Notas iniciais
Segundo capítulo, galerinha do mal! Espero de coração que estejam gostando :D

- Hey, Cath! Me espere. – Sara em passos rápidos alcançou sua colega de trabalho, Catherine. A loira parou por alguns instantes, sem virar o corpo.

- Oi Sara. – Catherine voltou seus brilhantes olhos azuis para sua colega de trabalho, que a alcançava segurando uma xícara de café e um punhado de donuts que espalhavam açúcar pelo chão, deixando uma trilha como se fosse a história de João e Maria. – Caso difícil?

- Talvez. – Sara franziu o nariz enquanto sentava-se ao lado de Catherine, quando chegaram ao refeitório, que estava deserto. – Estou processando as digitais, mas ainda não consegui encontrar nada. Sem falar na cena do crime que me deu arrepios, parece trabalho de Jack estripador.

- Poxa, nada comparado com meu caso então. – Catherine falou sorridente enquanto jogava dois dólares dentro da máquina de café e segurava um copo de plástico, enquanto a máquina despejava café fumegante até o líquido chegar à borda. – Posso me exibir um pouco?

Sara deu de ombros e tomou um gole grande de café, e instantaneamente sentiu cada célula de seu corpo se aquecer. Havia pegado do café de Greg, e ela tinha que confessar que era realmente bom. Greg gastava boa parte de seu salário comprando Blue Hawaiann, um café exótico que custava 45 dólares e Greg apenas dava autorização para Sara tomar. Não que alguém se importasse com isso, usavam a velha desculpa de compartilhação das coisas e Greg suspirava inconsolável dizendo que iria comprar um cofre para guardar sua preciosidade cafeinada. Como ele mesmo dizia, aquele café era colhido a mão e triturado com cuidado, empacotado a vácuo logo em seguida para preservar o sabor.

- Peguei um caso de uma empresária que estava hospedada no Mandala Bay. Você nem acredita naquele quarto, nunca vi tanta coisa refinada junta. E o closet dela, céus, é uma das coisas mais incríveis que já vi na minha vida inteira. Se bem que eu poderia ter um assim, mas não tenho por falta de alguns zeros no meu cheque de pagamento. – Catherine fungou resignada. Ela havia sido promovida á pouco tempo, mas o salário continuava igual, e havia um jaqueta linda no Las Vegas Outlet, que parecia acenar para ela toda vez se viam. – Mas mesmo assim, o caso é difícil. Não consegui achar nenhuma digital, fio de cabelo ou qualquer coisa que sirva e Warrick não ajuda em nada apenas zarpeando pelos canais esportivos da gigante televisão de plasma no quarto da nossa vítima.

- Homens! – Sara bufou. Desde o acontecido com Grissom, ela não podia deixar de sentir um certo desprezo por todos eles, mesmo que passasse a maior parte do tempo em companhia a Greg. – Mas não posso reclamar nada de Greg, ele está se matando para fazer tudo direitinho. Ele realmente leva a sério o novo cargo dele. Ele está se matando até agora, analisando tudo o que encontramos na casa da vítima, mesmo eu tendo dito que ele devia fazer uma pausa para que sua cabeça não tivesse uma síncope nervosa.

- Sim. Ao contrário de um certo Warrick que não está nem aí pro real trabalho dele. – Catherine começou a rir quando Warrick se aproximou delas com um olhar instigador, já imaginando que ele era o tema da conversa.

- Não reclame de mim! A única coisa que fiz naquela televisão foi olhar se a vítima não poderia ter morrido por ter levado um choque elétrico dela. – Warrick se defendeu erguendo as mãos. Na verdade ele queria assistir ao jogo decisivo entre os Jets e os Giants, e ainda ter o plivilégio de poder assistir áquele jogo em uma televisão com efeito 3D.

- Claro Rick, você não me engana. A nossa vítima morreu com um buraco de bala no peito e você analisando a televisão. É uma nova geração de televisores essa que dispara balas? – Catherine falou erguendo as sobrancelhas, enquanto Sara se engasgava com o café, numa tentativa fracassada de tentar sugurar uma gargalhada.

- Nunca se sabe. Desde que pegamos o caso de um homem morreu por comer chocolate, estou aberto á novas possibilidades de tudo. Você já imaginou, Cath? Você deveria dar uma maneirada nessa maratona de chocolates que você consome diariamente. Se forem produzidos na África, exposto á todo aquele chumbo, não prevejo um futuro promissor para você. – Warrick provocou a, se desviando a tempo de um soco que Catherine quase acertara nele.

Sara riu com isso. Uma coisa que adorava em seu trabalho era poder descobrir como crimes muito estranhos tivessem acontecido e ver suspeitos se esquivando das perguntas nada sutis de Brass, que adorava deixá-los com tanto medo que acabavam confessando o crime na primeira oportunidade que tivessem. Apesar dele já estar trabalhando a muitos anos no laboratório de criminalística, nunca havia expressado qualquer vontade de se aposentar. Como havia falado certa vez depois de ter interrogado um homem que acreditava eu o mundo estava sendo dominado por extraterrestres reptilianos; ‘Sempre que penso em me aposentar, me aparecem sujeitos como você e me lembram que não posso fazer isso de jeito nenhum. ’

- Alguém tem alguma dica de como lidar com garotas pré-adolescentes que não querem obedecer a regras de jeito nenhum? – Catherine mudou de assunto, mexendo o café sem vontade alguma.

- Problemas com Lindsay? – Warrick perguntou. Lindsay era a filha única de Catherine e estava entrando na fase, como Cath mesma dizia rindo, da pré-aborescência. Lindsay era uma garota muito linda, uma cópia mais jovem de sua mãe, possuía os mesmos olhos azuis brilhantes cabelos loiros com suaves ondas, tinha quinze anos, mas sua altura fazia-a parecer que já fosse adulta. Sua teimosia era marca registrada, deixava claro que ela era mesmo filha de Catherine.

- Sim, a moça mesma. Ela está me dizendo que quer ir á uma festa de um garoto da sala dela. O problema é que os pais dele estão viajando, então imagine o que poderia acontecer lá sem a supervisão de um adulto. – Catherine terminou suspirando, a beira de um ataque psicótico. – Você tem idéia de tudo o que pode acontecer?

- Ih, sinto cheiro de roubada. Semana passada ainda peguei um caso de uma garota encontrada morta na banheira onde acontecia uma festa dessas. Sem falar que ela sofreu abuso sexual de cinco contribuintes diferentes. Sabe, adolescentes se formando, há toda aquela coisa dos hormônios e vontade de viver a vida. – Sara explicou para a colega, que arregalou os olhos a cada palavra que Sara pronunciava.

- Muito obrigada Sara. Me sinto muito mais tranqüila agora. – Catherine comentou dirigindo um olhar torto para Sara, que franziu a testa como se não entendesse do que a colega estivesse falando. Nisso Warrick aproveitou a deixa e explicou. – Vou voltar ao trabalho. Cath fez o favor de me atolar com um monte de evidência para analisar, como se eu realmente não tivesse trabalhado arduamente até agora.

Sara observou Warrick sair do pequeno refeitório, e notou que ela e Catherine estavam a sós. Nisso, ela suspirou pesadamente como se fosse começar a chorar, e Catherine notou, pois perguntou de forma preocupada. — Sara, há algo de errado?

Um longo silêncio instalou-se entre as duas, era visível que Sara pensava se devesse falar algo ou não. Ela olhou fixamente para as lâmpadas de um tom doentio por alguns instantes e por fim respondeu. — Na verdade, não há nada de errado. Pela primeira vez em meses. Já estava acostumada a me sentir mal por tanto tempo que agora que estou bem, me sinto estranha.

- Como assim? – Catherine olhou Sara como se ela fosse uma evidência ininteligível. Ela sem dúvidas andava muito estranha nos últimos dias, e estava curiosa para saber o que exatamente havia contecido.

Sara olhou pelo refeitório para ver se não havia ninguém por perto e explicou, escolhendo cuidadosamente as palavras. – Que eu amava Grissom todo mundo já sabia, certo?

Catherine apenas assentiu, e Sara continuou. – E que ele não tinha nenhum sentimento por mim também já era do seu conhecimento, certo novamente?

Catherine assentiu outra vez, tentando adivinhar o que Sara queria tanto lhe contar. – E o que deixou você tão estranha? Ele finalmente está correspondendo seu amor? – Cath perguntou intrigada, se odiando por torcer para que na verdade não fosse nada daquilo.

Sara sacudiu a cabeça com certo pesar antes de continuar. – Não, Cath, nada disso. Grissom continua igual á anos atrás, quem mudou fui eu. Consegui tirar ele da cabeça, e principalmente do coração. Consegui parar de torcer para que que houvesse algo á mais entre nós. Consegui ficar por seis meses sem pedir á ele se gostaria de sair para jantar comigo, e agora eu vi o quanto fui idiota por achar que depois dele ter deixado claro que não queria nada entre nós, alguma coisa pudesse acontecer.

- Então quer dizer que se o Grissom aparecer com, sei lá, a Lady Heather, você não vai sentir nada? Nadinha? – Catherine perguntou surpresa. A conversa estava fluindo para um nível mais profundo, e ela imaginou qual seria a reação de Sara se soubesse que sua amiga mais íntima estava perdidamente apaixonada por Grissom. Será que ela já o havia superado o suficiente para permitir que alguma outra mulher se aproximasse dele? E se aquela outra mulher fosse uma mulher com quem Sara tinha tanto contato?

- Mais ou menos isso. Ainda não estou totalmente bem, mas respondendo á sua pergunta, eu não sentiria nada. – Sara falou satisfeita consigo mesma. Aquilo era verdade. Além do mais, já havia notado a alguns dias que Catherine andava perto demais de Grissom, sem falar que sempre concordava com tudo o que ele dizia. Por incrível que parecesse, ver Catherine e Grissom como um casal não deixava Sara com náuseas, ela apenas sentia satisfação por vê-los felizes juntos. De todas as mulheres da vida de Grissom, Catherine definitivamente era a melhor de todas.

Nesse instante Grissom apareceu segurando um saco de evidências e Sara olhou para os pés. – Sara, preciso de você na sala de interrogatório. Analisei essas evidências e todas nos levam ao neto da falecida Sra. Queen. – Dizendo isso, retirou se apressado do refeitório.

- Bem, o trabalho me chama. Obrigada por ouvir ao meu desabafo. – Sara falou agradecida.

- Sempre que precisar, é só chamar. – Catherine falou abraçando a colega. — Estou muito feliz por você! Sabe que quando eu via você tão triste, ficava imaginando o que pudesse haver de errado com você. Afinal somos uma equipe, e se um está triste, todos se entristecem também.

Sara fez uma aceno com a mão e foi em direção á sala de interrogatório, onde um homem jovem olhava nervosamente para a porta de saída.

- Se eu fosse você, não tentaria sair daqui. – Sara falou entrando na sala e assumindo a postura de investigadora séria, algo que sempre servia para amedrontar os suspeitos. – Temos dois guardas mal-humorados que são faixa preta em jiu-jitsu do lado de fora dessa porta.

– Não iria fugir. Estou apenas esperando o detetive vir, tenho muito trabalho para hoje. — O suspeito olhou para Sara e suspirou.

– Se você não for o assassino da sua avó, poderá terminar todo o seu trabalho ainda hoje. – Enquanto falava isso, Brass entrou na sala segurando sua famosa xícara de café, que imediatamente encheu a sala com um cheiro sufocante.

- Então Sr. Queen, quer facilitar o meu serviço ou quer fazer algum jogo até confessar? – Brass falou ironicamente sentando-se em uma cadeira defronte ao suspeito. Abordagens nada sutis faziam parte da interrogação de Brass, que conseguia meter medo até nos assassinos mais durões.

- Eu já falei, sou inocente. – O suspeito falou mexendo se desconfortavelmente em sua cadeira.

- Não é o que todas as evidências recolhidas na cana do crime nos dizem, Adam. Todas elas apontam para você. – Jim falou com um olhar penetrante.

– Quero um advogado. – O suspeito falou estralando ruidosamente os nós dos dedos e inclinando-se para trás em sua cadeira.

Aquele seria um interrogatório longo.

Notas finais
Então gente? Se tiverem sugestões e críticas, sintam-se a vontade o/