Sobrevivência do mais forte.
8 Capítulo 8 - Máscaras caindo.
Assim que disparei para o meio das árvores, eu pude ouvir os gritos dos semideuses atrás de mim montando a linha na frente da segunda defesa e corri talvez por 1 ou 2 km. Então quando parei para recuperar um pouco o folego, subi em uma árvore e me camuflei nas sombras, comecei a observar a situação, já via várias penas azuis dos capacetes do meu time em linha, podia também ouvir os gritos de Annabeth para se preparar e os gritos do oponente chegando, aparentemente, eles haviam usado a estratégia ‘’ parte pra cima e pega a bandeira.’’, então 5 minutos depois pude ver as penas vermelhas chegando e se chocando contra a barreira azul. Talvez fossem 40 semideuses inimigos ali e fiquei olhando o combate entre os times, Percy lutava contra dois guerreiros, o primeiro investiu e Percy facilmente o desarmou batendo a parte chata da lâmina na mão do oponente, atirando a espada para fora de seu alcance e fazendo o mesmo cambalear, quando se aproximou o suficiente Percy o passou uma rasteira e o derrubou no chão. Quando o segundo investiu com uma lança em uma estocada mirando o peito de Percy, ele a desviou com a lateral da espada e investiu contra o soldado desesperado e com a guarda baixa, bateu com o cabo na lateral do capacete nocauteando o guerreiro. Logo em seguida ele partiu para cima de outro grupo de soldados e mudei meu foco, olhei para a batalha e percebi que estava equilibrado, então me virei e contornei o grande combate, seguindo para frente em busca da bandeira inimiga, alguns minutos correndo observei dois guerreiros vermelhos lutando contra um cão infernal enorme e aparentemente, o cão estava com a vantagem. Avancei ignorando os dois e procurando algo que me levasse a bandeira, vi uma região um pouco aberta e então encontrei três guerreiros do time vermelho, um estava armado de uma espada como a minha, os outros dois usavam arcos, não iria dar certo um ataque direto, então usei minha aura do Temor. Essa uma habilidade dos filhos de Hades que criam uma aura no local, que emana medo nos que estão presentes, por isso os filhos de Hades no começo parecem ser mais ameaçadores do que os mais velhos, os novatos não conseguem controlar essa aura ainda então eles emanam naturalmente porém leve, quando essa habilidade é dominada, é possível diminui-la até deixa-la nula e intensifica-la até fazer alguém ou algo desmaiar, porém essa habilidade tem dois contras, primeiro ela é muito desgastante porque depende muito do intelecto do alvo e segundo, ela não funciona com filhos de Poseidon e Zeus, pois os mesmos tem uma aura igualável em poder. Du era mestre nessa habilidade e eu era melhor nas sombras, então fazíamos turnos de treinamento, sempre mostrando um ao outro dicas ou até alguns truques, ele havia me ensinado o suficiente, me foquei nas três figuras e deixei a aura emanar de mim, senti o clima ficando mais pesado e a hesitação dos meus oponentes, um dos arqueiros soltou o arco e recuou alguns passos até se virar e correr adentrando o bosque. O outro arqueiro caiu de joelhos e ficou paralisado ali mesmo, depois de alguns segundos ele caiu desmaiado, porém o outro guerreiro estava de pé e firme. Reduzi a força da aura e me surpreendi quando o guerreiro tirou o capacete e disse.
–É Veronezi, parece que tirámos a sorte grande um com o outro, aliás isso que você fez é realmente incrível, pena que não funciona comigo. – Era Alex, o filho de Zeus, ele tinha uma cicatriz no queixo em forma de raio, olhos azuis fortes e determinados, cabelo em corte militar loiro-escuro, era do meu tamanho e musculoso. Além da espada em mãos eu não via sinal de nenhuma adaga escondida ou coisa do tipo, não queria me surpreender com alguma arma escondida no meio da luta. Eu estava torcendo para escurecer logo e minhas forças aumentarem, mas não ia dar certo enrolar ele por meia hora na esperança do Sol ser substituído pela Lua.
–Pois é Alex, não achei que ia enfrentar alguém do seu nível de primeira. Nem tive tempo de esticar as pernas. – Disse em um tom divertido. Ele me estudou cuidadosamente e então preparou a espada e disparou em minha direção. Quando ele chegou em mim defendi o arco vertical que ele havia feito com a espada de cima para baixo com o escudo, ele era rápido e forte, o impacto fez meu ombro doer e então levantei o escudo para cima e fiz um corte na diagonal da direita para a esquerda com minha espada, ele aparou o golpe com a espada e chutou a parte chata de minha espada, o que me fez perder o equilíbrio, no mesmo instante recuperei-me e fiz um corte horizontal da esquerda à direita, ele se esquivou do golpe agachando e subiu com uma estocada em meu peito, tive tempo por pouco de colocar o escudo na frente do meu peito e a espada foi parada em um baque metálico, me afastei um pouco cansado com um pulo para trás. O maldito escudo pesava mais do que eu pensava e a armadura estava tirando minha velocidade, eu não tive tempo de me acostumar com a armadura nova e estava sendo um desafio maior do que eu pensei. Alex relaxou a postura e disse.
–É rato do submundo, é melhor você correr ou melhorar seus reflexos, assim você não vai durar nada e não vou conseguir nem me divertir. – Então de novo ele correu em minha direção, eu não podia canalizar as sombras em minha espada porque era impossível canalizar sombras em um instrumento de ferro. Então fiz algo arriscado, quando ele estocou de novo em direção meu peito, joguei o escudo para frente e colidi com ele, esse movimento o fez cambalear para trás e tive tempo para soltar a espada e tocar o chão, assim que encostei no chão um grupo de três esqueletos se ergueram com machadinha, escudos circulares pequenos e capacetes Viking’s. Soltei meu escudo e o deixei no chão, peguei a espada e saquei a adaga com a mão esquerda, iria tentar algo que favorece-se minha velocidade e meu ataque, porém minha defesa estaria comprometida, era meio arriscado mas eu não via outro meio de acabar com o maldito sem minha velocidade. Os três esqueletos correram para cima do guerreiro que com uma rápida estocada na perna e em seguida um corte horizontal no pescoço do primeiro esqueleto o destroçou, em seguida o segundo o golpeou com um golpe na diagonal com a machadinha, ainda concluindo o golpe no primeiro esqueleto, Alex só teve tempo de girar e levar um corte no lado esquerdo de sua costela. Isso o deixou com raiva e investiu imediatamente contra o esqueleto que com um chute tirou a uma perna do monstro o fazendo cair e enterrou a espada no crânio do mesmo, fazendo-o despedaçar-se. O terceiro não teve tempo para fazer nada, assim que ergueu sua machadinha para atacar o guerreiro, perdeu o braço e em seguida recebeu uma estocada no peito, desmontando o monstro. Alex examinou o corte que sangrava muito porém não era profundo então se virou para mim e com um olhar assassino, disse.
–Você está morto, verme do submundo. – E disparou em minha direção pela terceira vez, quando chegou usei a adaga para aparar o golpe horizontal da espada e mergulhei minha espada no ombro do filho de Zeus, sangue explodiu quando a espada perfurou seu ombro e o derrubou no chão, porém quando o mesmo ia caindo ele agarrou na minha armadura, me tirando do chão, então reparei em sua bota, havia uma pequena faca na ponta das duas, uma perfurou minha coxa e em seguida fui jogado para suas costas com força o suficiente para me fazer voar dois metros e aterrissar de costas no chão. Me levantei o mais rápido que pude, meio sem ar e o ferimento já pesava e estava sangrando. Quando olhei para Alex, ele estava agachado e aparentemente juntando forças, ele estava sussurrando algo e alguns segundos depois ele rugiu.
–SEU MALDITO, VOU MOSTRAR A IRA DE UM FILHO DE ZEUS!! – E então o céu começou a escurecer e a trovejar. Eu sabia o que estava prestes a acontecer, busquei desesperadamente por algo que eu pudesse fazer, não adiantaria correr no último segundo, se eu estivesse com Umbra seria possível, mas em minhas condições não havia o que fazer. Tive uma ideia e então fiz forças para chamar algum ser do submundo para me ajudar, porém, Alex apontou a espada com dificuldade em minha direção e gritou, no instante seguinte uma figura grande e escura saltou do meio das arvores, com uma velocidade surpreendente me tirou do local de onde o raio iria cair e me jogou no chão. O raio caiu aonde eu deveria estar, fazendo um estrondo que invadiu meus ouvidos e iluminou todo o local, quando olhei para o que tinha me derrubado, fiquei aliviado, era um Cão-infernal de 2 metros de comprimento e tinha a pelagem escura, ele rosnava na direção de Alex que surpreso e irritado ficou agachado imóvel, ele agora estava sem saída. E quando o cão ia em direção de Alex, de novo, algo mudou o rumo da batalha, uma flecha perfurou a costela do Cão e atravessou saindo pelo o outro lado, fazendo o monstro virar pó instantaneamente. Alguns segundos depois, um arqueiro moqueado entre as árvores a nossa frente, surgiu e foi em direção de Alex para falar com o semideus ferido. Pude ouvir a conversa entre os dois guerreiros.
–Alex, estamos tendo problemas para passar pela primeira defesa Azul, vim chamar você ou Marylin para ir lá dar um jeito em Percy Jackson, porém acho que está ocupado até demais aqui. Quer ajuda? Só uma flechada atravessando a coxa e chamar um sátiro para tira-lo do jogo. – Ofereceu o guerreiro ironicamente e rindo. O que recebeu como resposta o surpreendeu um pouco.
–Ajuda? Como você ousa... DEMONSTRAR DÓ DURANTE UMA LUTA, PARA UM FILHO DE ZEUS, SEU MALDITO? NÃO PENSE EM COMPARAR OS NOSSOS NIVEÍS! – Alex rugiu e levantou, o guerreiro assustado, saiu correndo antes de enfrentar a fúria do semideuses enfurecido. Eu já estava de pé apoiado na árvore e enfim, a noite havia chego. Eu já sentia as sombras ao meu redor como se fossem parte do meu corpo, o corte se recuperava mais rápido, a dor sendo aliviada e enxergava tudo ao meu redor com clareza, Alex então falou. –Chega seu lixo, vou acabar com você agora, não irá ter um cão suficientemente rápido para te ajudar dessa vez. – Ele sorriu e então concentrou todas as suas forças de novo em mais um raio, ele iria desmaiar depois daquilo, eu podia sentir a energia vital dele se esgotando. Olhei para os olhos azuis que haviam ficado cinzas, como uma tempestade enfurecida, e provoquei.
–A noite é o meu campo de batalha, Alex. Não vou precisar de nenhum cão infernal ou coisa do tipo para desviar do seu raio, vamos lá, mostre tudo o que tem. – Joguei minhas armas no chão. Se havia algo que faria qualquer filho de Zeus ficar puto da vida, era ferir o tão precioso orgulho deles. – Ou é o que realmente estou vendo, um filho de Zeus que não consegue nem sequer levantar a própria espada? – Continuei provocando, os olhos me fuzilavam e então ele gritou.
– VOCÊ VAI VIRAR PÓ. – E então ele fez o que eu previa e mirou a espada em mim, o raio anterior havia caído dois segundos depois daquele movimento, então eu tinha dois segundos para sair de onde eu estava e acabar com a luta. Um.... Puxei ar o suficiente e então, dois!! O raio atingiu o chão depois de eu mergulhar nas sombras abaixo de mim. Emergi ao lado de Alex que com uma expressão cansada e vitoriosa só conseguiu olhar de lado para o soco que eu acertava no lado esquerdo de sua cara o tirando do chão e fazendo-o cair inconsciente. Havia sido uma batalha muito perigosa e eu não poderia correr o risco de isso acontecer de novo, felizmente não havia recebido nenhum dano fatal ou coisa do tipo, a perfuração na coxa não iria demorar muito para cicatrizar. Então vi um sátiro passando por perto e gritei por ele, o mesmo parou na hora e venho ao meu encontro, expliquei sobre Alex e ele assentiu. Em seguida pegou o mesmo e o colocou nas costas, depois saltou para o meio da floresta em direção a região fora do caça. Peguei minhas armas e as embainhei, peguei o escudo pesado e o prendi nas costas, depois andei até achar algum lugar para descansar um pouco, o caça já tinha quase 1 hora e eu não havia visto nem um sinal da bandeira, porém havia tirado do jogo um filho de Zeus, agora só haviam cinco coisas para se preocupar, Marylin, Simon, Martinato e os dois Hiperbóreos. Descansei alguns minutos e então, com a orelha apurada, pude ouvir barulho de metal e urros de lutas, me levantei e segui na direção de onde vinham os sons, chegando no local havia três semideuses do time vermelho lutando contra dois escorpiões gigantes de cor marrom-escuro, com mais ou menos 3 metros de comprimento do corpo e mais 2 metros da cauda, quando observei melhor, pude ver outro semideus do time vermelho caído inconsciente. Eu saltei para ajudar os membros do meu time e assim que me aproximei os escorpiões se voltaram para mim, meu cheiro era mais forte do que filho dos outros deuses, então chamava mais atenção. Os outros três semideuses ficaram me olhando e logo vi quem eram. Catherine, Helon e Augustos, o inconsciente no chão deveria ser Mercer, não havia tempo para cerimonias e eu gritei para os três.
–Catherine, cuide de Mercer. Augustos, saia daqui e vá em busca de Du, ele está a leste da floresta, posso sentir a aura, vai saber que está chegando perto dele quando começar a ficar com medo e hesitar a cada passo que der. Helon me ajude aqui. – Comandei, Augustos rapidamente, embainhou a grande espada e correu para o meio da floresta, Cath prendeu as adagas em seu quadril e se ajoelhou perto de Mercer, dando água pra o mesmo e cuidando do ferimento no abdômen. Helon correu e ficou ao meu lado, e perguntou com cansaço na voz.
–Certo, e agora? – Eu olhei para os dois monstros que investiam sobre nós e soltei o escudo das minhas costas, peguei a adaga com a mão esquerda e com a mão direita desembainhei a espada de ferro.
–Vou fazer uma fissura no chão para faze-los hesitar, nesse meio tempo você vai pular em cima do escorpião da esquerda, cuidado com o ferrão e arranque-o o mais rápido possível, depois disso, se vire para mata-lo. – Fiz um sinal com a cabeça de ‘’ já’’ e coloquei minhas mãos no chão, enquanto os escorpiões investiam em nossa direção fiz uma fissura grande o suficiente para os monstros pararem e recuarem, então Helon, que tinha uma velocidade surpreendente saltou em cima do escorpião alvo. Enquanto o monstro perdia seu tempo tentando derrubar Helon, que bravamente arrancou a cauda e uma pata do monstro e se equilibrava em cima do mesmo com dificuldade, invoquei fogo negro do submundo e mirei no escorpião que havia contornado a fissura e vinha em minha direção. O fogo assim que o tocou fez a fera se retorcer e começou a consumir o monstro com uma velocidade incrível, segundos depois não havia sobrado nada do escorpião e eu cai de joelhos cansado. Estava extremamente desgastado, lutei contra um filho de Zeus, tinha viajado nas sombras, convocado esqueletos e um cão infernal, aberto uma fissura no chão, invocado fogo-negro e liberado a aura do temor, tudo isso uma coisa atrás da outra, o pulmão danificado e sem contar o peso da armadura, espada e escudo que eu não havia me acostumado, odiava admitir para mim mesmo, porém eu estava enferrujado. A noite me oferecia poder extra e maior resistência, porém nem o poder e a resistência eram infinitos. Tentei me mover, mas não consegui, apenas pude virar a cabeça a tempo de ver o escorpião virando pó aos poucos com Helon em cima do mesmo, esfaqueando-o nas costas continuadamente e rapidamente. Depois disso, Helon veio até mim e me carregou nas costas, me deixando perto de Cath e Mercer, o garoto desmaiado estava pálido por conta do veneno do escorpião. Os olhos castanho-escuros da filha de Afrodite me olhavam com preocupação e ela finalmente disse.
–Vamos chamar um sátiro, deixe o caça conosco. – Ela terminou com um leve sorriso, Helon me colocou no chão e foi em busca de um sátiro, eu queria protestar, de jeito algum eu iria sair do caça por não aguentar mais, mas não conseguia falar e então apaguei.
Acordei com um sobressalto, minha cabeça doía e sentia cãibras pelo corpo inteiro, quando minha visão se acostumou com a claridade das tochas, olhei em volta para entender aonde eu estava. Era uma barraca cheia de macas e semideuses feridos, era a enfermaria do caça, havia um relógio de parede e olhei as horas. Eram 19:30, eu havia desmaiado por pouquíssimo tempo, graças aos deuses, porém estava fora do caça. Levantei irritado e saí da barraca, estava na praia do acampamento e não havia nenhum sátiro perto de mim, então fui andar pela praia e vi uma cena estranha, havia um semideus agachado próximo a uma pedra fazendo chamada de Íris para alguém, será que era um trapaceiro? Fui pegar o espertinho no flagra e então me surpreendi, antes do semideus perceber minha presença me escondi na pedra atrás dele e usei as sombras para me camuflar. Era Martinato falando com Pettrick.
–Os conselheiros irão mandar grupos batedores para a floresta Amazônica em sua busca, graças ao rato do submundo que sonhou com você. Então é melhor você viajar logo e deixar a poeira abaixar, seus meios-irmãos estão montado uma defesa de emergência para o acampamento e redobraram a segurança em busca do tal espião. Nunca vão imaginar que eu sou um de vocês, porém os outros podem ser reconhecidos, então vou criar falsas provas para incriminar outros semideuses. – Martinato disse com receio e com certa submissão na voz para o filho de Zeus traidor.
–Ótimo, o plano era atacar durante esse caça, mas o filho da escória do Olimpo estragou tudo. Tudo bem, não precisamos nos estressar com isso, irão haver outras oportunidades, agora quero que informe os outros espiões para tomar mais cuidado e não se comunicarem com nós. É isso tenente Stephan, que sua lâmina o proteja e cumpra o dever da sobrevivência. – Pettrick com a voz grossa e superior encerrou o assunto e Martinato respondeu.
–Obrigado senhor. – E a chamada sumiu, Martinato se virou e segui para as barracas, estava desarmado e pensei em ir confrontá-lo, porém ele era um conselheiro e eu não tinha provas contra o mesmo. Eu precisava falar com Du, mas ele estava no meio do caça, não tinha muito o que fazer até a atividade acabar. O conselheiro de Apolo passou pela barraca e continuou seguindo em frente, provavelmente estava voltando para o acampamento. Me levantei e voltei para a cabana, deitei na maca e comecei a pensar o grande motivo de Martinato estar envolvido naquilo tudo, medo? Meio difícil, ele era um exímio arqueiro. Chantagem? Impossível também, o conselheiro não tinha parentes próximos e nunca demonstrará afeto por alguém em especial. Poder? Quem sabe, o guerreiro tinha uma sede voraz por força ou status, porém de onde vinha toda aquela submissão ao filho de Zeus? Eram muitas perguntas sem respostas e isso me enlouquecia, como estava o caça? Como estava Du? Como estava Catherine? Me perdendo nos pensamentos e ficando com dor de cabeça, uma doce voz veio em minha mente, era a voz de Catherine, ela sussurrava ‘’ Durma meu querido, você está cansado.’’ E deixei a doce voz esvaziar minha mente e me deixar confortável, aquela garota era linda. Logo apaguei.
Não dormi muito, até a corneta de Quíron soar significando o fim do caça-bandeira dos veteranos, geralmente nossos caças demoravam mais por conta das estratégias e habilidades dos participantes, não era como o dos novatos que só lutas decidiam o resultado, era algo mais intenso, mais pessoal. Pude ouvir os gritos vitoriosos vindo de algum lugar no meio daquele bosque escuro e cheio de monstros, eu estava irritado, eu deveria estar ali no meio, segurando a bandeira ou ao menos dando suporte a quem estivesse segurando a mesma. Me levantei e vi as horas, eram 20hrs30, havia alguns outros semideuses nas macas e Mercer estava na maca a minha direita, parecia melhor e menos pálido, uma atadura passava por seu abdômen. Sai da barraca e encontrei alguns sátiros conversando em volta de uma fogueira que devia ter sido montada a pouco, Chris o sátiro que me trouxe para o acampamento há 5 anos, avistou-me e correu em minha direção com o olhar preocupado.
–Pelos deuses Léo, como você está? Eu fiquei preocupado cara, você usou muito poder ali no meio, você está enferrujado e fica gastando tanto poder assim sem mesmo estar com suas armas? Você é um idiota mesmo. – Não me deu tempo de responder nenhuma das perguntas e me abraçou. O sátiro usava um black-power e tinha chifres saindo do mesmo, a pelugem de suas pernas era mais clara que as demais, era moreno e tinha olhos escuros, uma barbicha preta tomava conta de seu rosto. Chris havia crescido muito, como todos ao meu redor nesses últimos tempos. –Você nem veio me dar ‘’ Oi’’, to vendo que realmente não tem consideração por mais ninguém. – Ele disse resmungando entre o abraço.
–Me desculpe Chris, de verdade... minha cabeça tem estado tão cheia ultimamente, não fiz por mal. – Eu o apertei, Chris era um dos poucos que eu podia chamar de amigo naquele mundo.
–Eu o perdoo dessa vez, seu babaca. – E me soltou. – Vá para o anfiteatro, vão dizer quem ganhou o caça, te encontro por ai depois, agora vá descansar. – Olhei para ele e assenti com a cabeça, me virei e fui andando para o anfiteatro. Eu estava vestindo uma camisa branca lisa e calças jeans cinzas, calçava tênis e estava leve, não carregava nada comigo e podia sentir a atadura em volta de minha coxa, cobrindo o ferimento que Alex havia feito. Alguns minutos depois, cheguei no anfiteatro e me sentei na arquibancada, havia alguns semideuses aqui e ali, provavelmente falando de apostas e os que haviam saído do caça contando como saíram. Alguns minutos depois os times entraram, alguns com ferimentos leves em volta do corpo, outros sem peças da armadura e para a minha felicidade, o time vermelho erguia a bandeira azul. Pude reconhecer algumas figuras, como Annabeth e Percy de mãos dadas, Du erguendo a bandeira, Catherine e Helon ao seu lado. Quando os times se organizaram Quíron gritou.
–A vitória vai para o time vermelho! Parabéns para ambos os times, tenho certeza que todos lutaram bravamente!!! – E com o veredito, o time vermelho explodiu em gritos e urros de guerra, a arquibancada também gritava para apoiar o time. O time azul abaixou a cabeça decepcionado e pude ver Marylin brigando com alguns semideuses do próprio time, não havia visto sinal de Alex ainda, ele devia estar realmente acabado por conta da nossa luta, tinha sido extremamente desgastante para ambos. Depois de alguns minutos os times se cumprimentaram e foram tirar a armadura, era tarde já e estava na hora de ir dormir, fui para o meu chalé e fiquei esperando Du voltar. Meu irmão havia chego primeiro que ele e então perguntou sobre o caça.
–Bem, eu decidi sair no meio dele com intuito de facilitar para o time azul. – Menti descaradamente. Meu irmão me olhou de lado e disse.
–Ahh, com certeza, imagino que eles ficaram extremamente agradecidos por isso. – Disse ironicamente, logo em seguida, Du atravessou a porta do chalé e assim que me viu, gritou.
–Olhaaaaa quem está aqui, a bela adormecida acordou? – Disse começando a rir, meu irmão já ria deitado em sua cama.
–Uhun, decidiu sair para facilitar o lado inimigo. – Me zoavam, eu simplesmente taquei minha almofada em Nick e mostrei meu dedo do meio para Du.
–Você não tem que ir dormir não? Já passou do horário de crianças estarem acordadas, Nick. E Du, vai ali na privada e vê se acha o meu foda-se. – Disse irritado e me virei. Os dois riam bastante e então quando finalmente silenciaram, Du se sentou na cama de casal e nos chamou para contar o caça.
–Não foi nada incrível, eu estava lutando contra um Hiperbóreo quando Augustos me achou e falou sobre você, quando finalmente destruí o gigante de gelo me dirigi em direção ao seu grupo e o vi desmaiado ao lado de Mercer, a propósito a garota segurava sua mão com um olhar extremamente preocupado, to achando que você arranjou uma nova fãzinha. – Quando ele terminou, senti meu corpo aquecendo e acabei mudando o olhar para fora, Du e meu irmão se olharam com certo divertimento e ele continuou. – Bem, voltando ao assunto principal, alguns minutos depois um sátiro buscou os dois e seguimos em frente, depois de um tempo encontramos a bandeira, ela estava presa em uma árvore meio alta e lá estava Simon com duas espadas e mais 2 semideuses aleatórios armados de espadas longas, deviam ser filhos de algum deus menor. Foi uma luta interessante, a filha de Afrodite desarmou um dos sentinelas e o nocauteou com um golpe bem forte na cabeça, em seguida derrubou o outro sentinela com um chute na costela e um corte na perna, ela parece ser bem singela e fraca, porém é uma grande guerreira. Enquanto isso, eu, Helon e Augustos lutávamos contra Simon, o que foi bem difícil, especialmente pelo fato do maldito ter tanta habilidade quanto os seus irmãos mais velhos. Ele derrubou Augustos com um forte chute na coxa e o usou como apoio para saltar em cima de Helon, graças aos deuses aquele garoto se desviou rapidamente e então eu e ele atacamos juntos, porém o maldito desviou a lamina de Helon para a esquerda com um giro e desviou a minha para a direita, me derrubou passando uma rasteira e quando concluiu o giro acertou um corte na panturrilha de Helon. Achei que iriámos perder para aquele bosta, então Catherine foi lutar contra o mesmo, ela não estava ao nível dele e rapidamente foi desarmada e derrubada no chão, porém me deu tempo de levantar e ficar frente-a-frente do conselheiro de Ares, com uma certa dificuldade e um cão infernal derrotei o maldito e peguei a bandeira. Catherine me mandou ir e disse que chamaria um sátiro para eles, montei no cão e retornei para a nossa base. Ganhamos o caça e aqui estou agora. – Ele terminou dando um sorriso, realmente não havia sido nada demais, porém ainda me dava raiva não ter participado da vitória. –E você Léo, me conte o que aconteceu para o fazer desmaiar. – Contei o combate com o filho de Zeus, até a parte de acordar na barraca, eu havia pulado a parte sobre Stephan, não era momento de falar sobre aquilo agora. Du assentiu com a cabeça percebendo que eu escondia algo e se levantou para tomar banho, meu irmão ouvia tudo com grande interesse, enfim foi para sua cama dormir e se preparar para o caça no dia seguinte. Eu fui tomar banho no banheiro ao lado e então deixei a água levar meu cansaço e estresse, lavei o que havia sobrado da perfuração na coxa que agora não doía tanto, quando saí do banho Du já estava roncando. Nick ainda se revirava de um lado para o outro na cama, devia estar ansioso para o dia seguinte. Eu me deitei e me permiti relaxar, caí no sono rapidamente e sonhei com a bela filha de Afrodite que havia conhecido mais cedo.
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