Sobreviventes
2 O começo do fim
Notas iniciais
Está pequeno, por que não sei ainda se vocês vão gostar, se vão se interessar... Mas o segundo capítulo será MAIOOOOOR. SHAUISHAUSH mais uma vez muito obrigada por estarem lendo!!
Lembrando esta fic é baseada em vocês e em seus comentários. Então não deixem de comentar!
Era uma noite fria e gélida e como já deveriam ser umas três da madrugada, todos estariam dormindo certamente. Olhei-me no espelho novamente, o reflexo da garota assustada, de cabelos negros num rabo de cavalo alto e olhos esbugalhados, destacados na escuridão do quarto, não mostrava sua alma valente, corajosa, que na verdade acredito não condizer com a aparência que eu oferecia agora. Apanhei a mochila azul velha e desci o grande lance de degraus do meu quarto, ao piso inferior de minha casa. Passei novamente pela mesa de jantar, onde me deparei com meu bilhete posto a pouco tempo ali, aproximei-me e o li mais uma vez. “Não é complicado, não é difícil de entender. Eu apenas não sei viver sem amor, eu apenas não sei negar meu amor. Pode ser fácil pra você. Mas não pra mim.” Abri a Porta de vidro levemente e vagarosamente para que não houvesse barulho, fechei-a e passei a chave que coloquei demoradamente no bolso. O vento frio que vinha de meu jardim encantador era suave, arrepiante e acolhedor, trazia-me tranquilidade para ser exata. Agora era perceptível que não havia mais voltas, mais demoras. Eu deveria partir.
Fiquei alguns minutos ali, em pé em meio ao meu vasto jardim. Como sentiria falta daquelas flores, daquele cheiro e daquela sinfonia acolhedora que pairavam no ar sobre as flores. Este sempre foi meu lugar de calmaria, o lugar onde havia refúgio quando nada parecia caminhar bem, ou simplesmente, não caminhavam. As tulipas azuis balançavam em perfeita sintonia, e mesmo a uma distância razoável podia sentir seu cheiro doce e seu ar longânime. -Sorria.- Meus Deus, que falta brusca aquelas flores me fariam. Aproximei-me um pouco mais e toquei-as devagar. Deixei meus joelhos trêmulos repousarem bruscamente na grama fria. Podia jurar que remexiam-se a medida que minhas lágrimas caiam sobre elas, a medida que as tocava devagar. Mil pensamentos percorriam minha mente atordoada e eu senti dor, dor de cabeça, dor no peito, talvez até na alma. Olhei o relógio que mais parecia gritar informando-me que já se passavam das três e meia. Levantei-me com um pouco mais de pressa, mas não enxuguei as lágrimas. Queria que secassem em meu rosto, para que minha dor fosse apenas minha. Andei pelo vasto jardim, até a grande árvore que de tão torta e enorme atravessava perfeitamente o grande muro. Coloquei os pés em suas raízes e sem jeito agarrei-me ao seu tronco. Inclinei o corpo para frente, mas ao por toda minha força para subir, algo me mordeu a perna. Poderia ter facilmente gritado, se não conhecesse aqueles dentinhos pequeninos me puxando de volta.
– Shiva, como saiu de casa? –Falei espantada, Shiva sempre foi um cachorro muito esperto, mas eu havia trancado a porta!
Ele me olhou com aqueles olhos caramelos repletos de tristeza e compaixão. Não hesitei. Corri e o paguei no braço, o abraçando forte enquanto lambia meu rosto inteiro. Este Malamute branco, de olhos caramelos é uma das poucas coisas que me restaram. Quando nada deu certo, quando quis chorar ou somente alguém pra abraçar, Shiva estava presente. Ele me conhecia mais que qualquer um, apesar de apenas seus três meses de vida. Foi a melhor coisa que ganhei dos meus pais em toda minha vida, e agora olhando-o com essa expressão triste eu simplesmente não podia o deixar aqui. Meio desajeitada, o envolvi em meu braço e com uma mão, escalei com dificuldade a árvore. E quando cheguei em seu topo, podia olhar os dois lados de minha casa. O de dentro ao qual encontrava-se meu ileso jardim florido, a minha casa onde em um dos quartos, meus pais, por incrível que pareça, dormiam tranquilamente. E do outro lado, a rua carregada de uma leve neblina e escura, onde apenas podia enxergá-lo parado ao lado do poste velho.
– E se eu cair? –Sussurrei mesmo de longe.
– Não vai, estou aqui pequena. –Falou com aquela voz doce e grossa.
Então pulei.
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Deves estar perguntando-se quem sou, ou como me chamo, ou até mesmo por que estais lendo isto. Pois bem, Me chamo Lis. Só Lis, está bem? Não gosto de meu nome por completo, então pularemos para a parte que somos amigos e que eu deixo você me por apelidos. Estudo na Escola de Ensino Superior Walert. Que fica situada num pequeno bairro em Paris-França. É isto mesmo. A cidade do amor, da poesia, da felicidade ou da luz. Não para mim. Ou pelos menos até agora não concordava com isso. Paris não havia sendo uma cidade muito romântica pra mim. Até achá-lo.
Nunca fui muito simpática, cabelos negros, pele branca e nasci com a dádiva de ter olhos azuis claros e de ser uma devoradora de livros e adoradora de Shakespeare. Mas não comece a pensar bobagens. É óbvio que ninguém se interessa por mim. Apesar de minhas qualidades físicas não sou uma pessoa muito doce emocionalmente, nem a moça mais formosa por aqui. Sou uma aberração desastrada que teve a falta de sorte ao se apaixonar, o que na verdade aconteceu apenas uma vez. E ninguém me disse: "Vá enfrente.”, apenas: "Você vai se ferrar, ele não é decente para você, é belo, mas é perdido na vida”. Eu me apaixonei o que queriam? Que eu negasse isto? Que eu esquecesse? Que eu, deixasse para lá? Por isso estou aqui. Por que não sei abandonar este amor, como irei dizer; diferente. E se estais lendo isto e chegastes até aqui, é por que tens, nem que seja mísero, um interesse de conhecer esta história. Pois bem, comecemos então do início. Quando eu era apenas uma garota comum, em uma escola comum, em uma cidade francesa. Voltemos para quando meus pequenos problemas podiam ser resolvidos, quando minha vida estava caminhando bem, e seguramente salva.
Notas finais
CURTIU, CURTIU?
Espero que sim :) Depois postarei mais. Espero realmente que tenham gostado!
Beijoooooooos.
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