Sobrevivendo Ao Natal
7 6."Talvez eu não te odeie tanto"
Notas iniciais
Quebec, Canadá-25 de dezembro de 2014-00:38
–Você está brincando que eu terei de dormir no sofá!-Beck diz contrariado ao ouvir a inimiga anunciar que a cama era dela.
–Que eu saiba, a cama é minha, assim como o quarto e tudo que está aqui. Portanto, você tem de agradecer por eu deixar você dormir no meu sofá. Tenha uma péssima noite-Jadelyn responde enquanto põe os lençóis em cima de si.
–Isso é injusto!-Esperneia.
–A vida é injusta.-Ela retorque-Por exemplo: Eu poderia estar agora tomando chocolate quente com a vovó e o vovô, sem ter que ver a sua cara e em um cobertor quentinho. Mas não, eu estou aqui.
–Não finja que não gosta de ver esse meu rostinho lindo.
Ela solta uma risada sarcástica-Eu não estou fingindo.
–Não é o que parece-Ele retruca, esticando os lábios como se fosse beijar alguém. Jade bufa.
–Ok, ok!-Se dá por vencida-Talvez eu não te odeie tanto.
–Eu sempre soube, West.
–Eu disse talvez. Não é um sim.
–Mas também não é um não. E, não se preocupe, eu também talvez não te odeie tanto.
–Ugh-Jade solta um grunhido-Será que você pode calar a boca?
–Me obrigue.-Ele responde se aproximando da cama da garota, que agora estava sentada no colchão.
–Ótimo-Diz, puxando Beck pela nuca e, mais uma vez naquela noite, o beijando.
Chame do que quiser, acaso, coincidência, erro. Mas todos nós sabemos muito bem que fora o destino agindo. Por exemplo, por quê a porta emperraria justo naquele dia se, em qualquer outro, funcionava perfeitamente, como Jade adora dizer?
Por quê a Quebec decidiu, justo naquele ano, fornecer aulas até às 18:00 do 24 de dezembro?
E por quê a bendita maçaneta teria de quebrar justo em um dia que ninguém estaria ali para destrancá-los?
Você até pode dizer que tudo não passa de uma grande coincidência, mas você já vira tantas coincidências juntas em apenas um dia? Bem, eu não. Eu acredito que seja, mesmo, o destino. Eles começaram aquilo em um Natal, e terminariam isto em um Natal.
O destino é um grande pregador de peças, caro leitor, por isso muito cuidado com ele.
E, olhando para aqueles dois, posso dizer que minha teoria está comprovada. O destino gosta de brincar.
E, quando você está destinado á algo, não há como fugir. Talvez um vôo atrase ou uma porta emperre. Você não comanda seu destino, você pode até ajudá-lo ou prejudicá-lo, mas, por mais que você fuja do caminho certo, vai acabar chegando onde o destino queria que você chegasse, talvez por um atalho criado por ele ou qualquer outra coisa do tipo.
Voltando aos nossos inimigos, ambos acabaram de separar suas bocas, ofegantes, o cérebro dizendo para parar, mas algo um no outro tentando puxá-lo novamente, como imã e metal.
–Eu ainda vou me arrepender muito dessa noite.-Jadelyn fala, deixando um sorrisinho sapeca brincar nos lábios.
–Idem.-Ele diz, voltando a colar os lábios aos dela novamente.
O destino é a única coisa qual não se consegue fugir.
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