Sociedade estranha - Interativa
3 informação
— — — Sexta, seis da tarde
Charles observou seus alunos saindo da sala no fim das aulas, ele caminhou para fora da escola, onde vê uma garota suspeita, sentada na murinho, segurando um livro no colo e escrevendo com caneta vermelha, o principal motivo dela ser suspeita era que ela usava uma capa enorme cor de vinho cobrindo o corpo e o rosto. Ele observou-a por alguns segundos, até ela olhar para ele.
— Por que? – ela lamentou, a voz baixa e sofrida fez um rápido arrepio subir pela espinha do professor
— O que?
— Por que você continua cortando
A frase aparentemente sem sentido surpreendeu o homem, e repentinamente, no entanto, a garota se levantou mais rápido do que os olhos poderiam acompanhar
— A próxima chance pode não vir a tempo. Pense bem amanhã.
— Do que raios você está falando?
Tão rápido quanto havia se levantado, ela caminhou pela rua e virou a esquina, desaparecendo e deixando o outro sozinho para processar o que havia acontecido.
— Eu acho que preciso descansar um pouco.
— — — Sexta, dez da noite.
Perlla entrou no bar, o lugar tinha um aspecto estranho, com paredes escuras, musica saindo de um radio, e um homem de capa encostado na parede observava atentamente, esse era um vigilante, basicamente um guarda, para garantir que ninguém saísse da linha, cliente ou empregado.
Ela foi diretamente em direção ao balcão, ela precisava conversar com alguém, nisso, o atendente, Henrique se aproxima. O homem era dono de um corpo musculoso e alto, pele bronzeada com algumas manchas de sol, usava um colete laranja avermelhado com bordas pretas, lábio cortada, olhos verdes como folhas de pinheiro, que carregavam muito de mistério, tristeza e canssaso, impressão que só era aumentada pelas suas olheiras escuras, debaixo do olho direito, uma tatuagem de três estrelas, um simbolo humilhante do que ele já havia sido, e de que fora capturado, mesmo tendo habilidade, o que quase fazia a garota sentir seu estomago revirar.
— O que deseja?
— O drinque especial com leite – ela respirou fundo – não posso estar lidando com uma ressaca amanhã.
Ele foi para outra parte do balcão e voltou com um copo com um liquido acinzentado e grosso, a outra o ingerio com satisfação. Apesar da situação desfavorável, o homem tinha uma habilidade impressionante para esse tipo de coisa, após terminar, ela pagou e saiu, levando consigo o pedaço de papel que Henrique havia lhe passado disfarçadamente enquanto pegava o dinheiro.
Ela leu o bilhete ao chegar em uma rua vazia, afinal, Henrique não era apenas um escravo com uma ótima mão para bebidas, ele também era uma fonte de informações valiosas, a única outra coisa que Perlla podia querer era poder realmente conversar com ele sem se preocupar.
O bilhete contava sobre conversas interessantes que haviam ocorrido no bar e confições feitas graças a influencia do álcool, algumas delas realmente impressionantes, como o nome de um fugitivo cuja existência deveria ser segredo, ou outras mais comuns como alguém que estava indo a falência graças a bebida.
— Você continua tão observador quanto antes, G – a garota comentou com um sorriso.
— — — sábado, seis da manhã
Charles acordou assustado, graças a uma surpresa desagradável, o som da porta do quarto batendo, mesmo que ele tivesse certeza de te-la trancado.
Ele se levantou e olhou pra porta, ela estava fechada com a chave do lado de dentro, ao testar a porta, ela ainda estava presa, mas havia um livro no chão, a contracapa preta, um simbolo vermelho de três triângulos em cima de um retângulo, tudo circulado por chamas.
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