Sobreviventes
2 Um caos, mas não estou sozinha
Notas iniciais
P.O.V Kimberly
Eu realmente teria pesadelos pelo resto da minha vida e talvez até após isso.
Toda a cidade estava um caos, carros capotados e pegando fogo, gritos e pedidos de socorro para todo lado, sangue novo e seco no chão. Zumbis aglomerados em um tal lugar e gritos ecoando de tal. Era apavorante.
Eu me encolhia em pequenos lugares e checava ao redor antes de avançar um pouco mais, eu teria que ir para algum lugar com menos zumbis, se isso era possível. Vez ou outra eu tinha que atirar em algum zumbi que me notava, minha munição já estava acabando e eu tinha duas opções: 1) eu encontrava uma loja de armas ou 2) eu achava um lugar seguro para ficar. Optei pela primeira opção, afinal, não haveria lugar seguro se eu não tivesse algo para me proteger.
Algo que ajudava é que ainda era dia, estava mais fácil visualizar os zumbis, mas mesmo assim era algo completamente novo e surreal, parecia apenas um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. Um pesadelo sanguinário encoberto pelas sombras da morte, parecia uma história sem fim, sem um ponto final para podermos respirar e dizer "acabou", não, não era isso. Era pior, era real, nítido e mortal, não tinha como um beliscão lhe trazer para a vida real, provavelmente eu morreria naquilo e não tinha como voltar atrás, pegar uma máquina do tempo e desejar algum dia não ter nascido, não, não tinha.
Saí do lugar onde estava e saí correndo pela rua quando percebi que milhares de zumbis se concentravam em duas pessoas. Eu não podia fazer nada.
Mesmo que eu quisesse ajudar alguém, eu não iria conseguir e iria morrer.
Virei em uma rua e não vi nada, nenhum zumbi ou pessoa viva e percebi que tirei a sorte grande — se isso era possível —, eu havia achado uma pequena loja de armas.
Olhei ao redor, checando, e percebi que estava realmente sozinha. Corri até a loja e olhei pelo vidro. Havia um zumbi lá dentro. Entrei e peguei um pedaço de vidro quebrado, bati levemente num metal e ele me olhou, abriu a boca e avançou rapidamente. Ergui o vidro e meti no meio de sua testa, ele parou de se mover por alguns segundos e depois caiu no chão. Passei por ele e fui ver as armas. Realmente tinham umas armas fáceis de manusear, já outras eu mal sabia como se segurar. Peguei o básico: outras duas pistolas — iguais a que eu tinha —, silenciadores, um facão e muita, muita munição.
Quando terminei e já estava tudo guardado, saí da loja e ouvi o som de correria, seriam zumbis? Pessoas? Os dois? Olhei para os dois lados da rua e do lado esquerdo vi um grupo de pessoas corria até mim, ou pelo menos parecia até mim, eu não sabia dizer. Levantei uma sobrancelha, eles se aproximavam rápido e percebi que eram apenas humanos, nada de zumbis. Eles pararam a poucos metros de distância de mim e respiraram fundo, olhando-me com receio.
— Quem é você? — uma garota com a pele morena, rabo de cavalo no alto da cabeça e roupa justa perguntou, franzindo o cenho.
— Kimberly e quem são vocês?
— Acho que está na cara. — ela colocou a mão na cintura e suspirou, mas logo veio até mim com a mão estendida — Me chamo Jennifer. Parece que não somos só nós que estamos vivos — apertei sua mão e logo a larguei. — ela olhou para trás de mim, seus olhos brilharam. — Hey, uma loja de armas.
— Você sabe, ou menos, usar uma arma, Jennifer? — um garoto de aproximadamente dezessete anos, cabelos castanhos e olhos azuis perguntou, rindo sarcasticamente.
— Melhor que você eu sei, sim, Dan. — ele revirou os olhos, ainda rindo, mesmo que ainda respirasse fundo. — Isso tudo é loucura, não é? — se voltou para mim. Abaixei a cabeça e falei, a voz um tom mais baixo:
— É, mal parece real.
— Ei. — um garoto de pele escura e grandes músculos falou e veio na nossa direção, acompanhado de uma garotinha de aproximadamente dez anos, pele escura e cachinhos nos cabelos pretos. — Não sei se vocês já viram algum filme de zumbis, mas na maioria das vezes as pessoas formam um grupo e trabalham juntos, e tals.
— Até que é uma boa ideia. — outra garota veio até nós, ela tinha a pele clara, o cabelo ruivo preso em uma trança e olhos pretos. — Seria mais fácil de sobreviver, mas não podemos confiar em estranhos.
— Não podemos confiar em estranhos? Não podemos confiar em estranhos?! — Jennifer bufou, raivosa — Você sabe o que é isso, Marina?! Estamos no fim do mundo e você quer saber de regras como "não confiar em estranhos"? Pare de ser idiota, Marina!
A garota recurou um pouco, os olhos arregalados e a boca entreaberta.
— Me desculpe, eu só... — Jennifer bufou novamente — Teremos que ficar juntos, tudo bem? — todos assentiram, inclusive eu.
É, isso seria bem agitado.
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