Sobrevivendo Ao Natal
6 5. Fogos de Artifício
Notas iniciais
Quebec, Canadá- 25 de dezembro de 2014-00:01
25 de dezembro. Sim, caro leitor, eles conseguiram. Jadelyn West e Beck Oliver passaram pouco mais de quatro horas juntos. E vivos. Sem suicídios nem assassinatos. Aquela noite entraria para a história. Talvez seja a magia do Natal fazendo sua mágica.
Nossos queridos prisioneiros, no entanto, não faziam ideia de que já passara da meia-noite, assistiam á um filme de Natal aleatório, em um especial de Natal aleatório, em um canal aleatório.
Então começaram os barulhos conhecidos por ambos. Primeiro um ruído esganiçado como o de uma porta velha de filmes de suspense sendo aberta, e um som parecido com de uma pequena explosão.
Jade olhou pela janelinha de seu quarto e confirmou suas suspeitas. Fogos de artifício. Olhou para o relógio de seu criado mudo. Já era Natal. Revirou os olhos.
–Ei, fogos de artifício!-Apontou Beck para os coloridos explodindo e dançando no céu.
–É, acho que eu vi.
–Vai dizer que também não gosta de fogos de artifício, West?
–Eles são tão felizes e coloridos e... Não para mim.
–Como sempre, não é? Me diga algo que você não odeie.-Pediu.
–Eu.-Ela responde, dando de ombros.
–Claro.
Mais um barulho e Jadelyn cobriu os ouvidos com as mãos.
–Ugh–Grunhiu-Esse barulho só não é pior do que ter de ouvir a sua voz.
–Pelo menos a minha voz não é de uma foca morrendo.-O Oliver rebate.
–Não é mesmo-Concorda-, consegue ser pior.
A verdade é que, a voz doce e baixa de Jadelyn era como música para os ouvidos de nosso garoto. O mesmo para a voz aveludada dele significa para a West. Mas nenhum deles iria admitir. Por mais que já tenhamos tido grandes avanços hoje-como quatro horas sem mortes, abraço e até um beijo- ainda é difícil demais para ambos admitir que a companhia um do outro não seja tão ruim assim.
–Você é tão estúpida que eu me pergunto como pode caber tanta estupidez em apenas uma pessoa.
–E você é tão burro que eu me pergunto porque a sua cabeça é tão grande se é oca.
–E você é tão esquisita que estou com vontade de te beijar de novo.-Ele admite, como se estivesse xingando a inimiga.
–Você não se atreveria a colocar essa sua boca germelenta na minha de novo.-Ela diz.
–Então veja isso-Ele diz, puxando a garota para perto e colando seus lábios pela segunda vez naquela noite. Ela, novamente, não hesitou, pelo contrário, o incentivou a continuar, afundando os dedos nos fios cor de âmbar dele.
Então, quando as bocas se desgrudaram, após alguns minutos, ficaram encarando-se á milímetros de distância.
–Eu só posso estar enlouquecendo-Ela sussurra.
–Então somos dois-Responde Beck.
–Não deveríamos ficar fazendo isso. Sabe, era para continuarmos nos odiando.
–Então esqueça isso. Apenas essa noite. Pense que é a magia do Natal agindo por nós.
–A magia do Natal.-Ela repete, um sorrisinho pintando nos lábios, logo sendo desmanchado pelos lábios macios de Beck, outra vez.
Lembra-se do que eu disse antes? O amor e o ódio são melhor amigos?
Aí está uma prova.
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