Notas iniciais
O que Akise Aru quer com a Tsubaki?

–Quinto! Por toda dor que você causou, morra! –Grito e tento dar uma facada na cabeça dele.


O garoto se abaixa e minha faca corta o ar acima da cabeça dele, ele então me contorna e joga a faca dele em direção da Ai-chan.

Ai-chan solta um grito estridente que reverbera em meus ouvidos e me deixa um pouco surda, mas quando vejo o que o Quinto faz, tento desviar a faca com a minha própria. Mas não consigo.

–Ai-chan, cuidado!

Marco-san empurra Ai-chan para o lado e ele leva um corte de raspão. Filetes de sangue escorriam de seu braço. Era um corte de raspão, mas era longo.

–Marco-san! Você está bem?! –Corro até ele e Ai-chan, que olhava com preocupação para o amado.

–Mar! Mar! Está doendo muito?! Mar, fale alguma coisa! –Ai-chan estava visivelmente preocupada.

–Olhe seu diário Ai-chan, veja o que vai acontecer.

Ela tira o celular do bolso e o abre, olhando com horror as previsões.

–O que foi?! –Pergunto, exasperada.

Ela, sem dizer nada, me mostra a tela do celular.

“12:01: Mar levou uma facada no meu lugar, ele é incrível, mas está sangrando! Parece que a faca estava envenenada!”

“12:03: Mar diz que a visão dele está ficando embaçada! Preciso de um antídoto pra ele!”

“12:07: Mar usa suas últimas forças pra me dar um beijo e dizer que me ama, então, ele morre. Mar!”

–Quinto! –Grito, me virando e o encarando. –O antídoto! Agora! –Aponto minha faca em direção a ele.

–Hahaha! –Ele ri e tira um frasco, parecido com primeiro, do bolso do avental. –Me mate e pegue, se quer tanto, Sexta.

–Com prazer. –Respondo, e parto para cima dele, tentando acertar-lhe uma facada.

O Quinto se surpreende, mas rapidamente se recupera da surpresa e apara meu golpe com a própria faca.

–Me surpreender? Isso é impossível! Eu sou membro de uma elite! –Diz ele, frustrado. –Por que você não morre?!

–Porque... Eu tenho amigos! Agora, Ai-chan! –Grito, forçando a minha faca em direção a ele.

Felizmente, Ai-chan entende meu sinal e parte pra cima do Quinto também.

–Morra! –Grita ela, e atira a faca em direção à mochila que ele carregava.

–O quê?! –Ele se abaixa, e faca passa de raspão na nuca dele, ele grita de dor, mas repele minha faca com surpreendente força e começa a correr.

–Ah, não vai não. –Corro atrás dele e o seguro pela mochila.

–Me solte! Me solte! –Ele começa a se debater, e ele consegue sair, se livrando da mochila. –Devolva!

Eu então, abro a mochila e pego o diário dele, um caderno de desenho.

–Me dê o antídoto que eu te devolvo. –Tento negociar.

–Hum... –Reisuke hesita, mas concorda. –Ao mesmo tempo.

–Ao mesmo tempo. –Concordo.

Ele tira o antídoto do bolso e eu faço menção de entregar o diário. Eu entrego o diário com a mão esquerda e com a mão direita, pego o antídoto.

–Ai-chan! Sua chance! –Grito.

–O quê?! –O Quinto faz menção de esconder o diário, mas sem a mochila, ele não tem onde colocá-lo. Eu sorrio pra ele e digo duas palavras.

–Dead End.

–Nããão! –O Quinto vê seu diário ser perfurado por uma faca e sua imagem começa a tremeluzir.

–Ai-chan, o antídoto! –Eu jogo o fraquinho pra ela e ela o passa no ferimento de seu namorado.

O Quinto então olha pra mim, tremeluzindo.

–Você deve ganhar, Kasugano Tsubaki, afinal, foi você quem me derrotou. –Diz ele, com uma voz fraca, e desaparece em meio a um estranho tornado.

Eu recosto no muro e suspiro aliviada.

–Finalmente acabou. Ah, entendi. O Quinto aproveitou hoje que os seguidores foram na passeata Omekata, pela cidade, liderada por Orin-chan. –Digo, ligando os fatos. –Por isso o templo estava tão vazio.

Ai-chan e Marco-san se aproximam de mim.

–Obrigado Tsubaki-san, você nos salvou. –Diz Ai-chan.

–Somos amigas, não precisa agradecer. –Respondo, sorrindo.

–Mas... Tsubaki-san, você sabe que uma hora ou outra, teremos que nos enfrentar, não é? –Pergunta Marco-san.

–Sim... Eu sei... –Respondo, com o sorriso desaparecendo.

–Espero que demore muito. –Comenta Ai-chan. –Mas Tsubaki-san, eu e Mar temos que ir.

Ela então e Marco-san me abraçam e eu os levo até a porta. Com a chave reserva, eu abro as portas, já que o Quinto as havia trancado, e observo os dois se afastarem de mãos dadas.

–Ah... paz, finalmente. –Comento, alegre.

–Kasugano Tsubaki? –Uma voz me surpreende.

–Quem está aí? –Pergunto, me preparando para correr.

–Haha, perdão se lhe assustei, meu nome é Akise. Akise Aru. –Um garoto sai de trás de uma árvore. –Nossa, você é muito mais bonita pessoalmente.

–Ahn... Obrigada. –Respondo, encabulada. –Você também não é de todo mal.

De óculos, podia muito bem ver Akise. Olhos vermelhos, como dois grandes rubis. Um cabelo branco bagunçado, no estilo rebelde. Quanto a sua roupa, uma camiseta branca, meio aberta na gola, com uma gravata preta. Uma jaqueta azul, aberta, com um capuz verde, calças meio sociais, acho, pretas, e um sapato preto também.

–Gostaria de conversar com você, Kasugano Tsubaki. –Diz ele, olhando nos meus olhos.

“Hum.. O que será que esse garoto quer comigo?” –Penso, mas o convido para entrar no templo.

Eu o acompanho até meu recinto, para que ele não perambule por aí e encontre os corpos dos pais do Quinto ou do Funatsu.

–Aguarde um momento, Akise-san, eu preciso dar um telefonema. –Digo, e rapidamente saio do recinto. Procuro um telefone e ligo para a delegacia.

–Alô? –Atende o delegado.

–Três dos meus monges foram assassinados dentro do meu templo! Ajudem-me! –Digo, me fingindo de desesperada.

–Templo Omekata, correto? Uma viatura já está a caminho.

–Obrigado. –Digo para o telefone, mas o delegado já havia desligado. –Como será que ele sabia que aqui era o Templo Omekata? Bem, não faz importância. –Então suspiro e volto para o recinto, para descobrir o que Akise Aru queria comigo.