso... – Não me importava na tamanha besteira que estava falando, só queria fazer minha amiga rir, o mínimo que fosse. – E para ti, eu desejo orgasmos múltiplos com o homem dos seus sonhos e noites agitadas com sexo selvagem... – Como desejado, Caroline soltou um riso baixinho e se levantou para me olhar.

– Você está cansada, não é? Vou te deixar dormir agora.

– Não, não se preocupe comigo, se for preciso, iremos dormir as oito da manha, ok? Só quero que você fique bem...


Eu sentia uma tremenda falta de Caroline, dos cafunes que só ela sabia fazer, dos melhores conselhos e das risadas, mas ao mesmo tempo estava imensamente feliz por ela estar bem, era ótimo vê-la feliz do jeito que estava, morando com o homem que ama e esperando um bebê dele. Eu a amava demais para ser tão egoísta a ponto de querer que ela voltasse a morar comigo.


Pensando em minha melhor amiga, eu me entreguei nos braços de Matt tentando ser levada de volta ao caminho da inconsciência mas fui interrompida no momento que a voz fina de Marcos soou um tanto nervosa no corredor bem perto de meu quarto.


– Por favor, entenda a situação dela, Elena não está em condições de te receber.

– Eu preciso vê-la... – A voz que respondeu fez meu corpo inteiro se arrepiar, aquela era a única pessoa que eu não esperava ver tão cedo. Os passos foram ficando mais próximos e rapidamente ele adentrou pelo meu quarto presenciando a cena que eu menos queria que ele visse; eu dormindo abraçada em Matt. – Elena?


– Damon? O que faz aqui?

– Vim falar contigo, mas posso voltar outra hora se estiver muito ocupada no momento. – Disse com um tom de superioridade misturado com sarcasmo para atingir Matt. “Entenda Elena, Damon não tem motivos para sentir ciúmes de Matt, ele não é nada seu...” Eu tentava me dar por vencida disso, mas o desconforto de Damon era tão evidente que ficava claro que ele estava com ciúmes.

Ao perceber que Damon queria atingi-lo, Matt se levantou rapidamente e me olhou como se me perguntasse se podia sair, e eu apenas concedi com um breve aceno. Aquilo não iria demorar, eu não tinha condições morais de conversar com Damon, seja lá o que ele quisesse eu iria pedir-lhe pra voltar outro dia.

– Damon, será que não podemos adiar essa conversa? Eu estou sem condições de discutir... – Esperei que Matt saísse do quarto e fechasse a porta atrás de si e disse em um tom de quase desespero.

– Não vim pra discutir, Lena. – Sentou-se ao meu lado na cama, de frente para mim, um pouco mais perto do que eu esperava.

– Por favor...

– Tudo bem... – Soltou um suspiro cansado e ergueu o olhar para mim. Automaticamente nossos olhares se encontraram em um magnetismo que chegava quase a me sufocar, eu me vi perdida, afogada naqueles dois oceanos profundos. Meu Deus, como eu amava aqueles olhos... Era estonteante como eles mexiam comigo. – As garotas me contaram o que aconteceu, como você está? – Colocou a mão sobre minha perna por cima do cobertor a acariciando.

– Estou bem... – Dei de ombros tentando mentir e me fazer indiferente. – Estou acostumada...

– Ok, não minta para mim, Lena, eu vejo que você não está bem.

– Então porque perguntou?

– Por educação, talvez, e porque me importo com você... – Revirou os olhos esboçando em seus lábios um meio sorriso. – Por mais que você não acredite. – Sem saber o que responder, eu reviro os olhos e me ajeito na cama, me deitando de volta de modo que ainda ficasse de frente para ele. – Você precisa de alguma coisa? – “De você... Só você e nada mais.” Pensei.

– Dormir, estou com muita dor de cabeça. – Repeti minha resposta para a mesma pergunta que Matt me fizera mais cedo.

– Então durma, anjo... – Anjo? Quanta ironia ele me chamar assim... Não só porque a forma com que ele se referiu a mim era uma antítese disso mas também porque quando Matt me chamava de anjo, eu sempre ansiara que fosse Damon que se referisse a mim desse modo... Mas ainda assim fez meu interior encher-se de alegria... “Então durma, anjo”....
Sem que eu permitisse, ele chegou ainda mais perto e levou a mão até meus cabelos, passando os dedos entre meus fios e acariciando meu coro cabeludo com a ponta dos dedos. Meu estomago pareceu ter sido invadido por bilhões de borboletas enquanto ele me fazia carinho. “Por favor, que isso não seja um sonho, por favor.” Implorei mentalmente enquanto sentia meu corpo inteiro reagir devido a nossa proximidade.

– O que você está fazendo? – Perguntei de olhos fechados em um sussurro praticamente inaudível. Eu não queria encara-lo, não mesmo. Eu sabia que não iria me render à tentação de cair em seus braços e beijá-lo com toda a necessidade reprimida que estava sentindo.

– Estou aproveitando que você baixou a guarda e não vai recuar de meus carinhos... – Meu corpo inteiro arrepiou-se e as borboletas começaram a voar com mais velocidade e intensidade que antes. – Você está precisando de carinho, Lena. – Disse suavemente. Não, não era de carinho que eu precisava, eu precisava dele, apenas dele. Será que ele não enxergava isso? – Durma... – Eu assenti de olhos fechados afundando minha cabeça mais no travesseiro.

Nós estávamos ofegantes, eu principalmente... Damon era um atentado contra minha saúde, parecia que nossa proximidade me causava falta de ar, ataque cardíaco, convulsões. Mas por mais maléfico que isso fosse, eu não queria abrir mão, não queria parar de sentir. Eu adorava o que ele causava em mim.

Ele sentou-se mais próximo de mim e eu fui sentindo o calor de seu corpo ainda mais intenso contra o meu. Sua respiração pinicou meu rosto junto com seu hálito fresco me fazendo arrepiar novamente com ainda mais intensidade. Sutilmente seus lábios tocaram o canto de minha boca selando um beijo demorado e delicioso no local. Em apenas um movimento eu faria nossos lábios se reencontrarem, não era nem preciso que eu virasse minha cabeça totalmente para que isso acontecesse, mas eu não fiz... Não podia me entregar a ele mais uma vez e não mais do que eu já estava entregue, pelo menos não naquele momento.

– Fique comigo até eu adormecer? – Minha respiração estava descompensada devido a nossa proximidade.

– É claro! – Assentiu me dando mais um beijo no local e acariciando meus cabelos.


“Por favor, que isso não seja um sonho, por favor.” Definitivamente não era um sonho... O calor de seu corpo envolvendo o meu, seu cheiro inebriante que invadia minhas narinas e mexia com meus sentidos, sua pele macia e seus carinhos aconchegantes eram prova de que aquilo não era um sonho. Damon estava sim deitado em minha cama comigo, como sempre ansiara... Uma paz, uma tranquilidade tomou conta de mim. Damon estava ali comigo e eu não precisava mais de nada, nada mais me preocupava, nada mais me afligia.

Deixe-me envolver pela presença dele e concentrei-me em seus dedos, que se moviam gentilmente em meus cabelos e adormeci, sentindo-me imensamente feliz por tê-lo ali comigo.

"... teach me wrong from right and i'll show u what I can be. Say it for me, say it to me, and i'll leave this life behind and say it if it's worth savin me..."

Notas finais
Heeeey, gostaram? Quem está com saudades de Klaroline? Não saíam sem comentar ein. Ah, para sugestões, criticas e etc, quem quiser, meu fc; @weheartnian besos (: