Notas iniciais
Esse é o segundo capítulo da minha fic. Exato, nem o primeiro nem o terceiro. Isso aí, não tenho nada pra falar.

Não tivemos aula de geometria naquele dia. Triângulos, quadrados, losangos e números, muitos números... Todos voaram pela janela enquanto o sr. Oswald vomitava uma grande poça de sangue no chão. A visão não era nada agradável, na verdade muitos alunos da sala estavam vomitando. Olhei para Fred, ao meu lado, e ele também era um dos que estavam colocando seu líquido corporal para fora. Olhei para Anne, do outro lado, e ela estava apenas pálida, com as mãos na frente da boca em sinal de surpresa, todos estávamos nos sentindo como ela.

Não tivemos aula alguma naquele dia, fomos dispensados da escola, pois o diretor estava com medo de que a doença fosse contagiosa ou alguma coisa assim. Muitos rumores e fofocas voaram pela escola, alguns diziam que o sr. Oswald tinha câncer, outros que ele tinha pegado AIDS (oque era pouco provável), porém o mais estranho era que ele tinha sido contagiado pelo vírus do qual os jornais estavam falando ontem, porém eles disseram que todas as espécimes estavam contidas em laboratório, com o tempo eu aprendi que não se deve confiar no que você vê na televisão.

Eu e Anne estávamos do lado de fora do banheiro masculino, na frente da porta, esperando Fred sair. As faxineiras estavam mal humoradas, entrando e saindo da nossa sala xingando o mundo e manchando seus uniformes de sangue do sr. Oswald. A cena não era engraçada, mas Anne começou a rir, e eu também não pude conter a alegria. Os lindos cabelos loiros dela balançavam enquanto ela dava risada, eu nunca tinha reparado em sua beleza, mas agora era impossível não ver. Mal percebemos que Fred estava nos olhando:

– Acabou a graça ? Podemos sair daqui agora ? — Ele falou, irritado.

Ao sair do prédio da escola, vimos o professor sendo levada com pressa em uma maca por 2 médicos em direção a uma ambulância. Ao entrar, o veículo saiu em disparada em direção ao portão da escola. Anne apontou em uma direção e eu pude ver, era Laura. Ela estava, linda como sempre, sentada em uma pedra mexendo no celular, Anne percebeu:

– Ela está sem as amigas protetoras. É sua chance.

– Isso é ridículo. — Eu falei, olhando sério para Anne.

– Vai logo. — Ela me empurrou na direção de Laura.

Eu andei lentamente na direção da menina mais bonita da escola, e sentei na pedra ao seu lado.

– Tudo bem ? — Eu falei sem jeito.

– Te conheço ? — Ela respondeu sem tirar a vista do celular.

– Não. — Eu estava extremamente envergonhado.

– Então por que eu falaria com você ?

– Foi mal.

Eu me levanto e caminho lentamente na direção de Fred e Anne.

– Podia ter sido melhor. — Eu chego falando.

– Você é muito retardado, cara. — Fred me xinga em tom de sarcasmo.

– Bom, você pode não sair com a garota dos seus sonhos hoje, mas ainda pode sair com seus amigos aqui. — Anne tenta me animar colocando a mão em meu ombro.

– Na verdade eu tenho que ir em uma convenção de quadrinhos, mas os dois pombinhos podem sair sozinhos hoje, pela primeira vez. — Fred disse, sorrindo.

– Não é uma má ideia. — Respondi.

Anne sorri:

– Perfeito. Abriu um novo restaurante na quarta avenida e eu queria jantar lá, pode me pegar em casa às 8 horas ? — Anne perguntou, ainda sorrindo.

Então caminhamos em direção ao portão da escola, Fred entrou no ônibus que ele pegava pra ir para casa todo dia. Anne me abraçou antes de entrar no carro de seu pai, ela nunca havia me abraçado antes. Naquele momento eu senti uma coisa estranha, algo que eu não sentia desde a despedida dos meus pais antes de vir para a cidade grande, amor.

Vim para casa cantarolando, e entrei no apartamento da minha tia Mary feliz. Gritei:

–Oi, tia!

– David, como foi na escola ?

– Excelente !

– Como ass...

Não deixei ela terminar a frase, entrei no meu quarto. Eu sempre almoço aqui dentro, por isso minha tia já deixa a comida na minha cama, e eu como enquanto jogo videogame ou alguma coisa assim. Eu avisei que a nossa relação não era exatamente maternal. Porém hoje não havia tempo para videogames, eu precisava comprar roupas decentes e um perfume, eu nunca tinha usado perfume na minha vida, que estranho.

Passei a tarde toda fazendo compras, e às 8 horas em ponto estava na frente da casa de Anne. O portão estava aberto, então eu apenas pulei, cheguei na frente da porta de madeira e toquei a campainha ao lado. Logo depois um homem atendeu a porta, ele tinha um lápis em uma mão e um papel azul na outra, provavelmente era engenheiro. Olhou pra mim com desprezo:

– Filha, seu amigo chegou !

Anne logo apareceu na porta e veio para o lado de fora. Ela estava linda, seus cabelos loiros estavam penteados, oque era muito estranho, pois ela nunca foi pra escola com o cabelo penteado, uma calça jeans e uma camiseta da banda de punk-rock " The Beasts".

– Cuida bem dela. — O pai disse com a voz mais grossa que o normal, enquanto olhava pra mim.

Eu segurei na mão de Anne, a minha estava suando, mas ela pareceu não se importar, na verdade, ela sorriu quando sentiu. Eu a levei ao restaurante a pé, não era longe, chegamos lá sem se cansar.

Em meio às minhas piadas, às risadas dela enquanto o cabelo lindo balançava, e às maravilhosas histórias que ela me contava enquanto comíamos, eu percebi que estava apaixonado. Não uma paixão adolescente falsa, amor de verdade. A comida não era tão boa, mas nada atrapalharia a nossa noite.

No final da noite, quando eu a deixei na frente de sua casa, eu já estava decepcionado que ela não iria me dar um abraço de despedida, porém oque ela fez me surpreendeu ainda mais, ela me beijou rapidamente nos lábios. E eu jurava que iria desmaiar se o pai dela não tivesse aberto a porta 3 segundos depois e olhado pra mim com desprezo:

– Como vocês chegam tão tarde ?!

Ele me deu um grande esporro, mas nenhuma briga de pai bravo iria atrapalhar a minha noite, a melhor noite que eu já tive na minha vida.

No dia seguinte, fui para a escola cantarolando, estava feliz. Entrei na sala de aula, e Anne sorriu quando me viu, eu sorri mais ainda quando a vi. Fred nos olhou confuso, ela não contou nada a ele. Eu sentei em meu lugar e olhei para Anne, ela me deu um beijo surpresa, a sala pareceu nem notar. Ela pegou em minha bochechas novamente:

– Você é tão fofo... Acho que eu te amo. — As palavras dela quase me deram um ataque cardíaco.

– Eu ... Eu...

Nesse momento o professor de física chegou na sala batendo no quadro e gritando:

– SILÊNCIO ! NADA DE CONVERSAS PARALELAS!

Eu olhei para Anne com carinho, e ela também me olhou. Eu estava muito feliz. O sr. Gerard, que lecionava física, desenhou um oito deitado no quadro:

– Alguém pode me dizer o que esse símbolo significa ? — Era o símbolo do infinito.

Eu levantei a mão. Ele apontou pra mim:

– David...

Nesse momento ouvimos gritos no corredor do lado de fora da sala, a faxineira empurrou a porta com toda sua força e entrou na sala. Ela estava pálida, muito pálida, como um cadáver. Gritava coisas que mais pareciam murmúrios, e cuspia muito sangue pela boca. A sala toda começou a gritar. Eu estava em choque. Ela correu pra cima de mim, o sr.Gerard pegou a sua enorme régua de madeira e entrou em posição de ataque. A faxineira não pulou em cima de mim, pior. Ela pulou em cima de Anne. As duas caíram junto com a carteira pra trás, a faxineira em cima de Anne tentando mordê-la, cuspindo sangue, foi a pior coisa que eu vi em toda minha vida.

Sr.Gerard chutou a faxineira pra longe e começou a espancá-la com a régua, ele gritava e chorava enquanto batia com força na cabeça da doente. Eu corri pra cima de Anne, ela estava ensanguentada, chorava e gritava ao mesmo tempo. Eu nunca chorei tanto em toda a minha vida. Olhei para seu braço, havia uma marca de mordida manchada de sangue.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se gostaram, comentem com gosto. Se não gostaram, comentem com desgosto.