Sociedade Secreta de Anti-Heróis
3 Três Semanas em Segredo
– Preparado para as novidades homem das cavernas? – Carrie indagou puxando uma cadeira e jogando os diversos jornais sobre a mesa. – Agora vou cumprir com minha parte do trato.
– Ótimo.
– Há um novo vigilante em uma cidade na redondeza, eles o chamam de Flash, Oliver foi com a sua turminha para lá e ajudou a capturar um meta-humano.
– Isso não está escrito nos jornais. – Ele disse folheando cada um deles.
– Tenho minhas fontes querido. – Ela sorriu. – Ninguém consegue vê-lo e as únicas imagens dele são esses borrões vermelhos. Ele não é tão fácil de se pegar.
– E você quer procurar encrenca com ele?
– Ele faz parceria com Oliver, conseqüentemente ele já veio para Starling ajudá-lo também e não deve demorar muito para que Oliver peça pela ajuda do velocista, então, temos que ampliar nossos conhecimentos e barreiras.
– E como vamos conseguir derrotar o homem mais rápido do mundo? – Slade reproduziu em voz alta aquilo que estava escrito no jornal.
– Há outro vilão que entra nesta história, na verdade dois, mas um deles não sinto muita confiança.
– E quais seriam estas opções?
– Um eles o chamam de Capitão Frio, ele tem uma arma que congela qualquer pessoa e até mesmo o nosso velocista e a segunda opção eles o chamam de Flash reverso, pelo nome já dá para tirar suas opiniões.
– Devemos conhecer mais sobre ambos, realmente esse Flash reverso seria tentador, porém são os mesmos poderes do nosso amado herói e não sabemos até quando ele estará disposto a nos ajudar. E o mesmo digo do Capitão Frio, afinal, ele tem uma arma que congela, o que nos garante que ele não fará isso conosco?
– Isso pode ficar por sua parte. – Ela levantou-se e pegou seu sobretudo indo em direção a saída.
– Onde você vai?
– Oras, vou vigiar nossa isca, quero que ela esteja bem até o dia do abate.
– Você deveria saber que Oliver tem mais inimigos.
– Já pesquisei sobre eles Capitão Bumerangue, Conde Vertigo, Rei Relógio, Tigre de Bronze e os demais, mas nenhum me despertou interesse. Ah, já estava me esquecendo, o homem que ele ajudou Flash a prendê-lo em Central City se chama Roy G. Bivolo, mais conhecido como Prisma. – Ela jogou a pasta com a ficha técnica completa do vilão para o homem a sua frente. – Ele desperta os piores sentimentos das pessoas apenas com o olhar.
– Magnífico. – Slade sorriu, aquele poder poderia ser útil de qualquer forma e tinha algo planejado em sua mente, algo muito ruim no qual faria Oliver sofrer ainda mais. – Já planejamos diversas teorias sobre como nos vingar de Oliver e o que fazer com Felicity. Mas esse cara pode ser o ponto chave do nosso plano.
– Ele pode despertar em Oliver o ódio, ainda mais que a sua amada não corresponde por seus sentimentos.
– Fiquei um pouco perdido nessa parte.
– Algum tipo de crise existencial do casal, eles se amam aparentemente, porém nenhum dos dois tomam uma decisão.
– Que pena. – Ele gargalhou. – Pensei que ele fosse mais seguro de si quando se tratava de mulheres.
– Seu plano é brilhante, resgatamos o Bivolo, despertamos o ódio em Oliver e ele mesmo acabará com Felicity e quando ele acordar e perceber o que fez não irá se agüentar de tanta dor e culpa.
– Sabe o que é ainda mais brilhante? – Perguntou Slade puxando para mais perto a mulher ao seu lado, até que ela sentou em suas pernas passando um de seus braços em torno dos ombros do homem. – A nossa sintonia, o modo como você sabe o que eu estou pensando me conhecendo apenas em três semanas.
– Nós somos loucos, bobinho. – Ao terminar a conversa ela o beijou, um beijo avassalador de tirar o fôlego. – Acho que vou deixar para expiar a nossa vítima depois.
– Também acho que seja uma ótima idéia.
***
– Você irá me acompanhar em todos os almoços?
– Você não gosta de minha companhia? – Oliver fingiu estar ofendido, mas entendia que às vezes Felicity deveria querer ter momentos a sós consigo mesma como ele.
– Não foi isso que eu quis dizer, me desculpe. – Ela sentiu suas bochechas queimarem de vergonha. – É que não gosto de incomodar ninguém, você já teve que se mudar para minha casa, agora todos os dias me leva e busca da empresa.
– Eu não importo, estou com a melhor companhia do mundo.
Felicity sorriu meio sem jeito, como ela amava Oliver e nem mesmo ela entendia sua dificuldade em lhe dizer que o amava, porém ela sentia que poderia ferir ainda mais seus sentimentos, pois Oliver um dia feriu quando ela disse que o amava, disse que não poderia se relacionar com quem ele se importava devido ao perigo de sua dupla identidade, não poderia ser o Arqueiro e ao Oliver Queen e agora ele se mantinha tão perto que conseguia confundir os pensamentos da loira.
Desta vez ele a levaria para casa, ele já havia comprado o almoço, apenas queria ter mais tempo com ela.
– Como foi esta parte do seu dia? – Ele perguntou perante o percurso.
– Razoável, quero dizer estou trabalhando em um projeto e a instabilidade do Palmer em dizer algo que não seja um enigma está me deixando uma pilha de nervos, ele é um gênio, mas parece um adolescente de 13 anos.
– Isso eu já imaginava.
– O que?
– Que ele se parecesse com uma criança de 13 anos. – Ele riu tentando não se lembrar daquele péssimo dia em que viu Palmer beijando Felicity, como odiava aquele homem.
– Tudo bem, não vamos falar mal do meu chefe, isso não é legal.
– Todo funcionário fala mal do chefe.
– Você deve ter experiência com isso. – Ela o provocou enquanto abria a porta de seu apartamento. Ele a olhou com uma expressão divertida, sabia que aquilo havia sido uma brincadeira.
– Assim você vai acabar me ofendendo.
– Você fica uma graça quando finge estar ofendido. – Ela disse segurando o rosto de Oliver com ambas as mãos. Aquele toque quente e carinhoso que Oliver sempre amou.
Ela deu alguns passou para trás para poder enfim se livra daqueles saltos e andar por sua casa descalça como quase sempre gostava.
– Que cheiro bom.
– Comida italiana. – Ele piscou singelamente para ela, ele quase nem percebeu seu gesto e quando sentiu, já havia sido feito. Felicity sentiu seu rosto corar novamente e ela saiu do seu transe quando ouviu seu celular tocando.
– Palmer? Aconteceu alguma coisa?
“- Sim, não te encontro em lugar algum.”
– Ray, talvez seja porque nós funcionários normais tenhamos horário de almoço e acho que você deveria experimentar fazer isso também.
“- Oh, perdi a hora, acho que... Tudo bem, você deu andamento no projeto?”
– Sim, os arquivos estão sobre minha mesa, mas se puder fazer o favor de não desmarcar minhas anotações eu agradeço, gosto de manter minhas organizações.
“- Ah claro, vou tentar fazer isso.” – Ray disse um pouco aflito.
– Você já atrapalhou meus papeis não é? – Felicity disse com os olhos fechados tentando manter a calma.
“- Eu não me dou bem com papeis, a natureza me agradece todas as vezes que utilizo meus computadores a Srta. também deveria experimentar fazer anotações assim.”
– Ray, se afasta dos meus papeis, da minha mesa e da minha sala agora. Você deve ter me atrasado mais meia hora de trabalho no mínimo. – Ela respirou fundo contou até três mentalmente. – Vá almoçar e depois conversamos sobre o projeto e eu vou descontar o tempo que fiquei com você ao telefone no meu horário de almoço, então vou chegar 15 minutos depois do horário está bem? Tchau.
Ela desligou afastando uma mecha de seu cabelo que insistia em lhe incomodar, não conseguia acreditar que Ray estava lhe perturbando naquele momento. Quando ela olhou novamente para Oliver ele sorriu carinhosamente para ela indicando a cadeira.
Ela não pôde evitar sorrir, ele puxou a cadeira para ela como um bom cavalheiro e em seguida lhe serviu vinho. Aquele almoço lhe fez lembrar o jantar desastroso que tiveram, mas que tinha tudo para ser encantador, assim como ela acreditava que aquele momento seria.
Depois das trocas de sorrisos sobre conversas engraçadas, o almoço ter acabado e a taça de vinho já estar vazia eles sentaram-se no sofá, Felicity ainda tinha tempo para poder descansar um pouco, a TV estava ligada, mas nenhum dos dois prestavam atenção nela.
– Você acredita que Ray veio me perguntar se nós estávamos namorando?
Oliver apenas sorriu imaginando se aquilo fosse real.
– Não vou nem perguntar de onde ele tirou esta idéia. – Ele sorriu apoiando sua cabeça sobre sua mão. – E o que você disse?
– A verdade, mas acho que ele não acreditou muito, já que estamos nos encontrando todos os dias depois do trabalho, durante meu horário de almoço e até mesmo antes de meu expediente começar.
Oliver imaginou se um dia, quando esta pergunta fosse feita a jovem novamente ele finalmente a ouviria dizer que sim, que ela enfim havia conseguido ganhar o coração de Oliver Queen somente para si. Mas se ele realmente quisesse que aquilo se tornasse real antes que a perdesse de uma vez por todas teria que tomar a sua iniciativa, esquecer de todos os problemas e empecilhos criados por si.
– Acho que agora ele deve gostar ainda menos de mim.
Ela olhou para Oliver que ria discretamente, ela bateu no braço dele de leve como se o repreendesse.
– O que posso fazer se até mesmo Palmer percebe o que há entre nós?
– Oliver, por favor.
– Felicity, nós já estamos a um mês vivendo sobre o mesmo teto e você sabe dos meus sentimentos em relação a você.
– Oliver, estamos na mesma casa devido a uma situação de risco... – Ela fechou os olhos segurando suas lágrimas.
– Pense bem Felicity nós amamos um ao outro.
– Oliver, eu não quero me entregar a você, entregar o meu amor e depois, quando qualquer coisa que acontecer, você dizer que não podemos ficar juntos devido a minha segurança. – Uma lágrima escapou e o coração de Oliver se feriu com aquilo. – A Cupido e o Slade estão por aí, provavelmente caçando minha cabeça e eu estou me preparando quando este dia chegar. Eu não quero entregar o meu amor e ver você sofrendo caso eles façam algo comigo ou vice versa.
– Felicity, meu coração já está despedaçado só de te ver todos os dias e não poder te tocar, lhe amparar e te chamar de meu amor. Eu sofro com isso todos os dias e percebi, apesar de tarde, que é te mantendo por perto é que você está mais segura. Então não se afaste de mim.
Ele tentou se aproximar dela e a mesma se levantou, caminhou com as lágrimas traçando um caminho em suas bochechas. Quando ela se aproximou da porta de seu quarto e a abriu teve uma surpresa nada agradável.
– Oliver. – Ela chamou o nome dele fracamente encostando-se à batente da porta quando suas pernas fraquejaram, ele viu sua reação, a princípio pensou que ela estava apenas passando mal, caminhou até ela, sua palidez aparente, lhe enxugou algumas lágrimas que escorriam e olhou para onde ela indicava.
Sobre a sua cama estava uma espada e uma flecha com um coração na ponta. Era sim um recado depois de três semanas sem notícias e sem aparições. Felicity não entendia o que estava acontecendo apenas que o choro estava impossível de se controlar, Oliver lhe abraçou e ele pôde sentir quando ela afundou o rosto em seu peitoral.
Nunca havia visto Felicity com tanto medo como naquele dia. Ele telefonou para Diggle e Roy, eles foram até o apartamento da loira que a nenhum momento se distanciou dos braços acolhedores de Oliver e o mesmo se afastou somente quando precisou conversar com seus amigos sobre o que aconteceu.
– Como eles conseguiram entrar aqui sem nem ao menos serem percebidos?
– Não tenho nenhuma idéia.
– Ela está bem? – Roy perguntou sem parar de olhar nenhum segundo a Felicity, que tinha o olhar fixo na janela de seu apartamento imaginando o momento que uma flecha atravessaria o vidro e lhe atingiria.
– Ela vai ficar. – Oliver disse olhando para ela novamente. – Ela não está conseguindo assimilar tudo isso que está acontecendo, mas...
– Hey Oliver, fique calmo ela precisa de você agora.
– Eu não sei o que eu faço, se você visse a reação dela, Diggle ela está à beira de experimentar o que é loucura.
– Nós daremos um jeito, não vamos permitir que encostem a mão em Felicty.
– Não devíamos alertar a polícia? Chamar o Lance? – Sugeriu Roy.
– Pensei nisso, mas ele pode acabar somando um mais um e descobrir a verdade sobre o arqueiro. Vamos apenas planejar algumas estratégias, pois acho que é isso que eles estão fazendo.
– Faremos isso. Vou informar Waller e pedir que ela deixe reforços da A.R.G.U.S no prédio da Felicity. – Diggle pegou o telefone. – Vamos voltar para o covil, vocês precisam de mais alguma coisa?
– Não. Muito obrigado por tudo. – Oliver agradeceu e em seguida se despediu, voltando a ficar próxima de Felicity. Ela olhou para ele profundamente, procurando ser amparada. – Vai ficar tudo bem, estou aqui com você. – Ele segurou firme a mão da moça que concordou com um aceno.
– Tenho que voltar para o trabalho.
– Acho que não deveria, não está em condições.
– E o que vou dizer para Ray? – Ela olhou seriamente para Oliver. – Olha Ray não posso trabalhar mais hoje, pois, estou sendo perseguida por dois assassinos que acabaram de deixar duas armas sobre minha cama.
– Hey, tudo bem. Eu te levarei para o trabalho, não saia de dentro da empresa, eu irei lá dentro para te buscar.
– Tudo bem. – Ela sorriu singelamente. Oliver ajudou ela se levantar do sofá e enquanto a moça lavava o rosto e retocava a maquiagem ele fez lá suas ligações para um amigo mais rápido do mundo.
***
– O que está acontecendo Barry? Você parece preocupado. – Caitlin fitava o jovem que mantinha em seu rosto as feições de seriedade e de preocupação.
– Era o Oliver, disse que Felicity está correndo perigo.
– O que aconteceu? – Cisco intrometeu-se na conversa.
– Oliver me disse rápido demais sem entrar nos detalhes, pois não queria que Felicity escutasse, mas ele disse que dois antigos inimigos dele haviam escapado da prisão a cerca de três semanas e eles deixaram um recado de mau gosto para Felicity.
– Esse recado de mau gosto não envolve nenhuma parte do corpo enviada pelo correio não é? – Cisco perguntou já sentindo seu estômago dar piruetas só de pensar na cena.
– Não. Cisco, Caitlin procurem tudo sobre um tal de Exterminador e da Cupido.
– Belos nomes de vilões. – Disse Cisco.
– E como anda Felicity? – Perguntou Dr. Harrison Wells ouvindo a conversa de Barry com seus companheiros de seu ‘turno extra de trabalho’.
– Oliver disse apenas que ela está abalada, mas ela é a Felicity, mesmo estando com medo ela tenta ser forte. – Barry sorriu ao perceber que ele conhecia bem a amiga perante as poucas conversas que já tiveram oportunidade de jogar fora.
– Vamos ajudar no que pudermos, Felicity é nossa amiga, não vamos deixar nada acontecer a ela. – Completou Caitlin vigiando um dos monitores ao lado de Cisco.
***
– Você deveria estar lá para ver, Felicity parece ser mesmo adorável pena que ela foi se relacionar com a pessoa errada. – Carrie dizia em meio uma risada e outra, Slade apenas observava a mulher se aproximar após passar um bom tempo sumida por aí. – Ela ficou branca como uma folha de papel.
– Eu quero ver Oliver sofrer, ele vá se acostumando que isso é apenas o começo. – Slade disse com convicção ainda de frente para o mural que continha os planejamentos. — Quando vamos começar a planejar a invasão ao S.T.A.R. Labs?
– Já estava pensando em começar isso por amanhã, mereço uma noite de descanso.
– Tudo bem, amanhã. – Ele disse sem momento algum tirar os olhos do mesmo local. Slade imaginava como seria o grande dia e desta vez ele prometeu que não iria falhar, destruiria o Arqueiro, destruiria quem ele ama, destruiria Oliver Queen.
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