Notas iniciais
Era uma vez um gato xadrez, que atirou com uma pistola de raio laser em vocês três

Essa foi provavelmente a pior madrugada da minha vida, todos da sala ficaram acordados por um tempo, mas eu simplesmente não dormi. Quando o garoto que estraçalhou Anne se acalmou e sentou, sr.Gerard chamou a atenção para si, batendo no quadro:

– Nós não podemos continuar assim ! Já está bem óbvio que se trata do vírus, e ele é transmitido pelo sangue. Se você for mordido, é de extrema importância que se delate e saia da sala antes de se tornar um daqueles...- O professor pensa um pouco e toma cuidado com as palavras. — Doentes.

Aquilo não adiantaria nada, todos sabíamos, quem quer que fosse mordido, nunca diria. Todos preferem matar todos ao seu redor, mas ter pelo menos mais um dia de vida. Todos voltamos para o chão para dormir, olhei em meu relógio, eram quase 4 horas da manhã, precisávamos dormir, mas eu não consegui parar de pensar, na Anne, na tia Mary. Quando olhei novamente, eram 6 horas, e o professor bateu no quadro para acordar todos, eu apenas sentei, fingindo que estava dormindo, não queria lições de moral sobre como dormir é importante. Sr.Gerard começou:

– Um grupo de 6 pessoas irá sair da sala para procurar por comida, temos voluntários ?

Ninguém reagiu, a lanchonete ficava fora do prédio central, perto da quadra de futebol, não era exatamente perto. Então Fred levantou a mão:

– Temos 4 pessoas prontas para o grupo, professor ! — E aponta para mim, Jack e Rachel, que não parecia muito feliz com a decisão.

– Isso é ridículo, a lanchonete fica a pelo menos 300 metros daqui aonde estamos ! É suicídio ! — Grita Rachel.

– Alguém precisa ir. — Fred olha para ela.

Sr.Gerard não parecia feliz com a discussão:

– Quem levantou a mão vai, não importa se você se arrepende de sua decisão ou não. — Ele diz, de forma crua e fria.

Fred vai para a frente do quadro:

– Ninguém vem comigo ? — E olha pra mim.

Eu vou, e olho pra ele com cara de "você é um idiota":

– Você sabe que é suicídio.

– É a nossa única chance, nós não vamos voltar. — Fred sussurra.

Agora eu havia entendido o plano dele, era realmente o momento perfeito para sair da escola, sr.Gerard não deixaria ninguém sair se a gente pedisse, mesmo que com educação. Jack olha para Rachel e eles começam a discutir, por fim os dois vem também se juntar a nós. O professor olha:

– Temos 4. Vocês acham que já é o suficiente?

– Vamos morrer. — Fred diz, com tom irônico.

– Mais 2 pessoas, então. — Grita sr.Gerard.

Ninguém se move.

– Eu vou ter que escolher, então ? — Diz ele, enquanto todos ficam com cara de medo.

– Vão vocês dois ! — Grita, enquanto aponta para Laura, que estava entre as patricinhas, sussurrando no canto, e para um dos garotos que estavam se espancando enquanto brigavam por um pacote de salgadinho, ele era forte.

– Isso é ridículo ! Ninguém pode me obrigar a ir para lugar algum ! — Laura não parece muito feliz com a decisão.

Suas "amigas" a empurram para frente.

– Traidoras. — Murmura.

– Tanto faz, eu vou sobreviver de qualquer jeito. — Diz o garoto, em tom convencido.

Agora nós 6 estávamos de pé na frente do quadro, o professor empurrou a barricada da frente da porta, olhou pela janelinha, e fez sinal de positivo, como se não houvesse nenhum doente no corredor. Ele abriu a porta:

– Se não voltarem em 1 hora, mandarei uma "equipe" de busca. — Todos queríamos espancar ele até a morte, porém o professor era provavelmente o mais responsável na sala, e o único que parecia saber oque estava fazendo.

Saímos pela porta, e ele fechou. Pelo barulho, colocou a barricada de novo no lugar. Se acontecesse uma emergência e precisássemos voltar para a sala, provavelmente estaríamos mortos. A nossa sala era a única que estava com a porta fechada, provavelmente todos saíram correndo quando tudo começou. Começamos a caminhar lentamente, sem fazer barulho, pelo corredor. Então Rachel empurra Fred para o chão, violentamente:

– Você quer nos ver mortos, é isso ? Por que nos colocou nessa missão suicida ? — Exclama ela.

– Bom... Achei que fosse apenas a oportunidade perfeita para fugir daqui. — Fred responde, com voz fraca.

Rachel coloca a mão na testa:

– Então você é apenas idiota... Se saíssemos de noite, a nossa chance de sobrevivência seria maior, obviamente, os doentes teriam mais dificuldade de nos verem.

– E se os zumbis tivessem visão noturna ? — Fred diz, com tom de dúvida.

– Zumbis ? — Eu penso, fazia sentido, pra falar a verdade.

– Sim, como aqueles dos clássicos de George Romero, sabe, Madrugada dos Mortos, Noite dos Mortos Vivos... — Fred responde, com a cara que ele fazia quando divulgava informações nerds completamente desnecessárias.

– Zumbis não existem... Esses doentes são portadores do vírus que todos estavam falando esses dias atrás. Provavelmente alguma variação do vírus da raiva ou alguma coisa assim. — Rachel diz, como se estivesse conversando com um idiota.

– Galera, me desculpa por interromper, mas temos um objetivo aqui. Temos que buscar comida ! — Diz o garoto, do qual eu não sabia o nome, e aposto que ninguém sabia.

– Ele tem razão. — Diz Laura.

– Ouça, nós estamos planejando fugir da escola para procurar um lugar mais seguro, se não estiverem com a gente, é melhor voltarem para a sala. — Responde Jack, estendendo a mão para Fred, e o ajudando a se levantar.

Laura e o garoto parecem pensar um pouco, enfim ele diz:

– Acho que está melhor lá fora que aqui dentro com aquele psicopata.

Nesse momento um doente dobra a esquina do corredor, lá atrás, parando de andar lentamente quando nos vê, começando a cuspir mais sangue do que estava antes, ele era um adolescente normal como nós, disparando em nossa direção. Fred e Rachel começam a gritar, e todos corremos pra frente. Estávamos desarmados, apenas um deles era suficiente para acabar com todos nós. O garoto tropeça em uma lata de refrigerante no chão e cai, torcendo o pé, gritando de dor. Rachel, Jack e Laura continuam correndo e entram em uma sala, Fred e eu paramos para olhar para ele, era tarde demais, já estava sendo devorado vivo, deixando uma grande poça de sangue no chão, gritos ecoam pelo corredor. Continuamos correndo e entramos na sala, aonde Fred e Jack fazem uma barricada na porta com a mesa do professor. Todos estávamos espantados e com cara de desespero, mais um se fora. Não sabíamos nem o nome, mas alguém se importava com ele. Ninguém ousava dizer uma palavra, Jack sobe na mesa e olha pela janelinha da porta, não faz uma cara feliz.

Notas finais
TRANSFORMERS ! ( more than meets the eye ! )