Soho Dolls
12 Capítulo 10 - More tears
Notas iniciais
Damon Salvatore Narrando
O sol forte da manhã entrava pelas janelas do meu quarto e tinha como ponto de encontro minha cama, exatamente onde eu dormia. Me virei irritado e tateei ao meu lado o colchão, procurando por um corpo pequenino que havia deixado ali noite passada, mas nada encontrei.
Na cama não havia nada e eu dormia sozinho naquela imensidão branca. Me sentei e olhei para o chão procurando o vestido de Elena mas as únicas roupas que se encontravam espalhadas eram as minhas. Suspirei um tanto aliviado por não tê-la ali comigo, apesar de ter ficado muito chateado por ter sido deixado dormindo sozinho depois da noite que tivemos, em poucas horas Emily e Annabelle iriam chegar e encontrar Elena na cama comigo não iria ser algo legal de se presenciar ou fácil de explicar.
Nunca tinha sido deixado sozinho antes por nenhuma mulher e essa primeira vez me incomodou um bocado, mas não podia esperar outra coisa vindo de uma mulher como Elena, já deveria imaginar que ela fosse em deixar pela manhã no momento que caímos exaustos na cama. Um vazio tomou conta de mim, algo estranho, uma sensação diferente. Eu queria tê-la ali ao acordar, queria começar meu dia bem, na cama com ela e passar o resto do dia assim, mas ela se fora... E nem o dinheiro do programa levou.
Me levantei da cama e me espreguicei sentindo todo meu corpo estralar e relaxar, era incrível como Elena me relaxava, no dia seguinte meu corpo, por incrível que pareça, parecia renovado. Minha mente relaxava também e todo aquele estresse da semana era substituído por uma grande paz de espirito. Elena tinha um poder sobrenatural sobre mim que eu não consegui identificar ou explicar porque eu era tão influenciável por ela.
Quando não estávamos juntos eu queria estar com ela, queria sempre tê-la em meus braços, em minha cama... Queria ter o prazer de vê-la com uma camiseta minha após termos transado ou tomar um longo banho para nos relaxarmos ainda mais. Como era possível eu desejar tanto uma mulher como desejava Elena? Como havia dito antes, eu estava enlouquecendo e o motivo dessa minha insanidade era nada mais nada menos que uma prostituta...
Revirei os olhos mentalmente e me levantei indo em direção ao closet, peguei uma bermuda e sai de meu quarto, na sala eu conseguia ouvir a voz suave de minha filha e a risada baixa de minha irmã e sorrindo fui em direção a elas.
– Bom dia mulheres da minha vida! – Sorri animado as cumprimentando.
– Wow! – Emily olhou para mim um tanto assustada e Annabel segurou o riso. – Pai, quem foi a tigresa que te atacou essa noite? Você está horrível, Salvatore!
– Emily tem razão, Damon, sexta feira foi o chupão e agora você aparece com marcas de unha no peito... – Annabel riu. — Quando vai nos apresentar a dona dessas unhas, ein? – Jogou uma almofada do sofá em mim. Me virei lentamente para o espelho da sala só então notando a situação em que minha pele se encontrava. Em meu peitoral tinha um rastro de unhas que tinha inicio em meus ombros e desciam até meu peito, me virei de costas encontrando algo ainda pior. Em minha testa se formou uma carranca e eu fiz uma careta de desgosto estando um pouco envergonhado por essas marcas. Essa era a segunda vez que Elena deixava sinais de nossa noite em mim e apesar de gostar daquilo na hora, era horrível esconde-las depois.
– Sinceramente, não estou a fim de conhecê-la! – Emily revirou os olhos e cruzou os braços mal humorada.
– Mas a noite de vocês pareceu ter sido agitada ein... – Anna debochou e Emily soltou um riso envergonhado. – Revirei os olhos, ela não iria parar e falar sobre isso enquanto elas não sumissem.
– Ok vocês duas, vou tomar banho e colocar uma camisa já que minhas lindas marcas estão atrapalhando vocês... – Passei a mão pelo meu peitoral tentando não me mostrar encabulado por elas terem visto a situação em que meu corpo se encontrava pós sexo com a Elena. – E enquanto eu me arrumo, vão pensando no que vamos fazer hoje e o que vamos comer, porque eu estou faminto!
– Bom, isso é com Emy, vou deixar vocês passarem o domingo em família e eu vou me encontrar com uma amiga, combinamos de ir almoçar juntas... – Anna se levantou do sofá e pegou sua bolsa que estava ao seu lado. – Tchau princesa. – Deu um beijo na testa da sobrinha e então veio até mim.
– Tchau tia! Obrigada por ter ficado comigo! – Emily sorriu educadamente para Anna e voltou a atenção para a televisão.
– Pensei no que eu te falei, Damon, eu ainda quero conhecer essa mulher. – Ela sussurrou para mim antes de sair em direção ao elevador. – Tudo bem, querida, sempre que quiser sair é só me chamar, ok? – Mandou um beijo no ar em direção à garotinha que estava abraçada a uma almofada enquanto esperava o elevador chegar. Seu olhar estava em mim, me avaliando e ao mesmo tempo me fuzilando, as ideias românticas de Anna me tirava do sério, ela nunca foi a favor de meus breves relacionamentos, afirmava que depois da morte de Katherine meu coração havia ficado frio e que eu usava as mulheres para meu próprio prazer e depois as “jogava” fora, sem me importar com os sentimentos delas.
Obvio que isso era uma grande mentira, a não ser pela parte de “usá-las” para prazer, mas minha irmã não entendia que eu não via nada de interessante nelas, não encontrava nada que me agradasse de verdade naquelas mentes pequenas e fúteis... Infelizmente a realidade era uma e tinha que admitir, eu procurava em todas as mulheres alguma coisa que me lembrasse de Katherine, pequenas coisas, nem que fosse um simples gesto como ajeitar o cabelo como ela fazia ou alguma atitude em comum como a teimosia ou o jeito manhoso... Mas nada, nenhuma delas chegava aos pés de Kath e frustrado com isso, as dispensava sem pensar duas vezes.
Um “plim” soou pela sala avisando que o elevador havia chego ao nosso andar, Anna acenou uma ultima vez e então entrou na cabine indo embora.
Dei um beijo na testa de Emily e fui para meu quarto me arrumar. Antes de tudo, abri todas as janelas para que o ar circulasse e tirasse aquele cheiro estranho do cômodo, tirei o lençol e o sobre lençol da cama e coloquei no cesto de roupa suja do meu banheiro, o perfume de Elena estava impregnando naqueles tecidos e apesar de adorar aquele aroma, tinha que trocá-los.
Depois de ter arrumado o quarto, fui para banheiro e tomei um longo banho e ao terminar, me arrumei rapidamente. Segui para sala onde Emily estava na mesma posição assistindo televisão e me sentei ao seu lado.
– E ai viciadinha? – A puxei pra mim a aninhando em meu peito enquanto ela passava o braço pela minha cintura me abraçando. – Já pensou no que quer fazer hoje?
– O que acha de irmos almoçar naquele restaurante que gostamos ao lado do Central Park? – Ergueu a cabeça para me olhar.
– Ótima ideia! – Sorri abertamente. – E depois?
– E depois podemos comer uma torta de chocolate da confeitaria da esquina... – Sorriu malandra.
– Olha, está ficando interessante seus planos, mocinha! – Apertei seu nariz com o indicador e ela fez uma careta. – E o que mais?
– E que tal irmos patinar no gelo? – Sorriu abertamente. – Faz tanto tempo que não fazemos isso juntos... – Seu lábio inferior se curvou em um beicinho manhoso e eu não consegui resistir.
– Tudo bem Senhorita Pierce, iremos patinar no gelo, mas você nada de querer me ensinar a fazer aqueles giros, saltos e piruetas, ok? – Emily era patinadora artística, patinava desde que tinha sete anos então passar o dia com o patins no pé era a melhor coisa para ela.
– Pai, eu te falei para você tomar cuidado com o dente da lamina e era só um giro de dois pés, o mais iniciante possível! – Revirou os olhos já cansada de me explicar essa historia. Da ultima vez que fomos patinar, Emy tentou me ensinar um giro, mas o inicio da lamina, aquela parte curvilínea, que eles chamam de dente de lamina, engatou no gelo e eu cai praticamente de cara no chão... Depois disso, prometi que nunca mais iria tentar fazer mais nada a não ser patinar de costas.
– Eu sei querida, mas essas coisas delicadas não são comigo! – Levei meus dedos até seus cabelos e acariciei seus longos e lisos fios castanhos fazendo um cafuné gostoso.
– Isso é bom! – Se aconchegou melhor em meus braços aproveitando meus carinhos.
– Gosta de um carinho, não é gatinha? – Dei um beijo no topo de sua cabeça e ela assentiu.
– Pode continuar, eu deixo...
– Tudo bem gatinha manhosa, que tal de noite? Quando chegarmos? Você toma banho e nós viemos para o sofá assistir filme e eu mexo em seus cabelos até você adormecer, igual fazíamos quando era bem pequena?
– Ótimo! – Assentiu.
– Então vamos comer porque tive a impressão de ouvir um estomago roncar aqui... E não foi o meu! – Usei minha mão que estava ao redor dela e fiz cocegas em sua cintura.
– Ai ok ok! – Riu alto se contorcendo em meus braços e se levantou do sofá. – Só vou pegar nossos patins, ok?
– Cinco segundos ein! – Ergui meu punho olhando no relógio fingindo que estava contando. – Um... – Comecei a contar e Emily saiu correndo pelo o corredor.
Minha tarde de domingo foi cheia de risadas. Depois de almoçarmos e comermos doces, fomos para o rinque de patinação no gelo que ficava perto de nossa casa. Ficamos lá pelo resto da tarde patinando, Emily me mostrava os novos movimentos que havia aprendido e a sua coreografia nova para a próxima competição. Ela era ótima, não só porque era minha filha que eu falava isso, mas Emms era realmente muito boa, quando ela começava a patinar todos ao seu redor paravam para assisti-la, era incrível como tinha talento. Eu ficava feliz por Emily amar tanto patinar, só assim ela não sentia tanta falta minha durante a semana já que saia da escola e ia direto para os treinos e ficava lá até anoitecer. A patinação era um apoio para minha filha, depois que Katherine morreu, ela ficou ainda mais apegada ao esporte.
Depois de sairmos do rinque, fomos comer mais alguma coisa e então seguimos para casa. Estava quase anoitecendo quando me lembrei de que precisa ir a um lugar encontrar uma pessoa...
Depois que fui deixado só naquela manha, percebi que não queria mais ficar longe dela. Elena havia me lembrado de como é bom ter uma vida sexualmente ativa e eu não queria mais abrir mão de ter uma. Tinha plena consciência de que estava gastando um dinheirão com essas minhas noites no bordel e que estava alimentando o vicio de Elena no dinheiro fácil, mas no final valia a pena...
Deixei Emily fazendo seus deveres de casa e fui ao lugar onde sabia que iria encontrar tal pessoa. Não iria demorar muito, uma hora no máximo, só precisava conversar...
Dirigi com um pouco de pressa, querendo encontra-la antes que ela descesse para boate e em menos de quinze minutos estava estacionado em frente a casa dela.
Fui atendido por uma moça morena e de cabelos ondulados e um rosto fino, muito atraente por sinal. Como já sabia o caminho, fui até o quarto desejado sozinho e então dei três leves batidas na porta.
– Entre! – A voz doce dela vindo de dentro do cômodo respondeu. Eu abri a porta e adentrei em silencio. Elena estava apenas de roupas intimas em frente ao espelho se maquiando, aquela conversa seria um tanto complicada... O corpo perfeito de Elena começava a me distrair e a levar minha mente para outro lado.
– Espero não estar incomodando. – Ao ouvir minha voz, Elena me olhou assustada, com certeza ela não me esperava ali.
– Damon? O que faz aqui?
– Queria conversar uma coisa com você... – Dei de ombros.
– Sente-se, estava me arrumando para descer, mas pode falar. – Fez um gesto para que eu sentasse em sua cama. Fechei a porta atrás de mim e então fui em direção para onde ela havia me apontado, me sentei a assistindo se arrumar.
Elena Gilbert Narrando
Cheguei em casa era quase onze horas, o motorista do táxi parecia estar dormindo ao volante e não passava dos quarenta por hora. Não via a hora de tirar aquele vestido e os saltos, tomar um banho quente e passar o resto do dia dormindo em minha cama.
Assim que coloquei os pés em meu quarto um baque me fez sair daquela zona de pré-sono. Ao redor de minha cama estava cheio de malas e os armários abertos, a penteadeira de Caroline estava vazia e a sua cama arrumada.
– O que está acontecendo aqui?
– Lena! – Carol saiu do banheiro saltitando com um enorme sorriso no rosto. – Bom dia, flor do dia! – Revirei os olhos rindo de sua animação, essa era minha amiga.
– O que aconteceu por aqui? – Deixei meus sapatos no canto do quarto e comecei a soltar o cabelo.
– Você não vai acreditar! – Colocou a mão sobre a boca para conter um grito. – Klaus veio aqui ontem de noite, logo que você saiu, e me convidou para morar com ele. – Um gritinho fino de excitação escapou da garganta dela e sem aguentar de felicidade, Carol jogou os braços em volta de mim. Demorei alguns segundos para decodificar tudo aquilo, era uma noticia enorme para meu coração aguentar. – Isso não é um máximo? – As malas espalhadas pelo quarto, a felicidade dela, tudo ao nosso redor me mostravam que ela tinha aceitado a proposta de Klaus.
– Wow! Isso é demais, amiga! – Tentei fingir entusiasmo mas minha voz saiu um pouco falha me fazendo pigarrear no meio da frase. – Mas ele decidiu isso assim, de uma hora para outra?
– Mais ou menos isso. – Suspirou relaxando. – Ele me disse que foi jantar com seus pais e contou a eles que iriamos ter um filho. Os velhos ficara super animados com o neto então Klaus decidiu que e o mais sensato a se fazer era me levar até sua casa para cuidar de nós! – Acariciou o ventre. A historia estava um tanto mal contada...
– Mas vocês vão se casar? – Perguntei confusa.
– Não... – Respondeu cabisbaixa. – Vamos ter uma relação saudável, de amigos... Ele afirmou que precisamos dar uma família ao nosso filho e condições dignas para ele, já que eu, por ser uma prostituta, não podia oferecer isso a ele.
– Wow... – Falei ainda em choque. Nunca pensei que Klaus fosse capaz de tamanha bondade e agora ele estava me surpreendendo com essa historia.
– Essa é a chance de eu dar uma vida melhor para meu filho, Lena, não tenho condições de cria-lo dentro de um bordel. – Eu concordava com ela e estava muito feliz por essa conquista, mas não podia deixar de ficar extremamente chateada por estar perdendo minha melhor amiga.
– Eu sei amiga, concordo com você e estou muito feliz por ti! – A abracei forte sentindo um enorme vazio em meu peito. O que iria fazer sem Caroline? – Eu vou sentir tanto a sua falta, C. – Falei ainda abraçada nela enquanto uma lagrima teimosa escorria pelo canto de meu olho. Carol era tudo o que eu tinha, ela era minha amiga, minha irmã, minha família... Tudo... E agora ela estava indo embora... Não podia negar que adoraria que minha amiga ficasse, mas eu não era tão egoísta a esse ponto.
– Eu também, amiga, mais do que você imagina! – Seus braços também estavam ao meu redor e ela me abraçava forte também. Era tão reconfortante tê-la comigo que eu simplesmente me esqueci da tristeza de quando deixei Damon dormindo sozinho.
– Prometa que não vamos ficar mais de uma semana sem nos ver... – As lagrimas já começavam a transbordar fazendo eu me odiar por estar chorando. Não queria me mostrar fraca assim para Carol, ela estava muito feliz, não podia atingi-la com meu baixo astral.
– Juro! – Acariciou minhas costas. – Mas me conte, que carinha é essa? – Ela nos separou e então secou meu rosto que estava molhado de lágrimas.
– Não é nada, só cansaço mesmo... – Dei de ombros. – Tive que deixar Damon dormindo sozinho, não queria que a filha dele me visse lá.
– Como assim? – Perguntou desconfiada. – Ele te levou para a casa dele? – Eu assenti. – Wow... – Falou chocada.
– Aquele filho da mãe tem muito dinheiro, sério, nunca vi casa tão linda em toda a minha vida! – Falei admirada.
– Podemos perceber que ele tem cacife... – Carol concordou.
– Ah, e como tem! – Comecei a tirar meus acessórios enquanto conversava com Carol, fui até meu armário e peguei um pijama leve e minha toalha de banho. – E quando Klaus vem te pegar?
– Hoje! – Sorriu. – Antes de você entrar no quarto ele me ligou avisando que já estava vindo. – Meus lábios formaram uma linha fina e eu assenti. Que ótimo, só tinha alguns minutos com a minha amiga.
– Por favor, não quero estar aqui quando você for... – Um nó em minha garganta se formou ao imaginar a imagem de Caroline saindo pela porta daquela casa cheia de malas. – Odeio despedidas...
– Não vai ser uma despedida, imaginemos que eu só vou para uma rápida viagem e volto semana que vem... – Deu de ombros sorrindo. Ah, como eu iria sentir falta da minha melhor amiga, desse seu jeito meigo e doce, sempre querendo amenizar a situação e te ajudar. Iria morrer de saudades de me divertir com ela, de ficar conversando até o sol raiar depois de voltarmos da boate, de seus abraços apertados e seus conselhos de mãe... Não aguentei, meus olhos se encheram de lágrimas novamente e eu corri para Caroline para um longo e apertado abraço.
– Eu vou para o banho e só saio quando você tiver saído ok? – Sussurrei em meio a lágrimas. – Eu te amo amiga e espero que tudo de certo para ti.
– Eu também, Lena, te amo! – Pela sua voz consegui perceber que ela também chorava. – E eu sei que você vai sair dessa. – Eu assenti e depois um tempo chorando juntas, me separei dela porque se não, não iria conseguir deixa-la ir embora.
Me tranquei no banheiro e só sai depois de muito tempo lá dentro. Eu não tinha forças o suficiente para lidar com despedidas e perdas...
Quando tive certeza de que ela já tinha ido embora, sai do banho, encontrando o quarto, que antes estava cheio de malas, agora vazio... Ela já tinha partido.
Sentado na cama de Caroline estava Marcos, parecia que me esperava sair do banho para tentar colocar de volta os milhões de pedaços que meu coração havia se quebrado. Meu amigo me olhava com uma expressão de pêsames, ele sabia o quanto Carol significava para mim e que aquilo estava sendo bem difícil. Marquinhos se levantou e veio em minha direção e eu corri para seus braços, chorando novamente.
Eu sabia que aquela não era a ultima vez que iria vê-la mas mesmo assim me doía demais, a companhia dela era essencial. Muita coisa iria mudar, ela iria ser mãe e teria que dedicar cem por cento de seu tempo com o seu filho, sem falar que teria que frequentar todos aqueles jantares importantes da família de Klaus para se enturmar e teria que fazer todos os preparativos para o bebê.
– Fica comigo até eu dormir? – Sussurrei para Marcos.
– Claro, bêm... – Assentiu.
Marcos se deitou em minha cama e eu deitei junto, me aninhei em seu peito e ele me abraçou fraternalmente.
Minhas pálpebras começaram a pesar e sem demorar muito, adormeci nos braços de meu amigo.
Não sei por quanto tempo que dormi de tarde, mas foi o bastante para que Marcos me acordasse na hora em que eu deveria começar a me arrumar para trabalhar.
Deixei a tristeza de lado e me levantei para me aprontar. Escolhi a roupa que usaria aquela noite, a lingerie e comecei a me arrumar.
Fiquei apenas com a lingerie e fui até o espelho me maquiar. Enquanto passava base em meu rosto, alguém bateu de leve, três vezes, na porta.
– Entre! – Falei. A porta foi aberta lentamente mas eu não desviei a atenção do espelho em minha frente.
– Espero não estar incomodando. – Aquela maldita voz aveludada ecoou pelo meu quarto fazendo aquele arrepio passar pela minha coluna e inquietar meu estomago. Damon...
– Damon, o que faz aqui?
– Queria conversar uma coisa com você. – Deu de ombros.
– Sente-se, estava me arrumando para descer, mas pode falar. – Fiz um gesto para que ele se sentasse em minha cama. Eu já até imaginava o que ele queria falar...
Damon se sentou em minha cama e eu sentia o olhar dele queimar em mim, cada movimento que eu fazia, cada parte de meu corpo. O clima estava ficando pesado, nós parecíamos dois completos estranhos que tinham sido colocados em um cômodo sem nunca terem se visto na vida antes e o que deixava a atmosfera mais densa era o fato de eu estar semi nua em sua frente.
Eu não iria transar com ele, pelo menos não agora, era ilusão demais para minha mente em menos de quarenta e oito horas.
– E então... Imaginei que Emily e Annabelle fossem chegar e para aliviar sua barra, fui embora mais cedo... – Falei e ele assentiu parecendo aceitar minha desculpa. Me irritava que sempre quando íamos conversar, eu tinha que tomar iniciativa para conversarmos porque ele, ao me ver, parecia perder a fala. – O que precisa conversar?
– Você esqueceu seu dinheiro... – Olhei para ele pelo reflexo do espelho, um tanto incrédula pelo que ele estava falando. – Hoje de manha... Você não pegou seu dinheiro antes de ir embora. – Tirou da carteira uma grande quantia de dinheiro e deixou em meu criado mudo. Foi como se uma facada tivesse atingido o que restava de meu coração... A noite incrível que tivemos não passou de um programa para ele...
Damon acabou com as esperanças que eu tinha de alguma coisa dar certo entre nós... Ele tinha oficialmente se mostrado igual a todos os homens que eu levava para cama.
Suspirei fundo tentando esconder o quanto estava magoada e fui até onde ele havia deixado o dinheiro. Peguei as notas e as coloquei onde costumava guardar o que recebia.
– Mais alguma coisa? – Perguntei para ele. “Não vai querer fazer uma rapidinha antes de ir embora para ir mais relaxado amanha no trabalho e para cavar um pouco mais fundo o buraco enorme que está em meu peito?” Pensei. Ele demorou um pouco para responder e eu precisei olhar para ele arqueando a sobrencelha.
– Elena, o que eu preciso ter para ser seu cliente fixo? – Sua pergunta soou como uma proposta, um convite... Tinha um tom malicioso e um sorriso nos lábios.
Eu parei um segundo para encara-lo tentando absorver tal pergunta. Quando ele iria entender que eu não o queria como um cliente? Que eu não queria nossas transas como um programa? Suspirei fundo pensando no que iria falar.
– Bom... – Andei até ele e fiquei em sua frente. – Você precisa ter dinheiro... – Falei com um tom pensativo. – Tem que gostar do meu trabalho... – Sorri maliciosa. – E em hipótese alguma vai me trocar por alguma colega... – Adicionei isso à lista, inventando o tópico na hora. Uma das minhas decepções foi ter visto Matt e Bonnie juntos e eu não queria que isso se repetisse.
– Ótimo... – Sorriu presunçoso. – Dinheiro não é meu problema eu simplesmente adoro seu trabalho e eu nunca vou te trocar por outra garota de programa... – Sorriu malicioso. – Temos um acordo?
– Claro, Doutor! – Forcei um sorriso satisfeito.
– Fechado! – Se levantou de minha cama e veio até mim. – Você poderia deixar seu telefone comigo, não é? – “Ok, não vai me dizer que você quer sexo por telefone também...” Pensei irônica.
– Claro claro... – Assenti. Fui até meu criado mudo e tirei de dentro da gaveta uma caneta azul, voltei até ele e peguei sua mão a deixando com a palma virada para cima. Anotei no meio dela o meu numero de celular e então o olhei. – Prontinho, Doutor. – Suspirei. – Estou às suas ordens...
– Ótimo! – Sorriu satisfeito. – Vou te ligar em breve. – Eu assenti. Damon pegou meu rosto que estava abaixado, tentando evitar que nossos olhares se encontrassem, e o levantou na altura dele. Damon foi tentar depositar um beijo em minha bochecha e eu também tinha essa intenção então o pequeno movimento que fiz com a cabeça para beijá-lo foi o suficiente para que nossos lábios se tocassem sem querer e selassem um beijo demorado.
Minha língua parecia coçar para que eu a fizesse pedir brecha nos lábios macios de meu moreno mas enquanto meu corpo dizia que sim, minha mente e meu coração iam contra e falam que não. Ele não tomou iniciativa do beijo então eu também não tomaria. Eu era orgulhosa, ele também era então não iriamos nos beijar naquela noite.
– Eu preciso ir... – Suas mãos ainda estavam em meu rosto e sua expressão não era nada boa, ele parecia confuso, incomodado. – Emily está me esperando em casa, falei que não ia demorar.
– Claro! – Assenti.
– Adeus, Elena. – Sem esperar eu me despedir, ele saiu do quarto batendo a porta com força.
Eu comecei a cambalear e cai sentada na cama com a cabeça em minhas mãos controlando as lágrimas que insistiam em cair naquele dia.
Sem esperar muito tempo eu ouvi a porta do meu quarto ser aberta e sem que precisasse ver, sabia que era Marcos.
– O que houve? – Se sentou ao meu lado na cama acariciando minhas costas nuas.
– Como eu posso ter sido tão ingênua, Marcos? Sou muito burra...
– Não, hey, o que houve? – Afastou meus cabelos os colocando para o lado para olhar o meu rosto.
– Eu pensei que sei lá, ele fosse diferente, sabe? – Me sentei na cama olhando para ele. – Mas agora, ele se mostrou exatamente como os outros... – Dei de ombros. – Dói ser tratada como um objeto sexual... Dói muito, sabia? – Era ridículo eu me sentir mal por ser tratada dessa forma, porque era exatamente isso que eu era, um objeto sexual e nada mais...
– O que ele fez?
– Veio aqui me entregar o pagamento pela noite incrível que tivemos ontem, o pior de tudo é saber que aquela transa significou mais para mim do que deveria... Você precisava ver o jeito que ele me tratou, Marcos, foi incrível, nem parecia que eu era prostituta... – Falei magoada. – E agora ele veio aqui querendo ser meu cliente fixo...
– E você aceitou? – Eu assenti.
– O que realmente me dói, é saber que nossas noites juntos, para ele, só vai ser sexo, enquanto eu vou ficar me iludindo e alimentando esse sentimento forte que sinto... – Eu não aguentava mais guardar aquilo para mim e aquela noite tinha sido a gota d’agua. – Eu sei que fui uma estupida por aceitar tê-lo como cliente fixo, mas não quero ficar sem ele...
– Você está apaixonada, minha linda... – Marcos disse me puxando para seus braços novamente.
– É Marquinho, talvez eu esteja mesmo... – Choraminguei.
– Porque você não fica hoje aqui? Está muito debilitada, Leninha. – Ele tinha razão, eu estava muito abalada emocionalmente a e apesar de precisar do dinheiro, não tinha condições de descer naquela noite.
– Tá certo... – Suspirei me dando por vencida.
– Ótimo! – Comemorou. – Se troque enquanto eu faço pipoca para nós dois assistirmos alguma coisa na televisão. – Assenti. Me levantei lentamente e fui colocar o pijama que estava antes.
Alguém deveria ter me avisado a não se morrer de encantos pelo primeiro homem que me satisfazia sexualmente ou que me tratasse diferente na cama... Eu juro que teria ouvido, pelo menos não estaria sofrendo tanto.
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