Sociedade Devoradora de Cérebros
6 A Fuga
Notas iniciais
Nós 3 havíamos visto uma das piores coisas que o ser humano pode ver, porém não há tempo para lamentações, os doentes vinham de todos os lados. Precisávamos voltar para a sala do sr. Gerard, vivos se possível. Eu pego a pesada escopeta encharcada de sangue da boca de Jack e a levo comigo enquanto Fred e Laura correm à minha frente na direção da porta dos fundos do colégio, ao adentrar o corredor, Fred e eu fechamos com força a porta. Grito enquanto aponto:
– Empurra esse armário para formar uma barricada !
Fred faz oque eu digo, até Laura o ajuda sem questionar enquanto eu seguro a porta para os doentes não entrarem com muita força. Os 2 derrubam o armário na frente da porta e subimos a escada correndo, ao chegar na frente da porta da sala do sr. Gerard, eu chuto para abrir com força e velocidade, aparentemente haviam retirado a barricada, provavelmente porque haviam mandado um grupo de resgate e estavam o esperando voltar. O professor estava desenhando um mapa da cidade com giz no quadro enquanto explicava alguma coisa sobre semáforos.
– Temos que sair daqui agora ! — Exclamo, olhando para ele. Laura fecha a porta atrás de nós e tranca.
– Ninguém vai a lugar algum, David. Estamos bem seguros aqui. — O professor responde, com calma.
– Não! Vocês não entendem, os doentes vão invadir ! — Grito, com um pouco mais de força.
– Ainda é mais seguro se...
– Besteira ! — Grito agora para a sala toda ouvir, todos estavam olhando com atenção para mim. — Temos que dar o fora daqui, e agora !
– Ninguém vai a lugar algum ! — Sr. Gerard grita com o mesmo tom de voz.
– Vamos sim, com ou sem você ! — E aponto a escopeta que eu segurava para ele, com as duas mãos, não é tão fácil quanto parece.
O professor levanta as duas mãos em sinal de rendição:
– Tudo bem, garoto. Mas vamos com calma.
– Não há mais calma ! — Aponto a escopeta um pouco mais alto, para a cabeça dele. — Ficar nessa escola está acabando comigo pouco a pouco, já perdi amigos demais para continuar aqui ! Quando o meu amigo ali abrir a porta, todos vão sair correndo para o portão de saída !
– Foi o plano mais ridículo que eu já ouv...
Nesse momento Fred destranca e abre a porta, e oque se sucede é uma série de eventos confusos e imprevisíveis, todos saem correndo para fora da sala em direção à porta da frente da escola. Sobram apenas o professor e eu.
– Não vamos sobreviver nem um dia fora dessa escola ! — Ele diz, com raiva. Mas sai correndo também. Eu vou atrás, com a arma.
O pátio da escola era uma confusão, não era possível distinguir humanos e doentes, todos corriam desesperados pela grande área aberta, eventualmente alguns pulavam em cima dos outros e mordiam suas jugulares, espalhando ainda mais sangue pelo chão. Tentei correr o máximo possível e evitar qualquer forma humanoide, principalmente aquelas manchadas de sangue. Um deles veio correndo direto em minha direção, apontei a escopeta e atirei. Nada aconteceu, então apenas bati em sua cabeça com a arma como se fosse bater em uma bola de baseball, e funcionou, ele caiu no chão, duro, com o pescoço levemente torto.
Enquanto corria, abri a arma para olhar o cano, estava vazio. Precisava de mais balas, eram muito úteis. Olhei para o portão de saída, estava a poucos metros de distância , Laura fazia sinal para eu me apressar do outro lado enquanto Fred fechava lentamente. Olhei para trás, não haviam sobrados muitos alunos, pelo menos não vivos. Corri e passei pelo portão enquanto Fred fechava com pressa e trancava com um cadeado que achou no chão. Dentro do pátio, dezenas de doentes corriam desesperados e alguns alunos sobreviventes tentavam alguma coisa subindo em mesas. Do lado de fora estavam Fred, Laura, sr. Gerard, um garoto de óculos e capuz que eu nunca tinha ouvido falar, um dos garotos que brigavam quando não tinham nada pra fazer na sala, era forte e alto, talvez tivesse reprovado um ou dois anos. E também uma garota ruiva, que era parte das líderes de torcida. De uma sala de dezenas de alunos, 6 e um professor saíram vivos.
– Nós vamos simplesmente abandoná-los ? — Perguntei enquanto apontava para o pátio.
– Primeiro de tudo, antes eles do que nós. — Disse o professor, se afastando do portão. — E segundo, a culpa é sua.
– Vamos simplesmente dar o fora daqui, por favor. — Fred respondeu impaciente enquanto andava para longe do portão, também.
– Claro. — Falo, resmungando.
O garoto de capuz recosta no carro próximo ao portão, parecia exausto. O veículo devia ser daqueles que aciona o alarme simplesmente porque alguém encostou, porque foi isso que aconteceu. O alarme extremamente alto começou a tocar:
– Droga. — Disse o garoto. — Foi mal, eu só queria...
– Quieto ! — Gritou Laura. — Estão ouvindo isso ? — E olhou na janela do carro. Sua expressão não era nada boa, era bem triste para falar a verdade. Ela faz o sinal para eu olhar.
Eu coloco o rosto no vidro e observo um bebê chorando, ele estava de touca azul e uma roupinha de bebê, alguém o esqueceu no carro.
– Ahn... Galera... — A garota líder de torcida apontava para uma horda de doentes aparecendo na esquina, seguindo o caminho do alarme, eles vinham correndo, como sempre.
– Droga, droga, droga !!! — Grito, pensativo.
– Eu não sei vocês, mas eu vou dar o fora daqui. — Dizia o professor, que também não parecia querer abandonar o bebê, apesar de estar desesperado para sair correndo.
– Eles estão se aproximando. — Fred me cutuca.
– EU SEI !! — Exclamo. — Droga.
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