Sociedade Secreta de Anti-Heróis
5 Sejam Bem-Vindos à Central City
Notas iniciais
Oliver ao acordar não teve coragem de se mover, via a jovem loira deitada, dormindo tão tranquilamente sobre seu peito que poderia ficar daquela maneira quanto tempo fosse preciso. Ele retirou algumas mechas do cabelo dela que escondiam seu rosto, ele não pôde evitar um sorriso, tanto sonhou um dia acordar e poder tocá-la, poder tê-la tão perto de si.
Ele não sabia explicar, mas a felicidade transbordava de seu coração, não podia acreditar que perdera tanto tempo para ouvir aquele eu te amo, aquela singela frase ser pronunciada por aquela voz tão delicada de uma dona tão respeitada quanto Felicity. Deveria tomar cuidado do que tinha de mais precioso, tinha que tomar conta de Felicity, de sua irmã e de seus amigos e começaria a planejar algo contra Slade naquele momento antes que ele desse o primeiro passo e fosse tarde demais para evitar a guerra.
Ele suspirou pesadamente quando se lembrou do Exterminador e da Cupido, o que eles seriam capazes de fazer ainda por cima juntos? Ele ficou um pouco incômodo com aquilo, Carrie não sabia nada sobre a vida de Oliver Queen, mas mantinha uma obsessão maluca sob o Arqueiro, já Slade sabia tudo sobre sua vida pessoal, seus pontos fracos e seus pontos fortes, seu modo de luta, suas distrações. Sabia sobre o amor que nutria por Felicity, sabia que não suportaria mais uma perda, sabia que seu chão desmoronaria se perdesse Felicity e Thea. Mas conseguia uma vantagem Thea agora sabia se defender e tinha Merlyn, já Felicity era o gênio por trás de tudo.
Voltou sua atenção para a loira que estava acordando, ela tampou o rosto com ambas as mãos, acreditou ele que era devido a claridade.
– Nós dormimos juntos? – Ela o olhou por um instante e processou o que havia dito, aquilo parecia uma frase de duplo sentido. – Não juntos dessa maneira que eu acho que deva ter entendido, mas juntos...
Ele deixou uma gargalhada escapar, como adorava aquele jeito dela, a forma como ela se enrolava com as palavras quando estava nervosa, ou um pouco sem graça perante algumas situações, mas o modo como suas bochechas coravam era a melhor naquele momento, ela parecia uma boneca de porcelana. Ele a segurou em um abraço e beijou o topo da cabeça da loira lhe desejando em seguida um bom dia.
Ela ficou um pouco mais confortável diante do gesto do homem, como aquilo lhe era tão agradável, aquele abraço, sentir o cheiro dele, mantê-lo tão perto. Ela podia perceber que sua concentração estava indo embora e foi neste momento que ela resolveu que deveria se levantar.
– Bom dia. – Ela sentou-se e olhou para ele, em seguida ajeitando seus cabelos pensou que merecia um café. Ela foi interrompida quando tentou levantar, ele não queria deixar aquela bela vista se afastar assim. – Oliver. – Ela se queixou de modo quase infantil que amoleceu o coração do homem. – Preciso de café, você já me viu raivosa?
– Somente quando eu duvidei de seu potencial.
– Aquele dia poderia ter sido pior se eu não tivesse tomado café.
– Tudo bem, é melhor deixar você tomar seu café. – Ele também se levantou, cada um foi para um banheiro e em seguida arrumaram suas respectivas camas. Quando ela foi preparar o café ele se ofereceu para buscar algo na padaria, Felicity disse que não precisava se incomodar, porém o dia seria puxado devido ao treinamento e nada melhor que um café da manhã reforçado.
Durante o café eles se permitiram trocar uma singela conversa além dos olhares e sorrisos. Oliver perante isso deixou claro sobre o que acharia melhor para Felicity, treiná-la para sua alto defesa. A loira estranhou a principio, afinal estava começando com seu ritmo em seus DVDs de ginástica para iniciantes e Oliver pegava pesado nos treinos.
– Sério? Você está falando sério?
– Felicity eu posso ficar um pouco. – Ele fez uma pausa pensou melhor nas palavras que usaria não queria causar má impressão. – Minimamente tranqüilo com você sabendo se defender.
– Promete que não vai ficar paranóico? Digo, eu não nasci para essas coisas sabe calça de couro, lutas, ser uma grande heroína, combates corporais não é minha área.
– Não quero que se torne uma vigilante.
– Eu sei, mas o que quero dizer é que, se eu não der conta de pegar o seu ritmo, você sabe que é extremamente desenvolvido e muito bom no que faz. – Felicity parou bruscamente a frase quando teve oportunidade de processá-la bem, em seus pensamentos uma contagem regressiva foi iniciada, ela precisou respirar um pouco antes de falar mais uma de suas frases marcantes de duplo sentido na frente de Oliver, escondeu seu rosto entre ambas às mãos quando não conseguiu conter a vergonha e ali perto se ouviu uma doce risada masculina invadir o ambiente.
– É exatamente isso que eu amo em você. – Ele disse se levantando e beijando a cabeça dela. – Quer mais café?
– Por favor, talvez assim eu acorde e comece a processar as coisas melhor antes de dizer. – Oliver sorriu enquanto caminhava com duas xícaras nas mãos. Estava sendo uma manhã tranqüila e adorariam tirar o dia para ficarem em casa, mas não seria assim que o dia funcionaria, o vigilante não tinha dia de folga e sabiam que uma hora ou outra essa tranqüilidade iria acabar.
***
Carrie caminhava calmamente no lado de fora de um galpão, conseguiu informações de que seu querido Leonard estaria por ali. Slade já estava no lado de dentro e através de um comunicador entravam em contato. Ele não conseguiu ver ninguém e temia que as informações tenham-no levado a lugar nenhum. Carrie adentrou o galpão pela outra entrada, não teria como o homem escapar, o acordo deveria ser feito e esperava a maior contribuição da parte dele.
Não demorou muito para que se esbarrasse com Slade durante o curto percurso, e onde estaria quem ela mais ansiava naquele momento? Não estaria distante, um par de olhos observava tudo muito bem, poderia se dizer de camarote, a vista mais privilegiada. Ele apontou a arma, a mesma arma que usara contra Flash, aquela que ambos logo abaixo dele queriam ter em mãos.
Um tiro poderia ser fatal, mas ele não quis acertá-los antes sem saber o que eles queriam de verdade, então, apenas um susto, um raio congelante passou raspando o rosto de Slade e atingiu em cheio uma caixa de madeira ao seu lado, não queria nem imaginar o que aconteceria consigo se aquilo lhe atingisse, mas foi tomado por sua ira antes mesmo de conseguir processar uma única palavra.
Carrie agindo mais rápida segurou o braço do homem evitando que ele cometesse alguma loucura, precisava não somente da arma, precisava de Leonard Snart precisavam passar por Flash e ele o conhecia melhor do que os dois juntos.
– Olá eu sou Carrie Cutter, mas pode me chamar de Cupido e este é meu parceiro Sla...
– Exterminador. – Slade olhou para a mulher, inúmeras vezes havia repetido, não gostava de ser tratado por seu nome em zona de guerra. – Deixe dessas baboseiras e vamos ao que interessa.
Carrie olhou friamente para o homem, mas aquilo não faria diferença para Slade, com ou sem Mirakuru correndo em suas veias ele continuava sendo o Exterminador e não teria que temer ninguém nem mesmo uma mulher. Carrie se aproximou de onde Leonard se encontrava observando de longe atentamente.
Ela tirou a peruca de sua cabeça e o sobretudo patético que usava, ela queria mostrar a ele um ponto de confiança, mas nem ligava para os riscos, até mesmo parecia que ela acreditava que nenhum homem poderia lhe fazer qualquer tipo de mal.
– O que vocês querem?
– Flash, queremos que você mate-o.
– Você acha que eu já não tentei? Tem que ter um plano não é apenas assim chegar e dizer para matá-lo, se você não sabe ele é um velocista filho da mãe. – O rapaz disse raivoso descendo de onde se encontrava e parando logo a frente da mulher. – E qual o seu objetivo?
– Tenho objetivo de matar outro vigilante de outra cidade, mas para não correr risco preciso eliminar o amiguinho dele antes e resgatar a ultima pessoa que falta para meu plano.
– O que me garante que não irão me matar e pegarem a arma?
– A sua cabeça garoto. – Slade puxou a espada com total rapidez colocando certeiramente no pescoço do homem, Carrie olhou reprovando a atitude, mas ele nem mesmo prestava atenção. – Ou você nos ajuda ou eu arranco sua cabeça fora agora mesmo.
– Você sabe que eu tenho uma arma na minha mão?
– Você ouviu direito quem eu sou?
– Não vamos estragar as coisas rapazes, á muito em jogo e eu apenas quero me divertir com tudo isso, então apertem as mãos tornem-se amiguinhos e vamos passar o plano.
– Certo. – Leonard concordou abaixando sua arma em seguida Slade fez o mesmo virando-se de costa e caminhando tranquilamente, Leonard não perderia a oportunidade e atirou em seu pé, uma mísera parte ficou encoberta por uma camada de gelo e o urro de raiva de Slade poderia ser ouvido por qualquer um que passasse por ali perto, mas a vantagem era aquela, ninguém tinha coragem de andar por aquela região. – Agora estamos quites grandalhão e não aponte mais essa faca no meu pescoço ou caso contrário irei congelar sua cabeça.
***
O plano teve suas pequenas modificações nada que mudasse o percurso das coisas, tudo estava indo como planejado ainda, Leonard disse o que ficaria melhor, os pontos fracos do Flash diante da arma e como deveriam invadir S.T.A.R. Lab.
Ali no novo refúgio passariam alguns dias, não poderiam atacar as cegas teriam que esperar o momento perfeito para colocarem o plano em ação, estudariam juntos sobre o inimigo, o que usariam para convencer Prisma de participar da jogada, Carrie imaginava que com ele não seria tão difícil assim, afinal era ela que estava no comando Slade gostando disso ou não.
– E posso saber quem é o vigilante que vocês querem vingança? – Leonard apoiou os pés sobre a cadeira demonstrando estar confortável diante daquilo tudo.
– O chamam de Arqueiro. – Slade olhou para o rapaz a contra gosto. – Conheço aquele menino, eu o treinei e agora eu quero destruí-lo.
– O criador e sua criatura. E como pretendem emboscá-lo?
– Iremos capturar a namoradinha dele. – Carrie disse deslizando sua mão de um ombro ao outro do rapaz logo em seguida jogou a foto de Felicity na frente dele. Leonard pegou a foto e observou bem em seguida virou-se bruscamente para Carrie.
– Eu conheço esta garota, ela estava junto com os amiguinhos do Flash quando eu o encurralei, eles impediram que eu terminasse o serviço.
– Ótimo, entra para a fila rapaz porque ela já é nossa. Ainda estou em uma disputa com Carrie para decidir quem vai matá-la, então...
– Meu objetivo principal é o Flash, pouco me importo com seus fieis ajudantes apenas quero ele morto.
– Ótimo, temos um acordo então.
– Você terá o que quer assim como nós também. – Carrie sentou-se logo à frente. – Apenas não estraguem tudo, temos um plano em mente algo brilhante e estamos quase completando 50% dele, então, não gastem energias brigando entre si.
Ela caminhou pelo galpão a fim de pensar, conseguir obter os 10% que ainda faltavam para o plano perfeito. Talvez isso demorasse, mas ela, afinal, não tinha pressa.
***
– Já chega, eu não agüento mais. – Felicity saiu do tatame, estava cansada de levar rasteiras e sempre ouvir a mesma frase ser pronunciada dos lábios de Oliver “Outra vez”.
– Felicity desta maneira você não vai aprender nunca.
– Você é humano Oliver? – Diggle não pôde deixar de rir da pergunta retórica feita pela mulher. Ele assistia atento cada passo deles nos treinos, havia concordado com Oliver sobre o treinamento, só que achava que ele estava começando extrapolar no tempo de treino.
– Oliver ela precisa descansar um pouco. – Diggle interveio quando o viu abrir a boca para questionar, sabia que eles acabariam discutindo novamente. Oliver revirou os olhos e caminhou até sua garrafa de água. Pegou uma toalha e enxugou sua nuca, logo voltaria para a barra. – O que vocês estão me escondendo?
Felicity engasgou enquanto bebia água Oliver preocupado dirigiu-se até ela com o intuito de ajudá-la, mas não tinha nada o que fazer. Diggle manteve-se de braços cruzados e com o olhar semicerrado até mesmo não desfez a pose quando Roy passou por si.
– Aconteceu alguma coisa?
– Eles estão estranhos. – Diggle disse sem tirar os olhos de ambos. – Quando perguntei o que eles estavam me escondendo Felicity engasgou.
– Primeiro sinal de que alguma coisa eles estão escondendo. – Roy tomou a pose de Diggle para si também, cruzou os braços fixou o olhar no casal e esperou. Felicity ficava cada vez mais vermelha com a tamanha pressão, mal conseguiu olhar durante poucos segundos para Oliver, como uma criança que pede ajuda dos pais pelo o olhar.
– Vocês são os seres mais insuportáveis que já conheci. – Oliver disse não conseguindo prender o riso. – Estamos juntos é isso que queriam ouvir?
– Vocês estão namorando? – Roy interveio Diggle que já caminhava na direção do casal. – Namorando sério mesmo?
– Sim estamos namorando. – Diggle abriu um largo sorriso ao ouvir aquilo e olhou para Roy.
– Até que enfim. – Roy disse recebendo um olhar fulminante de Oliver, mas o clima foi quebrado com a risada doce de Felicity, ela tinha que concordar que aquele tempo todo estava lhe enlouquecendo. Oliver lançou um olhar reprovador para Felicity e ela não parou de rir.
– Desmancha essa cara Oliver estamos brincando. – Ela segurou o rosto do homem entre suas mãos e ela percebeu sua feição mudar. Quando estava com ela tudo parecia diferente, tudo era diferente, podia esquecer-se de seu passado os 5 anos terríveis que tivera que passar e como aquela mulher conseguia fazê-lo ser alguém mais feliz? Ela era diferente das outras, não estavam com ele por causa de seu nome, de sua herança, de seu porte físico, mas sim porque ela acreditava que existia um maravilhoso homem recluso dentro desta carcaça carrancuda que Oliver insistia em manter certas vezes.
Por um momento eles esqueceram-se de onde estavam e das pessoas que os observavam. Oliver encurtou a distância entre eles e selou seus lábios ao dela por um curto prazo de tempo. As bochechas de Felicity que se acostumassem, pois, mais uma vez elas tomavam uma tonalidade mais vívida.
– Eu te amo. – Oliver disse ainda olhando fixamente nos olhos dela que não conseguiu evitar abrir um sorriso sincero.
– Eu também te amo.
Roy e Diggle iniciaram uma falsa crise de tosses lembrando que estavam presenciando a cena, o casal meio sem jeito afastaram-se minimamente ele ainda mantinha seu braço em torno da cintura de Felicity que estava começando a se acostumar com a proximidade dele.
– Porque você está com esta roupa Felicity?
– Oliver disse que ficaria menos receoso se eu concordasse a aprender luta corporal.
– Obviamente eu não disse com estas palavras. – Ele disse com um largo sorriso nos lábios como se estivesse orgulhoso, caminhou até o tatame novamente e a chamou. – Você ainda tem muito que aprender.
– Acho que vamos ter que deixar isso para depois. – Felicity disse olhando atentamente para os monitores. – Parece que estão roubando um carro forte.
– Roy hoje você pode ficar?
– Claro.
Diggle e Oliver se prepararam e em seguida seguiram para sua missão ouvindo atentamente pelo comunicador as instruções de sua técnica. Quando o Arqueiro juntamente com seu ajudante conseguiram encurralar os ladrões após muita luta o reforço policial já estava a caminho e antes deles aparecerem era hora de saírem de cena.
***
Carrie observava atentamente a tela de seu celular, onde o mapa indicava, exatamente aquela boate onde seu querido Oliver poderia se encontrar, um ponto vermelho piscava. Slade um pouco curiosos se aproximou querendo saber o que estava acontecendo e ela lhe mostrou.
– Você está rastreando eles. Como conseguiu?
– Nem sempre se deve confiar nos seus contratados. – Ela sorriu. – Tenho pessoas infiltradas na empresa, quando disse que estava pensando grande não era apenas um sonho querido. – Slade sorriu ao mesmo tempo vitorioso, não acreditava no que aquela mulher poderia ser capaz. – O rastreador está no carro dela e ela jamais irá descobrir.
– Cada dia me arrependo menos de ter fugido com você.
– Tenho certeza que se arrependerá menos ainda quando ver o resultado disso tudo. Será algo grandioso meu Exterminador.
Ela beijou Slade rapidamente e ele sorriu após o ato. Agora mais do que nunca estava querendo saber o final daquela grandiosa história e queria que tivesse a vitória dos vilões escrita nela, pois Oliver Queen pagaria e não seria barato.
– Quando pegarmos Bivolo teremos um único objetivo, assustá-los, atacaremos Felicity com suas próprias armas.
– E quais seriam? – Leonard perguntou.
– Seus próprios amigos, bobinho. – Carrie piscou na direção do rapaz e sorriu. Sua loucura naquele momento era sua melhor arma e sua melhor criatividade, pois era aquilo que envolvia seus planos, que dava vida ao que tinha sonhado há tempos fazer, acabar de vez com aquele que feriu seu coração.
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