Soho Dolls
22 Capítulo 21 - Nobody said it was easy
Notas iniciais
Damon Salvatore Narrando
Tudo o que eu havia imaginado que aconteceria, acabara ficando realidade; Elena estava extremamente magoada comigo e nem se quer queria me ouvir, ela não tinha nem me dado uma chance de me explicar, de dizer o quão arrependido estava ou ao menos implorar por seu perdão, que era o que estava disposto a fazer. Tê-la de volta seria mais difícil do que esperava. Eu sabia que não iria ser fácil, mas também não imaginava que fosse ser tão difícil. Minhas esperanças de um dia darmos certo havia descido pelo ralo, tudo o que eu havia ansiado para nós dois não passara de uma breve ilusão, um anseio momentâneo... A forma fria que ela me olhara, o sarcasmo em sua voz, ela me mandando embora, tudo isso tinha acabado comigo. E ainda assim eu ainda a queria, talvez até mais intensamente do que antes...
O que mais eu poderia fazer? Ela me mandara embora e eu não podia relutar insistindo que ela aceitasse minha presença ali, estava disposto a dar meu máximo e só sair de lá quando a tivesse em meus braços novamente só que sua resistência acabou me atingindo de uma forma que nunca imaginei que fosse possível, minha determinação de reconquistá-la já nem existia mais e estava a um passo de desistir dela. Eu fui ao seu encontro, pedi perdão e disse que estava arrependido por ter dito aquilo, só que pareceu ter sido em vão, Elena estava cega, não via que eu falava a verdade. Se fosse preciso eu voltaria até o bordel e falaria o quanto ela era incrível e que mais do que nunca estava disposto em investir naquele sentimento forte e desconhecido que sentia por ela, mas para isso eu precisava retomar a coragem e estar pronto para ser rejeitado novamente, o que definitivamente não era uma dose que quisesse repetir.
Só que isso não era a única coisa que estava me chateando. Na verdade, a outra “coisa” não era necessariamente algo mas sim alguém. Matt para ser mais exato... Desde que ele aparecera Elena estava desse jeito, e eu poderia afirmar com convicção de que ela sentia algo a mais por ele, arriscaria em palpitar que Elena gostava de verdade dele e não apenas fraternalmente. Era a única explicação logica para o que estava acontecendo. Matt estava cegando Elena não deixando que ela me visse, era por ele que ela não queria me perdoar... Porque esse infeliz tinha que aparecer logo agora? Aliás, o que fazia Elena acreditar que ele não fosse abandoná-la na primeira oportunidade que tivesse?
Já fazia algumas horas desde que chegara do bordel, Emily dormia tranquilamente e eu estava sentado em meu bar improvisado acompanhado de uma garrafa de Bourbon enquanto tentava me convencer de que Elena não era para mim e dando-me por vencido de que a perdera para Matt, para não ter que admitir que estava desistindo dela.
- Eu a perdi, Stefan... – Disse com um tom de pêsames ao ouvir os passos fortes de meu irmão, tomando o restante de uísque que havia em meu copo.
- Como assim a perdeu? – Meu irmão chegou mais perto e se sentou ao meu lado no balcão.
- A perdendo, oras. Ela nem se quer quis me ouvir e ainda por cima me mandou embora.
- Era obvio que ela iria fazer isso, Damon. Elena está magoada contigo e desculpe dizer isso, mas ela seria uma trouxa se te recebesse com abraços e beijos.
- E você vai me dizer isso só agora? Depois de eu ter ido lá e dado minha cara a tapa? – Que tipo de irmão Stefan era? Transou com a mulher que eu gostava e ainda me mandou ir atrás dela, mesmo sabendo que isso iria me magoar...
- E porque você me mandou procura-la, infeliz? – Perguntei rispidamente.
- Porque era o certo a se fazer, Damon, você tem que lutar por ela, mostra-la que está realmente arrependido. Caía na real, irmãozinho, nenhuma mulher que se preze iria te perdoar só olhando esses seus lindos olhos azuis enquanto você diz que está arrependido, não depois do que você falou para ela. – Sem minha permissão, ele pegou o copo de minhas mãos e completou com a bebida escura da garrafa que já estava na metade. – Damon, você tem que reconquistá-la, leva-la para jantar, pedir perdão...
- E levar outro fora? Não, obrigado! – Revirei os olhos sorrindo sarcástico e peguei o copo de volta para mim. – Vou desistir, Stefan, ela não me quer e eu não posso fazer nada sobre isso.
- Quem é você e o que você fez com o meu irmão? Desde quando Damon Salvatore desiste na primeira tentativa falha? – Mais uma vez ele pegou o copo de mim e tomou o restante da bebida. Aquela brincadeira de pegar copo começou a me irritar, eu já não estava com o humor agradável e Stefan me aborrecia ainda mais. Sem querer disputar um pedaço de vidro com ele, pego a garrafa de uísque para mim e bebo no gargalo mesmo. – E se eu fosse você iria com calma na bebedeira, amanhã você trabalha...
- Uma pena, não vou mais seguir os seus conselhos, na primeira vez que eu fiz acabei quebrando a cara.
- Então faça o que quiser, Damon, seja um velho irritante e insuportável porque passou sua vida inteira sozinho pois não quis se lutar pela mulher que ama... – Disse mal humorado. – Olha, se você não quiser me escutar, o problema é seu, beba toda essa garrafa de uísque sozinha mas não reclame que está com uma ressaca dos infernos no dia seguinte, campeão.
- Stefan, você não está me entendendo... – Suspirei fundo, revirando meus olhos por já estar exausto de falar sobre ela. – Ela não gosta de mim desse jeito. Elena gosta de Matt.
- Duvido! – Soltou um riso alto. – Ela não iria ficar como ficou se não gostasse de ti, Damon.
- Você fala isso porque não a viu com Matt, não os presenciou tomando café juntos e conversando intimamente. Stefan, ela o deixou pegar em sua mão, sendo-se que sempre quando eu tentava fazer isso, ela recuava. – A cena veio em minha mente me fazendo apertar com força a garrafa em minha mão devido à raiva que preenchia meu peito ao lembrar daquilo. – E outra coisa, se ela já está acostumada a ser chamada de vadia, porque ficaria tão abalada como você disse? – Revirei os olhos levando a garrafa em direção à boca ignorando o conselho dele de ir com calma. – Não faz sentido, Stefan.
- É obvio que faz sentido, ela não ficaria tão abalada assim se não gostasse de verdade de ti, Damon. Ser chamada de vadia por qualquer homem que pague o programa dela é uma coisa, mas ser chamada de vadia pelo o homem que gosta é totalmente diferente, será que isso é tão difícil de ver? Coloque-se no lugar dela, imagine o quanto não seria doloroso saber que a pessoa amada acha que você é uma vadia. – Soltou um suspiro cansado. – E eu duvido muito que ela goste dessa tal de Matt.
- Stefan, você tinha que ver como ela parece feliz ao lado dele, ela parece tão confortável, tão Elena, sabe? Ela nunca ficou assim comigo... Eu sei que pode parecer idiota, mas raramente ela me deixa pegar em sua mão e sempre quando eu tento ela acaba se afastando, mas ele não, Matt pode pegar a vontade na mão dela, fazer carinho, beijá-la e isso me deixa furioso! – Rosnei tomando outro gole do liquido escuro. Eu já nem sentia mais a bebida arder em minha garganta, o incomodo que deveria sentir devido à alta porcentagem de álcool estava sendo entorpecido pelo sentimento de rejeição e perda, era provável que eu pudesse beber daquilo de gole em gole seguidos que minha garganta não reclamaria e meu intimo até agradeceria por estar afogando minhas magoas em meio a álcool. – Elena e Matt quase tiveram um filho e eu não posso competir com isso.
- Então é isso mesmo que você vai fazer? Entregar Elena de bandeja a esse cara? – Assenti. – Você não vai lutar mais nem um pouquinho por ela, Damon? – Assenti mais uma vez. – Não tome nenhuma decisão agora, irmão, não estando aborrecido desse jeito. Pense direito, veja se vale mesmo a pena desistir sem nem ao menos ter lutado...
Eu precisava desistir, era o mais sensato a fazer, o mais saudável. Na verdade, eu tentava colocar isso em minha mente, tentava me convencer de que ela não era para mim, mas Elena era minha droga e eu não sabia até quando iria conseguir ficar sem ela.
Elena Gilbert Narrando
Eu olhava de cinco em cinco minutos para o relógio da parede da sala, já se passavam quinze minutos das sete e Matt estava atrasado, como sempre...
Não fazia a mínima ideia de onde ele iria me levar mas presumia que iriamos jantar em algum daqueles restaurantes bem conceituados que costumávamos a frequentar quando estávamos juntos. Na verdade, eu nem estava tão ansiosa para saber aonde ele iriamos ou se quer me importava com isso, eu só queria passar aquela noite com ele, independente do lugar. Sair com Matt havia me feito muito bem, ele havia feito eu me sentir a vontade e até me esquecera de que ainda estava chateada com ele, apesar de meu dia não ter acabado como eu esperava, à tarde que passara com ele tinha sido até prazerosa, divertida. Era como antes que saíamos como amigos e conversávamos intimamente ou sobre as futilidades de nossos dias. Tinha que admitir que estava feliz em tê-lo de volta em minha vida e por mais que Matt fosse team Damon eu sentia que ele me ajudaria a superar falta que a ausência de certos olhos azuis me faziam.
Ah, aqueles olhos azuis... Porque eles insistiam em assombrar meus pensamentos? Eles pareciam estar tatuados em mim. Por mais que eu insistisse em esqueces, eles voltavam, quanto mais eu pedia para esquecer, mais eu me lembrava. Quando estava disposta a apagar Damon de meu coração, ele aparecia em meu quarto e me brincava com meus sentimentos. Eu já estava exausta daquilo...
Já era sete e meia quando o toque estrondoso do interfone ecoou incessantemente pela sala avisando-me que Matt havia chego. Despedi-me de Marcos e desci ansiosa para encontrar Matt, que me esperava encostado ao seu carro com as mãos no bolso de seu jeans.
- Hey! – Sorriu abertamente ao me ver. – Você está ótima! – Manteve distancia olhando-me dos pés a cabeça, avaliando minhas vestes. Como eu não sabia para aonde estávamos indo ficou difícil escolher o que vestir, mas decidi colocar uma regata básica branca com uma saia de cós alto preta e por cima um blazer pink de mangas três quartos, não era muito sofisticado mas também não era despojado, encaixava-se para qualquer lugar que fossemos.
- Obrigada! – Sorri em agradecimento chegando perto dele e depositando um beijo em sua bochecha. Matt retribuiu meu beijo de cumprimento e me guiou até a porta do passageiro, onde entrei e me acomodei no banco de seu luxuoso carro. – Então, para onde vamos?
- Decidi fazer algo mais pessoal, vamos jantar em meu novo apartamento. – Sorriu presunçoso enquanto se acomodava diante ao volante. Jantar no apartamento de Matt não me parecia uma boa ideia, algo me dizia que aquela noite não iria acabar, necessariamente, bem.
- E você vai cozinhar? – Perguntei desconfiada, Matt era um péssimo cozinheiro e já havia perdido as contas de quantas vezes o impedi de colocar fogo em seu antigo apartamento com nós dois lá dentro. Preferi não contestar o fato de ficarmos sozinhos aquela noite em seu apartamento, talvez fosse coisa de minha mente pervertida querendo que eu encontrasse motivos para não confiar mais nele pela imagem de nós dois amanhecendo nus deitados em sua cama.
- Eu mudei, ok? – Disse com um tom levemente ofendido.
- Wow, se você aprendeu a cozinhar eu juro que caso! – Brinquei. – Você sabe que eu tenho uma queda por homens na cozinha...
- Merda! – Sibilou. – Sabia que deveria ter feito aquele curso de culinária em Londres, só agora vejo o quanto ele me seria útil! – Amaldiçoou-se em brincadeira e bateu no volante me fazendo gargalhar alto.
- Você não me engana, Matt Donovan! – Coloquei a mão sobre sua coxa a apertando.
- Tudo bem... – Suspirou. – Eu passei em um restaurante e comprei comida pronta, pensei que você não fosse me perguntar sobre isso e até as coloquei em travessas para que você pensasse que eu tinha feito.
- Você realmente acha que me engana, não é mesmo? – Provoquei.
- Nem pensei nisso, anjo. – Sorriu meigamente e pegou minha mão entrelaçando nossos dedos. Soltei um longo suspiro desviando minha atenção de nossas mãos unidas sobre seu colo, sentindo-me terrivelmente incomodada com aquele gesto mas não querendo recuar para não magoá-lo. Aquilo não era certo e eu me sentia terrivelmente culpada por estar saindo com Matt enquanto estava apaixonada por Damon, não estava incomodada apenas porque aquele gesto lembrava meu moreno mas por querer que quem estivesse acariciando minha mão fosse ele e não Matt. Era com ele que eu queria estar, era com ele que eu queria jantar e era com ele que eu queria amanhecer nua ao lado. Era por Damon que eu queria ser chamada de anjo... – Como passou de ontem para hoje?
- Péssima... – Admiti chorosa lembrando-me da visita de Damon.
- O que aconteceu?
- Damon estava me esperando quando cheguei em casa ontem...
- E o que ele queria?
- Me pedir perdão pelo que havia dito e dizer que estava arrependido, além de mencionar que nos viu juntos na cafeteria.
- Mas isso é ótimo, Lena!
- Não, Matt, não é ótimo... – Suspirei magoada.
- É claro que é, se ele foi te procurar é porque gosta de ti de verdade e se ele disse que está arrependido é porque ele realmente está! E além do mais, se ele mencionou que nos viu juntos é porque ele está com ciúmes. – Disse animado. – O que você fez?
- Eu não o perdoei, eu não posso perdoá-lo agora, não tão cedo.
- Está se fazendo de difícil para o homem que ama? – Perguntou contendo um riso. – Devo admitir que isso é bem sedutor mas ser impossível é algo extremamente irritante. – Brincou.
- Não estou me fazendo de difícil. – Relutei. Não tinha porque me fazer de difícil com Damon, eu o amava e não o negaria se ele me quisesse, mas a situação era completamente diferente. – Só quero me certificar de que ele realmente está arrependido, se ele me quiser de novo vai ter que lutar por mim. Se eu o perdoar agora só vou provar que eu sou uma vadia, como ele mesmo disse.
- E você acha que ele vai voltar?
- Não sei... Acho que não, Damon não gosta de mim o suficiente para fazer isso. – Suspirei fundo.
- Elena, não fale o que você não sabe, meu bem. Crie um pouco de confiança e autoestima, não é só porque você é uma prostituta e ele um médico que ele não vai gostar de ti. Até parece que você não assistia os contos de fada da Disney em que o príncipe se apaixona pela Cinderela.
- Marcos, caía na real, você está comparando a minha vida com um conto de fadas, conto de fadas não existem! – Disse incrédula. – Seus conselhos já foram melhores... – Revirei os olhos dando risada.
- Você entendeu o que eu quis dizer, Lena. – Minha vontade era de bufar, mas reprimi aquilo com um suspiro fundo.
- Hey, nós não nos encontramos para ficar falando de mim e Damon, não é?
- Definitivamente, não!
- Então não vamos mais tocar no assunto D ok?
- Assunto D? – Riu e eu assenti. – Tudo bem, como quiser, madame.
O novo apartamento de Matt não era tão longe, ficava um tanto afastado do agitado centro da cidade mas ainda assim era tão majestoso quanto o outro. Pelo jeito o gosto dele por coisas luxuosas não havia mudado, seu carro novo era uma ótima prova disso. Eu nem se quer sabia identificar a marca do automóvel, mas podia deduzir que era algo extremamente caro e de ultima geração devido ao seu interior com o painel cheio de funções diferentes. Aparentemente, Matt continuava o mesmo filhinho de papai, continuava o mesmo metido com carros caros e roupas de marca...
Quando chegamos, Matt deu as chaves do carro para o manobrista estacionar e então subimos até seu apartamento. Diferente do que eu pensava, o apartamento não era tão grande mas tinha espaço o suficiente para ele. Na sala havia um enorme e confortável sofá retrátil acompanhado por uma enorme televisão de plasma, junto dessa pequena sala havia uma mesa redonda com quatro cadeiras que estava perfeitamente posta para o jantar e a decoração era perfeita, com quadros dependurados pelas paredes e alguns enfeites modernos que combinavam com todo o resto.
-Presumo que você mora aqui sozinho...
- Sim, estou sozinho aqui em Nova Iorque.
- E porque mudou de apartamento? – A vida de Matt era algo engraçado, tinha de tudo para ser perfeita, ele tinha dinheiro, uma família legal e um trabalho ótimo garantido, mas alguma coisa sempre dava errado. Eu não julgava Matt uma pessoa feliz, ele tinha uma fisionomia triste, seus olhos sempre estavam cabisbaixos, era como se ele não tivesse motivos para sorrir ou ser feliz... Matt parecia se esconder em todas suas posses, parecia procurar felicidade em bens materiais como carros luxuosos, celulares e outros aparelhos eletrônicos de ultima geração. Era tão estranho que chegava a me incomodar.
- Não fazia sentido eu continuar naquele apartamento imenso mesmo eu morando sozinho, esse aqui é perfeito para mim, tem o tamanho ideal para uma pessoa solitária como eu. – Deu de ombros.
- E seus pais?
- Eles se separaram... – Riu baixinho enquanto me conduzia até a mesa. – Meu pai descobriu que minha mãe o traia com outro cara e imediatamente pediu divorcio, eles se separaram e minha mãe está pelo mundo com esse cara... A ultima vez que tive noticias eles estavam em Paris.
- Wow! – Soltei um riso um tanto perplexo enquanto me sentava a mesa. – E como você está lidando com isso?
- Indiferente... – Deu de ombros. – Meu pai está em Londres, minha mãe em Paris e eu em Nova Iorque, cada um levando sua vida do jeito que tem que ser. – Continuou com o mesmo tom de descaso. – Espere só um segundo que eu vou pegar nossa janta... – Antes que pudesse assentir ele correu até a cozinha. Eu não sabia o que era pior, se era ter uma família mas não ligar para ela ou se era não ter uma família e desejar com todas as forças ainda tê-la... Matt tinha pais vivos ainda e nem se quer se importava para isso e isso era algo que invejava nele. Eu ainda não sabia lidar com a falta que meus pais faziam...
Antes que eu percebesse sua ausência, Matt voltou à sala trazendo uma travessa com lasanha a bolonhesa.
- Lasanha, sua preferida! – Sorriu presunçoso colocando o que tinha em mãos no centro da mesa. – O que acha de um vinho tinto?
- Perfeito! – O segui com o olhar até ele chegar a um móvel no canto da sala e abrir uma porta revelando sua coleção de vinhos.
- Espero que goste. – Pegou uma garrafa e dirigiu-se a mesa.
- Tenho certeza que vou adorar. – Sorri.
O jantar havia se desenvolvido sem muitos problemas ou assuntos. Nós comemos em silencio apenas sustentando uma troca de olhares intensa e estranha, ao mesmo tempo. Naquele silencio não havia nenhum desconforto, como costumava a haver, de vez em quando em meio aos olhares nós sorriamos um para o outro, mas nada de mais. Erámos apenas dois amigos que estavam jantando juntos apreciando um bom vinho e colocando a conversa em dia...
Após comermos, eu o ajudei a limpar a louça e arrumar a cozinha e então sentamos no sofá da sala para conversar e tomar o restante da bebida.
- Sabe... Eu estive pensando no que você me perguntou ontem. – Matt quebrou o silencio que havia permanecido entre nós dois quando o assunto acabara. Eu estava sentada no sofá de pernas cruzadas enquanto ele estava ao meu lado, com uma perna flexionada para cima do sofá de modo que ficasse mais perto de mim.
- Sobre o que? – Virei meu rosto para encará-lo.
- Sobre nosso filho... – A maneira que ele falou nosso filho atiçou meu estomago e fizera meu peito murchar em dor. Essa era outra coisa que eu ainda não sabia como superar; a perda de meu bebê.
- Matt, não precisa me dar resposta imediata... – Disse enquanto bebericava o conteúdo de minha taça.
- Eu sei, mas quero compartilhar o que estive pensando. – Insistiu.
- Ok... – Endireitei-me no sofá ficando de frente a ele. – O que pensou?
- Eu pensei muito bem, sabe... Um filho é muita responsabilidade e requer muito de si, mas por mis que eu seja imaturo e por mais anormal que seja nossa relação, eu iria assumi-lo. – Aquilo era tudo que eu precisava ouvir... Seria magico, um sonho se acontecesse; eu com meu bebê e Matt ao meu lado, me ajudando a criar nosso filho. E isso soava ainda mais magnifico pelo fato de que eu não estaria sofrendo por Damon, apesar de que também não iria sentir-me completa e tão viva por não ter o conhecido... – E é sério Elena, não estou falando isso só porque quero te ver feliz, digo, obvio que quero te ver feliz mas não estou dizendo isso da boca pra fora.
- Eu sei que não... – Suspirei fundo sentindo meus olhos serem invadidos por lágrimas. – Obrigada, Matt, eu fico muito feliz em saber disso.
- E você conseguiria me perdoar nessas circunstancias?
- Tenho certeza que sim, você era o pai dele e eu não poderia negar isso a ti.
- Dele? Era um menino? – Perguntou radiante, seus olhos tinham assumido um brilho que nunca havia presenciado antes e eu me senti extremamente mal pelo bebê não estar conosco em nossos braços para lhe proporcionar tamanha alegria.
- Não sei... Não cheguei a ver o sexo, ele era um bebê muito envergonhado estava sempre com as perninhas fechadas e para ajudar, estava sentado em minha barriga. – Um sorriso bobo desenhou-se em minha face ao falar dele.
- Não deve ter sido nada fácil, não é mesmo? – Ele levou a mão livre até meu rosto e secou a lágrima que escorreu pelo canto de meu olho.
- Não... – Suspirei controlando as futuras malditas que queriam cair. – É uma dor que eu espero nunca mais passar, Matt, e eu não sei se aguentaria perder outro bebê...
- Desculpe, Elena, desculpe mesmo... – Suspirou pesado. – Espero que um dia você possa me perdoar por eu ter te deixado e por não ter estado ao seu lado quando isso aconteceu...
- Vamos esquecer isso, ok? Vamos deixar no passado...
- Se é o que você deseja...
- É sim! – Suspirei tomando o restante do vinho. – Acho melhor eu ir, já está ficando tarde demais.
- Não... É cedo ainda, fique, passe essa noite comigo... – Poderia ser coisa de minha cabeça, mas eu conseguia identificar um tom de malicia em sua voz ao dizer isso.
- Matt, eu não vou transar com você... Nós dois sabemos como acabou a ultima vez que dormimos juntos. – Disse relutante me levantando do sofá e indo em direção à sacada, eu sentia-me um tanto zonza devido ao vinho, sempre fora fraca demais para o álcool mas ignorei isso aquela noite, não sabia ao certo quantas taças de vinho havia tomado, quando tínhamos acabado com a primeira garrafa, Matt abriu uma segunda que por sinal, tomamos a metade dela sem nem perceber.
- Elena me negando sexo, é isso mesmo? – Um sorriso malandro contornou seus lábios enquanto ele se aproximava novamente de mim. Definitivamente eu não iria para cama com ele, não era certo fazer isso, principalmente quando nós dois estávamos apaixonados por outra pessoa. – Só essa noite... Por favor, para relembrar os velhos tempos. – Ele afastou meus cabelos soltos de meu pescoço e sussurrou em meu ouvido sedutoramente, fazendo um leve arrepio percorrer minha espinha.
- Matt... – Relutei enquanto seus lábios passeavam pela região, que antes estava coberta por meus cabelos, selando beijos úmidos no lugar fazendo meu corpo inteiro estremecer e minha pele arrepiar. – Isso é covardia. – Sussurrei ofegante tentando lutar contra minhas pálpebras que insistiam em se fechar.
- Deixe levar... – Sussurrou mais uma vez e levou as mãos até minha cintura, passeando pela lateral de meu corpo, descendo para os meus quadris e subindo pela minha barriga enquanto beijava meu pescoço, meu ombro e toda aquela região sensível.
Suas caricias certeiras estavam me excitando mais do que deveriam e eu via minha resistência de mãos dadas com o autocontrole, ambos me dizendo tchau.
“Você precisa de sexo, precisa transar com alguém que goste e que não seja Damon.”
“...vai que Matt seja o homem certo para você.”
A voz de Marcos se misturava com as sensações que a boca e as mãos de Matt estavam me causando e meu lado racional se juntou a minha resistência e autocontrole. Eu já não estava totalmente sóbria, o álcool que havia ingerido parecia estar a favor de Matt, porque meu corpo já estava “mole” quando me levantara do sofá e naquela hora parecia ter assumido o peso de uma pena.
E se Marquinhos tivesse razão? Se Matt realmente fosse o homem certo para mim?
Eu não conseguia pensar, não quanto as mãos de Matt passeavam pelo meu com tanta audácia.
Sem pensar duas vezes, eu me virei de frente para ele e ataquei seus lábios com todo o desejo que estava sentindo naquele momento.
Não fazia ideia de como havia ido parar na cama com Matt, por mais que minha cabeça gritava para mim que ele não era Damon, Matt sabia exatamente o que fazer e como fazer. Não podia negar que estava sendo totalmente prazeroso tê-lo sob meu corpo, afinal ele o conhecia perfeitamente.
“Elena sua burra, ele não é Damon!” Minha mente continuava a me amaldiçoar, mas eu não me importava, aquilo estava bom demais. Era claro que ele não era Damon, nem se quer por um segundo eu pensei nisso, as sensações que Damon me causavam eram extremamente prazerosas e muito mais intensas que as de Matt, mas as mãos habilidosas daquele loiro passeando pelo meu corpo não deixavam de me dar prazer.
Enquanto minha mente lembrava-me de que aquele homem não era Damon, a voz de Marcos me dizia que eu tinha que transar com outro cara e obviamente me deixei levar pelo que meu amigo dizia, me entregando a Matt.
Parecia que nossos corpos tiveram tanto tempo longe um do outro que chagavam a sentir saudades. O ritmo das estocadas firmes, minhas pernas abraçadas ao corpo eram provas disso. Eu era incapaz de permanecer parada e movia meu quadril o ajudando com aquilo, meu corpo ondulava abaixo do dele e eu sentia meu interior se tencionar por causa da foça com a qual ele se arremetia para dentro de mim. Minhas mãos que antes seguravam o lençol, passaram para suas costas o arranhando com vontade conforme o prazer crescia dentro de mim me deixando a beira de um orgasmo.
Eu sentia prazer, mas mesmo assim não estava completa... Me faltava algo, me faltava alguém...
Quando nós dois atingimos o orgasmo, eu apenas me aninhei ao peito de Matt tentando imaginar que ele fosse Damon. Mas nada em Matt lembrava-me o homem que eu amava, nem mesmo a fisionomia. E lutando contra as lágrimas que queimavam meus olhos, eu acabei adormecendo, sentindo-me terrivelmente vazia e incompleta.
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